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A guerra aérea e os tripulantes dos bombardeiros ingleses

Como o Comando de Bombardeiros da RAF levou a guerra ao coração da Alemanha, a um terrível custo para seus tripulantes.

Voando cego

Image for the British bomber crews articlePilotar um bombardeiro britânico durante a 2ª Guerra Mundial, foi com toda certeza, uma das atividades mais perigosas e mortais. Cerca de 50 mil tripulantes do Comando de Bombardeiros da RAF morreram durante a guerra, estatisticamente o maior índice de fatalidade entre todas as forças militares britânicas, e mesmo assim, nunca foi criada uma medalha oficial para comemorar o sacrifício desses homens. A contribuição do Comando de Bombardeiros para o esforço de guerra, foi parcialmente prejudicada pelo controverso bombardeio de saturação contra as cidades alemães durante os anos de 1944 e 45, quando milhares de civis alemães foram mortos.

Durante a guerra, a opinião acima, nunca fez parte da mente dos membros do Comando de Bombardeiro, pois eles estavam apenas preocupados em obedecer as ordens superiores e em sobreviver aos combates. No início da guerra, os pilotos aprenderam terríveis lições sobre sua vulnerabilidade. As missões sobre a Europa ocupada eram realizadas à luz do dia, e os caças alemães encontraram nos bombardeiros ingleses, alvos fáceis de serem abatidos. Por exemplo, no final de 1939, numa determinada missão, 21 dos 36 bombardeiros que decolaram, não retornaram de um ataque. A maioria das aeronaves voavam tão baixo, que quando atingidos, seus tripulantes não tinham tempo suficiente para pularem de para-quedas. Logo em seguida, os ataques diurnos foram abandonados, e os bombardeiros britânicos passaram a operar quase que apenas à noite. A navegação noturna era muito difícil, principalmente se nuvens cobriam o terreno. Inicialmente, os navegadores utilizavam a estimativa de posição utilizando a velocidade, o tempo de vôo e a búsula, mas os fortes ventos sempre existentes no norte da Europa prejudicavam o cálculo.

 

Image of British bombers caught in German flak

Ilustração de bombardeiros britânicos sendo pegos pela anti-aérea alemã.

Melhores bombardeiros

         O problema da navegação noturna em encontrar um alvo relativamente pequeno e atingi-lo com precisão pode ser bem observado por um relatório de 1941, quando da campanha do Comando de Bombardeiro contra objetivos militares e industriais como refinarias, entroncamentos ferroviários, fábricas de aviões e portos. Tal relatório considerava que um alvo era atingido se uma bomba caísse a menos que 8 km do alvo !!!. Mesmo utilizando tal padrão, que é um absurdo, apenas um em cada quatro aviões atingiu o alvo, sendo que no Vale do Ruhr, área central da produção industrial alemã, essa proporção cai para um em cada quinze, para uma perda de 700 aeronaves e suas tripulações, cada uma com 7 homens.

Por outro lado, os ataques alemães contra a Grã Bretanha durante o início da guerra, foram devastadores, matando muitos civis. Era necessário repensar. Os ataques contra a Alemanha foram então suspensos, após os relatórios serem divulgados, só recomeçando em 1942, com diferente objetivo. Já se fora o tempo de ataques de precisão contra fábricas e instalações militares. Os alvos agora passaram a ser as cidades alemães. O Comando de Bombardeiros recebeu um novo avião, o quadrimotor Lancaster. Ele podia transportar mais bombas (cerca de 10 t), era mais fácil de pilotar e possuía certo armamento defensivo, além de suportar maiores danos.

 

Image of Dresden devastated after the firestorm

Dresden devastada após uma tempestade de fogo de um  ataque

Guerra Tecnológica

As condições operacionais dos bombardeiros eram espartanas. Eles eram barulhentos, apertados e frios. As temperaturas ambientes podiam chegar a –40°C, frio suficiente para congelar a pele, caso acontecesse contato desta com metal. No início da guerra, os tripulantes tinham que se vestir com muitas roupas, umas sobre as outras, sendo que o mais sofria era o artilheiro da cauda, que ficava exposto diretamente ao frio, visto que era normal eles retirarem um painel protetor de modo a melhorarem seu campo de visão e assim terem melhor chance de vislumbrarem os caças alemães. Os tripulantes sabiam do perigo e da vulnerabilidade que os bombardeiros possuíam quando carregados de bombas e de combustível. Conforme eles se aproximavam dos alvos, holofotes guiados por radares primitivos, os caçavam, de modo a conseguirem colocá-los em dois feixes de luz, facilitando o tiro da anti-aérea.

A flak (anti-aérea), era regulada para explodir seus projéteis na mesma altitude dos bombardeiros, arremessando pedaços de metal que podiam facilmente rasgar a fina fuselagem dos bombardeiros.

 

 

A guerra desenvolveu inteligentes inovações como o radar, o auxílio à navegação e os sistemas de lançamento de bombas. Algumas dessas inovações foram realmente espetaculares. Em julho, num ataque contra Hamburgo, as aeronaves lançaram milhares de tiras de alumínio, denominadas Window, que ao caírem simulavam reflexos de aeronaves nos radares germânicos, dificultando a identificação dos reais bombardeios. Porém, a tecnologia germânica também se desenvolvia, e ao final da guerra, os caças noturnos da Luftwaffe estavam equipados com radar de bordo, de modo que eles podiam interceptar individualmente os bombardeiros ingleses, à noite. Uma vez localizado o bombardeiro, eles tentavam neutralizar inicialmente o metralhador traseiro, e se conseguissem, partiam para derrubar o bombardeio, atacando-o por trás, em segurança. Os pilotos britânicos desenvolveram manobras drásticas para evadir dos caças  noturnos.

 

Image of a flying Lancaster

Um bombardeio britânico Lancaster

A enorme custo

Algumas vezes, os caças-noturnos atacavam sem que os tripulantes do bombardeio o tivesse visto, utilizando um canhão que atirava verticalmente, em direção a barriga desprotegida dos bombardeiros britânicos.

O lançamento das bombas era a parte mais perigosa da missão. As aeronaves tinham que voar nivelada e em linha reta, de modo a maximizar a chance de se atingir o alvo. Após o lançamento das bombas, o piloto tinha que manter posição, de modo a permitir que uma fotografia fosse tirada do alvo atingido. Sem esta fotografia, a missão não era considerada válida, e a tripulação não completava as 30 necessárias para completar seu turno. As aeronaves, durante a corrida de bombardeio eram um alvo perfeito. Ocasionalmente, alguns bombardeios eram atingidos por bombas lançadas por aeronaves amigas, que as lançara voando mais acima. Quando as tripulações regressavam, estavam exaustas, não só pelo longo vôo sob condições adversas, mas principalmente pela tensão psicológica do perigo que correram, tensão esta extremamente aumentada, quando eles eram testemunhas de outras aeronaves sendo atingidas e transformadas em bolas de fogo, sem que seus companheiros tivessem chance de saltar de para-quedas. Eles retornavam para a vida ordeira das bases, onde após a Batalha da Inglaterra, havia pouquíssimo risco de serem atacados. Após tensas horas, no gelado céu europeu repleto de explosões da flak, eles podiam descansar, beber uma caneca de cerveja, dançar com uma garota ou ir a um cinema.

 

As perdas sofridas nas missões, variaram muito ao longo da guerra. Uma taxa aceitável era a de 5%, e a média entre 1942 e 1944 ficou em 4%. Mas a aritmética é mais brutal do que parece. Menos de uma em cada oito tripulações sobrevivia a 50 missões. Metade das tripulações foi perdida, antes delas terem completado 10 missões.

 

Historiadores têm debatido muito se o esforço do Comando de Bombardeio valeu a pena e se as perdas de vidas humanas entre a população civil alemã pode ser justificada. Mas, se os ataques tinham realmente objetivos estratégicos militares e eram moralmente aceitável ou não, não passou pela cabeça dos tripulantes do Comando de Bombardeiro da RAF, que estavam apenas cumprindo brilhantemente sua missão.