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A Guerra Aérea no Deserto 1940 - 1943

O surgimento do conceito de operações aerotáticas,
em especial o Apoio Aéreo Aproximado

Introdução

Estender a guerra até o Norte da África nunca esteve nas ambições nem nos planos de Adolf Hitler, quando este começou sua campanha para dominar a Europa nos anos 30. A Itália, por outro lado, logo após sua entrada na 2ª Guerra Mundial prometeu aos alemães acesso seguro ao Canal de Suez, sem a necessidade de auxílio. Tomando por base a fraca presença militar britânica no Oriente Médio naquela época, essa promessa era bastante viável. Dois fatos, entretanto, contribuíram para frustar a consecução das promessas italianas, tornando o que poderia ser uma rápida e eficiente campanha em uma longa e desgastante jornada que sugou os recursos dos dois componentes do Eixo. Esses fatos foram a aventura italiana nos Balcãs, e a subestimativa da capacidade e determinação britânica em enviar reforços ao Egito, mesmo quando a guerra no norte da Europa havia se tornado muito perigosa para a Grã-Bretanha.

A entrada da Itália na 2ª Guerra Mundial se deu com o desejo de Mussolini de conquistar algum território de sua velha inimiga – a França – com suas tropas avançando pelo sul da mesma, enquanto que as Divisões Panzer de Hitler atacavam o norte. Com essa estratégia, ficava clara a situação do Teatro Mediterrâneo, e por conseguinte a do Norte e Leste da África e a do Oriente Médio. O Canal de Suez, a cidade de Alexandria e a ilha de Malta ficariam sob o alcance das forças armadas italianas e por outro lado, as forças inglesas, que no papel pareciam poderosas, não passavam de obsoletos aviões espalhados pela Palestina e pelo Iraque, e tropas policiais, totalmente incapazes de defender a Zona do Canal de Suez, enquanto que a Reggia Aeronautica (Força Aérea Italiana) podia contar com sua força principal, constituída de modernas aeronaves.


Principais aeródromos na Africa do Norte, 1940-43

Para a Grã-Bretanha, o termo Oriente Médio incluía uma área com mais de 10,5 milhões de km2, desde os Balcãs ao norte até a África Ocidental Inglesa ao sul, e desde a Ilha de Malta a oeste até o Iraque no leste. Em 1940, o comandante de todas as forças britânicas nessa imensa área era o General Sir Archibald Wavell, e para proteger essas tropas no ar, o comandante das unidades aéreas, Air Chief Marshal Sir Arthur Longmore, Comandante da RAF Midle East, podia contar com 29 esquadrões com cerca de 300 aeronaves. Dezenove desses esquadrões eram equipados com Blenheims, Gladiators, Lysanders e Sunderlands, e os dez restantes eram um "bando" de Bombays, Valentias, Wellesleys, Vincents, Audaxes, Battles, Hardys, Harts, Hartebbests e Londons, totalmente ultrapassados. Dos bombardeiros, apenas o Blenheim podia ser considerado "moderno" e os únicos caças disponíveis eram os cinco esquadrões de biplanos Gladiators.


Lysander Mk I do Esquadrão Nº 208

Contra esses aviões, a Itália contava com cerca de 1 700 aeronaves, a sua maioria em bases na Itália e na Sicília, mas que com pouco esforço poderiam ser deslocados para o Norte da África, para o Oriente Próximo ou simplesmente serem utilizados em ataques contra Malta. Entretanto, nem tudo estava perdido, pois com uma análise mais apurada, verificava-se que o desempenho do principal caça italiano, o Fiat CP-42, era muito semelhante ao do Gladiator, enquanto que o do melhor bombardeiro italiano, o Savoia Marchetti S.M. 79, também era semelhante ao do Blenheim, embora possuísse mais potência e maior alcance operacional. Em Agosto de 1940, a Reggia Aeronautica possuía cerca de 600 aeronaves espalhadas pela Tripolitania (Líbia Oriental) e Cyrenaica (Líbia Ocidental).


Savoia Marchetti S.M. 79

As campanhas italianas

Além da mal executada aventura francesa, os italianos embarcaram em três outras campanhas militares, começando com a pobremente conduzida ofensiva ao longo da fronteira Líbia – Egito. Felizmente, para os ingleses, como o vital Canal de Suez era o mais óbvio objetivo militar, Longmore havia distribuído suas mais poderosas unidades aéreas no Egito, e as primeiras batalhas travadas pelos Gladiators e Blenheims mostraram que os pilotos da RAF, reforçados por sul-africanos, eram mais capazes do que os "nervosos" italianos, enquanto que os Lysanders realizavam um esforço hercúleo e eficiente apoiando as tropas terrestres, mesmo operando sem proteção dos caças.

Depois de uma defesa eficiente, comandada pelo Lieutenant General O'Connor, juntamente com bombardeios a Tobruk, Bardia e outros portos de abastecimento italianos, permitiu-se que o exército italiano realizasse um pequeno avanço, em direção a uma área fortemente minada onde foram facilmente paralisados. Incapaz de estender suas linhas de reabastecimento, o Marechal italiano Graziani se deteve. Na tentativa de demonstrar sucessos militares para seu aliado e elevar o moral do exército italiano, Mussolini, atacou a Grécia via Albânia, no dia 28 outubro de 1940, mas logo descobriu que os avanços estavam lento. Com tantos receios, tanto por parte de Longmore no Egito, e dos próprios gregos, decidiu-se (em Londres) o envio de forças localizadas no Egito para ajudar os gregos, e três esquadrões de Blenheim (Nº 30, 84 e 21 1) e dois de Gladiators (Nº 80 e 112, este com ordens de entregar suas aeronaves à Força Aérea Grega) foram despachados. Mesmo em uma campanha que começou com alguma esperança, com os Gladiators, normalmente em menor número mas pilotados com grande determinação, destruindo um bom número de aeronaves italianas, a batalha de solo se degenerou em um beco-sem-saída.

O inverno de 1940-41 paralisou a guerra, enquanto que os aeródromos gregos, se transformavam em um imenso lamaçal, mal permitindo as operações aéreas. Enfurecido pela demora para obter um flanco sul livre de inimigos, de modo a permitir liberdade para um futuro ataque à União Soviética, Hitler decidiu dar uma ajuda aos seus aliados italianos, Forças alemãs invadem o sul via Macedônia e fazem rápido progresso em direção à capital grega. A campanha termina rapidamente ao final de abril de 1941, com as forças britânicas recuando por ar e por mar até a ilha de Creta ou mesmo para o Egito. Nos últimos dia de abril as tropas alemãs entram triunfantes em Atenas. O recém designado comandante do Esquadrão Nº 33, o sul-africano Squadron Leader M. T. St J. Pattle, foi derrubado e morto quando realizando uma missão em Piraeus; com mais de 40 vitórias aéreas confirmadas, em pouco mais de seis meses de guerra, foi o maior ás da RAF da 2ª Guerra Mundial, sempre pilotando um Gladiator.


Blenheim Mk I do Esquadrão Nº 113 da RAAF

Enquanto que as últimas tropas aliadas saíam da Grécia, o Generalleutnant Hans Geiseler, comandante do X.Fliegerkorps foi designado comandante geral das operações no teatro mediterrâneo, tendo sob sua jurisdição elementos de três Geschwader em Cyrenaica, incluindo Junkers Ju-52/3ms dos KGzbV 1 e 9, Messerschmitt Me-110Cs do Ill/ZG 76, e Junkers Ju-87Rs dos StG 1 e 2.

Os reforços no Egito se completam

Quando a paralisação forçada de inverno havia começado na Grécia, o General Wavell e o Air Marshal Longmore tinham praticamente concluído a formação de uma notável força no Egito, com raras interferências da Reggia Aeronautica. No ar, a transformação tinha sido extraordinária e seguido a recomendação do Air Ministery de que, a Middle East Air Force deveria ser reforçada e depressa. Mesmo, em plena Batalha da Inglaterra, Hurricanes e Blenheims tinham sido transferidos da Inglaterra, em pequenos números, alguns deles chegando a Malta dias depois da entrada da Itália na guerra. Logo após, durante o mês de agosto de 1940, a ilha de Malta foi reforçada por um pequeno número de Hurricanes, lançados do porta-aviões HMS Argus, que havia penetrado no Mediterrâneo via Gibraltar, de uma distância tal que poderiam completar a jornada via aérea. Duas outras levas de Hurricanes foram transportadas antes do fim do ano.

Nesta mesma época, uma outra rota aérea para o Oriente Médio fora aberta. Os navios de carga ingleses, com Blenheims e Hurricanes desmontados, iam até o porto de Takoradi na África Ocidental; lá as aeronave eram desembarcadas e remontadas, antes de fazer o longo vôo pelo continente até os aeródromos no Egito. Em dezembro de 1940, os Hurricanes chegavam a um fluxo constante, o suficiente para equipar três esquadrões, enquanto que Wavell já estava pronto para atacar em direção a oeste pelo deserto. Até então, apenas dois esquadrões de Wellingtons realizavam ataques, bombardeando os portos de Benghazi e Tobruk.


Tres Wellingtons do Esquadrão Nº 37

Operação Compasso

Em 9 de Dezembro de 1940, as forças terrestres do General Wavell iniciaram o ataque (Operação Compasso) com completa cobertura aérea, realizada pelos oito esquadrões de Hurricanes, Gladiators, Blenheims e Lysanders. As forças italianas em Sidi Barani se renderam no mesmo dia, as em Sollum, na borda com Cyrenaica, caíram em 4 de janeiro de 1941; Tobruk menos de três semanas depois, e Benghazi em 7 fevereiro. Neste momento a Luftwaffe interveio. Frustrado pela incapacidade italiana de penetrar no Egito, Hitler ordenou o deslocamento de elementos das três Geschwader para a África, - cerca de 50 caças Messerschmitt Me-109, aproximadamente 150 bombardeiros, bombardeiros-de-mergulho e transportes, como também de uns 50 Hs-126 e Fi-156, aeronave de ligação.


Me-109

Antes que forças terrestres britânicas alcançassem a região entre Cyrenaica e Tripolitania, em El Agheila, a 8 fevereiro (o limite do avanço), as aeronaves alemãs já estava aterrissando na Líbia. Foi neste momento que Longniore recebeu ordens para enviar mais aeronave para a Grécia, desta vez os valiosos caças Hurricanes. Em terra os fatos não eram melhores, pois as forças britânicas, agora detidas na Cyrenaica, incluíam apenas uma brigada blindada e uma divisão de infantaria australiana parcialmente treinada. A proteção aérea fora agora reduzida a um esquadrão misto de Gladiators, Hurricanes e Lysanders, e um esquadrão de bombardeiro-reconhecimento (Bombays).


Um Bristol Bombay do Esquadrão Nº 216

A situação não poderia estar melhor para as forças do Eixo na Líbia. Os britânicos tinha avançado uns 800 km em pouco mais de três meses e estavam obviamente cansados, a rota de suprimento era longa, perigosa e tortuosa, e eles tinham muito pouca cobertura aérea. O novo Afrika Korps era inexperiente, mas suas rotas de suprimento eram pequenas, e possuía uma pequena mas bem treinada e equipada força aérea. O próximo movimento era inevitável: o general alemão, Erwin Rommel, atacou os britânicos em El Agheila no final de março de 1941, Benghazi foi recapturada em quatro dias e os alemães alcançaram Tobruk em menos de dez dias. A RAF tinha conseguido fornecer alguma cobertura aérea às tropas britânicas, suas perdas eram leves, pela razão simples de que haviam relativamente poucas aeronaves para se perder.

Antes de se lidar com a próxima fase da guerra do deserto, é necessário analisar brevemente a terceira das campanhas italianas, acontecida uns seis meses antes. Uma vez mais, um olhar superficial do balancete militar italiano no Leste Africano, daria um quadro enganoso. Para os italiano, reforçar seu império na África Oriental, a partir da Líbia, era um sonho, mas não impossível; para os britânicos, a pequena presença naval italiana no Mar Vermelho e ao redor de Aden é que trazia algum embaraço, porque representava uma significante ameaça ao transporte de tropas e suprimentos, obrigadas a dar uma volta pelo sul da África até o Egito, visto que o Mediterrâneo estava teoricamente fechado aos ingleses. O primeiro movimento foi feito pelos italianos durante o mês de agosto de 1940, forçando a retirada do pequeno contingente britânico da Somália Britânica, mas que logo em seguida pararam parecendo aguardar os acontecimentos. Vários bombardeiros italianos foram deslocados para a Eritréia vindos da Líbia, mas pouco foi feito para fortalecer os esquadrões de caça, alguns dos quais estavam equipados com velhos CP-32 - uma geração mais antiga que os CP-42. A RAF, por outro lado, possuía um esquadrão de Gladiators, alguns Blenheims e Vincents em Aden, como também alguns Wellesleys no Sudão, além de um crescente número de Hurricanes que seguiam a rota de Takoradie, e de alguns que já estava operando em bases no Sudão.

Eritréia é atacada

Como os italianos pararam seu avanço, o General Platt Geral atacou a Eritréia em 9 em janeiro, apoiado por Hurricanes e Gladiators, e com os Blenheims e Wellesleys atacando mais profundamente, visando os depósitos de combustível italianos. No Mar Vermelho, a RAF afundou três destroiers italianos, e a Fleet Air Arm (braço aéreo da Royal Navy) outro, enquanto dois outros encalharam quando tentavam escapar das bombas. Um novíssimo submarino italiano foi avistado na superfície por um piloto de Gladiator, perto de Aden, bombardeado por um Vincent e finalmente afundado por um Blenheim.


Vincent

Na realidade, a campanha de Platt ao norte, era nada mais nada menos que um braço de um enorme movimento de pinça, juntamente com as três divisões do General Cunningham que avançavam do Quênia pelo sul, apoiadas por escassos recursos aéreos que incluíam principalmente dois esquadrões de antiquados biplanos Hardy e Hartebeest, a metade deles pilotados por sul-africanos. Os caças da RAF encontraram pouca oposição, e boa parte das operações eram de ataque às aeronaves italianas estacionadas nas bases aéreas por falta de combustível para voar. Quando Mogadishu, na Somália Italiana, caiu em 25 de fevereiro de 1941, não tinha havido nenhuma oposição no ar, mas os destroços de 21 aeronaves no aeródromo da cidade contavam a história.

Rebelião Iraquiana

A vitória na Eritréia, com a captura de mais de 200 000 italianos, não livrou as tropas e os pilotos da Commonwealth de se envolverem rapidamente em outro problema, qual seja, a rebelião no Iraque, onde um político local, Rashid Ali, apoiado pelo Eixo, resolve atacar a base aérea da RAF em Habbaniya, onde se localizava a Escola de Treinamento Aéreo Nº 4. Ao mesmo tempo, o RAF teve que empreender rapidamente a evacuação de cerca de 250 cidadãos britânicos de Bagdá. Enfrentado um ameaçador cerco de artilharia ao longo do perímetro da base, o pessoal do esquadrão rapidamente adaptou cerca de 70 Oxfords e treinadores Audax para levar bombas; os biplanos Audax podiam carregar um par de bombas de 250 lb, mas os Oxfords apenas oito bombas de 20 lb. Em 2 de maio de 1941 a batalha de Habbaniya começou, como os instrutores e alunos entrando em ação contra os iraquianos. A Força Aérea do Iraquiana surgiu, mas sua pontaria era tão ruim e eles eram tão despreparados, que apenas a presença de alguns Gladiators da RAF foi suficiente para que dois Audaxes iraquianos fossem abatidos e o resto resolvesse desaparecer. A batalha durou o dia todo. Alguns Wellingtons chegaram à noite, provenientes de Shaibah, e uniram-se à luta; no segundo dia o esquadrão de Habbaniya havia voado 193 missões, com 5 aeronaves perdidas e 20 danificadas. No terceiro dia, mais Gladiators, outro grupo de Wellingtons e alguns Blenheims chegavam.


Audax

Quando algumas aeronaves de transporte do Esquadrão Nº 31 chegaram com tropas do King’s Own Royal Regiment para reforçarem as já existentes na base, os ataques noturnos aéreos contra os iraquianos foram interrompidos, substituídos pelo das tropas, mas os ataques diurnos não, até que no dia 6 de maio, os atacantes se retiraram totalmente. Embora os alemãs fizessem algum esforço para apoiar a revolta de Rasliid Ali, enviando algumas aeronaves militares (incluindo bombardeiros He-111 e caças Me-110), via Síria, para aeródromos ao norte do Iraque, em Kirkuk, este esforço foi em vão, pois o comandante alemão foi morto em um acidente, numa aterrissagem em Bagdá.

Controle da Síria

Depois de manterem os interesses Aliados no Iraque, pelo envio de forças militares de Habbaniya para Bagdá via estrada, a próximo missão seria fazer com que a Síria voltasse para a esfera de influência dos Aliados, arrancando-a do um controle administrativo pró-Vichy, que tinha permitido o trâmsito de aeronaves alemães por seus aeródromos para o Iraque. Uma rápida mas forte campanha, pesadamente apoiada por esquadrões da RAF e da Fleet Air Arm, foi realizada em 1941, assegurando tranqüilidade no flanco norte das forças no Egito e logicamente na Zona do Canal de Suez.

Assim termina a primeira fase da guerra no Oriente Médio. Os Bálcãs e a Ilha de Creta foram perdidos, e o Afrika Korps alemão se estabelecera no Deserto Ocidental, com uma presença crescente da Luftwaffe. Nesse primeiro ano tinham sido aumentadas a força e a qualidade dos equipamentos da RAF, em grande parte devido a uma infra-estrutura que tinha sido criada ao longo de duas décadas e que poderia ser mais ampliada com pouca dificuldade, uma vez que os problemas de reforço e treinamento tinham sido superados. Muito já havia sido aprendido sobre o comportamento e a operacionalidade de aeronaves operando sob altas temperaturas e com a presença da areia penetrando nos motores - um ambiente extremamente exigente. Por mais de 20 anos, a RAF no Oriente Médio possuía um único centro de manutenção de aeronaves, localizado em Aboukir, que realizava reparos, consertos, reconstruía aeronaves bem como a manutenção de segundo-linha; no primeiro ano da guerra no deserto, meia dúzia de unidades de manutenção autônomas tinham sido criadas, além de Aboukir e tinham convivido admiravelmente bem com as demandas de cinco campanhas, de forma que, aparte dos problemas encontrados na Grécia, todas as perdas e desgastes sofridos pelos esquadrões haviam sido rapidamente recompostos

Antes de voltarmos às glórias e derrotas acontecidas no Deserto Ocidental, é essencial relatar o papel exercido pela minúscula Ilha de Malta. A força de vontade exibida pela população, combinada com a determinação britânica e mais tarde americana de suprir a ilha com comida, combustível e armas, a qualquer custo, foi uma papel extraordinário, além das operações de interrupção do fluxo de materiais essenciais para os exércitos e forças aéreas do Eixo no norte da África.

Malta

Quando a Itália entrou na guerra, considerava-se a Ilha de Malta muito mais como um recurso do que como um ponto estratégico. Ela fica localizada a aproximadamente meio caminho entre Gibraltar e Alexandria, e não era apenas um porto importante com facilidades navais e um bom ancoradouro, do qual navios de guerra de tamanho médio poderiam operar, atacando os comboios italianos em rota de e para a Líbia, mas poderia reabastecer as aeronave de longo alcance, que assim teriam acesso total ao Mediterrâneo. A ilha nunca tinha sido considerada seriamente como uma base para aeronaves de ataque à Itália, Sicília ou África do Norte. O bom senso parecia sugerir que em tais circunstâncias, Malta seria muito vulnerável a ataques aéreos.

Há uma estória que diz que no início da guerra contra a Itália, a defesa de Malta dependeu durante vários meses de um trio de Sea Gladiators. De fato, no dia que a Itália entrou na guerra, Hurricanes já estavam voando para Malta, pelo sul de França. Na verdade, nenhum deles sobreviveu ao longo e difícil vôo, mas outros foram enviados quinze dias depois, e, até ao final de junho, algo como uma dúzia de Hurricanes e um punhado de Blenheims já se encontravam na ilha. Os italiano, também não estavam muito ansiosos para testar as defesas da ilha naquelas primeiras três ou quatro semanas, e raramente realizavam mais do que meia dúzia de missões diárias contra a ilha. Alguns caças apareceram, mas geralmente eram ignorados pelas defesas, enquanto a maioria das outras missões foram realizadas por aeronaves de reconhecimento, das quais duas ou três foram derrubadas.


Gladiators Mk II do Esquadrão Nº 3 da RAAF

Em verdade, a entrada da Itália na guerra convenceu o Air Ministery, mas não o Almirantado que, como um posto organizando para reforços aéreos para o Oriente Médio, Malta era de importância extrema, se bombardeiros modernos fossem enviados da Inglaterra. E, durante essas primeiras semanas de indecisão italiana, vários bombardeiros Wellingtons passaram por Malta. Durante a campanha na Grécia, mais uma vez Malta foi utilizada como base de operações contra as forças italianas na Albânia e no norte da Grécia, aproveitando-se da presença dos bombardeiros de passagem para o Egito. Essas não foram as únicas operações empreendidas por aeronaves de Malta nessas primeiras semanas: os Sunderlands afundaram dois submarinos italianos, enquanto que o Esquadrão Nº 830 da Fleet Air Arm, utilizando biplanos torpedeiros Swordfish realizavam longas patrulhas, de modo a obter informações a respeito dos movimentos dos navios de transporte italianos que iam e viam de Tripoli e Benghazi. No início de agosto, 12 Hurricanes decolaram do porta aviões HMS Argus e chegaram sãos e salvos à Malta. No mês de setembro, três Marylands voaram da Inglaterra e chegaram a Malta, de modo a formar o núcleo de um esquadrão de reconhecimento, o Esquadrão Nº 431.


Swordfish

O próximo grupo de Hurricanes a chegar a Malta, foi também transportado e lançado pelo porta aviões HMS Argus, mas devido a um erro da estimativa do alcance dos Hurricanes, as aeronaves foram lançadas a uma distância maior do que seu verdadeiro alcance, e como resultado, apenas 4 das 12 aeronaves chegaram à ilha (O mesmo erro já havia sido cometido anteriormente, mas o engano foi detectado a tempo por um dos pilotos, e o porta aviões navegou mais uns 240 km, quando aí sim as aeronaves decolaram).

Uma demonstração dramática da posição vital de Malta no Mediterrâneo, pode ser comprovada pela missão de um Maryland do Esquadrão Nº 431, pilotado pelo Flying Officer Adrian Warburton no dia 10 de novembro, cujo objetivo era o de observar e relatar a disposição dos navios de guerra italianos no porto de Taranto na Itália meridional. Depois de circular o porto por três vezes diante de um intenso fogo anti-aéreo, para se assegurar da exata disposição de cada belonave, Warburton voltou a Malta onde suas informações e fotografias, - mostrando a localização de cinco couraçados, 14 cruzadores e 27 destroiers, foram passadas ao porta aviões Illustrious. Na noite de 11 de novembro lançou-se um ataque à Taranto, com 24 Swordfish dos Esquadrões Nº 813, 815 e 819 da Fleet Air Arm, armados com bombas e torpedos, liderados pelo Lieutenant Commander K. Williamson. O resultado do ataque foi que se perderam dois dos velhos biplanos, mas um encouraçado, tentou fugir e ficou encalhado, sendo depois abandonado para sempre; dois outros foram danificados suficientemente para serem docados por seis meses, e dois cruzadores e dois navios auxiliares foram afundados em água rasa. Como conseqüência do ataque, meio frota italiana ficou imobilizada, e a superioridade naval pendeu mais uma vez em favor da Inglaterra, mesmo que por alguns meses. Esses meses foram de vital importância para a sobrevivência de Malta.


Maryland Mk II do Esquadrão Nº 24

Ofensiva na Cyrenaica

Os grandes esforços realizados - via Malta e Takoradi - na segunda metade de 1940 para melhorar a força da RAF no Oriente Médio, embora mal interpretados pelo Air Ministry (e pelo primeiro-ministro Winston Churchill), foram suficientemente adequados de modo a permitir que se realizasse a primeira ofensiva na Cyrenaica em 1941. Essa ofensiva seria bem diferente daquela anteriormente realizada, quando se conseguiu apenas paralisar as tropas alemãs na Líbia ou ainda para reparar as perdas de meia dúzia de esquadrões de Hurricanes e Blenheims durante as campanhas na Grécia e Creta.


Hurricanes Mk II C do Esquadrão Nº 94

Antes e durante o período de formação do Afrika Korps de Rommel, fora necessário para os alemães, concentrar-se nos ataques à Malta para assegurar a não interrupção do fluxo de homens e materiais de guerra através da estreita faixa mediterrânea. Para este fim, o X.Fliegerkorps, operando na Sicília, iniciou em janeiro de 1941 um bombardeio à ilha utilizando aeronaves Ju-87 e Ju-88. Uma comboio, navegando de Gibraltar para Malta, foi atacado pesadamente por Ju-87 e He-111, os quais conseguiram seis impactos diretos nos navios britânicos, avariando o porta-aviões Illustrious, e afundando o cruzador Southampton e danificando outro, o Gloucester. Com o avanço britânico pela Cyrenaica, a oportunidade foi aproveitada, para equipar a frente no continente africano de mais aeronaves, incluindo 27 Hurricanes que tinham chegado recentemente via Takoradi, entre eles o primeiro Mk II com desempenho ligeiramente melhorado e armamento aperfeiçoado. Considerando que anteriormente, as solicitações de aeronaves para o Teatro Grego, em especial de caças, tinham abalado gradualmente a força da RAF no deserto, a chegada dessas aeronaves era um reforço e tanto


He-111

A perda da Grécia e a retirada britânica para Tobruk não era apenas um problema de cunho moral, mas sim, tinham sido causadas pela intervenção de forças alemãs que estavam postadas muito mais próximas ao Canal de Suez do que um ano antes. Mas eram abril / maio de 1941, e Hitler começou os preparativos para o grande ataque à União soviética, que incluíam a transferencia de unidades aéreas da Europa ocidental e meridional para o que se tornaria a Frente Oriental. Rommel, inteligentemente, sentiu isto, não avançando além da fronteira egípcia, já que suas linhas de suprimento através do Mediterrâneo via Sicília não poderiam ser protegidas, após a movimentação do X.Fliegerkorps para o front russo. Além disso, estavam sendo fortalecidas constantemente as forças terrestres e aéreas Aliadas no Egito. Em maio as unidades de primeira linha da RAF incluíam cinco esquadrões de Hurricane, cinco de Wellingtons, três de Blenheim, um de Marylands, um esquadrão de transporte de Bombays, dois equipados com Sunderlands e um com Lysanders. Sendo retirados de Creta haviam ainda três esquadrões de Blenheims e um de Hurricane, todos com efetivos abaixo do mínimo necessário e precisando de um descanso. Em outro lugar no Oriente Médio haviam ainda três esquadrões de Blenheim, um de Gladiators e outro de P-40 Tomahawks. Surpreendentemente, este total representava dois esquadrões a menos do que o total do um ano anterior; porém, agora todos, menos um, eram equipados com caças monoplanos.

Entre as unidades aéreas alemãs na Cyrenaica estava o Gruppe JG 27, equipado com 50 Me-109E, caças muito melhores do que os Hurricanes I , que constituíam a maioria dos esquadrões de caça da RAF no deserto. Embora estes caças tivessem lutado um contra o outro durante a Batalha de Inglaterra, o Hurricane, por necessidade operacional, tinha sido equipado com um grande filtro de ar em cima da entrada do carburador, reduzindo seu desempenho em uns oito por cento (40 km/h), enquanto que o filtro alemão, colocado para o mesmo propósito, penalizou o desempenho do Me-109 em cinco por cento. Assim, a velocidade máxima do Me-109E tinha caído aproximadamente para 340 mph (545 km/h) à 15 000 ft (4 572 em), e a do Hurricane à mesma altitude era um pouco maior do que 310 mph (500 km/h) - margem significativa. O Messerschmitt alemão tornar-se-ia um real impecílio para a RAF durante os meses próximos.

Os Curtiss Tomahawks

Infelizmente, no Oriente Médio, a chegada de Spitfires ainda estava a um ano de distância, e os mesmos não havia sido ainda submetidos a testes de desempenho sob clima tropical. Os P-40 Tomahawks americanos já estavam chegando às unidades de manutenção da RAF, para serem preparados e enviados aos esquadrões de caça, mas provaram ser apenas um pouco melhor do que o velho Hurricane Mk I. A Guerra Aérea no Deserto ainda dependeria, por algum tempo, de novas versões deste robusto caça britânico

Em 1º de junho 1941, o Air Chief Marshal Sir Arthur Tedder foi designado Comandante Supremo do Comando do Oriente Médio, e seu objetivo principal seria o reequipamento, o mais rápido possível, da Força Aérea do Deserto, de modo a estar pronta para apoiar a próxima ofensiva na Cyrenaica. Considerando que as críticas recebidas pela RAF por sua falta de habilidade em prover cobertura aérea adequada durante a retirada da Cyrenaica na primavera (que como já foi explicado, tinha sido devido, em grande parte, ao corte de recursos, que foram enviados ao apoio na Campanha Grega), estava claro que os conceitos de cooperação com o Exército tinham que ser totalmente revisados. Aeronaves como o Lysander eram adequadas contanto que os caças inimigos não estivessem nas redondezas; se estivessem, os Lysanders deveriam ser escoltados o tempo inteiro - um desperdício inaceitável de utilização dos caças. A resposta a esse problema já havia sido identificada pela Luftwaffe há muito tempo, ou seja, a utilização de caças como aeronaves de apoio à tropas (isso era extremamente óbvio e lógico para os alemães, visto que a Luftwaffe tinha sido concebida, equipada e constituida de pessoal oriundo do exército; esta era a verdadeira raison d'être da força aérea alemã no contexto da Blitzkrieg).


P-40 Tomahawks no deserto

Felizmente para os aliados, o Hurricane estava sendo desenvolvido como caça-bombardeiro e alguns já tinham entrado em operação; Hurricanes IIB e IIC estavam começando a chegar no Oriente Médio, e os esquadrões começaram o treinamento para atuarem em apoio aéreo aproximado. Para operarem como caças de reconhecimento, Hurricanes estavam sendo modificados na Zona do Canal, e equipados com um conjunto de cameras fotográficas no centro da fuselagem (esta versão era denominada de TacR.Mk I ou II). Inicialmente, os Tomahawks, ficaram limitados a atividades de caça.

No papel de bombardeiro médio e leve, os Blenheims operavam em conjunto com os Marylands e Bostons, enquanto os Wellingtons (seis esquadrões), à partir de Malta, continuavam a realizara longas missões de um lado para outro, sobre o deserto, ou mesmo sobre o Mediterrâneo. Nas operações anti-navios, dois esquadrões de Beauforts estavam no Oriente Médio complementando os Swordfishs e Albacores da Fleet Air Arm. A atividade de foto-reconhecimento não existia na RAF antes da guerra, mas era agora um elemento essencial da guerra, particularmente em um teatro de operações tão grande como o Oriente Médio. Até então, a atividade de foto-reconhecimento tinha sido empreendida por Blenheims e Marylands, mas agora Hurricanes especialmente preparados, e Beaufighters estavam sendo utilizados pelo Esquadrão Nº 2, baseado na Zona do Canal.

Operação Brevidade

A primeira contra-ofensiva britânica, a Operação Brevidade, foi lançada em 15 de maio de 1941, mas era limitada em seus objetivos, em grande parte devido a uma carência em curto prazo de esquadrões da RAF completamente operacionais e a uma necessidade do Oitavo Exército em consolidar suas defesas avançadas e rotas de abastecimento. No princípio, a operação parecia estar tendo sucesso, com Sollum e Capuzzo sendo capturadas, mas Rommel rapidamente recapturou a Passagem de Halfaya. No ar, os Hurricanes e Tomahawks da RAF davam conta do recado, em grande parte devido à maioria dos combates aéreos estarem sendo realizados bem abaixo da altitude ótima dos Me-109E, de forma que isto os nivelou; justamente por isso, os caças britânicos e americanos puderam alcançar as formações dos vulneráveis Stukas Ju-87 antes da escolta de Messerschmitt poder reagir. Num esforço para recuperar a superioridade no ar, Me-109E do 27 I/JG juntaram-se aos do 7/JG 26. Houve então uma pausa na luta no solo, já que ambos os lados estavam se preparando, para o que percebiam ser, o ataque decisivo.


Ju-87 Stuka

 

Battleaxe

Em 14 de junho os britânicos iniciaram a Operação Battleaxe, cujo objetivo principal era a libertação de Tobruk e a recaptura de toda a Cyrenaica. Nas últimas quatro semanas a RAF tinha sido fortalecido com a chegada de dois esquadrões de Tomahawks e dois de Hurricanes, recompondo as perdas de aviões de caça, entretanto as dos bombardeiros leves Blenheims não foram repostas. No segundo dia de ataque, o Afrika Korps contra-atacou e uma feroz batalha de tanques aconteceu na qual o Oitavo Exército Britânico foi forçado a recuar até à fronteira egípcia. No ar, um total de 116 caças da RAF tinha enfrentado um ligeiramente maior número de Me-109 e Me-110, mas, ao final de um mês de combates, a RAF perdera 33 caças e cinco bombardeiros, contra 10 aeronaves alemãs no total. Tedder era inflexível no seu veredicto – faltava habilidade e experiência aos pilotos aliados quando comparado aos da Luftwaffe, os equipamentos britânicos e americanos eram notadamente inferiores aos alemães, e ligeiramente melhores do que os italianos Fiat G.50 e Macchi MC.200. O bombardeiro leve Blenheim Mk-IV era muito vulnerável em combate, e o Maryland (previamente criticado e evitado pelo de Comando de Bombardeiro na Inglaterra) era agora visto como superior, mais confiável e mais capaz de resistir a danos de combate batalha que o Blenheim.
 
 


Fiat CR-32 e um Breda Ba-65

Em maio de 1941, quando a frente no deserto estabilizou-se, Tedder não possuía mais que 200 aeronaves de todos os tipos, operacionalmente aptas para combate. Quando da próxima ofensiva, a Operação Cruzado, iniciada em novembro, os números haviam subido para 600 aeronaves, embora ambos os lados se ocupassem de operações aéreas, com as alemães e realizando apenas ataques ocasionais às cidades do Cairo, Alexandria, Port Said e a algumas bases da RAF na Zona de Canal. Para a RAF, os Wellingtons mantiveram a pressão aos portos e aeródromos inimigos, realizando incursões principalmente à noite. Porém, enquanto o recém designado Oitavo Exército Britânico se preparava para a Operação Cruzado, com a aproximação do inverno russo o X.Fliegerkorps retornou ao Teatro do Mediterrâneo.

Os objetivos principais da Operação Cruzado eram mais uma vez, libertar a guarnição de Tobruk e a reconquista da Cyrenaica, num preparativo à uma invasão da Tripolitania. Tudo começou bem; Tobruk foi libertada e, tal era a superioridade aérea obtida pela RAF, que as novas táticas de apoio aéreo aproximado tiveram sucesso além da expectativa. Mais uma vez o exército britânico varreu o deserto em direção a Cyrenaica, mesmo com os alemães mais preparados do que nunca. Ocasionalmente, os alemães resistiam, mas as tropas inglesas recorriam aos caças-bombardeios da nova força aérea de Tedder, levando os alemães a pagarem um preço considerável em veículos e equipamentos. Os Stukas, muito utilizados no início da campanha no Norte da África, rapidamente tiveram que ser retirados de combate devido a enormes perdas sofridas. Por outro lado a Luftwaffe manteve sua superioridade, com os Me-109F que chegaram para reequipar dois Gruppen do JG 27 e do III/JG 53 ' Pik As' que operavam em Timimi na Líbia.

Hans-Joachim Marseille

Foi nesse momento da guerra que um jovem piloto alemão da JG 27 se destacou. Hans-Joachim Marseille, entre abril de 1941 e setembro de 1942, destruiu nada mais nada menos que 151 aeronaves aliadas na África Norte (todas confirmadas) antes de ser morto quando tentava saltar de seu Me-109, com o motor em chamas, por problemas mecânicos. Sem sombra de dúvidas, Marseille foi o maior ás da Guerra do Deserto, sendo agraciado com Diamantes para a sua Cruz de Cavaleiro, fato esse obtido por apenas quato pilotos alemães.


Hans-Joachim Marseille

Quando as forças da Comunidade Britânica entraram novamente em Bengiazi, puderam ver em primeira mão, os efeitos dos numerosos ataques realizados pelos Wellingtons ao porto, com navios afundados por toda parte, além dos tremendos danos causados às instalações propriamente ditas. Em outros lugares, encontrou-se aproximadamente uma dúzia de aeródromos inimigos, com um total de 458 aeronaves destruídas, como evidência das novas táticas da RAF de ataque ao solo.

Hurricanes são desviados

Mais uma vez a maré da guerra fluiu em favor das tropas do Eixo. Não só a ilha de Malta ficou sujeita aos mais sérios ataques aéreos dos alemães e italianos, forçando a maioria do Wellingtons e outras aeronaves a deixá-la, mas também a entrada do Japão na guerra obrigou o desvio de três esquadrões de Hurricanes e um esquadrão de Blenheim, que se dirigiam para o Cairo, para Singapura. Sem meios disponíveis de atacar bases aéreas alemãs e italianas no Mediterrâneo Central, era impossível manter Malta regularmente abastecida pelo mar.

Sustentado por um fluxo de homens e suprimentos com pequena interferência de Malta (exceto pelos navios da Royal Navy), Rommel, recuperou em 21 de janeiro de 1942, mais uma vez a iniciativa dos combates, desta vez também ajudado pela meteorologia, que alagou o aeródromo avançado de Antelat (ao sul de Benghazi), mantendo as aeronaves de foto-reconhecimento da RAF no chão. Só os esforços mais extremos das equipes de terra tornaram possível que quase todas as aeronaves conseguissem decolar de uma pequena pista construída às pressas, sendo que as últimas aeronaves decolaram debaixo do fogo de tanques alemães.

A retirada inglesa se deteve finalmente a oeste da fronteira egípcia; Tobruk ainda estava em mãos britânicas, bem como vários aeródromos dentro da Cyrenaica. Com um período de calma relativa ocorrendo, foi possível o envio de necessários e urgentes comboios para Malta, cujos suprimentos, em especial os alimentos, só resistiriam por mais umas semanas. A Luftwaffe continuava seus ataques à ilha, com uma tonelagem cada vez maior de bombas sendo lançadas, principalmente nos aeródromos de Takali e Hal Far. Somente em fevereiro de 1942, foram lançadas mais de mil toneladas de bombas na ilha. Porém, a 7 de março, Malta era presenteada com uma arma nova, já que naquele dia chegaram, vindo de um porta-aviões, 15 Spitfires - os primeiros caças desse tipo a chegarem ao Oriente Médio. No deserto, os Hurricanes, Tomahawks e Kittyhawk (versão melhorada dos P-40), embora em maior número que os caças alemães (3 para 1), ainda eram batidos pelos Me-109.

O capítulo final

Com o capítulo final na guerra no deserto se aproximando, o 8º Exército enfrentou uma última crise, além da considerável extensão de suas linhas de suprimento, qual seja, o maciço bombardeio lançado contra a minúscula Ilha de Malta. Entre 24 de março e 12 de abril de 1942, o II.Fliegerkorps voou mais de 2 100 missões de bombardeiro contra os docas, aeródromos e estações de radar da ilha, danificou as pistas de pouso de tal modo, que era tão perigoso para os Hurricane e Spitfires decolar e aterrissar como era o combate contra os caças alemães.

Ataques ocorridos nos dias 1º e 3 abril foram executados por mais de 250 aeronave em cada ocasião. Enfrentado a destruição total da ilha como uma base para navios e aeronaves, um esforço hercúleo foi feito para se manter voando os 47 Spitfire Mk V que chegaram em 21 de abril, vindo do porta aviões USS Wasp da marinha dos Estados Unidos (nesta operação perdeu-se uma aeronave). Porém, bastaram apenas dois dias de ataques da Luftwaffe para que o número de Spitfires operacionalmente utilizáveis ficasse reduzido a 11.


Spitfire

Uma nova operação, denominada Bowery, levado a cabo mais uma vez pelo USS Wasp e pelo HMS Eagle, em 9 maio, fez chegar à Malta mais 64 Spitfires. Quando um novo ataque alemão foi realizado aproximadamente três horas depois da chegada dos aviões, mais da metade deles já estavam reabastecidos e armados para enfrentar os invasores, juntamente com 13 Hurricanes. Durante os combates daquele dia, as aeronaves britânicas destruíram 23 aeronaves alemães, e essas perdas afetaram em muito a moral das tripulações do Eixo, fazendo com que nas semanas seguintes os ataques diminuíssem. Em quinze dias, elementos do II Fliegerkorps de Loerzer estavam sendo retirados da Itália e enviados para a Frente Oriental onde sua presença era vista como prioritária, muito mais do que lançar bombas em uma ilha aparentemente indestrutível.

Não obstante todos os problemas encontrados, Malta tinha efetivamente interferido no fluxo de tropas e suprimentos para o Afrika Korps de Rommel. Ao mesmo tempo que esses últimos Spitfires chegavam de forma segura a Malta, os alemãs pareciam estar fazendo preparativos para um amplo ataque às posições do 8º Exército localizadas a oeste e a sudoeste de Tobruk. O plano alemão previa o ataque de quatro divisões italianas contra o flanco norte das defesas britânica, enquanto que uma divisão de infantaria blindada e duas divisões Panzer, em um movimento círcular largo, atacariam o flanco meridional que era defendido por uma Brigada da França Livre em Bir Hakim. O plano teve êxito, mas só até certo ponto. Os ataques frontais não penetraram ao norte como era previsto, tal era a determinação da resistência dos defensores em Bir Hakim, permitindo que a maior parte do Oitavo Exército se retirasse sem sofrer grandes perdas. A 90ª Divisão de Infantaria Blindada foi retida em El Adeni, e os Panzers em Knightsbridge, a apenas 15 milhas (24 km) de poderem completar o plano previsto.


Um P-40 Kittyhawk do Esquadrão Nº 112,
carregado com uma bomba de 250 lb

Superioridade Aérea

No ar, os esquadrões de Tedder tinham como objetivo principal obter superioridade aérea sobre a zona de batalha, e isto foi alcançado por elementos dos primeiros quatro esquadrões de Spitfires a operarem no deserto e pelos novos caças-bombardeiros Kittyhawks, além dos constantes ataques executados pelos Bostons, Baltimores e Wellingtons que mantiveram ataques contínuos aos portos do Eixo, aos aeródromos, às concentrações de tropas e de blindados. Nessa fase da guerra, uma arma nova foi introduzida, o Hurricane Anti-Tanque IID. O esquadrão Nº6 voou os primeiro destes aviões, equipados com um par de canhões de 40mm (o mesmo calibre que os canhões anti-aéreos Bofors), e estas armas mostraram-se ser muito efetivas contra todos os blindados, menos contra os tanques pesados alemães, embora em algumas ocasiões tenham conseguido pelo menos paralisa-los.


Um Hurricane Anti-Tanque

Como o Oitavo Exército se retirou em direção à fronteira egípcia, Rommel continuou seu avanço, sem entretanto fazer qualquer tentativa mais decisiva para capturar Tobruk, que mais uma vez estava sitiada. Agora, entretanto, era a vez de Rommel sofrer com os problemas de longas rotas de abastecimento. O Oitavo Exército deteve sua retirada, em uma linha de defesa previamente preparada, baseado em um ponto pequeno no mapa chamado El Alamein.

Enquanto a batalha terrestre estava sendo travada na linha de Gazala, um plano elaborado estava sendo planejado para tentar aliviar a ilha de Malta, que mais uma vez encontrava-se em perigo. Um comboio foi preparado para sair de Alexandria no Egito, ao mesmo tempo que outro era preparado para sair de Gibraltar, com o objeto de dividir as forças aéreas e navais inimigas, de modo a permitir maior chance de chegada das provisões à ilha. Outro objetivo desta operação, seria atrair a frota italiana para o combate. Os dois comboios eram constituídos no total de 24 navios mercantes, escoltados por cruzadores e destroiers. Antes do início da operação, o HMS Eagle havia levado mais 63 Spitfires para Malta, dos quais 59 alcançaram-na seguramente.

Ambos os comboios iniciaram a viagem no dia 14 de junho, e foram rapidamente detectados pelos alemães e italianos. O que partiu da Alexandria, foi logo atacado por aeronaves baseadas na ilha de Creta e na Cyrenaica, sendo forçado a retroceder, quando se descobriu que a frota italiana, incluindo dois emcouraçados e quatro cruzadores tinha saído de Taranto, além de estarem sob ataque combinado de U-boats (submarinos) e de E-boats (lanchas torpedeiras).

Wellingtons e Beauforts baseados em Malta, bem como os Liberators e Beauforts de bases egípcias, realizaram ataques aos navios de guerra italianos, sendo que os Beauforts, atacando com torpedos, atingiram um dos emcouraçados italianos, colocando-o fora de ação por vários meses. Um cruzador foi afundado e vários outros navios de guerra danificados.


Um Me-110

Com ataques aéreos, dos aviões alemães e italinos baseados na Sardenha e Sicília, agora concentrados no comboio vindo de oeste, os navios mercantes sofreram pesadas baixas, até que apenas dois transportes restaram, sendo que as minas alemães afundaram dois transportes e um cruzador. Quando uma força de cruzadores italianos saiu de Palermo, foi atacada por Swordfishes e Beauforts de Malta. Com os últimos dois navios de transporte se aproximando da ilha, os Spitfires de Malta decolaram e formaram uma proteção aérea, permitindo que os suprimentos chegassem são e salvos à ilha. O custo de se fazer chegar esses dois transportes foi alto, pois no total foram perdidos um cruzador, cinco destroiers, dois varredores de minas e seis transportes; os outros navios de transporte foram de tal maneira danificados que tiveram que retroceder. Com Malta agora capaz de pôr nos ares quase 100 Spitfires, não mencionando dois esquadrões de Wellingtons, dois de Beauforts, um de Beaufighters, e dois de Hurricanes, a ilha poderia participar mais efetivamente da guerra, principalmente no que tange à interrupção de linhas de provisão inimigas, contribuindo sobremaneira para a decisiva batalha no Deserto Ocidental.


Aeronaves A-20 Boston Mk III do Esquadrão Nº 12 da RAAF

A Batalha de El Alamein iniciada na noite de 23 para 24 de outubro, "fazendo o ruído mais alto jamais ouvido na África", quando mais de 1 000 canhões britânicos saturaram as tropas do Eixo, que se estendiam por umas 30 milhas (50 km) desde as costas mediterrâneas. Além disso, seis esquadrões de Wellingtons, com suas bombas, acrescentaram maior confusão explosiva; na alvorada, o ataque aéreo foi realizado por 14 esquadrões de Hurricanes, Kittyhawks e Spitfires da RAF, com os Hurricane agora limitados a atividades de caça-bombardeio, criando uma cobertura de fogo nas posições e estradas inimigas. Quinze esquadrões de Baltimores, Marylands, Blenheims, Beauforts, Bostons e Mitchelis do RAF voaram um total de 700 missões, imediatamente por trás das linhas alemãs e italianas, destruindo três grandes depósitos de combustível e munição. Relatos históricos, dizem que um grande número de tropas alemãs e italianas simplesmente abandonou as armas, levantou os braços e caminhou em direção às linhas britânicas, declarando que eles não suportavam mais a guerra. Relatórios do reconhecimento aéreo, diziam que, nos dias 3 e 4 de novembro, tropas alemães e italianas já se deslocavam em direção ao oeste, retrocedendo, cobertas por sua artilharia. O sucesso das forças aéreas aliadas, prevenindo qualquer interferência significativa das forças aéreas de Eixo na batalha terrestre, tinha sido de importância fundamental. Mais tarde, em seu relatório a Berlim, Erwin Rommel dizia que, "a superioridade aérea britânica impediu a aplicação de todas as nossos procedimentos e táticas operacionais. O poderio das forças aéreas anglo-americanas seria, em todas as batalhas que viriam acontecer, o fator decisivo".

A Operação Tocha

Se qualquer dúvida permanecesse nas mentes dos líderes do Eixo sobre a força de determinação Aliada em libertar a África do Norte dos alemães e italianos, ela desapareceria com os acontecimentos de 8 de novembro de 1942, quando forças britânicas e americanas desembarcaram nas costas da Argélia e Marrocos, com significativo apoio de forças navais e aéreas, nunca antes empregadas na campanha do Norte da África.

O sucesso desses desembarques, apesar da pouco oposição feita pelas tropas francesas subordinadas a Vichy e de uma reação furiosa realizada pelas tropas alemãs baseadas na Sicília e na Itália continental, não representou uma ação decisiva como foi a da batalha de El Alamein, mas mesmo assim tiveram que ser eliminadas rapidamente, se o objetivo final quisesse ser alcançado. Em primeiro lugar, os desembarques da Operação Tocha permitiram que forças alemãs ocupassem a Tunísia e explorassem a proximidade de Sicília, encurtando a eventual rota de evacuação de suas tropas, caso necessário. Isto foi o suficiente para colocar Malta mais uma vez exposta a ataques aéreos ao mesmo tempo que ampliava as possibilidades para desembarque de suprimento, ao longo do litoral africano.

Não obstante, era agora o poderio aéreo aliado que decidiria o rumo da guerra no norte da África, e nas futuras campanhas no teatro mediterrâneo central. Ao mesmo tempo em que o Oitavo Exército de Montgomery lutando para manter a pressão sobre o Afrika Korps, tropas italianas retiravam-se diretamente pela Cyrenaica e depois pela Tripolitania, os reforços aliados através do Atlântico via Argélia, fluíam livremente, longe de qualquer oposição aérea inimiga. Ao final de março de 1943, o Primeiro Exército Britânico, junto com o II Corpo de Exército Americano, avançavam pela Tunísia, se unem ao Oitavo Exército Britânico que lutava na Tunísia meridional.

A oposição aumenta

No ar, a oposição alemã aumentou, quando a Luftwaffe foi sendo reforçada por aeronaves e pilotos experientes, oriundos de combates da Frente Oriental. A presença de Messerschmitt Me-109Gs tornou-se comum, juntamente com os caças-bombardeios Focke-Wulf Fw-190, e com as aeronaves anti-tanque Junkers Ju-188 e Henschel Hs-129.


Ju-188

Os Spitfires estavam assumindo, rapidamente, uma parte predominante nos combates aéreos, com a chegada de 11 esquadrões, nos últimos quatro meses, permanecendo para os Hurricane apenas o papel de caça-bombardeiro. Os esforços dos caças e caças-bombardeiros da RAF impediram que o Afrika Korps estabelecesse uma linha de defesa poderosa contra o Oitavo Exército em Mareth onde, por conta de um hábil movimento de flanco, o Exército Britânico chegou à retaguarda das forças do eixo, para então descobrir o belo trabalho feito pelos Hurricanes, que destruíram praticamente todas os veículos blindados, fato esse que os impediria de montar qualquer linha de defesa mais eficiente.

Alguns erros operacionais ocorreram nesta fase final da campanha no deserto, como o ataque razante a um aeródromo inimigo em Chouigui por 11 Blenheim Mk Vs (Bisleys) do Esquadrão Nº 18. Com o ataque em andamento, a escolta de Spitfires se engajou em combate a altitudes mais elevadas, ficando impossibilitada de proteger os bombardeiros dos caças alemães, que atacaram e destruíram todos os Blenheims. O Comandante do Esquadrão Nº 18, o Wing Commander H. G. Malcolm, estava entre as vítimas, e foi agraciado postumamente com a Victoria Cross.

A Evacuação

Em 1 de maio de 1943, as forças do Eixo estavam cercadas em uma área de aproximadamente 60 por 80 milhas (95 por 130 km) ao redor do porto de Tunis. Uns 300 000 alemães e italianos se agrupavam esperando a evacuação que, para muitos, nunca se materializaria. A Luftwaffe fez tentativas desesperadas de evacuação por via aérea, utilizando frotas de Ju-52/3ms e de enormes Messerschmitt Me-323, que traziam combustível da Sicília para Tunis e levavam tantos homens quanto podiam nas abarrotadas aeronaves.


Típica imagem da Guerra no Deserto.
Um P-40 do Esquadrão Nº 112, com sua famosa
pintura de "Boca de Tubarão"

A RAF e USAAF aproveitaram toda oportunidade disponível para atacar estes vulneráveis transportes, destruindo muitos no solo e outros por sobre as estreitas gargantas sicilianas. O tempo todo, caças americanas como os P-38 e P-51s, Spitfires, Kittyhawks e Hurricane da RAF, e outros da Fleet Air Arm, atacavam aeródromos ainda em mãos inimigas. Romnel foi evacuado de modo seguro, deixando em seu lugar o General Von Arnim para assinar a rendição de 250 000 homens. A guerra na África do Norte terminou no dia 13 de maio de 1943.