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Os ataques dos mil bombardeiros

Sir Arthur Harris sabia que o futuro do Comando de Bombardeios estava ainda incerto, e por isso ele conversou com  Winston Churchill e com Sir Charles Portal sobre uma idéia que tinha em mente de montar uma força com mil bombardeios e envia-la num  ataque contra uma cidade alemã. Churchill e Portal ficaram ambos muito impressionados com a idéia e concordaram. Embora Harris só dispusesse de pouco mais de 400 aeronaves com tripulações treinadas, que ele utilizava como força operacional de primeira linha, ele possuía um número considerável de futuras aeronaves em unidades de conversão que preparavam as tripulações para os quadrimotores, bem como de duas unidades de treinamento do próprio Comando de Bombardeio (os Esquadrões Nº 91 e 92). Essa força secundária do Comando de Bombardeio poderia ser equipada por uma combinação de instrutores, a maioria deles ex-pilotos operacionais e por pilotos e tripulantes em estágio avançado de treinamento. Para completar as mil aeronaves necessárias, Harris solicitou ajuda do Comando Costeiro e do Comando de Treinamento, e ambos concordaram em ajudá-lo. Sir Philip Joubert, do Comando Costeiro imediatamente ofereceu 250 bombardeios, a maioria deles, que já haviam servido ao Comando de Bombardeio. O Comando de Treinamento ofereceu 50 aeronaves, mas mais tarde descobriu-se que elas não estavam suficientemente equipadas para bombardeio noturno, e no final apenas quatro Wellingtons Lancasters of 83 Squadron line up at Scampton ready to take off on the third thousand bomber raid to Bremen on 25 June 1942serviram.

 

 

 

Tudo parecia estar indo bem. A meta de mil bombardeios foi rapidamente obtida e o planejamento detalhado da missão iniciado, sendo que as táticas a serem empregadas eram o maior problema, não apenas objetivando o sucesso de missão sem precedentes mas também como base experimental para futuras operações semelhantes. As táticas eventualmente adotadas nessa operação formariam o procedimento básico de operações do Comando de Bombardeio nos próximos dois anos, sendo que alguns elementos seriam utilizados até o final da guerra.

A maior inovação deste ataque foi o emprego da denominada “corrente de bombardeios”, onde todas as aeronaves voariam uma rota comum, mantendo a velocidade tanto na chegada como na saída do alvo e cada aeronave tendo uma altitude pré-determinada e uma janela de tempo nessa corrente, de modo a minimizar o risco de colisão. A recente introdução do equipamento Gee, fez tudo isso muito mais fácil para as tripulações voarem e navegaram dentro de limites precisos requeridos para este tipo de vôo, embora sempre houvesse a probabilidade de uma ou outra aeronave se desviar da rota. A vantagem esperada pela utilização desta tática de “correntes” era que os bombardeiros passariam por um número mínimo de radares da caça-noturna alemã. Os controladores alemães, de cada uma dessas áreas ou caixas, só conseguiam direcionar um máximo de seis interceptações efetivas por hora. A passagem da corrente de bombardeiros por um número pequeno de caixas, reduziria o número de possíveis interceptações, em especial, se a corrente de bombardeiros pudesse ser mantida a mais compacta possível e passasse por cada uma dessas caixas rapidamente. Tudo isso levaria a uma nova decisão, qual seja, a de reduzir ao máximo o tempo de bombardeio em cada alvo. No início da guerra, um ataque com 100 aeronaves levava até quatro horas para ser realizado; mais tarde, num ataque contra Lubeck com 234 aeronaves, e utilizando uma tática de concentração das aeronaves, levou-se duas horas. O planejamento agora, para um ataque de 1.000 aeronaves, planejava-se uma janela de tempo de 90 minutos. O grande receio que se tinha era o de colisões, mas, nessa oportunidade, essa possibilidade era até considerada, tendo em The centre of Cologne ofter the first 1,000 bomber raid, the cathedral intact despite the near complete devastation of the cityvista que os bombardeiros passariam rapidamente pelas caixas de defesa alemã e lançariam uma grande quantidade de bombas incendiárias num pequeno espaço de tempo, que os bombeiros não teriam a menos chance de apagar os incêndios que se espalhariam pela cidade atacada. Como nos ataques anteriores, a operação seria liderada por tripulações experientes, cujas aeronaves estava equipadas com o Gee. Os Grupos Nº 1 e 3 ficaram encarregados de fornecer as aeronaves líderes para esse ataque.

Mas, conforme o planejamento ia chegando a seu fim, um potencial desastre se fez presente. O Almirantado recusou-se a permitir de as aeronaves do Comando Costeiro participassem do ataque. Essa era obviamente mais um passo da longa e antiga batalha entre a RAF e a Royal Navy sobre o controle do poder aéreo e o Almirantado percebeu que o sucesso desse grandioso ataque do Comando de Bombardeio iria atrapalhar seus planos de montar uma força de ataque de longo alcance para a guerra contra os U-boats (submarinos alemães). Mas infelizmente, eles estavam corretos nesta crença. Harris parecia estar se saindo bem, mesmo com a impossibilidade de conseguir juntar os mil bombardeiros, pois sua idéia tornara uma forte campanha de relações públicas para o Comando de Bombardeio que redobrou seus esforços. Cada tripulante e cada aeronave disponível era imediatamente alocada num esquadrão operacional, mas o decisivo e verdadeiro reforço veio do próprio Comando de Bombardeio, principalmente das unidades de treinamento, que concluiu mais rapidamente do que o normal os cursos dos tripulantes, sem deixar cair a qualidade. Todo o esforço foi feito no sentido de formar tripulações tendo pelo menos o piloto com certa experiência, mas apesar de tudo, 49 das 208 aeronaves fornecidas pelo Grupo 9 decolariam com pilotos inexperientes. Quando a operação foi montada em sua fase final, 1.047 bombardeiros estariam disponíveis para decolar, sendo que apenas 4 não eram do Comando de Bombardeio, apesar do risco de se empregar tantas tripulações pouco experientes ou treinadas.  Quando Churchill e Harris discutiram sobre os possíveis números de aeronaves que seriam perdidas na operação, Churchill disse que ele estava preparado para um total de 100 aeronaves perdidas. O número de aeronaves a ser utilizado no ataque era duas vezes e meia maior do que qualquer outro já empregado anteriormente pelo Comando de Bombardeio. Além dos bombardeiros, 49 Blenheims do Grupo Nº 2 reforçados por 39 caças e por 15 aeronaves do Comando de Cooperação com o Exército, realizariam ataques contra os aeródromos dos caças-noturnos, próximos da rota dos bombardeiros.

As ordens finais foram emitidas no dia 26 de maio, data próxima a uma noite de Lua Cheia. A força estava pronta, esperando pela meteorologia favorável. Harris tinha esperanças de utilizar esta força mais de uma vez, se as condições permitissem, antes que as aeronaves extras tivessem que retornar a suas unidades originais. Sua escolha como primeiro alvo seria Hamburgo, a segunda maior cidade da Alemanha, um grande porto e uma atração para o Almirantado, pois seus estaleiros tinham capacidade de construir cerca de 100 U-boats por ano. Mas o tempo sobre a Alemanha não estava favorável, por três dias seguidos, e no dia 30 de maio Harris teve de decidir por atacar sua segunda opção, a cidade de Colônia, a terceira maior cidade da Alemanha. Logo após o meio dia, a ordem de atacar Colônia foi enviada aos Grupos e aos Esquadrões, e o ataque aconteceu naquela noite.

O primeiro ataque dos mil aviões obteve grande sucesso, mas o realizado contra Essen, duas noites depois, não. A fase da Lua mudou e as aeronaves do Comando de Treinamento retornaram a suas atividades normais, para logo em seguida serem requisitas para um ataque contra Bremen, no final de Junho, embora o número de mil aeronaves não tenha sido alcançado desta vez. Harris tinha idéia de realizar a cada Lua Cheia, um ou dois ataques de mil aviões, mas abandonou a idéia de utilizar tantas aeronaves de treinamento após o ataque a Bremem, e cada vez mais ele chamava menos aeronaves desse tipo para os The giant Krupps steelworks at Essen, one of the major targets of the second 1,000 bomber raidataques.

 

 

 

 

 

 

Os ataques de mil aviões foram um marco na história da guerra e um marco para o Comando de Bombardeio. Novas táticas eram mais bem sucedidas, as perdas, as colisões e o tempo sobre o alvo diminuíam progressivamente ate que 700 ou 800 aeronaves conseguiram passar sobre uma cidade a ser bombardeada em menos de 20 minutos. A moral do Comando de Bombardeio estava num crescente por causa desta grande demonstração de poder aéreo e pela publicidade recebida. A mesma publicidade confirmava o futuro do Comando de Bombardeio como uma grande força e pode-se dizer que, embora ainda viesse a ocorrer bons e maus momentos, o Comando de Bombardeio nunca mais foi o mesmo após os ataques dos mil aviões. Esses eventos também posicionaram Sir Arthur Harris no foco do público onde, como Bomber Harris, ele seria conhecido pelo resto de sua vida.

            O restante do verão acabou e os esquadrões de bombardeiros eram pressionados sempre que o tempo e as condições da Lua favoreciam a um ataque, e mesmo quando essas condições não eram tão favoráveis assim. Como as noites desta época do ano eram mais curtas, restringia os ataques contra alvos costeiros, no Vale do Ruhr e na Rhineland. Houve uma outra concentração de esforço contra Essen, no mês de Junho, mas esse importante alvo desafiava ainda o Comando de Combardeio. Algo semelhante aconteceu com Duisburg, mas a tática operacional permanecia a mesma. Harris modificou o procedimento de restringir a utilização de pilotos e tripulantes inexperientes,que eram introduzidos nas missões In the aftermath of the third 1,000 bomber raid on Bremen on 25 June 1942, part of the U-boat support buildings in the docks area burns fiercelygradualmente, ao coloca-los em missões contra alvos na costa francesa, ou então em missões de lançamento de folhetos sobre a França e Bélgica, quando então passariam a operar até o coração da Alemanha. Harris foi também obrigado a ceder seis esquadrões, incluindo um de Lancaster para o Comando Costeiro, que naquela época enfrentava uma batalha contra os U-boats no Atlântico Norte. Uma outra perda para o Comando de Bombardeiro, foi a retirada de operação do novo avião, o Manchester, por problemas operacionais, que equipavam o Grupo Nº 5. Por outro lado, o Grupo Nº 2 receberia uma nova aeronave que teria futuro brilhante na guerra. Na manhã seguinte ao primeiro ataque dos Mil aviões, cinco pequenos bombardeiros bi-motores construídos de madeira realizaram uma missão de reconhecimento até a cidade de Colônia, que estava coberta de fumaça, e aproveitaram a chance a lançaram algumas bombas. O Mosquito havia entrado em ação. Quando do término da guerra, essa aeronave havia realizado um número enorme de missões diferentes para o Comando de Bombardeio.

30/31 de Maio de 1942 – O primeiro ataque de mil avios contra Colônia

1.047 aeronaves decolaram, conforme abaixo:

·                     Grupo Nº 1 - 156 Wellingtons

·                     Grupo Nº 3 - 134 Wellingtons, 88 Stirlings

·                     Grupo Nº 4 - 131 Halifaxes, 9 Wellingtons, 7 Whitleys

·                     Grupo Nº 5 - 73 Lancasters, 46 Manchesters, 34 Hampdens

·                     Grupo Nº 91 (O. T. U.) - 236 Wellingtons, 21 Whitleys

·                     Grupo Nº 63 (O.T.U.)  - 63 Wellingtons, 45 Hampdens

·                     Flying Training Command - 4 Wellingtons

Total: 602 Wellingtons, 131 Halifaxes, 88 Stirlings, 79 Hampdens, 73 Lancasters, 46 Manchesters, 28 Whitleys = 1,047 aeronaves

O número exato de aeronaves que bombardeou Colônia é uma dúvida. A história oficial diz que foram 898 aeronaves, embora os relatórios do Comando de Bombardeio diga que foram 868, com 15 aeronaves bombardeando outros alvos. O total de toneladas de bombas lançada foi de 1.455, das quais 2/3 incendiárias

Os números alemães registram a existência de 2.500 incêndios distintos, dos quais 1.700 foram combatidos pelas brigadas de incêndio, mas não aconteceu o mar de fogo como acontecera em Lubeck e Rostock, pois Colônia era uma cidade moderna com largas ruas e avenidas. O registro da prefeitura local diz que 3.300 prédios foram destruídos, 2.090 seriamente danificados e 7.420 levemente danificados. Mais de 90% desse dano foi causado pelo fogo e não pelas bombas de alto poder explosivo. Desses 12.840 prédios, 2.560 eram industriais. Entretanto, 33 empresas perderam completamente sua produção, 70 sofreram entre 70 e 80% de perda e 222 sofreram até 50% de perda. Entre os edifícios destruídos destacam-se 7 prédios da administração local, 14 prédios públicos, 7 bancos, 9 hospitais, 17 igrejas, 16 escolas, 4 prédios de universidades, 10 agências de correio, 10 estações ferroviárias, 10 prédios históricos, 2 jornais, 4 hotéis, 2 cinemas e 6 lojas de departamento. Os adnos atingiram 12 centrais de água, 5 de gás, 32 estações elétricas e 12 estações telefônicas. O único alvo militar atingido foi um alojamento da anti-aérea. Foram destruídos 13.010 apartamentos, 6.360 danificados e 22.270 levemente danificados. Esses números mostram perfeitamente o resultado de um bombardeio por área. Resultados semelhantes foram obtidos nos futuros ataques do Comando de Bombardeio nos anos seguintes. O número de mortos, é como sempre, muito impreciso, variando entre 469 e 486, dos quais 58 eram militares da anti-aérea. As pessoas feridas foram 5.027 e as sem casa 45.132. Estima-se que após o ataque, entre 135 mil e 150 mil pessoas abandonaram a cidade após o ataque.

A RAF perdeu 41 aeronaves, incluindo 1 Wellington, que acredita-se tenha caído no mar. Das aeronves perdidas, 29 eram Wellingtons, 4 Manchester, 3 Halifaxes, 2 Stirlins, 1 Hampen, 1 Lancaster e 1 Whitley. O número de aeronaves perdidas excedeu a maior perda até então, acontecida na noite de 7/8 de Novembro de 1941, que foi de 37 aeronaves, quando uma grande massa de aviões realizou uma operação sob mau tempo. Entretanto, em termos percentual, o ataque a Colônia perdeu apenas 3,9%, que embora alto foi aceitável, tendo em vista as condições meteorológicas favoráveis, que facilitou a ação da defesa alemã.

O Comando de Bombardeio, em relatório mais tarde estimou que 22 aeronaves foram perdidas sobre ou próximo a Colônia – 16 abatidos pela anti-aérea, 4 pela caça noturna e 2 em colisão. As demais perdas foram devidas à caça-noturna entre a costa e a cidade de Colônia. Com relação às perdas por levas, os números são os seguintes: 1ª leva 4,8%, 2ª leva 4,1% e 3ª leva 1,9%, cuja explicação é que conforme o ataque foi acontecendo, o céu ficou cheio de fumaça e a anti-aérea foi sendo prejudicada. Um dado interessante é que as unidades provenientes das unidades de treinamento sofreram perdas menores do que as unidades operacionais: 3.3% contra 4.1% !!!

Uma Victoria Cross foi agraciada nessa noite. Um Manchester do Esquadrão Nº 50, polotado pelo Flying Officer Manser, foi colhido por um refletor e seriamente danificado pela anti-aérea ao aproximar-se de Colônia. Manser manteve a aeronave em seu rumo e altura até que as bombas fossem lançadas, e apesar dos danos sofridos, colocou sua aeronave no rumo da Inglaterra, embora ele e sua tripulação pudessem ter saltado de para-quedas. Aos poucos, a aeronave perdia altura, e quando ficou claro que não havia mais esperança de alcançar a Inglaterra, Manser ordenou que a tripulação saltasse de para-quedas, enquanto mantinha a aeronave nivelada e por isso ele mesmo perdeu a oportunidade de saltar e acabou morto quando a aeronave chocou-se com o solo. Ele está enterrado no Heverlee War Cemetery na Bélgica.

Operação de infiltração

Para auxiliar a força principal que atacava Colônia, 34 Blenheins do Grupo Nº 2, 15 do Comando de Cooperação com o Exército e 7 Havocs do Comando de Caça tentaram atacar os caças-noturnos alemães ao longo da rota dos bombardeiros. Não obtiveram nenhuma vitória e ainda perderam 2 Blenheims.

Nesta noite, um total de 1.103 saídas foram registradas, com 43 aeronaves perdidas (3.9%).