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        Os fatos mostram a verdadeira história

Desde o final da 2ª Guerra Mundial, tem havido calorosos  e contínuos debates sobre qual terá sido o melhor caça do conflito, e esse debate parece não ter fim. Dos garotos da década de 40 até os atuais entusiastas de aviação da década de 90, as preferências têm ficado quase sempre entre o fantástico P-51 Mustang, o clássico Spitfire e o exótico P-38, e assim continuam as discussões para sempre ....

Embora nesses debates não falte paixão, com certeza falta uma acurada análise técnica das aeronaves em questão. Existe uma sólida evidência suportando argumentos de que o Chance Vought F4U-4 Corsair foi na realidade o melhor caça da guerra. Com certeza ele foi o melhor caça / bombardeiro.

O F4U-4 chegou às frentes de combate no início de 1945, tendo então apenas seis meses para  obter suas estatísticas contra os japoneses. Entretanto esse grande caça permaneceu em serviço durante a Guerra da Coréia, onde juntamente com o F4U-5, ganhou enorme reputação, principalmente pela precisão de seus ataques e mais ainda, de seus adversários, pilotos de MIG-15. O Corsair era um caça que tinha que ser tratado com muito respeito, e os pilotos de MIG rapidamente aprenderam que se tentassem engajar em combate com o Corsair, à velocidades abaixo de 350 nós, com toda certeza seriam alvo fácil do caça americano muito rapidamente.

O F4U-4 é o desenvolvimento do F4U-4XA, que voou pela primeira vez no início de abril de 1944, sendo equipado com um motor Pratt & Whitney R2800-18W ou -42W aperfeiçoado, que desenvolvia 2 450 hp com injeção de água e com uma hélice quadri-pá hidramática que aproveitava eficientemente toda a sua potência. A entrada de ar do carburador foi retirada da raiz da asa e reposicionada sob o motor, e por isso o sistema de exaustão teve que ser reposicionado. O armamento permaneceu igual ao do F4U-1, ou seja, seis metralhadoras Browning MGs .50 e a capacidade de carga extra era espantosa: até três pontos de 1 000 lb juntamente com oito foguetes de 5 polegadas. Alguns relatórios informam que por diversas ocasiões, os Corsairs chegaram a levar até 6 000 lb de bombas / foguetes. Aparentemente, a estrutura robusta do Corsair podia suportar toda essa carga extra sem grandes desgastes, mas com certeza eram Corsairs que não operavam a partir de porta-aviõs, mas apenas de bases terrestres.

 Vamos comparar o F4U-4 com seu predecessor o F4U-1, para observarmos as melhoras obtidas.
Velocidade Máxima :
F4U-1: 417 mph @ 19,900 pés
F4U-4: 446 mph @ 26,200 pés

Comentário:  O -4 apresenta uma vantagem de 29 mph, mas mais importante que isso, ele obtém essa vantagem a uma altitude maior, sendo que é também 10 mph mais veloz que o P-51 Mustang, quando esse está em sua altitude ótima.

Razão de subida:
F4U-1: 3,250 pés/min.
F4U-4: 4,170 pés/min.

Comentário: Embora o -4 tenha mais potência, ele é também mais pesado que o -1. Esse desempenho melhor pode ser basicamente atribuído a hélice quadri-pá mais eficiente bem como a maior potência do motor. O -4 apresenta números semelhantes aos especiais P-38L  e F7F Tigercat. A razão de subida do F4U-4 é 20% do que a do P-51D.

Vamos agora analisar aspectos mais subjetivos do desempenho do -4, embora saibamos que analisar características de vôo de um caça pode ser uma armadilha. O que um piloto comenta como sendo um ponto positivo, outro pode discordar completamente, e assim o final da pesquisa pode variar. Entretanto, informações empíricas podem ao final levar a uma avaliação precisosa do desempenho global de uma aeronave. Dados tangíveis como por exemplo, layout do cockpit e visibilidade são também tão importantes quanto os intangíveis como confiança que a aeronave irá conseguir retornar à base. Vou procurar então realizar uma análise o mais imparcial possível.

 Em termos de manobrabilidade, todos os modelos do Corsair a possuíam e muito bem, embora a versão -4 fosse muito melhor do que a -1. Porque? Mais potência e melhor desempenho quando subindo. Muito poucos caças, mesmos os caças puro como o Yak-3, tinham a capacidade que o -4 possuía quando manobrando na vertical. Sua fantástica capacidade de subir combinada com comandos leves e sensíveis faziam-no um caça quase imbatível quando combatendo em vôo vertical.

 Quando fala-se em facilidade de pilotagem, o Corsair era um pouco mais difícil que o P-51, principalmente quando em aceleração, mas muito melhor que o F6F Hellcat. A tendência de sair de lado devido ao torque do motor era compatível com seus contemporâneos.
O F4U possuía uma boa capacidade de rolagem, principalmente quando girando para a esquerda, devido ao auxílio do torque do motor. Ao observarmos os dados dos caças americanos, apenas o P-47D girava mais rapidamente.

O F4U-1 acelerava em vôo horizontal a uma razão de apenas 1,5 mph/seg mas o -4 já o fazia à 2,4 mph/seg enquanto que P-51 Mustang acelerava à 2,2 mph/seg. O melhor avião americano em aceleração horizontal era o P-38L, que chegava à 2,8 mph/seg. Todos esses dados foram obtidos a uma altitude entre 10 e 15 mil pés, utilizando-se potência de combate.

No que diz respeito a aceleração em mergulho, tanto o Corsair como o Mustang tinham desempenhos inferiores ao do P-47D e ao P-38L, que possuíam números bem superiores, inclusive quando comparados a de seus principais oponentes, os caças alemães e japoneses respectivamente. Por outro lado, tanto o Corsair como o Mustang, por não sofrerem com o problema de compressão de fluxo de ar nas asas, podiam sustentar o mergulho por mais tempo. De um modo geral, os caças alemães e japoneses cometiam um grande erro ao tentarem escapar dos caças americanos  utilizando um mergulho, pois desde o início da guerra, mesmo com os P-40 e F4F Wildcat, as aeronaves americanas exibiam bom desempenho nesse parâmetro.

 Existe a história de um piloto da Luftwaffe que, pilotando um Bf-109F na África do Norte, se viu  combatendo alguns Martlets (nome pelo qual a Fleet Air Arm denominava os F4F Wildcat). Estando com um deles na sua cauda, achou que poderia escapar daquela lento e pesado caça embarcado fazendo um meio tunnoux e saindo num mergulho forte. Qual não foi sua surpresa, quando após quase terminar seu mergulho, olhou sobre o ombro e artudido vislumbrou o Wildcat  atirando com tudo que possuía. Puxou o manche com toda a força, realizando uma puxada com elevado G, achando que ficaria livre do britânico, mas o F4F continuava lá atirando. Conforme ia subindo, aí sim a velocidade do caça americano começava a diminuir, e o alemão conseguiu escapar. Se o piloto britânico tivesse uma melhor pontaria, com toda certeza teria derrubado o Me 109. O piloto alemão havia menosprezado totalmente a capacidade de aceleração em mergulho do caça americano. Realmente, muitos outros pilotos alemães fariam o mesmo durante a Campanha Aérea da Europa, mas não teriam a mesma sorte.

 Ao analisarmos as razões de curva dos caças da 2ª Guerra Mundial, depararemos com em diversos fatores que influem o quão bem um caça pode realizar curvas. Aparte dos aspectos técnicos como área alar e carga alar, encontramos alguns caças mais maneáveis à baixa velocidade do que à altas, sendo esta característica muito encontrada nos caças japoneses. À velocidades acima de 250 nós, os caças japoneses A6M Zero e Ki-43 Hayabusa (Oscar) não eram capazes de grandes manobras, mas quando à 150 nós, eram os dois caças mais manobráveis que foram construídos. Não levou muito tempo para que os pilotos aliados aprendessem a como evitar duelos com os japoneses à baixa velocidade. Uma vez que essa regra fosse cumprida, os caças japoneses eram facilmente derrotados pelos americanos, muito mais velozes.

 Nos céus europeus, as coisas eram um pouco diferente. A Luftwaffe empregava aeronaves velozes, muito bem armadas e que não eram aptos à combates à baixa velocidade. Os ingleses possuíam o Spitfire, um caça de defesa clássico, muito bom em um combate técnico, como chamaremos os combates à baixa velocidade. Os americans possuíam os P-38, P-47 e P-51, todos muito velozes e rivais dos caças alemães em manobrabilidade, especialmente o P-38, que conseguia girar melhor todos seus adversários. Ou seja, com exceção do P-38 e do Spitfire, não havia nada no Teatro Europeu que pudesse se igualar ao F4U-4, mesmo se incluirmos os caças soviéticos, a menos do Yak-3 que podia realizar alguma coisa contra os Corsairs, e mesmo assim se estivesse muito bem pilotado, e quando combatendo à baixa e média altitude, pois acima dos 20 mil pés, seu desempenho caía vertiginosamente

 Assim, talvez agora seja um bom momento para sumarizarmos o desempenho  do F4U-4. Vamos compará-lo com a aeronave que é considerada o melhor caça da 2ª Guerra Mundial, o North American P-51D Mustang.

 Velocidade: O Corsair era cerca de 10 mph mais veloz que o P-51D na altitude onde o Mustang desenvolvia sua maior velocidade.
Corsair 1 x 0 Mustang

 Razão de subida: O Corsair possuía uma fantástica razão de subida, apesar de seu tamanho e peso, sendo cerca de 800 pés por minuto melhor que o Mustang.
Corsair 2 x 0 Mustang

Manobrabilidade: O Corsair era um dos melhores caças da guerra nesse parâmetro. De todos os caças da 2ª Guerra Mundial, o Corsair era provavelmente o melhor pois possuía equilíbrio entre a manobrabilidade,  velocidade e resposta do motor quando solicitado, sendo que a última versão empregada na guerra, a -4, foi considerada pelos pilotos que a voaram, o melhor entre todos. Realmente o F4U-4 não tinha igual nesse ramo de negócios, a manobrabilidade em combate aéreo.
Corsair 3 x 0 Mustang

 Armamento: Equipado com seis metralhadoras .50 ou com 4 canhões de 20 mm, o Corsair possuía poder de fogo adequado para destruir qualquer aeronave inimiga. Além disso, podia carregar uma carga de bombas / foguetes / tanques subalares etc... que nenhum outro caça monomotor podia carregar, e até mesmo alguns bombardeiros bimotores médios.
Corsair 4 x 0 Mustang

Capacidade de sobreviver a danos: Não havia nenhum outro caça monomotor operado durante a guerra que pudesse absorver tanto dano de batalha como o Corsair e ainda conseguir retornar à base. A própria USAAF admitiu que o Corsair era mais robusto que o P-47 Thunderbolt. Isso é uma confissão e tanto. O grande motor radial Pratt & Whitney continuava a funcionar e a despejar potência mesmo tendo um ou mais cilindros sem funcionar. O P-51D por sua vez, podia ser derrubado com um tiro de espingarda, desde que o projétil atingisse o sistema de refrigeração.
Corsair 5 x 0 Mustang

 Raio de ação: O Corsair possuía um raio de ação aproximadamente igual ao do P-47D-25-RE, que operava em missões de escolta no coração da Alemanha, alcançando Berlim (Essa versão do P-47 possuía tanque de combustível adicional interno de 100 galões).  Os Mustangs possuíam raio de ação muito maior.
Corsair 5 x 1 Mustang

Facilidade de pilotagem: Apesar de ter ganho o apelido de "Ensign Eliminator" (Exterminador de Guarda-Marinha), a tendência que o Corsair possuía de virar por causa do torque do motor, não era mais difícil de ser controlada do de qualquer outro avião com alta potência daquela época. Aqueles que pilotaram o Corsair e o Mustang afirmam sem hesitar que o     P-51 apresentava maior propensão a girar no dorso que o Corsair, mas esse era muito mais difícil de sair do stall, sempre com a asa direita caindo abruptamente, mas com a aeronave dando sinais que estava estolando, com um pequeno trepidar a cerca de 7 nós antes do evento. Já o P-51 não dava aviso algum, e quando estolada era com total perda de controle  e em atitude invertida. O Corsair necessitava de pelo menos 500 pés para se recuperar enquanto que era muito comum ao Mustang entrar em parafuso durante os combates. O Corsair podia voar a velocidades 30 mph a menos que a velocidade de stall do Mustang, em outras palavras, o P-51 não conseguia acompanhar o Corsair em curvas de baixa velocidade.
Corsair 6 x Mustang 1
 

 Visibilidade: Embora o Corsair proporcionasse uma visibilidade muito boa para o piloto, poucos ou talvez nenhum outro caça da 2ª Guerra proporcionasse uma visibilidade tão boa para o piloto quanto a proporcionada pelo P-51D. A versão inicial do Mustang, a B, proporcionava uma visão inferior a proporcionada pelo Corsair, mas nossa comparação é baseada na versão D.
Corsair 6 x 2 Mustang

 F inalmente chegamos a um parâmetro no qual o Mustang P-51 não pode competir de forma alguma com o Corsair, qual seja, a capacidade de operar a partir de pota-aviões. Não há como comparar a flexibilidade que isso proporciona. Vantagem obvia para o Corsair
Corsair 7 x 2 Mustang

 Concluindo, seria difícil, por que não impossível esquecer o F4U-4 como o principal candidato a melhor caça da 2ª Guerra, para não dizer o melhor avião da caça a pistão do período. Mas em um ponto com certeza todos concordam, é que o Corsair foi o clímax da tecnologia e desempenho dos aviões á pistão.