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Hans-Joachim Marseille

    A asa esquerda do Messerschmitt apontava em direção às águas verdes-azuladas abaixo, enquanto que o virtualmente imóvel Hurricane, enchia a visão do jovem berlinense. Através da estrutura metálica do canopy do Messerschmitt Bf-109F-4, o britânico Hurricane, com sua  marca em azul, branco e vermelho da RAF, era puro contraste contra o céu azul cristal, sem nuvens da África do Norte. A puxada do manche, aumenta a força G, enquanto que o caça faz uma curva fechada. O piloto alemão sente o peso de seu corpo aumentado e espremido contra o assento. Por baixo de seu capacete de voo de couro preto, gotas de suor escorrem pela sua face, queimando seus olhos, que permanecem abertos e fixos no colimador. 3G, 3,5G, 4G.... A força aumenta e o braço do jovem piloto começa a ficar fraco e fatigado. Canssado, entorpecido e com dores, por causa da missão cheia de combates aéreo, mesmo assim nada o pertuba. O inimigo não pode escapar.

    Uma rápida olhada nos instrumentos, e em seguida o pedal direito é pressionado por Jochen, como é conhecido pelos seus amigos, para corrigir ligeiramente a derrapagem de seu caça. Manete à potência máxima, mais uma puxada no manche, e o Messerschmitt começa a ganhar posição sobre o camuflado em marrom e areia caça britânico.
 
 

     O Bf-109  começa a sentir o esforço da batalha, enquanto que a velocidade caia rapidamente dos 300 nós para 140. O Messerschmitt todo pintado em cor de areia, com a inferior em azul, responde como um animal de raça. Mas o nariz da aeronave cai, quando a velocidade diminui, e Jochen agressivamente pisa no pedal do leme, e consegue colocar o 109 entre o stall e o vôo lento. A velocidade diminui ainda mais, e imediatamente o som metálico do sistema automático de abertura do bordo de ataque distrai ligeiramente o piloto germânico. Entretanto esse sistema , aumenta a sustentação do caça e diminui a possibilidade de sobrevivência do piloto britânico.

    Como um artista trabalhando com argila, criando uma peça de arte, o jovem piloto alemão de apenas 22 anos, conduz sua aeronave como se fosse uma continuação de seu corpo. O suor encharca seu uniforme de vôo. O Sol do inverno líbio, castiga sua face. As armações metálicas do cockpit castigam seu corpo e irritam sua pele sensível ao calor. Sente o peso de seu capacete de vôo aumentado pela força G das manobras ao mesmo tempo que seu franzino corpo vai sendo comprimido contra o assento metálico de seu caça. Esses sofrimentos não conseguem tirar a atenção do ás alemão. Ele já esta acostumado a isso e o que imposta agora e obter mais uma vitória.

    Olhando por sobre seu ombro esquerdo, o piloto da RAF vê o bronzeado Messerschmitt com as pontas inferiores das asas em branco se aproximando cada vez mais. No cone branco do motor do Messerschmitt está localizado um mortal canhão de 20mm e no nariz da aeronave estão duas metralhadoras 7.9 mm. O caça germânico rapidamente se posiciona para o golpe mortal. O medo rapidamente toma conta do piloto britânico, pois as ações do caça alemão levam-no a concluir que aquele piloto não é um novato qualquer. Suas manobras são rapidamente contra-atacadas pelo piloto alemão, que ao mesmo tempo se aproxima cada vez mais a cada curva. Ele está com toda certeza combatendo um expert da caça. Com seu destino já selado, a face do piloto inglês fica paralisada de medo, e ele dá uma última olhada sobre seu ombro esquerdo enquanto que o Messerschmitt se aproxima da posição de abrir fogo...

    Ao mesmo tempo que o Messerschmitt de Jochen se aproxima, o Hurricane começa a desaparecer sob o nariz do caça alemão. O jovem Jochen balança ligeiramente sua cabeça para a esquerda e morde o lábio inferior. Através de seus grandes olhos marrons ele calcula o ponto aonde deve apontar suas armas para que as balas encontrem seu adversário. É hora de atirar. Fogo !!!

    O dedo indicador da mão direita, aperta firmemente o gatilho vermelho ao mesmo tempo que a coluna de comando vibra violentamente. O cockpit fica envolto pelo cheiro do cordite, quando mais de quinze quilos de aço são lançados por segundo das metralhadoras e do canhão em direção ao Hurricane, formando um belo arco amarelo das traçadoras. Após uma rápida rajada de dois segundos, o piloto alemão coloca seu caça no dorso e mergulha afastando-se da vítima, certo de seus certeiros disparos.

    A mil pés acima do combate, o ala do jovem berlinense observa ao mesmo tempo assombrado e com admiração a ação que vai acontecendo. Como que guiadas por uma força sobrenatural, os projéteis de Jochen e o Hurricane se encontram mortalmente. Elas atingem o motor do caça britânico, transformando-o imediatamente em uma bola de fogo. Labaredas laranjas e vermelhas explodem ao redor do Hurricane, que lança uma cauda de fumaça preta e cinza com mais de 30 metros de comprimento. Os danos apenas começaram, já que outros projéteis começam a atingir a fuselagem em direção ao cockpit. A destruição é total e completa, reduzindo o piloto britânico a uma massa sem vida e ensangüentada jogada dentro do cockpit em chamas de seu túmulo alado.

Horrido Jochen!!, exclama seu ala. Victory!!

Hast du den aufschlag gesehen? (Você o viu cair?)

Jawohl Jochen! (Confirmado)

    Em segundos, o Hurricane de 3,2t (7 500 lb), parece uma folha metálica que cái vericalmente em direção ao mar perto do porto líbio de Tobruk. Enquanto que o ás da caça alemã Hans-Joachim Marseille volta para sua base, quatro manchas de óleo são vistas na bela superfície azul do oceano, marcando o local do túmulo de quatro pilotos de caça britânicos abatidos pelo ás alemão, conhecido entre seus pares como "A Estrela da África", e que seria o mais bem sucedido entre todos os pilotos do teatro de guerra norte africano.

        *                           *                        *

    A manhã de 30 de setembro de 1942 era mais uma como outras manhãs de verão do deserto norte africano, e a previsão meteorológica dizia que seria um dia quente, seco e não menos severo como os demais. Para os homens do grupo de caça alemão Gruppe I./JG-27, seria mais um dia de intensos combates, como outros tantos. O Afrika Korps comandado pelo Field Marshall Erwin Rommel estava em uma posição tal seria atacado e talvez tivesss suas linhas rompidas pelo 8th British Army sob comando do Lt General Bernard Montgomery, que havia ganho uma liderança agressiva e estava com moral elevada para um ataque. Os homens do JG-27 estavam não apenas atentos às notícias da derrota de Rommel na Batalha de Alam el Halfa , acontecida em início de setembro, como também viviam sob o causticante clima do deserto, a falta de suprimento, o constante stress do combate aéreo e a presença constante dos ataques dos "commandos" britânicos contra seus aeródromos. Embora, a situação fosse muito difícil para o Gruppe, além de terem perdido dois dos mais experientes pilotos da unidade, a moral individual estava extremamente alta, pois as demais unidades da área tinham problemas muito maiores.

    O   Hauptmann  Hans-Joachim Marseille ao se levantar da cama naquela manhã foi saudado por Mathias, seu criado particular. A tensão do ano e meio de combate initerruptos mostrava seus efeitos, na face de um jovem de apenas 22 anos de idade. Marseille, o mais jovem  Hauptmann (capitão) da Luftwaffe, parecia cansado, embora fosse muito confiante,  convenvido e de longe o mais famoso e bem sucedido piloto de caça do teatro de operações do Norte da África. Após um início de carreira pouco brilhante, tendo sido piloto de caça do teatro de operações do Canal da Mancha, durante a Batalha da Inglaterra, quando abateu sete aeronaves inimigas e foi derrubado uma vez, Marseille superou suas deficiências iniciais como piloto e fez de seu caça Messerschmitt Bf-109, que tinha um grande número 14 pintado em amarelo na fuselagem, o grande vilão da guerra aérea do deserto. Nos últimos 29 dias de combates, ele derrubou nada menos que 54 caças aliados (Britãnicos, Sul-Africanos e Australianos), sendo que 17 em um único dia. Duas semanas antes fora promovido a Capitão e havia sido recém notificado de ter se tornado o quarto militar a receber a mais alta condecoração alemã: A Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamante. Sem sombra de dúvida, o jovem Marseille seria o primeiro piloto de caça da Luftwaffe a derrubar mais de 200 aeronaves inimigas.

    Aquela manhã de 30 de setembro parecia ser mais uma daquelas manhães em que ele iria sair à caça nos céus egípcios, com mais vitórias e glórias. Mas nessa manhã, um esquisito acidente transformaria a vida daquele que talvez fosse se tornar o maior piloto de caça da guerra e herói da nação germânica em uma simples nota de rodapé no solo do deserto da África do Norte.

    Este ano (2000), será o 58º aniversário da morte de Hans-Joachim Marseille, sem sombra de dúvida, o maior e melhor piloto de caça da 2ª Guerra Mundial, embora os críticos, os especialistas e os estudiosos continuem a discutir sobre esse assunto.

    A base de toda essa discussão são os registros verdadeiros, mas quase místicos, dos combates de Marseille no Norte da África. A ele é creditado a destruição de 158 aeronaves alidas, das quais 151 no período de 18 meses em que ele voou e combateu nos céus da África do Norte. Apenas quatro vitórias foram contra aeronaves que não eram caças, e todas contra pilotos britânicos (ingleses, australianos, sul-africanos, neo-zelandeses etc...). Nenhum outro piloto abateu tantos aviões no front Oeste quanto Marseille. Durante este mesmo período, embora derrubado algumas vezes, Marseille escapou da morte após ter cumprido 388 missões de combate. Nas estatísticas finais da Luftwaffe da 2ª Guerra Mundial, 28 outros pilotos derrubaram mais aeronaves aliadas do que Marseille, embora, a maioria das vitórias tivessem sido obtidas no front Leste, contra os Russos.

     Marseille, era um alemão com ancestrais franceses, e as palavras do Adolf Galland, o Comandante da Caça Alemão explicam tudo: - Ele era o mais virtuoso e inegualável piloto de caça!!!. Sua habilidade de derrubar esquadrilhas inteiras em uma única missão é a base de sua legenda, que sustenta seu mito. Marseille é ainda cultuado pela maioria dos pilotos de caça da Luftwaffe como tendo sido o melhor dos melhores, um excelente atirador, um piloto acrobático bem como o que possuía a melhor tática, ou seja, o sinergismo desses talentos, forjou o mais letal piloto de caça de sua geração.

    Sua superba habilidade como piloto só era ofuscada pelo seu comportamento um tanto quanto incomum,
e até certo ponto infantil quando no solo. Ele utilizava cabelo longo, tinha um senso de humor acurado e gostava de escutar músicas americanas como jazz e swing, que eram consideradas músicas de judeus ou de negros pelos nazistas. Marseille era considerado por alguns como um "playboy". No início de sua carreira, ele foi transferido da JG-52 pelo seu comandante, o famoso Johannes "Macky" Steinhoff , por alegação de ser muito bonito, e embora fosse um bom piloto e caçador, mas não confiável. Steinhoff alegou também que Marseille possuía namoradas em todos os lugares, e isso ocupava seu tempo e não o deixava descansar para novas missões, dando prioridade a sua vida social, esquecendo-se da guerra, embora concordasse que ele possuía um charme especial. Quando deixou a JG-52 e chegou no Norte da África, seu novo comandante ficou possesso, ao receber sua ficha pessoal, repleta de punições militares e de comportamentos não-ortodóxicos. Marseille não era um típico piloto de caça da Alemanha nazista nem possuía o estereótipo do Cavaleiro Teutônico-Ariano

" Jochen era um na realidade um brincalhão; ele estava sempre inventando brincadeiras. Um dia ele veio me visitar no esquadrão – Nº 8 Staffel – em seu jipe Volkswagen colorido, que ele chamava de Otto. Depois da conversa, de uma xícara de café e de um copo de Doppio Kümmel italiano, ele entrou no seu jipe e o dirigiu diretamente por sobre minha barraca, acabando com tudo. Então, arrancou o jipe com um largo sorriso em sua face ".
Werner Schrör, 8/JG 27, 61 vitórias no Norte da África
 

     Muito do debate e da recusa em se aceitar a lenda de Marseille, origina-se dos seus registros de combate, principalmente os referentes ao dia do 1º setembro de  1942, quando após furiosos dog fights ele reivindicou ter destruído 17 aeronave em três missões. Não só Marseille reivindica 17 aeronave derrubadas, como também ele fez isto de um modo que era totalmente invulgar para a época. As vítimas foram derrubadas tão rapidamente, que muitos críticos aliados ainda recusam acredite as reivindicações de Marseille como verdadeiras. Mas é justamente a velocidade e a fúria envolvida nesse específico combate que foi o centro dos debates sobre Marseille durante o último meio século. Durante anos, muitos historiadores britânicos  e militaristas se recusaram a dmitir que eles tinham perdido qualquer aeronave naquele dia na África Norte. Uma revisão cuidadosa dos registros porém mostra que os britânicos perderam muito mais do que 17 aeronave naquele dia, na área em que Marseille operou. Os britânicos simplesmente se recusaram a acreditar, como muitos o fazem até hoje, que qualquer piloto alemão fosse capaz de derrubar tal número de caças da RAF.

     Na realidade os fatos são que Marseille ainda é reconhecido como o melhor atirador da Luftwaffe. O alemão era muito meticuloso, arquivando as informações de combate com todos os dados pertinentes,  como tempo de combate,  área de operação, oposição encontrada, bem como um relatório da munição empregada (ao término de cada missão, o armeiros contariam o número de balas gastas durante a luta).  A média de gasto de munição por avião abatido, no caso de Marseille, era a surpreendente cifra de 15 cartuchos por vitória, mesmo em missões onde ele abateu mais de um avião. Nenhum outro piloto,  alemão, japonês ou aliado, possúiu um indicador próximo ao de Marseille.

" Yeah, todo o mundo sabia que ninguém poderia se igualar a ele. Ninguém poderia fazer o mesmo. Alguns pilotos tentaram isto como Stahlschmidt, eu, e Rödel. Ele era um artista. Marseille era um artista ". Usando suas mãos para ilustrar. Ele estava aqui e o resto de nós estava bem abaixo em algum lugar ".
Friedrich Körner, 36 vitórias, e possuidor de Cruz de Cavaleiro, 2 JG-27,
 

Mas o que fez Marseille tão eficiente em um teatro de combate onde tantos outros pilotos alcançaram pequeno ou nenhum sucesso? Vários fatores respondem pelo sucesso dele no deserto, mas o que talvez fosse a diferença era sua visão superior à média.

    Existe uma lenda que diz que Marseille encararia o Sol por longos períodos de tempo para aclimatar seus olhos à luminosidade do deserto. Marseille, do mesmo modo que o legendário piloto de caça americano da 2º Guerra Mundial,  Chuck Yeager, tinha a habilidade de detectar uma aeronave inimiga inimigo ao longe, antes de qualquer outro piloto de sua esquadrilha. Como Marseille  conseguia ver as aeronaves inimigas com antecedência, ele podia posicionar-se com vantagem, atacando quando e como desejasse, sem que as vítimas conseguissem esboçar qualquer reação e sucumbindo obviamente à velocidade e surpresa dos ataques de Marseille. Outro fator crítico para seu sucesso era sua soberba habilidade de pilotar. Por prática constante e um desejo de se tornar o melhor piloto da unidade, Marseille era um dos poucos pilotos que dominavam totalmente o caça Messerschmitt, conhecendo a fundo, o seu envelope de vôo. Ele praticava suas técnicas inúmeras vezes, utilizando seus companheiros de esquadrão como cobaias, principalmente quando voltando para casa após as missões. Ele era tão confiante e se sentia confortável em suas habilidades de piloto, que quebrava regulamentos e regras, como por exemplo a de colocar seu motor em marcha lenta, abaixar os flaps para realizar curvas cada vez mais fechadas. Ele freqüentemente atacava formações inimigas numericamente superiores, na tentativa de dividi-las até que ficassem em número semelhante a de sua esquadrilha.  Mas o grande e principal fator crítico de sucesso de Marseille era a superioridade de seu caça Messerschmitt Bf 109 sobre a maioria dos caças aliados que operavam no Norte da África, além da formação tática empregada pelos caças aliados.

     A DAF - Desert Air Forces (Força Aérea do Deserto), com unidades da Royal Air Force, Royal Australian Air Force, e South African Air Force,  sutilizavam normalmente o formação defensiva denominada Lufbery Circle, em homenagem ao piloto de caça americano da 1º Guerra Mundial que desenvolveu esse tipo de formação, Raoul Lufbery. Quando encontravam uma formação inimiga superior numericamente, os caças da DAF formavam um círculo defensivo, com as aeronaves próximas uma das outras, do mesmo modo que os antigos pioneiros do Oeste americano faziam, para se defender dos índios,
de modo a concentrarem o seu poder de fogo. Em teoria, se um caça alemão tentasse se posicionar atrás de um caça inglês, o outro caça inglês que estivesse atrás do primeiro abriria fogo contra o caça alemão, que havia se intrometido no círculo. Mas Marseille não se deu por vencido, e desenvolveu uma tática, que embora tivesse custado alguns Messerschmitt no início de seus combates no deserto, permitiu que ele quebrasse aquela formação inglesa e conseguisse abater aviões inimigos.


Começando de um ponto a alguns milhares de pés acima do círculo, e afastado lateralmente cerca de uma milha, Marseille mergulharia por baixo da formação e atacaria por ali. Escolheria uma vítima, que não estaria vendo-o, alinharia seu avião e descarregaria uma curta e mortal rajada de metralhadora e canhões, normalmente atingindo o motor e o cockpit, normalmente matando o piloto. Após o ataque, ele faria um mergulho, e se afastaria em segurança, quando então retornaria ao ponto inicial para um novo ataque. Repetindo essa manobra ou suas variantes, Marseille freqüêntemente abateu até seis aeronaves numa única missão. Seus movimentos eram tão rápidos e precisos, que os pilotos aliados pensavam que estavam sendo atacados por uma formação inimiga de número superior.

Uma amostra das sortidas em que Marseille obteve múltiplas vitórias:

Vitórias        Data            Hora das vitórias        
 
88  a 91        15 Jun 42       1902, 1903, 1904, 1905  
 
92  a 95        16 Jun 42       1902, 1910, 1911, 1913  
 
96  a 101       17 Jun 42       1202, 1204, 1205, 1208, 1209, 1212      
 
105 a 108       01 Set 42       0828, 0830, 0833, 0839* 
 
109 a 116       01 Set 42       1055, 1056, 1058, 1059, 1101, 1102, 1103 e 1105 *
 
117 a 121       01 Set 42       1846, 1847, 1848, 1849, 1853*   
 
127 a 132       03 Set 42       0820, 0823, 0829, 1608, 1610, c.1611    
 
137 a 140       06 Set 42       1803, 1813, 1814, 1820  
 
145 a 151       15 Set 42       1751, 1753, 1755, 1757, 1759, 1800, 1802
 
152 a 158       26 Set 42       0910, 0913, 0915, unk, 1656, 1659, 1715
 
                               * Neste dia abateu 17 aeronaves

     As engenhosas táticas de Marseille foram prósperas por causa de suas inigualáveis habilidades de pilotagem.  Outros pilotos que tentaram imitar Marseille, mas que não dominavam sua aeronave como ele dominava, não obtiveram tal êxito. Ainda assim, muitos historiadores aliados se  recusam a acreditar que Marseille foi tão eficiente e mortal quanto o que está descrito em seus registros de combate. Mas é bom que se lembrem que durante combates aéreos nas Ilhas Marianas no Pacífico, em 19 de junho de 1944, o piloto na US Navy David McCambell abateu 7 aeronaves japonêsas em uma única missão, e outras 9 em outra missão no dia 24 de outubro daquele mesmo ano, e que o Major William Shomo foi agraciado  com a Medalha do Congresso por ter abatido 7 aeronaves japonesas em uma única missão no dia 11 de janeiro de  1945. Muitos outros pilotos, de ambos os lados, realizaram feitos semelhantes, ao longo da guerra, apenas Marseille fez façanhas semelhantes, mais número de vezes.

" Porém, não há nenhuma dúvida que meu verdadeiro professor era Marseille; Eu estudei suas táticas para atacar os círculos defensivos britânicos por muito tempo, e as testei freqüentemente sem sucesso - e finalmente, aprendi a lição. . . Durante os combates sobre os comboios que iam para Tobruk, os britânicos introduziram o círculo defensivo. Era um a tática muito eficiente, entretanto Marseille acabou com ela; ele mergulhava por baixo perto do círculo, e com a velocidade adquirida subia rápido,  e quase ao atingir o nível do círculo ele se colocava  atrás de um Tommy (inglês), rapidamente atirava com precisão e mergulhava em direção ao mar, sem que fosse possível perseguí-lo. Repetia a manobra até que conseguisse quebrar a formação do círculo. Nenhum outro piloto alemão conseguia ser tão eficiente e repetir o desempenho de Marseille, embora todos soubessem o que fazer.
Werner Schrör,
Fighters Over the Desert, p.232

     30 setembro de 1942. A guerra no deserto atingia seu climax, a carreira do jovem Jochen " Marseille estava em sua plenitude, mas a tragédia golpearia a Luftwaffe na África Norte. Programado para voar num novo caça Messerschmitt Bf-109 G-2, W.Nr. 14256, a missão de Marseille era a de escoltar mais uma vez, um grupo de lentos e obsoletos Stukas que atacariam objetivos no Egito. Às 1047, Hans-Joachim Marseille decolou para a que seria sua última missão. Depois que a missão de escolta estava completa, Marseille e seu esquadrão foram direcionados para interceptar um grupo de aeronaves inimigas avistadas ao sul de Imayid, Egito. Nenhum contato com as aeronaves inimigas foi estabelecida e o esquadrão de  Messerschmitts tomou curso para casa.

     Às 11:35, Marseille falou que tinha fumaça na cabina e que estava ficando difícil para respirar ou ver. Os demais membros do esquadrão sugeriram para Marseille que ele permanecesse voando alguns minutos, visto estarem ainda sobrevoando território controlado pelos inglêses. Às 11:39, a  fumaça na cabina do comando era insuportável e Marseille foi então forçado a saltar de sua aeronave. A última transmissão de rádio de Marseille dizia: Eu tenho que saltar agora. Eu não posso ficar mais aqui dentro. Agora sobrevoando território controlado pelos alemães, a aproximadamente 10 mil pés, Marseille recolocou sua aeronave em vôo invertido, num procedimento padrão para saltar. Sofrendo provavelmente de desorientação espacial, devido provavelmente a hypoxia tóxico, como também tendo sua visão encoberta pela fumaça que encobria a cabina do piloto, a aeronave de Marseille entrou em um mergulho invertido em um ângulo aproximado de 70°.  A uma velocidade de seu avião era de uns 400 nós, quando Marseille conseguiu saltar fora de sua aeronave danificada. Infelizmente, o lado esquerdo do tórax de Marseille golpeou a cauda de seu avião, ou matando-o instantaneamente ou impossibilitando-o de abrir o paraquedas. Seus companheiros de esquadrão assistiram a cena horrorizados, enquanto que o corpo de Marseille caía a cerca de 7km ao sul de Sidi  El de Abd Rahman, um fim inglório para a Águia Africana e um presságio ruim do que iria acontecer à Luftwaffe.
 
 

Os homens do esquadrão de Marseille ficaram desolados com sua morte, assim como o Gruppe I inteiro deixou de operar como uma unidade de combate, sendo retirado de operações por quase um mês. Marseille foi enterrado no deserto com honras militares no cemitério militar em Derna, Egito.

     A carreira de Marseille é um das mais interessante e espetaculares entre todas as dos aviadores da Segunda Guerra Mundial. Das suas 482 missões, 388  foram missões de combate, tendo abatido 158 aeronave aliada, e todas elas realizadas no front oeste. Para os sépticos, os números seguintes são espantosos: Na campanha de África Norte, os alemães obtiveram  1300 vitórias aéreas.  Dessas, 674 vitórias foram reivindicadas por apenas 15 pilotos, e o topo dos 55 ases foram responsáveis por 1042 vitórias. Isto mostra outra diferença básica entre a filosofia de combate alemã e a aliada. Enquanto os aliados tenderam a caçar em grupo e competir vigorosamente pelas vitórias aéreas, os alemães, pelo menos na África Norte, tenderam a deixar para os melhores pilotos a responsabilidade das vitórias, enquanto que os noviços assistiam, aprendiam e desfrutavam do espetáculo. Esta é a razão pela qual a perda de  Marseille era assim tão devastadora para a Luftwaffe na África. Aquele tipo de perda  emocional não aconteceria provável em esquadrões aliados.
 
     Através de uma completa e intensa pesquisa, dos relatórios de combate de Marseille, sua fama e histórias podem até terem sido aumentadas e exageradas, mas nunca inventadas. Nada foi feito intencionalmente, mas as circunstâncias da guerra no deserto, podem ter levado  os homens de sua unidade, como forma de elevar o moral, a fantasiarem um pouco a história. Todos esperavam e desejavam que ele obtivesse cada vez mais êxito em suas missões, e torciam fervorosamente para tal. Entusiasmado com os resultados obtidos, Marseille não esperava a confirmação de suas vitória, e partia furiosamente para atacar mais e mais aeronaves inimigas. A maioria de suas vítimas foi derrubada ou retornou tão avariada para suas bases, que podem ser realmente confirmadas como aeronaves destruídas. Se formos conservadores, podemos dizer que o número de aeronaves realmente abatidas por Marseille foi de 130, ou seja, apenas ele foi responsável por 10% de todas as aeronaves abatidas pelos alemães durante a campanha da África do Norte, o que já é um número inigualável.

     Marseille: O mestre de Luftwaffe na vitória múltipla. Tão mortal e efetivo no combate aéreo, que mais de 50 anos depois de sua morte, muito debate ainda é centrado nas suas realizações  Era ele o melhor? Na minha opinião pessoal, é difícil a comparação entre de pilotos de caça. É o mesmo que tentar comparar pugilistas como Marciano, Ali, Liston, Lewis, e Tyson. Muitos fatores influenciam no desempenho de um piloto de caça. Os registros de Marseille, porém, falam por si só. Faça eu a seguinte pergunta: Será que ele teria sobrevivido, se continuasse a pilotar e lutar, pelos dois anos e meio que faltavam para terminar a guerra ?  Provavelmente não. A tensão do combate no deserto já tinha começado a abalar Marseille, pois ela fumava muito e tinha tremedeiras incontroláveis após uma missão pesada. Marseille era muito impetuoso e impaciente - não sendo o tipo de homem que conseguisse levar a vida num ritmo mais lento. Enquanto outros ases como o maior deles, Erich Hartmann, examinaria uma situação e  então só decidiria atacar quando tivesse uma situação muito favorável, o jovem Marseille e  seu ala mergulhariam freqüentemente contra grandes grupos de aeronave inimiga, independentemente de terem ou não alguma vantagem, pelo simples prazer do combate. É possível que Marseille tivesse um destino semelhante a que tiveram outros ases da Luftwaffe, que combateram e derrubaram bombardeiros e caças aliados entre os anos de 1943-1945, e sobreviveram à guerra. A par da especulação sobre Marseille e suas realizações, o estudo do combate aéreo durante a 2ª Guerra Mundial, não estaria completo sem um olhar sobre a contribuição que este jovem berlinense deu a aviação de caça, e as influências dele sobre os  pilotos alemães e aliados no deserto do norte da África.

" Quando Marseille veio para a JG-27, ele trouxe uma reputação militar muito ruim, e não era um companheiro simpático. Ele tentou se exibir, e se considerava como um astro de cinema. Na África, ele ficou ambicioso, no bom sentido, e mudou completamente seu caráter, depois de pouco tempo.  Ele possuía um pensamento muito rápido e não era um bom líder nem bom professor, mas os pilotos o adoravam. Eles o agradeciam, por protege-los e traze-los para casa em segurança. Ele era um cavalheiro, uma mistura do ar fresco de Berlim e da champanhe francesa".
Eduard Neumann, Kommodore JG-27,
Horrido, p.116,
 
 

Dados gerais sobre Marseille

Nasceu: 13 de Dezembro de 1919 em, Berlin- Charlottenburg, Alemanha
 
Morreu: 30 de Setembro de 1942 próximo a Sidi Abd el Rahman, Egito
 
 
 
Vitórias:158      154 caças e 4 bombardeiros
 
Condecorações:
 
- Cruz de ferro 2ª Classe - Verão de 1940
 
- Cruz de Ferro 1ª Classe - Outono de 1940
 
- Cruz Alemã de Ouro - Novembro de 1941
 
- Cruz de Cavalheiro - Fevereiro de 1942
 
- Cruz de Cavalheiro com Folhas de Carvalho - Junho de 1942
 
- Cruz de Cavalheiro com Folhas de Carvalho e Espadas - Junho de 1942
 
- Medalha Italiana de Ouro por bravura -Agosto de 1942
 
- Cruz de Cavalheiro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamente - Setembro de 1942
 
 
 
Promoções
 
        Leutnant - Julho de 1941
 
        Oberleutnant - Abril de  1942
 
        Hauptmann - Setembro de 1942