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A FURTIVIDADE: Um novo parâmetro para as armas aéreas?

Maj. Brig. do Ar Lauro Ney Menezes

INTRODUÇÃO

Ao término da Guerra do Golfo todos os homens em comando da arma aérea foram uníssonos em afirmar -...a tecnologia dos revestimentos /formas anti-radar e a das bombas inteligentes irão mudar a natureza da guerra aérea .

Essa afirmação é devida, evidentemente, à excepcional atuação do único avião a prova de radar em operação - o F-117A da Lockheed americana.


F-117

Com acertos nos ataques na ordem de 95%, os F117A atacaram cerca de 43% dos alvos em território iraquiano, embora o número de saídas desses aviões tenha representado pouco mais do que 3%, do número de sortidas aéreas no Teatro de Operações.

Quais as razões desse sucesso ? Alguns analistas listam três:

- as aeronaves chegaram à posição de ataque sem terem sido detectadas;
- os sistemas de armas antiaéreas não puderam, portanto, ser ativadas; e
- a extrema precisão do armamento de guiamento empregado pelos F117A.

Embora a USAF tenha sido extremamente discreta sobre os armamentos de bordo desses aviões, sabe-se que eles eram compostos de, no mínimo, bombas guiadas a laser do tipo GBU-27 e GBU-10 de 2 000 lbs cada.

AS RAZÕES DO SUCESSO: NOVOS REVESTIMENTOS E NOVAS FORMAS.

O sucesso desse novo avião é função dos resultados obtidos na pesquisa de novos materiais para uso aeronáutico. Eles são capazes de atenuar o maior número possível de ondas de freqüência radar em uso para escapar, não somente às emissões provenientes dos sistemas de Artilharia Anti-Aérea de superfície, como dos autodiretores dos mísseis ar-ar: em suma, cobrir um espectro de 1 GHz a 30 GHz. Além disso, para se livrar dos efeitos danosos de refletividade das estruturas metálicas convencionais que compõem os aviões em geral, é necessário que os novos materiais para os aviões da classe "furtiva" apresentem propriedades físicas (rigidez, leveza e resistência térmica) que lhes permitam tomar o lugar dos metais.

A maneira apropriada de fabricar as estruturas dos novos aviões com esses novos materiais ainda está listada como "secreto-defesa". Entretanto, sabe-se que o princípio adotado é simples, principalmente naquilo que se refere ao revestimento das aeronaves: é imprescindível que a emissão radar penetre a "pele" da aeronave sem ser refletida e que seja (preferencialmente) totalmente ali absorvida. Traduzido em termos físicos: a impedância do material da estrutura / revestimento deve ser tal que a relação entre a "permeabilidade e a permissividade" seja próxima da unidade. Assim sendo, a onda radar não será refletida, e a energia será totalmente absorvida.

Duas técnicas se defrontam para a consecução dessa meta: o emprego dos materiais magnéticos ou o dos dielétricos; com pontos negativos para os materiais dielétricos, porque necessitam ser espessos ( ¼ do comprimento da onda radar).

Quanto aos materiais magnéticos, sua permeabilidade varia com a temperatura, e a adaptação da impedância se faz por "empilhamento", por "efeito pirâmide" das cargas condutoras, com a finalidade de otimizar a atenuação da energia ou, ainda, através dos polímeros condutores - Por essa razão é que os F117 e B2 usam "cortes triangulares" em diversas seções de sua estrutura.


B-2

Por tais dificuldades, os esforços da engenharia aeronáutica foram redirecionados para as resinas "epoxy" impregnadas de limalha de ferro com sua granulometria grandemente reduzida. As pesquisas nesse campo visam a reduzir o tempo destinado à obtenção da polimerização da resina, com o objetivo de evitar que a limalha venha a se sedimentar. O miolo deve, portanto, permanecer homogêneo para que sua carga eletromagnética seja convenientemente adaptada.

Mais recentemente, os órgãos de pesquisas direcionaram seus trabalhos para as estruturas complexas: espuma multilaminar de poliuretano impregnadas de pó de carbono ou absorventes tipo ninho-de-abelha também impregnados de carbono. Nisto tudo, o objetivo principal é fazer com que a radiação eletromagnética encontre um miolo constituído de uma quantidade tal de irregularidades, de forma que as ondas radar fiquem ali "retidas", qualquer que seja seu ângulo de incidência.

Naquilo que se refere às formas, a grande meta que se busca atingir é a redução da assinatura radar de uma forma generalizada, ou seja, em qualquer ângulo de apresentação do alvo.

Para obter esse resultado, os engenheiros se baseiam em um princípio bem conhecido: os ecos radar têm seu valor máximo na direção normal ao plano ou a uma linha reta. Além disso, a importância desses picos é proporcional à área "pintada" pela emissão. Como resultado esperado, os ecos que retomam ao radar emissor devem ser levemente recebidos ou então desaparecidos.

A nível de formatação das aeronaves furtivas, cabe aos projetistas, portanto, eliminar os triedros, mascarar as entradas de ar, e os pontos brilhantes ao radar. Várias técnicas de desenho existem para tanto: implantar as entradas de ar nos dorsos das asas, escondê-los com telas em que a malha tem dimensão inferior ao comprimento da onda radar, etc. Para esconder as cabines de pilotagem (outro ponto brilhante) a maneira é torná-las absorventes. Quanto ao "casamento" de materiais diferentes entre si (compostos/ metais) é fundamental fazê-lo de forma que se adapte a impedância à onda radar (mais ou menos da forma utilizada nas câmaras anecoicas).

Dessa maneira, acoplando materiais e formas obtêm-se um alvo "discreto" que, além de exigir um lançamento mais próximo, também confunde os autodiretores do míssil, já que sua cabeça do míssil, ao invés de ser atraída por um eco importante, será excitada por uma multidão de pequenos pontos brilhantes que perturbam seu "raciocínio e discriminação". ,

AS CONTRA MEDIDAS

Para combater os efeitos dessa discrição-radar, diversas pesquisas estão sendo dirigidas pelos pesquisadores e industriais da área, na direção do radar embarcado de baixa frequência e multiestático (com antenas dispersas). Esses radares irão operar em ondas métricas emitidas através de antenas emissoras/receptoras diferenciadas e múltiplas que codificarão os sinais emitidos, de forma a dividir o espaço e "pintá-lo" de modo particular.

Aparentemente, o problema parece de simples execução. Entretanto, para obter um equipamento operacional dessa forma, faz-se necessário desenvolver matrizes incríveis de cálculo imprescindíveis para o tratamento do sinal. Entenda-se, portanto, um possante computador embarcado.

O FUTURO DOS AVIÕES DISCRETOS

Os especialistas e pensadores da guerra aérea ainda são céticos quanto à importância que possa vir a representar a discrição-radar na arena de combate. Deve, a discrição, se sobrepor à manobrabilidade, velocidade ou polivalência? No caso do F-117A. sabe-se que é uma plataforma instável em certas condições de vôo e difícil de pilotar, além de ser lento, o que o torna vulnerável quando avistado. Além disso, em proveito dessa discrição-radar, todo o armamento (bombas e munição) deve ficar "enterrado" na fuselagem, o que toma o espaço do combustível e que penaliza o alcance.

Apesar de tudo, cabe a questão: a FURTIVIDADE virá a representar a panacéia esperada para equipar os aviões de combate dos anos 2000, com prejuízo dos outros atributos ?