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O Poder Aéreo em El Alamein

 

Introdução

 

Durante o mês de outubro de 1942, o Tenente General Bernard Montgomery terminou seus planos de uma ofensiva em grande escala a ser realizada pelo 8º Exército britânico, para quebrar sua posição em El Alamein e expulsar os alemães do Egito. O lado sul da linha ofensiva passava pela Depressão Qattara, uma região de depósitos de sal, que praticamente impossibilitava a utilização de veículos automotivos. Deste modo não havia então, possibilidade de se realizar uma operação pelos flancos, ou seja, o ataque deveria ser realizado diretamente contra as forças de defesa alemã, numa região que ficava atrás de um grande campo minado. A Força Aérea do Deserto, sob o comando do Vice Marechal do Ar Arthur Cuningham, forneceria o apoio aéreo para tal operação. Além das unidades diretamente sob seu comando, ele tinha à disposição, unidades pertencentes ao Quartel General no Egito. Este artigo, listará as unidades empregadas nesta ação, bem como detalhará as atividades por elas realizadas nos dois primeiros dias de batalha e em menor detalha, o que aconteceu nos dias seguintes.

 

Ordem de Batalha das Aeronaves Aliadas

 

         No dia 19 de outubro, quatro dias antes do início da ofensiva, os aliados, na região leste do Mediterrâneo, possuíam 1.088 aeronaves de combate entre a Royal Air Force, a Fleet Air Arm, a US Army Air Force e a South África Air Force, conforme relação abaixo.

 

Caças monomotores (Spitfires, Huricanes e P-40)

468

Aeronaves anti-tanque (Hurricane IID)

9

Caças bimotores (Beaufighters)

29

Caças noturnos (Beaufighters e Hurricanes)

62

Bombardeiros leves (B-25 Mitchels e A-20 Bostons)

114

Bombardeiros médios (Wellingtons)

87

Bombardeiros pesados diurnos (Liberators)

82

Bombardeiros pesados noturnos (Hallifaxes)

19

Torpedeiros (Wellingtons e Beauforts)

71

Ligação e Reconhecimento (Spitfires, Hurricanes e Baltimores)

79

Ataque leve (Albacores)

32

Patrulha marítima (Sunderlands e Catalinas)

36

Total

1.088

 

         Durante as semanas que antecederam a ofensiva, as unidades reduziram o número de missões para permitir que as tripulações descansassem, treinassem e que as unidades pudessem dispor de sua força máxima quando do ataque. De acordo com fontes oficiais, no dia do ataque, 920 dessas aeronaves estavam disponíveis, ou seja, 85% de disponibilidade, que para aquela época de guerra, era algo bastante bom.

 

         O aeródromo aliado mais próximo da linha de frente, estava situado a apenas 25 milhas de distância. Haviam ainda outros, na região de Alexandria, a 50 milhas de distância da linha de frente. Outros ficavam situados mais longe.

 

         Os aliados possuíam ainda, uma rede de radares, bem como haviam instalado uma estação de radar avançado em Ruweisat Ridge, a apenas 10 milhas atrás da linha de frente, para auxiliar no controle das ações dos caças, operando um AMES Type 5, com alcance de 90 milhas e um AMES Type 6, com alcance de 60 milhas.

 

Ordem de Batalha das Aeronaves do Eixo

 

         Neste estágio da guerra, as forças do Eixo na África do Norte, estavam espalhadas no seu limite, em termos de eficiência de combate, e eram uma mera sobra da disponibilidade dos aliados. Embora os alemães possuíssem mais de 700 aeronaves de combate na África do Norte, apenas uma pequena parte delas podia ser considerada como estando disponível para operações naquela região ou a uma distância operacional. Além disso, havia falta de combustível. A contribuição italiana é desprezível. Deste modo, a relação abaixo, apresenta as aeronaves efetivamente disponíveis:

 

Caças e Reconhecimento (Me 109, Me 110)

40

Bombardeiros de Mergulho (Ju 87)

40

Caças Bombardeiros (Me 109)

10

Total

90

 

Após o início da batalha, a Luftwaffe transferiu dois Gruppen com cerca de 50 caças Me 109, que contra a grande superioridade numérica aliada, não fazia a menos diferença.

 

As forças do Eixo na África do Norte sofriam muito com as grandes distâncias de comunicação e transporte, que estavam sob ataque constante das aeronaves e submarinos aliados. A fraca logística, causou escassez de diversos produtos, especialmente de combustível de aviação e de veículos.

 

 

O famoso 88 alemão

 

Além das forças acima, haviam ainda 80 bombardeiros médios Ju 88 e cerca de 20 aeronaves de reconhecimento estacionados em Creta, além de cerca de 250 Ju 52, aeronaves de transporte, circulando constantemente pela região, com suprimentos. Conforme a batalha se desenvolvia, a quantidade de bombardeiros médios em Creta aumentou, pois a Luftwaffe enviou algumas aeronaves que estavam operando na Sicília. Haviam ainda, cerca de 265 bombardeiros italianos, a maioria deles, aeronaves torpedeiras, operando em Rhodes.

 

O aeródromo alemão mais próximo à linha de frente, era o de El Daba, a cerca de 20 milhas de distância. Haviam ainda alguns outros espalhados ao longo da costa, em direção a oeste. Os aeródromos de Creta e de Rhodes ficam a 350 milhas da batalha. Possuíam ainda, alguns radares, para auxílio da caça, com a estação mais próxima, situada a 25 milhas da linha de combate, em El Daba, operando um Freya com alcance de 90 milhas.

 

A artilharia anti-aérea

 

         Com muito menos caças do que os Aliados, as forças do Eixo tinham que dispor de muita artilharia anti-aérea. As forças alemães dispunham de cerca de 70 baterias de canhões de duplo propósito (anti-aéreo e anti-tanque) 88mm, cada uma com quatro peças, sendo que algumas eram equipadas com o Sistema de Controle de Tiro com Radar Wuerzburg. As peças de menor calibre (20mm e 37mm) eram também muito utilizadas e disponíveis, mas só eram efetivas até 6 mil pés de altura. Os italianos empregavam peças de 75mm, sem controle radar, além de armas menores. A anti-aéra britânica utilizava peças de 3.7in e de 40mm, mas teve pouca oportunidade de atirar contra as aeronaves do eixo.

 

Comparação entre os equipamentos das forças aéreas

 

         A força de caças alemã na África do Norte, havia recebido recentemente novos caças, os Me 109G em lugar do F. Os melhores caças aliados eram o Spitfire V da RAF e os P-40 Warhawk da USAAF, mas o     Me 109G era muito superior a ambos. Mais da metade da força de caças aliada era composta de obsoletos Hurrinanes, cujo desempenho era infinitamente inferior ao do Me 109G.

 

 

 

 

 

 

                                                         

        

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As unidades de bombardeios aliados operavam aeronaves modernas, cujo desempenho e capacidade de carga, eram muito superior a das aeronaves do Eixo. Com o passar do tempo, essas aeronaves também ficaram obsoletas, mas nessa época, o Eixo não operava aeronaves desse tipo. Por seu lado, o Stuka Ju-87, bombardeiro de mergulho, podia atacar os alvos com mais precisão do que qualquer outro bombardeiro, mas apenas se acompanhados por grande escolta de caça.

 

Durante a batalha, os Stukas só puderam operar em raras oportunidades, no nascer ou no por do Sol, reduzindo drasticamente a precisão dos ataques. A RAF, por seu turno, havia introduzido em operação um esquadrão equipado com Hurricanes IID anti-tanque. Essas aeronaves eram equipados com dois canhões Vickers S de 40mm, montados numa gôndola sob as asas, com 16 projéteis cada, além de duas metralhadoras .303 pol, com balas traçadoras, que auxiliavam o tiro dos canhões. O canhão de 40mm, era semi-automático, e disparava um tiro de cada vez (não em rajada). O procedimento utilizado era o seguinte: a aeronave aproximava-se do alvo, voando a 50 pés de altura, a 240 mph, e iniciava o tiro a aproximadamente 700 jardas, tanto com a metralhadora e com o canhão. Um piloto treinado, conseguia dar 5 tiros de canhão, a cada passe. O Hurrinace IID, foi muito efetivo contra tanques isolados que haviam quebrado a linha de defesa. Tanques, acompanhados de veículos, eram considerados alvos perigosos de serem atacados, pois tais veículos possuíam armas anti-aéreas.

 

 

O Ju-86P

 

Baseados em Creta, a Luftwaffe possuía três Junkers Ju-86P, aeronaves de reconhecimento de grande altitude, capazes de operar até 39 mil pés, sendo muito difícil intercepta-las, principalmente porque os caças aliados naquele teatro de operações, eram aeronaves voltadas para o apoio aéreo aproximado, ou seja, para operarem a baixa altura. Entretanto, a disponibilidade operacional dessas aeronaves de reconhecimento era muito baixa, e poucas vezes puderam ser utilizadas. A melhor aeronave de reconhecimento aliado, era o Spitfire IV, versão desarmada do famoso caça, equipado com câmeras e com tanques internos extras de combustível, e embora seu desempenho em altitude, fosse inferior ao do Ju 86P, era ainda um bom avião para a missão a que se propunha. O Spitfire IV, era mais manobrável e veloz do que o Ju86P, e sua disponibilidade operacional era boa.

 

Tipos de bombas utilizadas para ataque ao solo

 

         Do lado Aliado, o único tipo de bomba utilizada na batalha pelos aviões, em apoio às tropas, foi a multi-uso de queda livre de 250 lb, embora algumas de 500 lb tenham sido utilizadas. Em algumas oportunidades, essas bombas foram equipadas com um sensor de altitude, de modo a explodirem próximas ao solo. Foguetes ar-solo e bombas “clusters” não estavam disponíveis naquele teatro de operações. Bombas de explosão retardada, ainda não haviam sido inventadas.

 

 

Uma esquadrilha de A-20 Boston

 

         Esta limitação, significava que os caça-bombardeiros aliados eram incapazes de realizar bombardeio nivelado a baixa altura. Se as bombas fossem reguladas para explodir ao impacto ou pouco depois, haveria a possibilidade da aeronave que a lançou ser atingida pelos estilhaços. Se as bombas fossem reguladas para explodir, com atraso de 10 segundos, de modo que as aeronaves já tivessem saído do alvo, a menos que este fosse grande o suficiente ou tivesse algo que segurasse a bomba, haveria a possibilidade da bomba rolar pelo alvo, e explodir longe do mesmo. Os caça-bombardeiros então, tinham que atacar com um leve mergulho, partindo de 10 mil pés e lançando a bomba a 4 mil pés. Normalmente, este método não dava a precisão necessária para destruir alvos pequenos como veículos ou posições de artilharia. Uma solução encontrada, foi fazer os caças-bombardeiros  acompanharem as formações de bombardeiros, como parte da escolta, cada um deles carregando uma bomba de 500 lb, que eles lançavam quando os bombardeiros faziam seu ataque nivelado, mas com altitude.

 

         Durante o avanço alemão, acontecido em maio, os Aliados haviam empregado seus recém chegados Kittyhawks, em ataques a baixa altitude sem escolta. Os Kittyhawks conseguiram destruir cerca de 200 veículos, entretanto em apenas quatro dias de operação, mais de 40 dessas aeronaves foram perdidas para a anti-aérea e para os caças, esgotando inclusive, as reservas desses caças. A experiência não foi repetida.

 

         Do lado do Eixo, a maioria dos ataques era feita pelos Ju-87, empregando o famoso mergulho a 80°, e utilizando uma bomba de 550 lb e quatro de 110 lb, de emprego geral. Dentre a disponibilidade de armas da Luftwaffe, inclui-se um tipo de bomba muito efetivo: a cluster SD-2 de    4,4 lb. Os caças-bombardeiros lançavam recipientes com 108 dessas bombas, em ataques a baixa altura, entretanto a disponibilidade das SD-2 não era grande, e o front russo tinha prioridade.

 

 

O Ju-87 Stuka

As operações de ataque ao solo

 

         O front havia permanecido mais ou menos estático por quatro meses, dando tempo às tripulações de se familiarizarem com a geografia da região. Em outubro de 1942, a organização Aliada em controlar o espaço aéreo na zona de batalha era muito eficiente, pelo menos para os padrões da época, O Centro de Controle a Apoio Aéreo operava em conjunto com o Quartel General de Aviação Avançado e com o Quartel General Tático do 8º Exército, em Burg el Arab, a cerca de 35 milhas do front. Vôos de reconhecimento tático eram realizados freqüentemente por Hurricanes, que relatavam em viva voz, a movimentação de tropas e os possíveis alvos a serem atacados.

 

         Durante o dia, bombardeiros eram mantidos em estado de alerta, carregados e prontos para decolar. Entre o pedido de suporte e a chegado dos bombardeiros sobre o alvo, levava-se no máximo uma hora. Sempre que possível, os alvos eram marcados com fumaça, procedimento este adotado também, anos depois no Vietnã.

 

 

Um Me-110 sob o deserto

 

         A Luftwaffe utilizava, por sua vez, controladores avançados de vôo (Fliegerleioffziere), que guiavam as aeronaves atacantes. Esses homens, operavam a partir de veículos blindados, equipados com rádio para comunicação terra-ar. Os aliados, utilizariam algo semelhante, quando do desembarque da Normandia.

 

         Durante a primeira semana da batalha, as tropas aliadas progrediram lentamente, e por isso as tripulações não tinham dificuldade em distinguir a linha de contato.

A Inteligência disponível para as forças Aliadas

 

         O Sistema Ultra de decodificação, juntamente com outros equipamentos, forneceram aos Aliados, informações confiáveis dos movimentos e das intenções das tropas do Eixo, principalmente no que diz respeito aos comboios, suas rotas e programação, informações estas que permitiam planejar as missões de ataque com enorme precisão e confiabilidade.

 

         Como parte da preparação para a batalha, aeronaves de reconhecimento Aliadas, sistematicamente, fotografavam a área da batalha. Essas fotos, eram então montadas num mosaico, mostrando a localização dos campos minados, das linhas de arames farpados, dos ninhos de metralhadora etc... Vôos sobre a retaguarda inimiga eram também realizados, de modo a se verificar a movimentação de tropas, e conseqüentemente, identificar as áreas que estavam sendo reforçadas.

 

A Inteligência disponível para as forças do Eixo

 

         Pelo grau de atividade dos Aliados, estava claro para os comandantes do Eixo, que uma grande ofensiva iria acontecer. Entretanto, devido a total superioridade aérea aliada, as aeronaves de reconhecimento do Eixo, tinham, grande dificuldade em fotografar a área. A Luftwaffe foi incapaz de observar as posições do exército britânico, entre os dias 18 e 23 de outubro, exatamente quando as forças britânicas se preparavam para o ataque. Como resultado, a hora e o lugar do ataque não foi identificado, e os britânicos tiveram um dos elementos principais numa guerra: a surpresa tática.

 

As ações preparatórias para a ofensiva

 

         Quatro dias antes da data prevista para início da ofensiva, os Aliados realizaram bombardeios sistemáticos contra os aeródromos do Eixo no Egito e no leste da Líbia, Esta fase, envolveu 76 saídas de bombardeios médios, 206 de caças e 285 de caças-bombardeios. Houve ainda, um vigoroso programa de missões de reconhecimento sobre as posições das tropas do Eixo, de sua retaguarda e dos seus aeródromos.

 

         Durante este período, e também da batalha que se seguiu, os bombardeiros pesados aliados, os B-24 Liberators da USAAF e os Halifaxes da RAF, atacaram alvos distantes, como por exemplo os portos de Tobruk e de Benzaghi na Líbia, aeródromos e outros alvos em Creta e na Grécia.

 

 

Um B-24 Liberator

 

         Logo após o por do Sol, no dia 23 de outubro, uma força de 35 caça-bombardeios Kittyhawks atacaram pistas de pouso em Daba. Ataques semelhantes foram montados durante o dia, bem como caças permaneceram voando constantemente sobre os aeródromos do Eixo bem como sobre as tropas aliadas que se preparavam para o ataque. Isso foi feito para evitar que aeronaves de reconhecimento do Eixo pudessem identificar a movimentação de tropas Aliadas, e se o fossem, para evitar ataque as mesmas.

 

 

A batalha aéreo na noite de 23 de outubro

 

         Sobre a retaguarda das tropas do eixo, 12 Albacores da Fleet Air Arm buscavam localizar e iluminar com flares posições de tropas e de artilharia inimigas.  Sessenta e seis bombardeios Wellingtons, patrulharam e bombardearam qualquer alvo encontraram e acharam importantes. Vários incêndios ocorreram, bem como algumas explosões, sendo uma delas foi tão forte que chegou a balançar as aeronaves que atacaram aquele ponto. Outros seis Wellingtons, sobrevoavam a área da batalha, interferindo eletronicamente no radar alemão. O ruído produzido por essa quantidade de aeronaves teve também outro propósito: o de encobrir o som dos tanques britânicos movendo-se para o ponto de onde começariam o ataque.

 

         Após um potente fogo de artilharia preparatório que começou às 21:30, as tropas aliadas avançaram lentamente ao longo das trilhas abertas pelos sapadores. O ataque foi focado em dois pontos, mas o avanço foi lento.

 

 

Um Beaufighter

 

         Numa operação divisionária realizada a cerca de 80 milhas atrás da linha de frente, quatro A-20 Bostons lançaram uma cortina de fumaça ao longo da costa em Maaten Bagush, de modo a simular um desembarque. Como parte da mesma operação, quatro outras aeronaves lançaram bonecos paraquedistas perto de Fuka (Os aliados também utilizariam deste artifício, durante o Desembarque da Normandia, quatro anos depois, ou seja, ninguém inventa nada !!!). Vinte e seis Hurricanes e 4 Beaufighters realizaram também, ataques de oportunidade pela retaguarda alemã.

 

A batalha aérea no dia 24 de outubro

 

         Embora o tempo estivesse bom, com céu claro pela maior parte do dia, alguns conjuntos de nuvens causaram problemas. A partir do meio dia, a poeira que levantava das pistas de pouso avançadas, de alguns aeródromos ingleses, impediu a operação dos caças, que só conseguiram realizar um total de 230 missões, enquanto que os bombardeios realizaram outras 200 missões. Neste dia, as aeronaves aliadas só encontraram os alemães em duas ocasiões, enquanto que as tropas inglesas foram atacadas levemente por alguns caça-bombardeiros alemães, sem dano algum.

 

 

Um B-25 Mitchell

        

Naquela manhã os Hurricanes IID realizaram missões anti-tanque sobre a parte sul do front, destruindo oito veículos. À tarde, esses mesmo Hurricanes realizaram nova saída, e destruíram outros 14 tanques. Nenhum Hurricane foi perdido, e os arquivos alemães confirmam os números de veículos destruídos ou danificados.

 

         Os bombardeiros aliados realizaram cerca de 200 saídas, em 18 ataques, sendo que dois deles foram realizados contra aeródromos do Eixo em Qotafiyah e Fuka, e os demais em apoio às tropas contra concentração de veículos, com a perda de oito aeronaves.

 

         Esses ataques eram realizados entre 7 e 10 mil pés, com formações de 18 bombardeiros. Eles voavam próximos um dos outros, e quem comandava o lançamento era o bombardeador da aeronave do líder, considerado sempre o melhor entre os melhores, fato este que concentrava as bombas lançadas, normalmente numa área de no máximo 200 metros de lado por 500 metros de profundidade. Num ataque bem realizado, mais de cem bombas caíam nesta área, em poucos segundos.

 

         Se muitos desses ataques falharam, sem infligir danos sérios, obrigou as tropas do Eixo a dispersar seus veículos e equipamentos, sem haver concentração de força.

 

         Quando os famosos 88 alemães, não estavam sendo utilizados como artilharia convencional, eram empregados efetivamente contra as aeronaves aliadas. Na noite de 24 para 25 de outubro, os aliados realizaram 1.130 saídas, contra apenas 107 da Luftwaffe. A RAF e a USAAF perderam 8 bombardeiros (para a anti-aérea) e 5 caças, enquanto que a Luftwaffe perdei dois caças monomotores e um caça bimotor.

 

Noite de 24 de outubro

 

         Os Wellingtons realizaram 85 saídas, auxiliados pelos Albacores que lançavam os flares, repetindo o realizado na noite anterior. Cerca de 12 bombardeiros Junkers Ju 88 decolarem de suas bases em Creta, pousaram no aeródromo avançado de Sidi Haneish, e atacaram a área da batalha. Um dos Ju 88 atacou a 8ª Brigada Blindada, que se deslocava por uma das trilhas abertas nos campos minados, atingindo veículo que transportava combustível, cujo incêndio atraiu a artilharia e outros Ju 88. Um total de 25 veículos, a maioria transportando combustível, foi destruída. Este fato interrompeu o avanço britânico, que se recomeçou quando o fogo foi extinto, algumas horas depois.

 

 

O Albacore

 

 


A batalha aéreo no dia 25 de outubro

 

         A poeira novamente prejudicou as ações aéreas dos aliados, mas mesmo assim um total de 221 missões de caça livre foram realizadas, bem como 226 saídas de escolta, abatendo sete aeronaves do Eixo.

 

         Os bombardeiros realizaram 165 saídas, em nove ataques, dos quais dois foram contra aeródromos e os demais em missões de apoio aproximado. Todas as missões tiveram escolta.

 

 

O Ju 52

 

         Próximo a Tobruk, Beaufighetrs realizaram varredura ao longo da costa, encontrado cerca de 20 transportes Ju 52, que vinham de Creta, escoltados por seis Me 110. Durante o combate, um dos Beaufighters colidiu com um Ju 52, e ambas as aeronaves caíram. Seis Ju 52 foram abatidos.

 

Noite de 25 de outubro

 

         Os Wellingtosn realizaram 64 saídas contra posições de tropas alemães, também auxiliados por 14 Albacores. Alguns bombardeiros alemães tentaram atacar posições britânicas, mas foram repelidos pelos caças noturnos Hurricanes, que realizaram 30 saídas, com algumas interceptações, mas sem vitórias.

 

         Nesta noite os aliados realizaram 705 saídas, contra 240 dos alemães, perdendo 8 bombardeiros (novamente, todos para a anti-aérea) e 5 caças, enquanto que a Luftwaffe perdeu 4 caças monomotores, 1 bombardeio, 2 Stukas e uma aeronave de transporte.

 

Após 25 de outubro

 

         Após os dois primeiros dias de ataque, as operações aéreas prosseguiram conforme o padrão estabelecido. Apesar de possuírem melhor equipamento, os caças alemães foram incapazes de evitar o bombardeio dos aliados, bem como as ações das aeronaves de reconhecimento, que circulavam livremente sobre o campo de batalha.

 

         Entretanto, quando concentravam suas forças, em pouquíssimas ocasiões, os alemães conseguiam estabelecer superioridade aérea local, e seus Stukas podiam atacar as tropas britânicas, embora sem conseguir resultados satisfatórios.

 

 

O tanque inglês Crusader

 

         No dia 26 de outubro, uma divisão alemã e uma italiana, contra atacaram tropas britânicas. Para poderem realizar tal ação, tiveram que concentrar suas tropas, tornando-as alvos atrativos para os bombardeiros aliados. Após uma série de ataques aéreos e de intenso fogo de artilharia, o ataque foi repelido.

 

         No dia 27 de outubro, o Fieldmarshal Rommel, ordenou um novo contra ataque. Quando sua 21ª Divisão Panzer se deslocava, foi duramente atingida, por sete levas de ataques de bombardeiros, durante mais de duas horas. O ataque nunca se materializou, nem outra tentativa foi feita. Após essa ação, Rommel nunca mais tomou a iniciativa do combate.

 

         No dia 4 de novembro, após uma longa e intensa defesa alemão, finalmente o 8º Exército Britânico rompeu as linhas alemães, obrigando as tropas do Eixo a começarem uma difícil e longa retirada, que os expulsou do Egito e da Líbia.

 

 

Comentários

 

         A força aérea aliada usufruiu superioridade numérica, de uma força de bombardeios mais efetiva, de linha de comunicação mais curta e de melhor apoio logístico nos aeródromos. Conseqüentemente, durante os dois primeiros dias da ofensiva, os aliados realizaram cinco vezes mais saídas do que os alemães. Os aliados possuíam um elevado grau de superioridade aérea no início da campanha, e em dois dias estabeleceram a supremacia aérea.

 

         Antes da ofensiva, as aeronaves de reconhecimento aliadas obtiveram informações preciosas sobre as tropas do eixo, não só aquelas posicionadas no front, como também das posicionadas na retaguarda, fato este que auxiliou sobremodo o planejamento do ataque principal, bem como priorizou os alvos a serem atacados pela artilharia e pelos bombardeios.

 

         Ao mesmo tempo, a superioridade aérea dos aliados, evitou o reconhecimento aéreo do Eixo antes do ataque, e como resultado, os aliados possuíram, surpresa tática, até que o fogo de artilharia começou. Também, durante a batalha, os comandantes do Eixo tinham pouca ou nenhuma informação sobre o movimento das tropas aliadas, até que elas estivessem sob suas vistas.

 

         Durante a batalha, os bombardeiros aliados realizaram muitos ataques, que mesmo quando não eram eficientes, evitavam que os alemães concentrassem suas tropas e veículos. Em relatório após a campanha do Norte da África, Rommel escreveu: Qualquer um que tenha de lutar, mesmo que possua os mais modernos equipamentos e armas, contar um inimigo que tenha o domínio completo do céu, não terá condição alguma de vencer.

 

         Por causa do pouco combustível e da baixa disponibilidade de aeronaves, as forças do Eixo realizaram poucas missões. Os Stukas, só conseguiram operar entre o pôr e o nascer do Sol, prejudicando em muito a precisão de seus ataques. As aeronaves Ju 88, baseadas em Creta não foram utilizadas efetivamente, pois realizaram pouquíssimas missões táticas em apoio às tropas terrestres, e seu único sucesso aconteceu na noite de 24 de outubro, quando atingiram alguns caminhões que transportavam combustível, atrapalhando o avanço do 8º Exército por algumas horas