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Bader and his pilots.

Douglas Bader - Personificação do heroísmo da RAF durante a 2ª Guerra Mundial.

Bader (quarto a partir da direita) com alguns de seus companheiros canadenses do Esquadrão Nº 242. Ele logo deixou claro que não pretendia comandar o esquadrão atrás de uma escrivaninha.


Poucos homens tornam-se legenda de seu tempo. Douglas Bader foi um desses homens. Ás da caça, esportista de renome internacional e um constante quebrador de regras, ele esparramou exasperação e irritação onde quer que estivesse. E mesmo assim, com sua coragem e determinação, em face de sua situação física, ele continua a inspirar pessoas até os nossos dias.

         Douglas Robert Steurt Bader, nasceu no dia 10 de fevereiro de 1910, em Londres – Inglaterra, filho de Frederick Roberts Bader e de Jessie Bader. Desde o início, sua vida não seguiu padrões convencionais e tranqüilos. Quando Douglas tinha alguns anos de vida, sua família retornou para a Índia, onde seu pai trabalhava como engenheiro civil, mas ele foi deixado na Inglaterra, porque seus pais acreditavam que ele era muito jovem para suportar o árido clima daquele país. Só quando alcançou os dois anos de idade é que ele juntou-se à família, começando assim uma vida solitária. A família Bader retornou à Inglaterra em 1913, e no ano seguinte, com o início da 1ª Guerra Mundial, Frederick Bader alistou-se ao exército britânico, indo para a França. Esta foi a última vez que Douglas viu seu pai, que morreu na França em 1922, após sofrer anos por complicações causadas por estilhaços de artilharia, sendo enterrado próximo a St. Omer. Mas a vida é repleta de coincidências, pois 21 anos depois, seu filho ficaria preso em um hospital, não muito distante de onde seu pai foi enterrado. Jessie Bader, casou-se mais tarde com um clérigo de Yorkshire, o reverendo Willian Hobbs. Durante seus primeiros anos de vida, Douglas sempre mostrou-se muito independente e rebelde, sendo um excelente esportista, destacando-se no rugby como capitão de seu time, onde sua natural habilidade de liderança ficou aparente.

 

         Em 1923, Douglas foi morar com sua tia Hazel Bader e com seu marido, o Flight Lieutenant (1º Tenente) Cyril Burg, que nesta época servia no RAF Cranwell College (Academia da Real Força Aérea). Foi nesta época que ele tornou-se interessado em aviões. Em 1927, Douglas decidiu que queria tornar-se piloto da RAF, apesar da desaprovação de sua família. No verão de 1928 ele foi aceito no Cranwell College e em setembro já começava a voar, mas seu desempenho nos vôos e sua personalidade forte não colaborassem, principalmente com os superiores. Na metade do curso de dois anos de duração, quando os cadetes realizam seus exames, Douglas foi classificado em 18º lugar, numa turma de 21 alunos. O Comandante do RAF Cranwell, Air Vice Marshal Halahan, o advertiu: “ Você é jovem, e eu entendo seus problemas, mas a RAF não os entenderá. Ela necessita de homens, não de adolescentes”. Bader saiu da sala do comandante abalado, mas concordou com suas palavras.  Ele estudou muito e sua pilotagem tornou-se melhor do que nunca. Ele não conseguiu ganhar a Espada de Honra, honraria dada ao melhor dos cadetes, mas chegou num honroso e próximo segundo lugar.

         Após graduar-se em 1930 Cranwell, Bader, então Pilot Officer (2º Tenente), foi designado para o Esqudrão Nª 23 que operava do aeródromo de Kenley, com caças biplanos Gloster Gamecock. Pouco tempo depois o esquadrão recebeu os novos caças Bristol Bulldog, que eram mais velozes que o Gamecock, mas mais pesados e que perdiam altura rapidamente quando realizavam manobras a baixa altitude.

Numa Segunda-feira, no dia 14 de dezembro de 1931, Bader voou de Kenley ate Woodley com outros dois pilotos de seu esquadrão. No cassino da base de Woodley, o Hendon Star, um jovem piloto começou a discutir com Bader sobre acrobacia, e sugeriu que ele desse uma demonstração de vôo rasante. Bader recusou, alegando sua pouca experiência em vôos acrobáticos com o Bulldog. O assunto morreu, até a hora que Bader e os outros pilotos estavam saindo do pub, quando alguém duvidou que ele pudesse realizar acrobacias. Imediatamente Bader dirigiu-se para sua aeronave, decolou e voou em direção ao cassino. Voando muito baixo e veloz, Bader começou a realizar um rolamento bem lento, mas sua inexperiência com o Bulldog o fez voar mais baixo do que o necessário para completar o rolamento, pois a aeronave perdia altura. A asa esquerda da aeronave bateu no chão e a aeronave logo transformou-se num monte de destroços. As pernas de Bader foram esmagadas, a esquerda sob o assento e a direita pelo pedal do leme. Bader foi puxado dos destroços e levado imediatamente para o Royal Berkshire Hospital, onde ficou sob os cuidados do Dr. Leonard Joyce, um dos melhores cirurgiões da Inglaterra. Joyce imediatamente amputou a perna direita logo acima do joelho, e alguns dias depois, a perna esquerda seis polegadas abaixo do joelho. Após a segunda cirurgia, as condições gerais de Bader pioraram e nenhum médico acreditava que o jovem piloto, então com apenas 21 anos sobrevivesse. Mas Bader tinha desejo de viver.

Após um longo e doloroso período de recuperação, Bader foi transferido, em 1932,  para o RAF Hospital em Uxbridge. Enquanto esteve em Uxbridge, conheceu os irmãos Dessoutter. Marcel  Dessoutter for a um projetista de aeronaves até que, também perdeu uma perna, num acidente aeronáutico. Após esse acidente, ele montou uma empresa que fazia pernas artificiais de ligas metálicas, especialmente ligas de alumínio. Douglas Bader foi seu primeiro cliente a utilizar duas pernas artificiais, e apesar de suas limitações físicas, começou a refazer sua vida, tanto física como mentalmente. Após meses de agonizantes e determinados esforços, Bader aprendeu a caminhar com suas duas pernas artificiais, sem utilizar bengala. Aprendeu também a dirigir carro, com os pedais modificados para se ajustarem a suas novas pernas, mas o sonho de Bader era voltar a voar. Após passar um fim de semana com o Sub-Secretário de Estado da Aeronáutica, Sir Phillip Sasson, em junho de 1932, seu sonho tornou-se realidade. Seu anfitrião, que morava próximo ao aeródromo de Lympe, arranjou um vôo para Bader numa aeronave de treinamento Avro 504 e Bader não deixou por menos, pilotando-o muito bem. Dias depois, uma junta médica o aprovou para vôo, com restrição, mas em abril de 1943, Bader foi informado que a RAF não o queria mais voando, e que ficaria restrito a atividades no solo, fato esse que o deixou totalmente em estado de choque. Em semanas, Bader resolveu deixar a RAF, recebendo uma pensão por invalidez total.

Durante o período fora da RAF, Bader trabalhou na Asiatic Petroleum (agora Shell). Seu futuro no novo emprego, pelo menos no início, não parecia promissor, mas ele teve sorte em casar-se com Thelma Edwards, que havia conhecido durante sua convalescença em Uxbridge, quando ela trabalhava como garçonete num pub chamado The Pantiles. Eles se casaram em 1935, ela devotou-se a ele por 37 anos. Uma vez perguntado como conseguira sobreviver, Bader respondeu: Eu teria morrido sem Thelma.

Apesar de sua nova forma de vida, Bader sonhava em voar de novo. Em setembro de 1939,  logo após o início da 2ª Guerra Mundial, Bader mais uma vez tentou entrar na RAF, como piloto, sendo auxiliado por um velho companheiro de esquadrão,  Geoffrey Stephenson, que trabalhava no Air Ministry. Ele foi entrevistado por uma junta, chefiada por seu ex-comandante de Cranwell, Air Vice Marshal Halahan, que o classificou na categoria A1B (vôo), permitindo que ele fosse encaminhado para a Central Flying School, que avaliaria suas habilidades como piloto. Bader saiu do Air Ministry sentindo-se um outro homem, mesmo sabendo que sua permanência na força dependeria dos testes de vôo que realizaria na RAF's Central Flying School (CFS) em Upavon

No dia 27 de novembro de 1939, oito anos após seu acidente, Douglas Bader  voou solo de novo, nos controles de um biplano Avro Tudor K-3242. Uma vez no ar, ele não resistiu a tentação de voar de cabeça para baixo, realizando o circuito a menos de 200 metros de altura. Logo passou a voar no Fairy Battle, um caça-bombardeio de dois lugares e em seguida no Miles Master, o último degrau de um piloto da RAF, antes de pilotar um Supermarine Spitfire ou um Hawker Hurricane. Duas semanas após pilotar o Miles Master, Bader teve a oportunidade de pilotar um Hurricane, aeronave mais complexa que ele já tinha pilotado, sentindo-se muito bem com ela, e após 20 minutos de vôo, fez um perfeito pouso.

Em fevereiro de 1940, Bader juntou-se ao Esquadrão Nº 19 em Duxford. Na época, com 29 anos, era mais velho que a maioria dos pilotos do esquadrão. Dois meses depois, era designado comandante de uma esquadrilha do Esquadrão Nº 222, também operando em Duxford, que havia trocado recentemente seus bombardeiros Blenheims por caças Spitfires. Antes de assumir o posto, Bader quis realizar um vôo com sua seção de Spitfires, mas inadvertidamente decolou com o passo da hélice na posição de baixa rotação em vez da posição de alta rotação, utilizada na decolagem, fato este que fez com que a aeronave dele caísse. Bader não se machucou, além de ter suas pernas artificiais quebradas e de ficar muito envergonhado com seu erro. Admitindo sua estupidez, Bader foi falar com o Comandante do 12º Grupo, o Air Vice Marshal Trafford Leigh Mallory, mas esse o inocentou e manteve sua decisão de nomeá-lo para o posto de comandante de esquadrilha do Esquadrão Nº 222 nem sua promoção a Flight Lieutenant.

 

 

Bader imediatamente começou a treinar seus pilotos, utilizando seu estilo de combate, visto que não concordava com o padrão utilizado pelo Comando de Caças (mas uma de suas rebeldias). Foram horas de treinamento de combate aéreo e de missões de patrulha de comboios. Nada aconteceu com o Esquadrão Nº 222 até junho de 1940, quando o esquadrão, juntamente com outros, foram designados para cobrir e evacuação de tropas britânicas e francesas de Dunquerque.

Numa dessas missões, sobre Dunquerque, ele liderava sua esquadrilha, e após combate com alguns Me-110, Bader vislumbrou quatro Me-109 aproximando-se de sua esquadrilha. Imediatamente lançou seus caças contra os alemães, obtendo sua primeira vitória aérea.

Em julho de 1940, Bader foi designado comandante do Esquadrão Nº 242, única unidade canadense operando na RAF, naquela época, e que havia sido praticamente destruída na França, estando com o moral muito baixo. Quando Bader chegou ao aeródromo de Coltishall, a maioria dos pilotos do esquadrão estava séptico quando ao seu novo comandante “sem pernas”, o qual imaginavam, iria lidera-los de sua escrivaninha. Bader, logo acabou com essa idéia, ao decolar com um dos Hurricanes, e realizar um show aéreo particular, com 30 minutos de duração, impressionando a todos. Em pouco tempo, Bader transformou o 242, num esquadrão eficiente, corajoso com sua liderança, atitude com os pilotos e mecânicos e principalmente, com seu posicionamento perante os seus superiores da RAF. Após assumiro o comando, Bader descobriu que o esquadrão tinha sérios problemas de logística, fato este que não o permitia manter as 18 aeronaves operacionais. Após tentar resolver o problemas pelos canais oficiais, Bader enviou telegrama ao Quartel-General do 12º Grupo dizendo: Esquadrão Nº 242 operacional no que diz respeito aos pilotos e não-operacional no que diz respeito aos equipamentos. E mais, recusou-se a considerar seu esquadrão operacional até que tivesse obtido as ferramentas e peças de que necessitava. Em menos de 24 horas, recebeu o que já havia solicitado, quando então, enviou outro telegrama dizendo: Esquadrão Nº 242, agora completamente operacional.

O esquadrão, entretanto, não participou muito das primeiras operações da Batalha da Inglaterra, restringindo-se a patrulhas de comboios e ocasionalmente, a interceptações de alta-altitude contra bombardeiros Dorniers Do-17. Numa dessas missões, no dia 11 de julho, Bader abateu um desses bombardeiros, ao decolar sozinho, pois o mau tempo impediu a decolagem dos demais aviões de sua seção. Apesar do tempo não ajudar, ele conseguiu interceptar o bombardeiro, silenciar o metralhador, atingir o bombardeio com alguns tiros, mas o alemão desapareceu numa nuvem. Certo de que o bombardeio havia retornado a sua base, Bader pousou. Cinco minutos depois, foi informado que um posto de observação viu a aeronave alemã cair no mar.

No dia 30 de agosto de 1940, o Esquadrão Nº 242 interceptou um grupo de 30 bombardeiros alemães e de sua escolta, que estavam atacando o aeródromo de  North Weald. Bader abateu um Me-110, e seu esquadrão outras 11 aeronaves. Foi um belo resultado, mas Bader acreditava que se ele tivesse atacado com três ou mais esquadrões, teria derrubado todas as aeronaves inimigas. Foi neste dia que o conceito da Big Wing foi criado. Apoiado por Leigh Mallory, Bader estava convencido que era  necessário lançar um grande número de esquadrões de caça contra a armada da Luftwaffe, para que a RAF alcançasse o sucesso na batalha. Leigh Mallory decidiu então, testar a idéia de Bader, juntando ao Esquadrão Nº 242, dois outros esquadrões, o Nº 19 e o Nº 310, este último formado por pilotos checos, os três agora operando em Duxford.

Bader liderou o Grupo pela primeira vez no dia 7 de setembro de 1940, contra uma grande formação alemã que voava em direção a Londres. Bader estava excitado, por liderar 36 caças numa única ação, mas não teve sorte, pois seus caças foram acionados tardiamente e ao alcançaram os bombardeiros e caças, ao norte de Londres, eles estavam a menor altitude que os alemães. Os esquadrões 242 e 310, equipados com Hurricanes, atacaram os bombardeiros da melhor maneira que podiam, enquanto que o 19, equipado com Spitfires, tentava deter os Me-109. O grupo derrubou 11 aeronaves, com a perda de apenas dois Hurricanes, mas Bader não derrubou aeronave alguma, e teve seu cockpit e seu aileron direito crivados de balas. Após algumas missões, com três esquadrões, dois outros, o polonês Nº 302 e o auxiliar Nº 601, ambos com Spitfires, juntaram-se ao Grupo de Duxford, num total agora de 60 caças. O grupo agora voava com três esquadrões de Hurricanes a baixa altura (20 mil pés), atacando os bombardeiros e com três de Spitfires, 5 mil pés acima, atacando os caças da escolta. A nossa chegada em grande formação, tirava a pressão exercida sob Grupo Nº 11 na defesa de Londres, dizia Bader

Quando a Batalha da Inglaterra terminou, Bader foi agraciado com a Distinguished Flying Cross (DFC) e com a Distinguished Service Order (DSO) por sua bravura e liderança à frente do Grupo de Duxford, que destruiu um total de 152 aeronaves alemãs, perdendo 30 pilotos.

A eficiência da Big Wing tornou-se controversa, mas não a liderança de Douglas Bader. Em março de 1941, Bader, agora promovido a Wing Commander (Tenente Coronel), saiu do Esquadrão Nº 242 e assumiu o Grupo de Tangmere, constituído de três esquadrões de Spitfires, o 145, o 610 e o 616, e de um de Beaufighter que passou a realizar uma série de ataques contra alvos no norte da França e nos Países Baixos. Enquanto comandante do Grupo, Bader introduziu a denominada formação quatro-dedos, onde dois pares de caças voavam lado a lado, enterrando de fez a famosa formação inglesa de três aeronaves. Essa formação era baseada na formação da Luftwaffe denominada  Schwarm (par de caças, com o líder sendo protegido pelo seu ala), e que tornou-se padrão da RAF e da USAAF.

Bader realmente comandava o Grupo de Tangmere. Seu trabalho em equipe com o Wing Commander A.G. Woodhall, controlador de solo durante as missões do grupo, era excepcional. Recebendo orientações claras e precisas do controlador de solo, Bader comandava seus três esquadrões com notável destreza, e era aparentemente capaz de prever aonde deveria posicionar seus caças de modo a obter alguma vantagem, tendo uma capacidade de controlar todos os eventos que aconteciam no espaço aéreo com enorme grau de precisão.

Os Dogsbody, chamado do Grupo de Bader, tornou-se presença constante no outro lado do Canal da Mancha. Freqüentemente, após uma missão bem sucedida, no vôo de retorno sobre o Canal da Mancha, Bader abria o canopy de seu Spitfire, retirava a máscara de oxigênio, e enquanto pilotava seu caça com o joelho da perna menos ruim, e acendia seu cachimbo. Seus companheiros, imediatamente afastavam-se do Spitfire de código DB, com medo de uma explosão. Por seu brilhantismo e liderança inspiradora junto ao Grupo Tangmere, Bader recebeu uma barra para sua DSO. Bader era também muito espirituoso, e chamava seu grupo de "The Bee Line Bus Service. The prompt and regular service. Return tickets only" (Bee Line Bus Service – Nome oficial das linhas de onibus de Londres naquela época; The prompt and regular service – Serviço eficiente e regular; Return tickets only – Apenas passagem de volta : o que ele queria dizer era que seu Grupo funcionava tão bem e regular como os transporte coletivos britânicos, e que como todos os pilotos voltavam das missões, só era necessário passagem de volta).

 

 

Bader parecia invencível, mas não era. Liderando seu grupo em missão sobre a França, no dia 9 de agosto de 1941, ele chocou-se com um Me-109, saltou de para-quedas, quando teve suas pernas artificiais presas na aeronave perdendo-as e foi capturado pelos alemães. Durante um período, ficou prisioneiro direto de Adolf Galland, quando negociou o recebimento de duas novas pernas, que foram lançadas por um bombardeiro inglês. Nesse período, teve inclusive a oportunidade de conhecer de perto a operação do JG comandado por Galland, inclusive entrando no cockpit de um Me-109. Só não voou na aeronave, mas tentou convencer a Galland que deixasse ele dar uma voltinha no caça !!!

Mesmo com seu problema físico, Bader escapou do hospital em que era tratado. Mais tarde, quando num campo de concentração, tentou por diversas vezes escapar, sempre sonhando em roubar uma aeronave alemã e voar até a Inglaterra. Por causa desse seu espírito de liberdade, foi levado para a famosa prisão de Colditz, um castelo à prova de fugas, onde os alemães colocavam os prisioneiros problema. Nessa época, suas pernas artificiais não estavam em bom estado de conservação e ele não pode mais tentar suas fugas, permanecendo como prisioneiro até o final da guerra.

Finalmente, na primavera de 1945, o 1º Exército Americano tomou o Castelo de Colditz, libertando os prisioneiros, inclusive Bader. Uma vez libertado, foi para Paris, apresentou-se ao comando da RAF e solicitou um Spitfire para realizar sua última missão operacional, antes que a guerra terminasse, mas teve sua solicitação negada.

Bader terminou a guerra com 23 vitórias, posicionando-se em quinto lugar entre os ases da RAF, mesmo só tendo participado da guerra por pouquíssimo tempo. Ao retornar a Inglaterra, foi designado Comandante da Escola de Caça em Tangmere, quando foi promovido a Group Captain (Coronel). Comandou também o Grupo Nº 11 em North Weald, e teve a honra de liderar no dia 15 de setembro, o grupamento de 300 aeronaves que sobrevoaram Londres celebrando a vitória na guerra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A RAF lhe ofereceu promoção e tempo de serviço, como se ele não tivesse sido abatido e ficado prisioneiro, mas Bader entendeu que uma força aérea em tempo de paz não era lugar para ele após tanta experiência durante a guerra. A Shell Oil Company ofereceu-lhe um emprego em seu Departamento de Aviação, onde poderia pilotar seu próprio avião. Bader levou quatro meses para aceitar a oferta, quando então pediu baixa da Royal Air Force.

Após largar a RAF, em fevereiro de 1946, Bader viajou pelo mundo, sempre com sua mulher Thelma, visitando a Europa, África e América. Visitou também muitos hospitais de veteranos. Em 1976, tornou-se Cavaleiro do Império Britânico, por seus serviços, exemplo e inspiração. Após a morte de Thelma, casou-se com Joan Murray, com quem compartilhou o interesse pelo trabalho em ajudar os incapacitados fisicamente.

Seu trabalho já seria árdua para uma pessoa normal, sendo ainda maior para um homem sem pernas e cardíaco. Mas ele possuía uma força interior tão grande, força esta que o movimentou até Agosto de 1982, quando sofreu um ataque cardíaco leve, após jogar um torneio de golfe em Ayrshire. Três semanas depois, no dia 5 de setembro, após ser orador de um jantar no London Guildhall, em homenagem aos 90 anos de nascimento do Marshal of the Royal Air Force, Sir Arthur "Bomber" Harris, Bader morreu de um ataque cardíaco fulminante, aos 72 anos. Em seu obituário, o London Times escreveu: Ele tornou-se uma lenda, personificando o heroísmo da RAF na 2ª Guerra Mundial.

Douglas Bader foi um verdadeiro herói, o epítome da coragem, determinação, e habilidade em voar, que ajudou a RAF a fazer o impossível e ganhar a Batalha de Inglaterra. Suas idéias e táticas também ajudaram a fazer da RAF uma força de combate eficiente; um homem comum nunca teria ousado desafiar a ortodoxia tradicional da RAF como Bader fez. Ele era só um homem e não ganhou a Batalha de Inglaterra sozinho, mas sem Bader e seu Grupo de  Duxford , a Inglaterra poderia ter perdido a batalha facilmente. Bader foi dirigido por um demônio que exigiu dele o seu melhor, mesmo antes dele perder as pernas e, quando as perdeu, ele teve mais para provar, e nunca falhou. Ele era o melhor. O homem foi um herói, um ás, e verdadeiramente uma inspiração, provando que uma inaptidão física nunca tem que ser um impedimento.

 

O Hurricane Mk I de Bader, quando no Esquadrão Nº 242, prefixo LE-D V7467,

durante a Batalha da Inglaterra, Setembro de 1940.

Note a insígnia pessoal de sua aeronave, que ficava pintada no nariz da aeronave com os dizeres: Chute a bunda de Hitler

 

 

Bader's Hurricane

 

Insígnia do Comando de Caça

Insígnia do Esquadrão Nº 242