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O Il-2 e o Il-10 Shturmovik

            Sergei Ilyushin iniciou o projeto do Il-2 em janeiro de 1938, de modo a preencher a necessidade de uma aeronave de ataque ao solo para substituir os Vultee V-11 GB construídos sob licença e vários outros obsoletos biplanos. A grande novidade do projeto era a existência de uma blindagem que envolvia os dois tripulantes, o motor, o sistema de refrigeração e os tanques de combustível, tanto pela parte de baixo como pela lateral. Diferentemente dos projetos anteriormente feitos, a blindagem era parte integral da aeronave, bem como os componentes a ela presos. Era algo semelhante ao atual sistema utilizado pela aeronave A-10 Thunderbolt. Os primeiros dois protótipos seriam pilotados por dois tripulantes, um piloto e um artilheiro, e equipados com um motor AM-35 otimizado para operar à médias altitudes. A avaliação realizada pela VVS (Força Aérea Soviética), resultou num segundo par de protótipos, numa tentativa de corrigir todos os problemas percebidos.

 

 

O Vultee V-11

 

Um motor AM-38 mais potente foi configurado para baixas altitudes e equipou esse segundo par de protótipos. O artilheiro foi substituído por um tanque de combustível adicional, numa tentativa de aumentar o raio de ação da aeronave, mas os resultados não foram satisfatórios por causa do elevado consumo da nova versão do motor.

 

 

         A fuselagem traseira e a deriva eram feitos de madeira, enquanto que o restante da aeronave era feito de duralumínio, embora com o decorrer da guerra, de modo a preservar o pouco alumínio bruto disponível, os painéis externos das asas também fossem feitos de madeira. O trem de pouso, quando recolhido, ficava embutido numa gôndola sob as asas, com a roda parcialmente exposta. Essa solução não teve a intenção de facilitar o pouso com trens recolhidos, em caso de acidente.

 

 

         O Il-2 era muito bem armado com dois canhões de 20mm ShVAK e duas metralhadoras 7.62mm ShKAS nas asas. Sob asa asas existiam quatro pequenas posições com capacidade de armazenar bombas de 100 kg. Um par de bombas de 250 kg podia também ser levada, se esses pequenos compartimentos estivessem vazios. Oito foguetes de 82mm RS-82 ou de       132mm RS-132 podiam ser carregados em trilhos especiais, reduzindo a velocidade máxima de vôo em 11 kph.

 

         A situação política internacional era tal que as três fábricas em Moscou e Voronezh começaram os preparativos para a produção do Il-2 mesmo antes do vôo do segundo par de protótipos em outubro de 1940. A primeira aeronave de produção foi recebida pela VVS antes dos Testes Finais de Aceitação em 18 de março de 1941, e logo enviado para o 4º Shturmoviki Aviapolk (Regimento de Aviação de Ataque ao Solo).

 

         Cerca de 250 aeronaves já haviam sido fabricadas quando os alemães invadiram a Rússia, mas apenas 70 haviam sido aceitas pela VVS, e mesmo assim a aeronave não estava totalmente operacional. O Il-2 recebeu seu batismo de fogo no dia 1º de julho, próximos a Bobruisk, tendo obtido um bom resultado, embora com perdas elevadas.

 

 

         A taxa de produção aumentava, sendo que 1,293 aeronaves foram produzidas entre julho e dezembro, apesar de algumas fábricas terem sido evacuadas por medidas de segurança e da chegada do inverno. Infelizmente a escassez de mão de obra especializada atrapalhou a produção do Il-2 durante os meses de inverno, principalmente pela pressão de cotas de produção que exigiam muitas vezes que os trabalhadores operassem suas maquinarias ao ar livre durante o inverno siberiano.

 

         A blindagem do Il-2 resistia a fogo de metralhadoras e a canhões de    20mm, quando atingida a ângulos oblíquos, mas a falta de um artilheiro provou ser fatal para os shturmoviki durante o primeiro ano de guerra, já que ele era mais lento que os Ju-87 Stukas e a coordenação com a escolta era um problema persistente. Os caças alemães rapidamente descobriram o ponto fraco do Il-2, a fuselagem traseira e a cauda, e era ali que concentravam seus tiros, até que esta região da aeronave virasse uma peneira de tanto furo.

 

         Uma reunião foi realizada em fevereiro de 1942, para discutir métodos de diminuir a taxa de atrito sofrida pelos Il-2 bem como melhorar sua eficiência em combate. O canhão ShVAK foi substituído pela metralhadora VY de 23 mm, com cadência de tiro mais alta, e as fábricas teriam que aumentar seu controle de qualidade. Entretanto a decisão mais importante foi a reintrodução do artilheiro de ré, utilizando uma metralhadora 12.7mm UBT ou BS, de modo a defender o Calcanhar de Aquiles do Il-2. Ilyushin rapidamente projetou um rústico local para o artilheiro, mas tão rústico que não dispunha de assento, tendo o artilheiro que se sentar numa pequena rede de lona !!!

        

A reintrodução do artilheiro aumentou a taxa de sobrevivência do agora Il-2M, até que os alemães perceberam que esta versão era mais vulnerável que a anterior, pois uma vez que o artilheiro fosse morto, a aeronave possuía um desempenho inferior ao anterior, devido ao aumento de peso por causa da posição extra do artilheiro. Ilyushin só havia colocado blindagem até a cintura da posição do artilheiro, de modo a manter o peso da aeronave baixo, e isso levou a inúmeras morte entre os artilheiros, sendo muito comum que os pilotos sobrevivessem à  centenas de missões, ao mesmo tempo em que tivessem mais de uma dúzia de artilheiros mortos. O Il-2M teve seu batismo de combate no dia 30 de outubro de 1942, mas sua utilização em grande escala só veio a acontecer no início do ano seguinte, quando as fábricas conseguiram produzi-lo em grande escala e as unidades operacionais treinaram as tripulações.

 

 

         O motor foi ligeiramente melhorado, passando a ser denominado         AM-38F, e o objetivo era aumentar a razão potência-pêso, prejudicada com a existência do artilheiro de sua blindagem. O artilheiro e sua blindagem , também afetaram o centro de gravidade da aeronave, prejudicando em muito sua estabilidade, mas Ilyushin necessitaria de mais tempo para resolver este problema.

 

         O Il-2M foi logo substituído pelo Il-2 tipo 3, com uma posição de artilheiro mais refinada, de modo a permitir que este possuísse uma arco de tiro maior. Mas a mais importante modificação, foram os painéis da asa que passaram a ser ligeiramente posicionados mais para trás, de modo a mover o centro de gravidade e melhorar a estabilidade da aeronave. Ilyushin também limpou a aeronave em pequenos outros detalhes, transformando o Il-2 tipo 3 numa aeronave numa versão bastante melhorada em termos de pilotagem que o Il-2M. Nas aeronaves produzidas mais tarde, os painéis das asas e a fuselagem traseira passaram a ser feitas de metal.

 

 

         O batismo de fogo desta nova versão ocorreu na Batalha de Stalingrado e ele foi o modelo numericamente mais importante do Il-2, pois sua produção, quando encerrada no final de 1944, alcançou o número de 36.136 aeronaves, quando então foi substituído pelo Il-10. Durante o ano de 1943, um total de 11.200 foram produzidos, sendo que no início de 1944 um Il-2 era produzido a cada 1,5 horas. Apesar dessa enorme quantidade produzida, a VVS nunca teve mais que 6 mil aeronaves Il-2 à sua disposição, fato este justificado pela elevada taxa de atrito tanto por combate como por treinamento.

 

         Uma versão anti-tanque foi testada equipada com um canhão de 37mm, no lugar do canhão de 20mm, mas não mostrou-se bem sucedida, pois o recuo causado pelos tiros, impediam que o piloto conseguisse manter a aeronave numa linha de vôo suave e adequada para disparar outro tiro. O enorme peso do canhão de 37mm não permitia também que a aeronave levasse qualquer outro tipo de arama ou bomba, limitando a missão da mesma. Uma versão denominada Il-2T, foi equipada com torpedo de 53 cm para ataques contra navios e foi utilizada juntamente com os Il-2 normais no Mar Negro.

 

 

         Muitas outras versões do Il-2 foram projetadas, incluindo uma com motor radial M-82 utilizado pelos caças La-5, mas ficaria como reserva para o caso de problemas com o suprimento do motor em linha AM-38. Uma outra versão desenvolvida, foi a Il-2I, que era um Il-2 tipo 3 sem a posição de artilheiro, que seria utilizada para ataques localizados e interceptação de aeronaves de bombardeiros e de transporte, mas não foi aprovada e apenas um protótipo foi construído.

         A tática típica dos shturmovik era a de voarem em círculo sobre o alvo e atacarem em levas. Inicialmente as bombas e foguetes seriam lançadas, para em seguida serem utilizados os canhões e metralhadoras repetitivamente. Essa tática era dramaticamente chamada de “Círculo da Morte” pelos jornalistas soviéticos daquela época, embora pouco diferissem da tática utilizada pelos fascistas durante a Guerra Civil Espanhola, a Cadenza. Não era feito nenhum esforço para evitar ou abafar as defesas anti-aéreas, que normalmente abatiam muitas aeronaves, embora no final da guerra as formações atacantes eram tão grandes, que as defesas anti-aéreas sucumbiam ante ao poder de fogo dos Il-2.

         Sergei Ilyushin colocou ênfase na simplicidade quando criou uma aeronave que pudesse ser produzida rapidamente e em grandes quantidades, por uma relativamente não sofisticada indústria, empregando mão-de-obra não ou parcialmente qualificada. Ele alcançou seu objetivo de forma admirável. Era uma aeronave pouco motorizada, instável, lenta, com pouca manobrabilidade e que podia carregar modesta carga de bombas. Seu desempenho era baixo e seus instrumentos e equipamentos eram rudimentares, mas todas essas deficiências foram compensadas pela disponibilidade de um grande número de aeronaves. Não foram as qualidades intrínsecas do shturmovik de Ilyushin que permitiram que essa aeronave influenciasse no conflito em favor da União Soviética, mas o fato de que estava disponível em enorme quantidade.

O Il-10

         O Il-10 sucedeu ao Il-2 nas linhas de produção no final de 1944, sendo empregado pela primeira vez em combate durante a ofensiva Oder-Neisse em fevereiro de 1945. A aeronave era um projeto totalmente novo de modo a suprir as necessidades de um shturmovik. Ele era menor que o Il-2, embora ligeiramente mais pesado. Grande atenção foi dada na redução do arrasto aerodinâmico e por isso era cerca de 120 kph mais veloz que o Il-2 tipo 3. Uma das razões para esse aumento de velocidade foi a redução do arrasto da gôndola do trem de pouso. O artilheiro operava inicialmente uma metralhadora 12.7mm UBT, mas esta foi logo substituída por um canhão de 20mm UB-20.

         O Il-10 era um grande melhoramento sobre o Il-2, em todos os sentidos, com exceção da capacidade de carga e do raio de ação. Sua maior velocidade e manobrabilidade reduziam sua vulnerabilidade aos caças e ao fogo anti-aéreo. Era de fácil manutenção no campo e mais fácil de pilotar que seu antecessor.

O Il-10

         O Il-10 substituiu completamente o Il-2 em 1947, e foi muito exportado para os aliados soviético, e por suas qualidade foi produzido até 1956.

 

Especificações comparativas

Especificações

Il-2

Il-2 tipo 3

Il-10

Motor

AM-38

AM-38F

AM-42

Potência

1600 hp

1720 hp

2000 hp

Peso Carregado

5.873 kg (12,947 lbs)

6.360 kg (14,021 lbs)

6.535 kg (14,407 lbs)

Velocidade

390 kph (242 mph)

410 kph (255 mph)

530 kph (329 mph)

Alcance

600 km (372 mi)

765 km (475 mi)

790 km (497 mi)

Carga

600 kg (1320 lbs)

600 kg (1320 lbs)

500 kg (1100 lbs)