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Os ataques aéreos na Batalha de Bulge
  A 8ª Força Aérea emprega seu poder

No dia 16 de dezembro de 1944, três Exércitos alemães – mais de 140 mil homens, 1.025 obuses de artilharia e lançadores de foguetes e cerca de 642 tanques e canhões de assalto – devastaram as linhas aliadas. Liderados pelo Obersturmbannführer Joachim Pieper, a ofensiva, denominada Wacht am Rhein, foi iniciada antes do nascer do Sol, num dia extremamente frio.  Os planos eram para esmagar a resistência americana desde Monschau até Krewinkel, ao longo do Rio Meuse, em ambos os lados da cidade de Liége, para então dirigir-se em direção ao norte para capturar Antuérpia. Os planos pareciam estar funcionando. As forças alemães rapidamente subjulgaram as inexperientes forças americanas e formaram um grande bolsão nas linhas aliadas.

 

 

 

No dia 18 de dezembro, uma mudança climática permitiu que 800 bombardeiros americanos e 750 caças atacassem os alemãesdot_clear.gif - 43 Bytes, em especial seus meios de transporte. Enquanto isso, no dia 17 de dezembro, os alemães haviam comprometido 650 caças com as ações que aconteciam nas Ardenas e os aliados por seu turno empregavam 850 caças por lá. Como conseqüência, a maioria dos 1.300 caças aliados não puderam intervir na batalha.

Os aliados logo descobriram que teriam que desenvolver outros esforços se quisessem interromper as atividades da Luftwaffe. Os exércitos alemães se aproximaram do Rio Meuse no dia 23 de dezembro, mas o tempo subitamente mudou, e o dia amanheceu com o céu claro e o Sol brilhando sobre os campos congelados. Em menos de duas horas, os céus das Ardenas estavam repletos de aeronaves aliadas. Pela primeira vez na semana, o Poder Aéreo aliado foi capaz de intervir na batalha. A sorte de Hitler estava acabando.

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Tripulação de um B-17

Mais de três mil aeronaves aliadas, incluindo bombardeiros B-26 Marauders e caças P-51 Mustang e P-47 Thunderbolts arremessaram-se contra as tropas alemães, que por seu turno lançaram seus caças Fw-190, Me-109 e especialmente o jato Me-262, também em números sem precedentes, de modo que as aeronaves aliadas tiveram que lutar e muito para se defenderem. Em seu livro “Os últimos ases dos Messerchimits” (The First and the Last), Adolf Galland diz que “Doolittle e Tedder exigiam medidas decisivas para previnir as operações dos jatos alemães”.

 

Os comandantes terrestres e aeronáuticos aliados decidiram que no dia 24 de dezembro, os aliados atacariam todos os aeródromos alemães num esforço máximo.  Na noite do dia 23 de dezembro, todos os esquadrões da 8ª Força Aérea foram postos em alerta. Os polícias militares acenderam a luz vermelha nos bares dos esquadrões e daí em diante não era mais permitido servir bebidas alcoólicas, bem como era proibido sair da base. As salas de operações dos grupos começaram a receber mensagens telefônicas informando os detalhes da  missão, bem como os policiais militares passaram a se posicionar nas portas das salas de operação.


 

 

 

A Sala de Operações era o local onde aconteciam as atividades do S-2 (Inteligência). Lá, o Oficial de Serviço utilizava o livro de códigos para identificar os alvos, e então preparava um documento com informações que seriam utilizadas no briefing das tripulações. As tripulações foram acordadas às 03:00 horas, e tiveram 30 minutos para se lavarem e realizaram a higiene pessoal, antes de se dirigirem para a sala de reunião. De modo a evitar o desconforto de utilização da máscara de oxigênio e permitir que a mesma ficasse bem grudada à pele, era preciso estar com a barba feita. Alguns dos alojamentos ficavam a quase 1 km de distância da sala de reuniões e por isso era disponibilizado alguma forma de transporte, normalmente caminhões que transportavam as bombas. Os mais afortunados possuíam bicicleta.

 

O pessoal da cozinha e os comandantes eram acordados uma hora antes, mas os mecânicos o eram até três horas antes. Os armeiros carregavam os bombardeiros com bombas de tamanho e tipo de acordo com o objetivo e o alvo da missão. Os encarregados do reabastecimento enchiam os tanques das aeronaves. Os B-17 e os B-24 podiam carregar cerca de 2.800 galões, o que representava um quarto do peso de decolagem. Ao mesmo tempo, outros especialistas verificavam o sistema de oxigênio e os reabastecia se necessário. Os tripulantes chegavam a suas aeronaves com pelo menos uma hora de antecedência da decolagem. Os artilheiros tinham então, tempo suficiente para verificar as armas, limpa-las e remover qualquer resquício de óleo que pudesse congelar na altitude. De modo a evitar disparos acidentais, as metralhadoras só eram carregadas após os bombardeiros cruzarem a costa inglesa, quando então a formação se espalhava e as armas eram testadas com munição real. Em seguida eles se reagrupavam.

Os motores eram ligados 25 minutos antes da hora prevista de decolagem, ou seja, 10 minutos antes do início do táxi. A torre de controle liberava a missão, lançando um foguete verde. Os pilotos então tinham tempo suficiente para esquentar os motores e checar os instrumentos e os controles, embora esses já houvessem sido verificados pelo mecânico chefe duas ou três horas antes.

Taxiar o B-17 demandava muito mais habilidade do que com o B-24, pois como não era triciclo, a visão do piloto para frente era muito ruim, e essa fase da operação era perigosa e barulhenta, pois as aeronaves ficavam próximas uma das outras com centenas de motores girando. Era comum as freadas bruscas para se evitar o choque de aeronaves. Os bombardeiros consumiam cerca de 60 galões nessa fase da operação.

 

Um segundo foguete verde liberava a decolagem, desta vez lançado de um utilitário de controle. Dependendo do peso de decolagem, o B-17 e o B-24 decolavam após uma corrida de pouco mais de 1 km, mas o trem de pouso só era recolhido após a aeronave ultrapassar a cabeceira da pista. Nessa hora, se tudo estivesse bem, a velocidade da aeronave seria de algo em torno de 120 mph.

 

 

 

Após o recolhimento do trem de pouso, a aeronave começava uma subida suave em direção a altitude determinada para reunião do grupo, algo entre 5 e 10 mil pés. Ao alcançar 10 mil pés, passava-se a utilizar a máscara de oxigênio, e aí a cada 15 minutos o piloto fazia uma chamada de todos os tripulantes, para verificar se estavam acordados e não sofriam de falta de oxigênio. Uma falha desse equipamento podia levar a inconsciência em minutos e a morte em 20 minutos. Os tripulantes tinham que ficar sempre alertas para essas falhas, pois as vítimas raramente se apercebiam da falha do sistema.

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      O modelo G foi muito bem vindo pois as modificações introduzidas permitiam um certo grau de defesa contra ataque frontal dos caças alemães.


A formação se espalhava por quilômetros, e dependendo do número de aeronaves poderia-se ter aeronaves chegando à Alemanha enquanto outras ainda estavam sobre a costa inglesa. Neste dia, os bombardeiros americanos estavam divididos em três divisões conforme abaixo:

 
1ª Divisão —12 grupos; 48 esquadrões
2ª Divisão —12 grupos; 52 esquadrões
3ª Divisão —12 grupos; 56 esquadrões


 

Normalmente previa-se 3% de aeronaves para atuaram como reserva. Um total de 2 mil bombardeiros e 900 caças formavam a força de ataque neste dia. Mesmo com esse grande número de aeronaves voando juntas, as colisões eram relativamente raras.

 

Sobre o Canal da Mancha, cada grupo se afastava um dos outros, para testar as armas. Nessa hora era possível ver sobre o mar as marcas das balas. Essa era uma hora da missão, que embora parecesse simples, poderia causar algum problema caso algum artilheiro não tomasse cuidado, uma aeronave podia atingir a outra, e muitos casos aconteceram.

Voar por dentro de uma formação de bombardeiros com mais de 600 metralhadoras .50 atirando, era algo perigoso para os pilotos alemães. Em 1943, a 8ª Força Aérea experimentou colocar o que se denominou “flak cruisers”, ou seja, B-17 e B-24 que não carregavam bombas mas eram providas de blindagem e de armas extras, e posicionadas em locais estratégicos da formação. Entretanto, os resultados não foram dos melhores, visto que as aeronaves ficaram muito pesadas e lentas, atrapalhando a missão. Analisando-se os relatórios alemães após a guerra, observa-se que eles acreditavam que tais aeronaves continuaram a ser utilizadas pela USAAF. Tudo isto devido ao poder de fogo dos bombardeiros americanos.

 

Após as metralhadoras terem sido testadas, os esquadrões cerravam a formação e começavam a subir até 26 mil pés. Nessa altitude, o canhão anti-aéreo alemão de 88 mm  perdia muito de sua eficiência, mas isso não queria dizer muito, pois os alemães passaram então a utilizar o tiro anti-aéreo de saturação.

 

O Sol mal havia se levantado, quando a formação cruzou a costa inglesa e rumava sudeste em direção a Dunquerque. Os bombardeiros mudaram para o rumo leste, ao chegarem a 10 milhas da fronteira de Luxemburgo, e nessa rota eles estavam livres da anti-aéreo. A missão era realizada na altitude prevista de 26 mil pés, e mesmo desta altura era visível o solo e as florestas completamente cobertas de neve. Lá embaixo os tanques Shermans, a artilharia e os infantes estavam sendo massacrados pelos tanques alemães T iger e Panther, pela artilharia, pela infantaria e pelos caça-bombardeiros Fw-190, Me-109 e Me-262.

O silêncio do interfone de uma das aeronaves foi quebrado quando alguém perguntou aonde estava a escolta. Imediatamente o comandante da aeronave mandou ele manter silêncio. Segundos depois uma voz excitada gritava: Bandidos à 11 horas alto. Logo em seguida ouvia-se o ruído dos projeteis de 20 mm explodindo na aeronave. Em seguida um dos motores começou a pegar fogo, para em seguida se espalhar pela fuselagem. A aeronave começava a agonizar sua vida. O piloto lutava para manter sua aeronave numa atitude tal que permitisse que sua tripulação saltasse de para-quedas. Sete tripulantes conseguiram saltar.


 
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CLICK HERE to enlarge this image Me – 109                                             

 

CLICK HERE to enlarge this image Fw - 190

 

CLICK HERE to enlarge this imageMe - 262

 

 

 

Embora três levas de Fw-190 atacassem a formação, nenhum outro bombardeiro foi derrubado, embora alguns tivessem ficado bastante avariados. Os pilotos alemães eram muito audaciosos, pois voavam entre os bombardeiros, permitindo que os artilheiros americanos pudessem visualizar sua fisionomia com algum detalhe.

 


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Mais preocupante que os caças alemães eram os estilhaços da anti-aérea pesada alemã..

Logo em seguida chegou a escolta de P-51 e P-47. O céu ficou repleto dos “amiguinhos” e os caças alemães rapidamente se retiraram. Após algumas pequenas mudanças de direção, finalmente a formação alcançava o aeródromo de Babenhausen, o alvo determinado para aquele dia. Em minutos, milhares de bombas foram lançadas destruindo prédios, hangares, aviões, centrais de comunicação e pistas de pouso. Fora um bombardeio de precisão com certeza.
 
Nesta missão a 8ª Força Aérea perdeu alguns bons homens, entre eles o General Castle, mas a missão foi considerada um sucesso. Aeródromos, rodovias e ferrovias foram destruídas, impedindo que nos meses seguintes os alemães tivessem capacidade de movimentar suas tropas. A Alemanha se rendeu no dia 8 de maio de 1945