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A Batalha da Inglaterra, uma crítica

Photo of Winston Churchill

Winston Churchill.

Introdução

No verão de 1940, a força aérea alemã – Luftwaffe, tentou obter superioridade aérea sobre o sudeste da Inglaterra e sobre o Canal da Mancha, destruindo a Royal Air Force – RAF e a indústria aeronáutica britânica. A vitória sobre a RAF era absolutamente essencial para que os alemães pudessem invadir as ilhas britânicas.

Os alemães já ocupavam a Bélgica, a Holanda e o norte da França em maio de 1940, utilizando a técnica da Blitzkrieg – Guerra Relâmpago, que era baseada entre outras coisas na grande cooperação entre as forças terrestres e aéreas. Embora a Luftwaffe tenha-se mostrado extremamente competente nessa missão, ela não estava treinada nem preparada para operações estratégicas e ações de longo alcance como teria que executar para conquistar o espaço aérea inglês. É amplamente divulgado que se os alemães tivessem conseguido destruir a RAF, eles teriam sido capazes de invadir a Inglaterra, com relativa facilidade. É bom notar que, naqueles dias, a Inglaterra era o único país europeu que resistia aos nazistas, embora ajudada e muito por seus parceiros da  Commonwealth ( principalmente Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e ìndia).

A União Soviética só entrou na guerra contra a Alemanha em Junho de 1941, e os Estados Unidos em dezembro do mesmo ano. Era essa a situação encontrada por Winston Churchill quando realizou seu famoso discurso no parlamento inglês no dia 20 de agosto de 1940, bem no auge da Batalha da Inglaterra, quando disse, Nunca no campo dos conflitos humanos, tanto foi devido a tão poucos.

Entretanto, os planos alemães eram de certo modo amadores, já que consideravam o Canal da Mancha como sendo um rio mais largo, e mesmo que se Hitler tivesse alcançado seu objetivo de destruir a RAF, os alemães não conseguiriam colocar os pés em solo britânico, visto que a Royal Navy era muito forte. O aniquilamento da força aérea britânica seria o primeiro empecilho para a vitória germânica, mas não era o único fator. Nada impediria que os britânicos movessem sua indústria mais para o norte da ilha, fora do alcance dos caças alemães, caso começassem a perder a batalha aérea, mantendo suas aeronaves na reserva, para contra-atacarem, no caso de uma tentativa de invasão alemã.

 

Photo	of Hitler

Adolf Hitler.

Os combatentes

As primeiras indicações de que a Luftwaffe encontraria enormes problemas na tentativa de obter o domínio do espaço aéreo inglês, já fora sentido durante a retirada das tropas britânicas das praias de Dunquerque, no final de maio daquele ano. O principal caça da Luftwaffe era o Messerschmitt Bf 109E, que possuía raio de ação muito limitado e era operado a partir de aeródromos distantes de Dunquerque, fato esse que deixava os bombardeiros alemães muito vulneráveis aos caças ingleses, situação que se repetiria num futuro próximo sobre a Inglaterra. Os alemães perderam 240 aeronaves contra 177 dos ingleses, sobre as praias francesas. As perdas alemães durante a Batalha da França, também já haviam sido pesadas – 30% - e a indústria aeronáutica alemã não conseguia manter um nível de produção que pudesse repor essas perdas.

 

Bf 109 E

 

Plano para utilizar a Luftwaffe como prelúdio de uma invasão da Inglaterra já fora discutido em 1939 e rejeitado. Entretanto, tendo em vista o poderio da Royal Navy, os alemães decidiram que eles teriam primeiro que eliminar a RAF. Embora os alemães tivessem vencido de forma convincente a Polônia em 1939, a Escandinávia e a França em 1940, eles agora se viam diante de um sistema de defesa aéreo bem organizado. E mais, agora operariam os caças no limite do seu alcance, desprotegendo os bombardeiros.

Os alemães subestimaram o poderio da RAF e a capacidade da indústria aeronáutica britânica. Eles acreditavam que poderiam eliminar o Comando de Caça da RAF em apenas quatro dias e a indústria aeronáutica em quatro semanas. Os britânicos, por outro lado, superestimaram o poderio e a competência alemã. Eles também possuíam uma nova invenção – o radar – que podia ajudar o direcionamento dos caças na interceptação das aeronaves atacantes alemães. E mais, os ingleses conseguiam interceptar as comunicações alemães, após terem quebrado o código do Sistema Enigma

 

Me 110

Do 17

Ju 88

He 111

Ju 87

 

         Nos combates pela superioridade aérea, ambos os lados estavam relativamente empatados. Todos os modelos de aeronaves alemães já haviam sido testados durante a Guerra Civil Espanhola. O Me-109E era o principal caça alemão, mas que com um raio de ação de apenas 700 km, possuía apenas 15 minutos de autonomia se combatendo sobre o condado de Kent e estava em seu limite de ação se tivesse que chegar até Londres. O bi-motor Me-110 possuía raio de ação um pouco maior. Os alemães utilizavam também os relativamente velozes bombardeiros médios Dornier 17, Junkers 88 e Heinkel 11, bem como o famoso Junkers 87 Stuka, que se mostrara muito eficiente no apoio aéreo aproximado, mas contra a RAF foi um fracasso.

 

Photo	of RAF pilots waiting for the call.

Pilotos da RAF aguardando a chamada para o combate.

 

Estratégia e fatos

Os principais caças da RAF eram o Hawker Hurricane e o Supermarine Spitfire. O Spitfire era mais veloz e mais manobrável, mas o Hurricane carregava mais munição, era uma plataforma de tiro mais estável e por isso, letal contra os bombardeiros alemães. Esses eram as principais aeronaves que ambos os lados possuíam naquela fase da guerra. Se os alemães tivessem conseguido introduzir o caça Focke-Wulf 190 em combate naquela época, fato que só foi realizado em meados de 1941, ele teria feito uma verdadeira diferença. Os alemães nunca possuíram bombardeiros quadrimotores pesados, diferentemente dos britânicos e dos americanos, que mais tarde na guerra, os utilizaram na grande ofensiva aérea estratégica contra a Alemanha.

 

 

Hawker Hurricane

Supermarine Spitfire

 

 

         A Batalha da Inglaterra começou no dia 30 de junho de 1940, quando o Reichsmarschall Hermann Göering, Comandante da Luftwaffe, ordenou que seus aviões forçassem o engajamento dos caças da RAF em combate, ao atacar os comboios e bombardear as estações de radar ao longo da costa sul, a indústria aeronáutica britânica e as bases aéreas. Essa diversidade de objetivos foi o principal fator que fez com que a RAF vencesse a batalha.

 

Fw 190

 

O curto raio de ação das aeronaves, em especial dos caças, e o fato de estarem combatendo sobre território inimigo, foi uma grande desvantagem para os alemães. Um piloto alemão abatido era normalmente um piloto perdido, e uma aeronave danificada, obrigada a realizar pouso forçado, normalmente o realizava no mar, ou seja, era também uma aeronave perdida. Por outro lado, caso um piloto da RAF fosse obrigado a saltar de pára-quedas, em poucos minutos talvez conseguisse retornar a sua base, tendo até passado rapidamente para comemorar num pub, e no caso das aeronaves danificadas, elas podiam pousar em qualquer aeródromo, que seriam prontamente reparadas e retornariam ao combate.

O comandante do Comando de Caças da RAF desde 1937 era o Air  Marshal Sir Hugh Dowding, que também havia participado do projeto e desenvolvimento das três principais armas britânicas: do Hurricane, do Spitfire e do radar. Ele resistiu aos apelos de Churchill para que enviasse seus caças de reserva para a França, mantendo-os para a futura defesa do Reino Unido, bem como recusou a utilização dos mesmos em grandes números, na cobertura dos comboios. Ambas as decisões se mostraram corretas, mas mesmo assim Churchill ficou muito sentido com a independência demonstrada por Dowding.

 

Photo of Herman	Goering

Reichsmarschall  Hermann Göering.

O combate

A Batalha da Inglaterra começou oficialmente no dia 13 de agosto de 1940, dia este denominado pelos alemães de Adlertag (Dia da Águia). Nesta data cinco ondas de bombardeiros e caças alemães foram enviados a atacar nove aeródromos localizados entre Eastchurch e Portland. Embora a Luftwaffe Image of spotter for enemy aircrafttenha atacado constantemente os aeródromos de Kent e de Sussex, os mesmos eram rapidamente reparados e recebiam constante fluxo de suprimento, de novos aviões e principalmente de pilotos. A maioria desses novos pilotos eram provenientes da Austrália, Canadá, Nova Zelândia, África do Sul bem como de países da Europa Central, que haviam sido derrotados pelos alemães, em especial da Polônia e Tchoeslováquia, sendo que os esquadrões formados por esse experientes pilotos (poloneses e tchecos), obtiveram enorme sucesso, melhor inclusive do que os esquadrões puramente britânicos.

A Luftwaffe perdeu, entre Julho e Outubro de 1940, cerca de 1.733 aeronaves, contra 915 da RAF. Os alemães estavam na realidade, vencendo a batalha por desgaste do material inglês, mas, frustrados pelo número de aeronaves que a eles se opunham, resolveram no início de Setembro, mudar sua tática, passando a bombardear as cidades inglesas à noite. Este foi o erro fatal cometido pelos alemães. A diversidade inicial de objetivos, fora aumentada agora com ataques ao sistema de transporte, a alvos civis e a indústria aeronáutica. A Blitz, como é conhecida, continuou mesmo depois que a Batalha da Inglaterra terminou. Entre Setembro de 1940 e Maio de 1941, os alemães lançaram mais de 35 mil toneladas de bombas sobre a Inglaterra e perderam 650 aeronaves. Londres foi atacada 19 vezes, com 19 mil toneladas de bombas, mas as defesas da RAF estavam muito bem organizadas. O principal grupo de defesa era o Nº 11, que cobria os condados de Kent e de Sussex. O radar, captava as formações inimigas, e enviava informações para o aeródromo do setor correspondente, ao mesmo tempo que enviava a informação para o QG do Grupo Nº 11 em Northolt. O Grupo então informava ao Comando de Caças, e se necessário, solicitava auxílio de outros setores.

 

Marshal Sir Hugh Dowding

 

         Os ataques contra Londres, levavam os caças germânicos ao extremo de seu raio de ação, mas bem no coração do Grupo Nº 12, que defendia as Midlands. Essa mudança de objetivos deu um certo alívio ao Comando de Caças da RAF, permitindo que se recuperasse.

 

Photo of the plotters in the British air control room

Sala de Operações

A vitória

         Após o dia 15 de setembro de 1940, que é considerado o pior dia para as ações da Luftwaffe, Hitler cancelou, no dia 17 de setembro, a Operação Sealion (que seria o desembarque nas Ilhas Britânicas).

         A campanha de bombardeio contra Londres prosseguiu, mas agora o alvo principal de Hitler era a União Soviética. O fim da Batalha da Inglaterra permitiu que a Luftwaffe se recuperasse um pouco das perdas sofridas desde a Campanha da França. Embora pudesse se recompor materialmente, ela nunca mais foi a mesma em termos de pessoal, em especial de pilotos e tripulantes muito bem treinados.

         No dia 22 de junho de 1941, Hitler lançou a maior campanha militar da história da guerra, a Operação Barbarosa – a invasão da União Soviética. Ele já cometera enorme erro, ao lançar seus bombardeiros contra as cidades inglesas, quando estava prestes a obter superioridade aérea sobre a Inglaterra. A invasão da Rússia, foi um erro ainda maior. A Luftwaffe que atacou a Rússia, não era a mesma Luftwaffe de 1940. Estranhamente, entretanto, os britânicos não aprenderam com sua vitória. Em retaliação aos bombardeios alemães contra cidades inglesas, a RAF começou uma limitada campanha de bombardeio contra alvos alemães, utilizando aeronaves similares, como os bimotores Wellingtons.

 

Vickers Wellington

 

A tentativa de ataques de precisão foi um fiasco, e logo o Comando de Bombardeiro teve que alterar suas planos para bombardeios de área. Mas somente quando os grandes quadrimotores chegaram em 1942, como o britânico Lancaster e os americanos B-17 Fortaleza Voadora e B-24 Liberators, e que os aliados conseguiram começar realmente uma campanha eficiente de bombardeio.

 

Avro Lancaster

B-17, Fortaleza Voadora

B-24, Liberator

 

         Existe uma ironia final. Com sua frase famosa Nunca no campo dos conflitos humanos, tanto foi devido a tão poucos. Churchill, por causa de suas desavenças com Dowding, reduziu esses poucos a menos um, destituindo do comando o homem responsável pela vitória.

 

Henrique Augusto Cruz Santos