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Começando do nada

A Luftstreitkräfe monta a doutrina de bombardeio

1914 – 1918

 

Introdução

 

Quando a 1ª Guerra Mundial começou, todos acreditavam que ela estaria encerrada em poucos meses, após algumas poucas batalhas. O papel que a aviação teria na guerra foi considerado, em alguns detalhes, pelas duas maiores potências aeronáuticas da era pré-guerra, Alemanha e França. Ambas nações já possuíam dirigíveis e balões, há mais de uma década, mas a força aérea só existia como arma, a partir de 1909. A evolução do avião foi algo impressionantemente rápido, e diversos experimentos foram realizados na tentativa de instalar nas aeronaves metralhadoras, bem como fazê-los ser capaz de lançar bombas, tornando-os verdadeiras máquinas de guerra. Ao mesmo tempo, a utilização primária do avião e do dirigível, como arama militar, era a condução de reconhecimento tático e de longo alcance, missão esta que eles cumpriram muito bem naqueles quatro anos de guerra.

 

As missões de reconhecimento foram certamente muito importantes, pois permitiam a obtenção de informações operacionais do inimigo, quando da expectativa de uma grande batalha, e praticamente todas as aeronaves do Exército Alemão foram projetadas para apoiar as tropas terrestres. A prioridade por boas informações, acabou fazendo com que aeronaves especialmente projetadas para a missão, fossem construídas. As aeronaves de reconhecimento empregadas pela Alemanha em 1914 eram robustas, razoavelmente velozes (100 milhas por hora), biplanos com dois lugares (piloto e observador), manobráveis e com raio de ação moderado. Essas aeronaves eram também capazes de decolar de pistas rústicas, próximas aos postos de comando do exército, voarem 40 milhas atrás das linhas inimigas, observar as tropas inimigas (sua disposição e movimentos) e retornar até o quartel-general com informações. Essa aeronave poderia ainda carregar algumas pequenas bombas, que seriam lançadas pelo observador, mas possuía pouca capacidade de contribuir diretamente com as operações de combate.

 

Ainda, no outono de 1914, pouco mudou do que se previra. No front ocidental, as grandes potências estavam paralisadas num sangrento beco-sem-saída. No front oriental os alemães haviam desferido um duro golpe nos russos em Tannenberg, mas eles possuíam ainda um forte exército e continuavam sendo uma séria ameaça à Alemanha. Resumindo: a Alemanha tinha que se preparar para uma longa guerra. Os aviadores alemães começaram então, a pensar seriamente no desenvolvimento de uma força de bombardeiros, que pudesse lançar bombas pesadas bem atrás das linhas inimigas, contra alvos vitais, interrompendo a produção industrial de guerra, desmoralizando a população e danificando a logística de apóio aos exércitos terrestres.

 

Com dois anos e meio de guerra, a Alemanha construiu uma poderosa força de bombardeio estratégica capaz de infringir sérios danos à Grã-Bretanha. Além do mais, a Alemanha montou uma força de bombardeiros, em ambos os fronts, capaz de atacar uma variedade de alvos operacionais, força esta, acompanhada de uma desenvolvida tecnologia. Entretanto, mesmo a mais impressionante das armas necessita de uma certa explícita concepção de emprego para ser utilizada com real efetividade. Durante os dois primeiros anos da guerra, o Exército Alemão desenvolveu uma doutrina razoavelmente sofisticada de emprego de sua força de bombardeio pesada. Durante a campanha de 1917 – 1917, contra cidades britânicas e francesas, a Luftstreitkräfe (Serviço Aéreo Imperial) desenvolveu tecnologias e aprendeu lições táticas, que refinaram sua doutrina durante os últimos dois anos de guerra. Ao final da guerra, o Luftstreitkräfe havia maturado uma genuína força aérea moderna, com visão estratégica de todos os aspectos da guerra aérea, incluindo a defesa anti-aérea, o reconhecimento, o apoio aéreo aproximado e o bombardeio estratégico.

 

A Doutrina de Pré-Guerra

 

Embora a arma de aviação fosse algo novo no exército alemão, ela havia atraído um elevado números dos melhores e mais brilhantes oficiais, de todas as patentes. Em 1911, mesmo após o primeiro acidente fatal com uma aeronave, mais de 900 oficiais do exército se voluntariaram para treinamento de vôo. Alguns talentosos oficiais do Estado Maior transferiram-se para a arma de aviação entre 1910 e 1914, incluindo os Majores Hermann von der Lieth-Thomsen, Wilhem Siegert e os Tenentes Wilhem Haehnelt, Helmuth Wilberg e Hugo Sperrle. Quando do início da guerra, duas ou três dúzias de oficiais generais já haviam ido para a aviação.

 

Desde os primeiros dias de existência da arma de aviação, o Estado Maior Alemão demonstrou grande interesse nas possibilidades de utilização do avião como bombardeiro e como arma de combate. Com a criação de uma pequena aviação em 1910, o Estado Maior tentou convencer o Ministério da Guerra (que controlava o orçamento e realizava as compras) de liberar verba para a expansão da arma. O General von Moltke, Chefe do Estado Maior, demonstrou grande interesse nos experimentos de lançamento de bombas e de colocação de metralhadoras em aeronaves. Numa carta a Inspetoria de Transporte do Exército, datada de setembro de 1912, Moltke escreveu: Estou com muito interesse em saber qual é a maior carga possível de ser lançada de uma aeronave, em segurança. De 1912 a 1914, vários testes foram realizados, com bons resultados, e o Estado Maior começou a lutar por um aumento do tamanho da arma de aviação.

 

 

Gênese do Bombardeio Estratégico

 

Uma vez iniciada a guerra, no outono de 1914, o Estado Maior Alemão teve que desenvolver um plano estratégico de longa duração. O Estado Maior entendeu que a Grã Bretanha era o centro de gravidade político e econômico das potências aliadas. Embora a contribuição britânica, do ponto de vista de tropas terrestres, nessa época, fosse relativamente pequena, seu enorme poder industrial e financeiro eram a chave para manter os aliados na luta. Sem o dinheiro e a industria britânica, França e Rússia não conseguiriam vencer a poderosa Alemanha, numa guerra de longa duração. E mais, a Marinha inglesa tinha capacidade de atacar os fracos aliados alemães, como por exemplo, o Império Otomano. Além disso, a Grã-Bretanha era virtualmente invulnerável a ataques diretos. Assim sendo, a Alemanha tinha de encontrar uma maneira de atacar o poder econômico e político da Grã-Bretanha, e essa maneira era através da utilização do dirigível e do submarino.

 

No final do ano de 1914, Wilhelm Siegert, oficial do Estado Maior, que havia servido na Inspetoria de Aviação e comandado um batalhão aeronáutico, recebeu a aprovação do Alto Comando para criar uma unidade de bombardeiros especial, que operaria, não como parte da força de aviação do exército, mas sob supervisão direta do Alto Comando. A unidade, que recebeu o codinome de Brieftauben Abteilungen Ostende (Destacamento de Pombos Correios de Ostende), seria uma força de elite, baseada na recém ocupada Flanders, com missão de bombardear a Grã-Bretanha, com aeronaves. Siegert rapidamente recrutou um grupo de experientes pilotos, que inicialmente voaria uma diversidade de aeronaves monomotores de reconhecimento, capazes de lançar pequenas bombas. No mar, a marinha utilizaria sua pequena força de submarinos na tentativa de bloquear os portos britânicos e deter a economia. A esperança alemã era que, a Inglaterra, que tinha muito menos a perder com a guerra do que a França ou Rússia, poderia abandonar a causa Aliada quando colocada sob ataque aéreo e marítimo.

 

O Exército Alemão não morria de amores pelo dirigível, entretanto em 1914 – 1915, ele era a única aeronave disponível que podia ser utilizada para atacar a Grã-Bretanha. Em abril de 1911 o General von Moltke argumentou que o Ministério da Guerra deveria cortar os gastos com os dirigíveis e comprar mais aeronaves. As manobras militares do Exército Alemão haviam demonstrado que os dirigíveis eram altamente vulneráveis ao fogo terrestre devido a sua baixa velocidade e pouca manobrabilidade. E mais, os dirigíveis eram caros, levavam muito tempo para serem construídos, necessitavam de hangares e de facilidades especiais para operar. Por seu lado, o avião era comparativamente barato,  fácil de construir e de manter e podia operar de qualquer terreno plano. O avião era menos vulnerável ao fogo terrestre por ser menor, mais veloz e mais manobrável que o dirigível. Os dirigíveis eram também vulneráveis ao tempo, pois qualquer vento de 25 milhas por hora os impedia de voar. Os aviões conseguiam operar sob ventos razoavelmente fortes. As únicas vantagens do dirigível sobre o avião eram a autonomia e a capacidade de carregar bombas – normalmente algo em torno de uma tonelada. Resumindo, apesar de todas suas desvantagens, os dirigíveis eram o único engenho que podia cruzar o Canal da Mancha com carga de bombas e atacar a Grã-Bretanha. A Marinha, por sua parte, possuía uma diferente visão do dirigível, pois ela o apreciava principalmente pelo grande raio de ação, que o tornava um excelente equipamento para escolta de comboios.

 

As dúvidas do Exército com relação ao dirigível foram confirmadas pelo desastroso desempenho da aeronave nos primeiros meses de guerra. No início, o Exército possuía quatro dirigíveis no front ocidental e três no oriental, e o Z-6 realizou um ataque à Lüttich no dia 6 de agosto, lançando 200 kg de bombas, mas foi atingido por fogo terrestre, caindo. Os Z-7 e Z-8 bombardearam tropas francesas na Alsácia, mas também foram atingidos e derrubados. O Z-9 realizou alguns ataques bem sucedidos contra Antuérpia, Ostend, Zeebrugge, Dunquerque, Calais e Lille, antes de ser destruído em seu abrigo em Dusseldorf por um ataque britânico, no dia 8 de outubro. Mas os britânicos reconheceram a latente ameaça dos ataques de dirigíveis contra a Grã-Bretanha, e começaram um agressivo programa de defesa, na tentativa de interceptar todo dirigível que estivesse no alcance de seus caças., durante os meses de outubro a dezembro de 1914.

 

A Marinha alemão foi a primeira a defender a utilização dos dirigíveis em ataques contra a Grã-Bretanha. Um memorando do Estado Maior da Marinha, datado do final de 1914, argumentava que os ataques contra a Grã-Bretanha diminuiriam a determinação britânica em prosseguir engajada na guerra. O Kaiser objetou a idéia de bombardear seus primos na Grã-Bretanha ao mesmo tempo em que argumentou sobre o que a opinião pública internacional falaria sobre ataques contra cidades indefesas. Entretanto, a Marinha e o Exército logo passaram por cima dessa ordem. Ironicamente, o Kaiser era virtualmente um Imperador e Senhor da Guerra, mas ele transferiu a estratégia e a direção da guerra para os militares e passou apenas a participar de paradas militares. No final do ano, os militares alemães dominavam a Alemanha, e o Kaiser era apenas uma figura que aprovava a política que os generais e almirante lhe apresentavam.

 

Os ataques dos dirigíveis a Londres

 

No início de 1915 o Alto Comando alemão aprovou a idéia de bombardear a Inglaterra. O Exército não gostava dos dirigíveis, mas eles eram a única arma disponível para o trabalho. A Marinha, por seu turno, os adorava. Em dezembro de 1914, a Marinha possuía 3.740 homens alocados em 9 bases, apenas para operação de dirigíveis. Enquanto a Marinha aguardava a chegada de novos e maiores dirigíveis, eles treinavam os homens e testavam uma variedade de bombas a serem utilizadas, o Brieftauben Abteilungen Ostende realizava seu primeiro ataque do ano, ao realizar operação contra Dunquerque, utilizando aeronaves lideradas por Siegert e lançando 123 bombas. Nesta mesma época, o Alto Comando autorizava a criação de uma força de bombardeio estratégica, a operar em Metz.

 

Bombardeio Noturno Alemão AEG

 

 

O primeiro ataque contra a costa leste inglesa realizado por dirigíveis, aconteceu em janeiro de 1915. Na primavera, os militares já haviam superado as objeções do Kaiser de bombardear Londres e atacaram Londres no dia 31 de maio utilizando um dirigível, causando enorme pânico na cidade. Outros ataques foram realizados durante o verão daquele ano, mas com a chegada do outono os alemães chegaram a conclusão que deveriam passar a atacar à noite e a altitudes mais elevadas, tendo em vista o aumento da artilharia anti-aérea e dos caças de defesa. As perdas dos dirigíveis estavam elevadas e em outubro o Exército perdeu a esperança nas operações, embora a Marinha continuasse com os ataques até a primavera de 1916. A campanha como um todo lançou um total de 155 toneladas de bombas, matando 500 e ferindo 1.200 britânicos. Considerando as perdas sofridas, não fora uma campanha efetiva.

 

Embora os ataques com dirigíveis tivessem sido considerados sem sucesso, os alemães desenvolveram diversas tecnologias para auxiliarem as operações. A navegação de longo alcance era algo novo, e as missões de 12 horas de duração dos dirigíveis, tinham de ser capazes de navegar e de encontrar seu alvo. Os alemães descobriram que podiam determinar a localização dos dirigíveis enviando sinais de rádio a partir dos dirigíveis, ao mesmo tempo em que estações terrestres, com posicionamento conhecido, recebiam estas transmissões e retransmitiam-nas de volta ao dirigível. Com essa informação, o dirigível era capaz de triangular seu rumo e determinar sua posição com exatidão. Esta foi a primeira utilização do rádio, como mecanismo de determinar a posição de uma aeronave.

 

Tecnologia e o bombardeio de longo alcance

 

Os alemães rapidamente reconheceram que as defesas aéreas aliadas tornariam os bombardeiros pesados altamente vulneráveis aos caças e a anti-aérea, se as ações continuassem a ser realizadas à luz do dia, e por isso eles teriam que passar a realizar ataques à noite. Essa opção, por seu turno, produziu uma série de novos problemas que necessitaram novas tecnologias e equipamentos. Do mesmo modo que a utilização do rádio como auxílio de navegação, os alemães lideraram durante a guerra o desenvolvimento de novas tecnologias para os bombardeiros. Um dos problemas mais difícil era a navegação noturna por bombardeiros pesados, mas os alemães já haviam construído um tipo de farol aéreo em 1913, e com o andamento da guerra eles montaram um sistema de faróis aéreos que emitiam sinais de luz, normalmente numa seqüência em Código Morse, que era regularmente modificada por razões de segurança. Além desses faróis, eles montaram sinais luminosos no chão, sob a forma de cruzes, triangulos etc..., que auxiliavam na navegação dos bombardeiros, sendo que essas luzes, em tempo bom, podiam ser vistas a mais de 40 milhas de distância. Um outro equipamento utilizados pelos alemães, era o lançamento de um para-quedas com luzes coloridas, à 6 mil pés de altura. Cada para-quedas lançava uma seqüência de cores codificadas que eram visíveis até a 100 km de distância. Os aliados não possuíam nada parecido.

 

Rumpler

 

 

Um dos problemas mais difíceis no vôo noturno durante a 1ª Guerra Mundial era o pouso. Os alemães desenvolveram um sistema muito efetivo para suas aeronaves, onde lâmpadas enterradas, posicionadas no meio das pistas de pouso, atuavam como balizas luminosas, e uma série de luzes vermelhas, radialmente a pista, indicava a direção do vento. Eles também possuíam pistas iluminadas. Os aliados também não possuíam nada parecido.

 

Outros numerosos problemas tiveram que ser resolvidos pelos alemães, de modo a permitir que pudessem realizar a campanha de bombardeio de longo alcance. Para poderem operar em altas altitudes, os dirigíveis e as aeronaves de reconhecimento, tinham de possuir sistema de oxigênio para a tripulação, e para isso, os alemães rapidamente desenvolveram um sistema com garrafas bem como um certo tipo de máscara.  Desenvolveram também um macacão de vôo eletricamente aquecido, a ser utilizado nesses vôos. Então, para que uma força de bombardeiros pudesse ser eficiente em suas missões, um sistema de inteligência acurado teve que ser desenvolvido. A aeronave padrão de reconhecimento alemão, era um biplace, que corria muitos riscos, mesmo quando operando a pequenas distâncias da linha de frente, mas para os bombardeiros, eram necessárias missões profundas dentro do território aliado, em céus repletos de caças e de anti-aérea. A solução alemã foi simples. Em 1917, a Rumpler Company projetou e construiu uma aeronave de reconhecimento, biplace, especialmente adequada para altas altitudes, com uma asa longa e com um motor especial para funcionar em ares rarefeitos, o Rumpler C7, onde o piloto e observador possuíam sistema de oxigênio e a aeronave podia voar a 20 mil pés, e era equipada com as excelentes máquinas fotográficas Zeiss.  Nenhum caça aliado nem projéteis anti-aéreos alcançavam aquela altura. Com essa aeronave, os alemães podiam obter ótimas fotografias dos alvos bem no interior da França, enquanto que os caças aliados ficavam três mil pés abaixo, sem poder fazer nada.

 

Construindo a Força de Bombardeio

 

Qualquer discussão sobre bombardeio estratégico era um mero exercício teórico até que uma tecnologia surgisse e pudesse transformar o sonho em realidade. A concepção de bombardeio estratégico somente tornou-se realidade por causa dos esforços de industriais alemães com visão de futuro. Em agosto de 1914, o Conde Ferdinand Zeppelin, o famoso construtor de dirigíveis e o projetista de aviões Claudius Dornier começaram a trabalhar no desenvolvimento de uma grande máquina multimotor, que pudesse ser utilizada como bombardeio. Ao mesmo tempo, a divisão de aviões da Siemens começava também a desenvolver uma aeronave grande. A AEG, outra empresa fabricante de aviões, também estava trabalhando no projeto de um avião grande no começo da guerra.

 

A iniciativa de construir um grande avião partiu da indústria aeronáutica enquanto que o Exército, preocupado em mobilizar-se para a guerra e com a necessidade de montar unidades de reconhecimento aéreo, expressava pouco interesse no desenvolvimento dessas grandes aeronaves. Entretanto, em 1915 quando as inovações tecnológicas apareceram, o Serviço Aéreo do Exército rapidamente despertou para as novas possibilidades de emprego do avião.  O protótipo Zeppelin-Dornier voou pela primeira vez em agosto de 1915, com sucesso, e agora, o Exército, alertado que o bombardeio de longo alcance era tecnicamente viável, encomendou as aeronaves. O primeiro verdadeiro bombardeiro a entrar em produção foi o AEG K I, um bimotor, biplace equipado com motores Mercedes de 100 hp. A versão seguinte, o AEG G II, logo surgiu equipado com motores mais possantes de 150 hp cada, e capazes de carregar 200 kg de bombas a uma considerável distância.

 

AEG G I

 

 

Logo que os primeiros bombardeiros AEG saíram da linha de montagem, foram designados para um dos dois grupos de bombardeiros, que estavam sendo organizados no front ocidental. A partir de 1915, quando os primeiros bombardeiros multi-motores foram empregados, até o final da guerra, o tamanho, os motores, o alcance e a capacidade dos bombardeiros não pararam de crescer. Em 1917 o Friedrichshafen G III , projetado por Zeppelin e por Dornier, era capaz de levar 3 mil libras de bombas e voar por 5 horas. O bombardeiro Gotha G IV, que começou a operar na Englandgeschwader no início de 1917, e tornou-se o bombardeiro padrão do front ocidental, era equipado com dois motores de 260 hp e podia carregar 1.100 libras de bombas.

 

Em abril de 1915 a aviação do exército alemão foi reorganizada. O cargo de Chefe da Aviação de Campo foi criado e o experiente piloto Coronel Hermann von der Lieth-Thomsen designado para o cargo, tendo Wilhelm Siegert como seu segundo. A Inspetoria da Aviação do Exército, o controle da produção e do desenvolvimento da aeronáutica alemã foram colocados sob o controle de Thomsen e de Siegert.

 

Gotha

 

 

Como chefa da aviação de campo, Lieth-Thomsen era um ferrenho defensor do desenvolvimento e da produção dos bombardeiros. Num memorando datado de agosto de 1916 ele argumenta que a indústria aeronáutica precisa ter velocidade para desenvolver um bombardeiro pesado quadrimotor e fez planos para expandir a força de bombardeiros da Luftstreitkräfe para 108 aeronaves até a primavera de 1917. O ano de 1916 tornou-se o ano de testes para os novos bombardeiros do Serviço Aéreo. Pequenas unidades de bombardeiros foram distribuídas pelo front e testadas em combate. Em abril de 1916, 5 Grupos de bombardeiros haviam sido organizados, juntamente com duas esquadrilhas de quadrimotores Riesen, que foram ser testadas no front oriental, num ambiente mais seguro para eles.

 

Havia, entretanto uma grande demanda de bombardeiros pesados pelo Exército. No front oriental e nos Bálcãs, os bombardeiros eram especialmente úteis nas missões de interdição. A rede de transporte mais primitiva deste front, oferecia aos alemães a possibilidade de ser bloqueada mais facilmente. A Rússia e a Romênia possuíam poucas rodovias e ferrovias, quando comparadas com os aliados ocidentais, e conseqüentemente, cada pátio ferroviário ou depósito era muito importante para o exército inimigo. Danificar ou interromper este frágil sistema logístico, tinha um efeito pronunciado, principalmente para os russos, que estavam no seu limite de apoio e suporte ao exército.

 

A Luftstreitkräfe foi novamente reorganizada no final de 1916 e passou a ter um status igual ao do Exército e da Marinha, com Estado Maior próprio e oficiais superiores. O Tenente General Hoeppner, era agora diretor de toda a aviação e possuía controle total sobre a indústria aeronáutica alemã. A Luftstreitkräfe tentou aumentar a força de bombardeiros o mais rápido possível, mas estava limitada por problemas na produção bem como pela falta de pilotos treinados nas unidades de bombardeiros. Os bombardeiros eram muito mais difíceis de pilotar, navegar, manter e apoiar do que caças e aeronaves de reconhecimento, além de necessitarem de pessoal de terra especializado. Nesse estágio da guerra, a escassez de homens treinados tornou-se uma limitação para a força de bombardeiros tanto quanto de aeronaves. Entretanto, no início de 1917 o Serviço Aéreo havia conseguido montar uma força de bombardeiros com mais de 100 aeronaves, prontas para serem utilizadas no front ocidental.

 

Revisão de Doutrina de Bombardeio em 1917

 

Na primavera de 1917 a organização e a doutrina da Luftstreitkräfe alcançou um alto grau de maturidade. No início do ano, a maioria das unidades da Luftstreitkräfe era constituída de caças e de bombardeiros, em contraste com o que acontecera em 1915 e 1916, quando a maioria das unidades eram de reconhecimento e observação. O verão de 1917 presenciou uma grande mudança organizacional, com os esquadrões e esquadrilhas combinando-se em grandes grupos, um passo que representava quão grande e importante estava agora a guerra aérea. Em junho de 1917, quatro esquadrões de caça de primeira linha, juntaram-se para formar a Jagdgeschwader 1 sob o comando do Capitão Manfred von Richthofen, . Esta força podia voar e lutar como uma unidade única, com 70 aeronaves.

 

A primavera de 1917 pode ser considerada a data de início  da verdadeira campanha aérea a nível operacional organizada. Os comandantes alemães tinham sob suas ordens centenas de aeronaves, por exemplo, quando da ofensiva britânica nas Flanders, no verão e outono de 1917, esse número chegava a mais de 700 aeronaves, além da anti-aérea e das aeronaves de apoio ao exército, sob o comando do Capitão Helmuth Wilberg.

 

Para proporcionar uma doutrina operacional para este nível de complexidade de guerra aérea, o comandante da Luftstreitkräfe, o General von Hoeppner, publicou documento de tamanho e detalhes consideráveis em maio de 1917, denominado Weisungen für die Einsatz und vie Verwendung von Fliegerverbänden innerhalb einer Armee (Diretivas da Missão e Utilização de Unidades Aéreas com o Exército). Esse documento delineava a doutrina de todas as missões importantes que as unidades da Luftstreitkräfe realizariam.

 

Os esquadrões de bombardeiros pesados, eram denominados Esquadrões de Bombardeiros do Alto Comando, refletindo o fato que esses esquadrões eram alocados diretamente sob o controle do Alto Comando, demonstrando a posição da Luftstreitkräfe de que eles eram essencialmente armas multiuso. Uma doutrina de superioridade aérea começou então a ser desenvolvida.

 

A Diretiva, dizia claramente que uma campanha puramente defensiva não alcançava seus objetivos ..... que os caças deveriam ser em grande número para poder derrotar os caças inimigos e abriram caminho livre para as aeronaves de reconhecimento e bombardeio. Em outro capítulo dizia: os bombardeios devem ser cuidadosamente planejados, utilizando-se fotografias aéreas, e sabendo-se a disposição e a qualidade da anti-aérea inimiga e repetidos em intervalo curto de tempo. As forças devem ser concentradas. Os alvos principais são os depósitos de munição, os entroncamentos ferroviários, os centros de comando, os centros de comunicação e as indústrias. Ela dava liberdade aos comandantes de campo, de escolher os alvos a serem atacados.

 

A segunda campanha de bombardeio contra Londres

 

O Capitão Ernst Brandenburg preparou seu grupo de bombardeios durante a primavera de 1917. No final do mês de maio ela tinha disponível mais de 40 bombardeios Gotha G IV, cada um com mais de 80 pés de envergadura, equipado com dois motores de 260 hp e uma tripulação de três homens, prontos para a campanha contra Londres. O Gotha possuía um teto operacional relativamente elevado e podia carregar 1.100 libras de bombas, entretanto a distância de mais de 100 milhas de suas bases na região de Flanders até Londres era algo de certo modo complicado, para uma aeronave cuja velocidade máxima era de apenas 88 mph sem carga, e por isso em suas missões, eles levavam uma carga de bombas reduzida. No planejamento da campanha, Brandenburg teve de criar uma nova tática para poder realizar as missões, pois nunca algo semelhante havia sido tentado anteriormente. Ele teve de desenvolver uma navegação precisa, treinar vôo de formatura com muitas aeronaves, determinar a carga de bombas ótima, a altitude adequada e muito mais. Por ser uma missão de longa duração, a meteorologia era fator muito importante, fator este importante até os dias de hoje.

 

Brandenburg liderou seu grupo no primeiro ataque contra Londres, realizado no dia 13 de junho de 1917. Dezoito Gothas bombardearam Londres a uma altura de 8 mil pés, matando 162 e ferindo 432 londrinos. Nenhuma aeronave britânica interceptou os alemães e não ocorreram perdas. Do mesmo modo que aconteceu em 1915, houve pânico, só que desta vez foi pior, e o Gabinete Britânico se reuniu e deliberou algumas medidas de emergência de modo a melhorar as defesas contra os ataques dos bombardeiros alemães. Caças britânicos foram retirados da frente ocidental e trazidos para as defesas londrinas, bem como aconteceu um aumento das defesas anti-aéreas. Os alemães continuaram a atacas de dia nas semanas seguintes, quando as condições eram favoráveis, mas o aumento das defesas britânicas os abalou de certo modo, e em agosto Brandenburg parou com os ataques diurnos, por considera-los muito perigosos. Após um breve período de interrupção, os ataques foram retomados, mas à noite, e com aeronaves quadrimotoras, como o que podia carregar uma carga de bombas maior do que os Gothas, inclusive bombas de 600 libras. Entretanto, os londrinos acabaram se acostumando com os bombardeios, e não houve mais pânico.

 

 

O Siemens-Schuckert

 

A Englandgeschwader continuou seus ataques contra a Inglaterra, mas numa campanha inconstante, até ela foi encerrada. Em apenas um mês, Brandenburg perdei seis de seus 43 Gothas e a Luftstreitkräfe acabou chegando a conclusão que não valia a pena continuar com esses ataques. De junho de 1917 até maio de 1918, a Englandgeschwader perdeu 62 bombardeiros em 27 ataques, mas não para as defesas britânicas, que foram responsáveis por apenas 19 aeronaves abatidas, mas para problemas operacionais, sendo que 37 apenas em acidentes durante o pouso, principalmente por causa da fragilidade dos trens de pouso. Essas aeronaves possuíam motores com potência limitada, eram perigosas de pilotar e de pouso dificílimo. Se nos dias de hoje, o pouso de uma aeronave grande à noite por um piloto mediano é difícil, imagine naquela época, em uma pista despreparada e com iluminação precária, com uma aeronave difícil de pilotar.

 

Toda a campanha alemã contra Londres entre 1917 e 1918, custou a vida de 836 militares além de 1.982 feridos, um número pequeno para os padrões da 2ª Guerra Mundial, mas elevadíssimo para aquela época. Embora a primeira tentativa de se utilizar o bombardeio como fator decisivo da guerra tenha falhado, o Alto Comando Alemão ainda o via como uma arma de extraordinária importância.

 

Outras campanhas de bombardeio

 

Londres e Flanders não foram os únicos teatros de operação para os bombardeiros pesados alemães em 1917. A partir da primavera de 1917, operando desde Metz, os bombardeiros alemães realizaram uma série de ataques contra os centros industriais franceses, em especial, contra as fábricas de armamento, sendo que as indústrias localizadas ao redor de Nancy eram as que localizavam-se dentro de uma distância ótima para os ataques. Os primeiros ataques realizados contra essas indústrias, foram considerados pelos alemães como um teste para os ataques contra Londres, obtiveram sucesso e provaram a capacidade dos bombardeiros pesados de navegar e atingir alvos com precisão. Foram utilizadas novas bombas, em especial uma de 90 quilos, e embora os alemães tenham sobrestimado os resultados alcançados, encontrar os alvos e atingi-los já era algo que demonstrava o potencial da aeronave. Os ataques contra Nancy foram crescendo, sendo que apenas em julho, 11 ataques se efetivaram. Após essa série de ataques, os objetivos mudaram, passando a ser as ferrovias, de modo a tentar atrapalhar a ofensiva aliada em Flanders.

 

 

 

A Campanha de Interdição Alemã em 1917

 

Enquanto que a Englandgeschwader de Brandenburg preparava-se para bombardear Londres no início de 1917, outras unidades de bombardeiros alemães estavam também sendo preparadas para operar no front oeste. O front de Flanders era visto como o mais perigoso para o exército alemão na primavera e verão daquele ano, e por isso dois grupos de bombardeiros foram transferidos para o 4º Exército Alemão, de modo a realizarem uma campanha de interdição estratégica de modo a afetar a logística britânica que preparava uma ofensiva.

 

Quando a mássica ofensiva britânica começou nas Flandres, os alemães montaram e reforçaram sua aviação, atingindo um total de 700 aeronaves. O Capitão Helmuth Wilberg, comandante da aviação do 4º exército, utilizou os dois grupos de bombardeiros pesados e realizou uma série de ataques contra os aeródromos e depósitos britânicos e franceses, como parte de sua campanha de superioridade aérea. Os bombardeiros atacavam à noite, utilizando iluminadores lançados de para-quedas, e esses ataques contra os aeródromos mostraram-se muito bem sucedidos. Num ataque realizado na noite de 6 de julho, contra o aeródromo britânico de Bray Dunes, 12 aeronaves foram destruídas.

 

Em outro ataque contra o aeródromo e depósito de St. Pol, no dia 24 de setembro, os alemães danificaram seriamente a base, um depósito foi atingido diretamente, destruindo 140 motores de avião. Em outubro, os alemães retornaram à St. Pol e destruíram 36 aeronaves britânicas e francesas, bem como danificando seriamente de novo os hangares e depósitos. Em alguns ataques, com poucas perdas, os alemães destruíram muitas aeronaves no solo e causaram enormes danos aos aliados. O Alto Comando Alemão preferia esse tipo de resultado, com elevada relação custo/benefício, do que os resultados que obtivera contra Londres.

 

Durante o pico da Batalha de Flanders, os alemães realizaram numerosos ataques contra as ferrovias e entroncamentos ferroviários franceses, que apoiavam a ofensiva da BEF - British Expeditionary Force bem como contra os portos franceses, especialmente Calais e Dunquerque. O objetivo alemão era prejudicar o sistema logístico britânico. Em agosto, o principal depósito de munição inglês em Dunquerque foi seriamente danificado, com os ingleses levando quatro dias para apagar o fogo. Os alemães não conseguiram prejudicar a logística britânica no nível que desejavam,  mas com toda certeza causaram inúmeros inconvenientes para os britânicos.

 

Do mesmo modo que os ases da caça tornavam-se heróis, os pilotos de bombardeiros também eram condecorados com a medalha Pour le Merìte, eram capa de jornal e tinham sua foto colocada nos pacotes de cigarros. O Capitão Alfred Keller, Comandante do 1º Grupo de Bombardeio e especialista em ataques noturnos, foi um dos condecorados pessoalmente pelo Keiser, após seu grupo ter lançado 100 mil kg de bombas sobre Dunquerque. Um total de 300 mil kg de bombas foram lançadas pelos alemães contra a retaguarda da BEF, em 1917, durante a Campanha da Flanders.

 

Embora os bombardeiros pesados fossem normalmente empregados em ataques profundos contra alvos na retaguarda, em algumas poucas e raríssimas ocasiões, eles foram utilizados em missões de apoio aéreo aproximado, contra alvos na linha de frente. Durante essa desesperada fase da ofensiva britânica, Gothas do 1º Grupo de Bombardeios, acompanhados por aeronaves de ataque, realizaram missões contra forças britânicas da linha de frente, de modo a afetar o moral das tropas de reserva que estavam chegando ao front.

 

A Campanha de 1918

 

O Alto Comando Alemão havia determinado alta prioridade na produção de bombardeiros, quando formulou seu planejamento em 1917. A meta era produzir 2 mil aeronaves por mês, meta esta nunca alcançada, embora a produção tivesse ultrapassado as mil aeronaves por mês. Entretanto, os alemães conseguiram expandir lentamente sua força de bombardeiros, apesar das perdas sofridas. Quando da ofensiva alemã no oeste, em março de 1918, a Luftstreikräfte possuía 7 grupos de bombardeiros, cada um composto de 4 a 6 esquadrões. Embora os ataques contra Londres continuassem a ocorrer, quatro grupos, estavam concentrados em apoiar os três exércitos alemães durante a ofensiva.

 

Inicialmente, a missão dos bombardeiros era realizar ataques noturnos contra aeródromos e pontos de comando aliados. Com o andar da ofensiva, os alvos passaram a ser os ferrovias do norte da França, com a intenção de interromper as tentativas aliadas de enviar reforços e suprimento aos setores mais ameaçados. Durante todo o ano de 1918, o Alto Comando Alemão manteve sua meta de montar uma poderosa força de bombardeio, apesar das perdas que a aviação alemã sofria. No início de 1918, um oitavo grupo foi incorporado e no verão um nono, ao mesmo tempo em que a Englandgeschwader diminuía de tamanho.

 

Após falhar na campanha de bombardear Londres, o Alto Comando Alemão tinha esperanças de, utilizando os bombardeiros pesados, abalar o moral das tropas aliadas, e assim passaram a atacar Paris, no lugar de Londres. Os alemães, durante o ano de 1918, atacaram Paris diversas vezes, matando 308 e ferindo 539 pessoas. Do mesmo modo que fez a Inglaterra, a França montou rapidamente um formidável sistema de defesa em torno de Paris, e os alemães foram forçados a interromper os ataques. O interessante, é que os franceses, diferentemente do que ocorrera com os ingleses, não de desesperaram e rapidamente adaptaram-se aos ataques, sem pânico.

 

O desenvolvimento tecnológico do bombardeio estratégico continuava a evoluir rapidamente, em especial, o que se refere às bombas. No começo da guerra, as bombas utilizadas eram projeteis de artilharia adaptados, e em 1918, os alemães já possuíam bombas de mil libras, projetadas com características balísticas. Em 1918, os alemães também possuíam bombas incendiárias, que eram lançadas em grupos, produzindo um efeito devastados sobre um área alvo, e que deram origem às bombas utilizadas pela Luftwaffe durante a 2ª Guerra Mundial, contra as cidades inglesas em 1940 e 1941. Se a força de bombardeio aliada tivesse utilizado bombas de gás contra as cidades alemães em 1919, estes teriam retaliado e lançado bombas incendiárias contra Londres e Paris.

 

Conclusão

 

Quando analisamos em termos modernos, ou mesmo sob o ponto de vista da 2ª Guerra Mundial, a campanha de bombardeio estratégico da 1ª Guerra, foi algo que ficou a desejar. Apesar dos esforços, os bombardeios alemães eram poucos e a carga que carregavam não dava para causar muitos danos ao inimigo. Entretanto, em termos de desenvolvimento de uma nova arma e do emprego de uma doutrina, o Serviço Aéreo Alemão foi impressionante. Em apenas dois anos, ele saiu do protótipo de um bombardeio pesado, para o emprego de grandes unidades utilizando um bem planejado e coerente planejamento estratégico contra a Inglaterra e demais alvos aliados no oeste. Em 1917, uma razoavelmente sofisticada doutrina operacional funcionava bem, assim como as táticas para emprego dos bombardeios diurnos e noturnos.

 

Embora desapontadora, quando dos ataques contra Londres ou Paris, no que diz respeito a quebra da força inimiga, os alemães impressionaram pelo desempenho de sus bombardeiros contra alvos grandes. A habilidade dos alemães em bombardear a industria francesa, em especial a que ficava ao redor de Nantes, deve ser lembrada. Ao final da guerra, o Alto Comando Alemão tinha certeza de que o bombardeio estratégico teria grande importância em qualquer guerra que viesse a acontecer.

 

Embora a Alemanha tivesse sido desarmada, após a 1ª Guerra, o exército manteve um grupo secreto no Estado-Maior, estudando, testando, desenvolvendo e treinando pessoal, aeronaves e bombas. Convencidos de que o rearmamento viria a acontecer, mais cedo ou mais tarde, o Estado-Maior publicou em 1920, documento de doutrina sobre uma futura guerra aérea. Um desses exemplos notáveis de doutrina, foi a preferência alemã pela campanha de interdição contra ferrovias, portos e alvos logísticos, atrás das linhas inimigas.

 

A nova doutrina do Exército Alemão, publicada entre 1921 e 1925, enfatizava o papel do bombardeio pesado na guerra, especialmente em atacar, à noite, os entroncamentos ferroviários e os depósitos inimigos.

 

A utilização de bombardeiros, em ataques contra cidades e indústrias, foi cuidadosamente estudado pelo pessoal da aeronáutica alemã após a 1ª Guerra Mundial, com a intenção de desenhar uma doutrina tática e operacional, a partir da experiência anterior. Esse grupo secreto do Estado Maior, foi liderado pelo Tenente Coronel Helmuth Wilbnerg, que havia comandado quase que metade da força de bombardeios alemães em 1917, realizou uma série de jogos de guerra para desenvolver planos e doutrina. O primeiro desses jogos aconteceu em 1924, e o cenário utilizado foi de um ataque francês contra a Alemanha. O resultado, foi a criação de uma estratégia baseada no ataque contra a Força Aérea e contra indústria aeronáutica francesa, onde uma relação dos oito mais importantes alvos foram identificados. O resultado esperado, em caso de guerra, era que a Força Aérea Francesa ficaria incapaz de repor suas perdas.

 

O Exército Alemão e o grupo secreto do Estado Maior, utilizando a experiência do bombardeio estratégico da 1ª Guerra Mundial, desenvolveram uma doutrina pragmática e completa sobre a guerra aérea. O estudo do bombardeio estratégico da 1ª Guerra Mundial tornou-se a base da doutrina da guerra aérea utilizada no começo da 2ª Guerra Mundial. Apesar das limitações e dos obstáculos tecnológicos, o programa de bombardeio estratégico alemão obteve um moderado resultado. Após a 1ª Guerra Mundial, novas tecnologias se desenvolveram com extrema velocidade.