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A importância do P-51 Mustang

na Guerra Aérea na Europa

Introdução

No dia 1º de setembro de 1939, forças militares alemães invadiram a Polônia e a 2ª Guerra Mundial começou. O sucesso dessa invasão, estava baseado na utilização de uma nova estratégia militar, a blitzkrieg, que em tradução ao pé da letra, quer dizer Guerra Relâmpago e consistia numa coordenação rápida e mortal de duas forças distintas: a Wermacht, exército alemão e a Luftwaffe, força aérea alemã. A Wermacht avançava pelo terreno, enquanto que a Luftwaffe destruía a força aérea inimiga, atacava as forças de superfície e ao mesmo tempo desmantelava os sistemas de comunicação e transporte. Essa combinação foi a responsável pelo sucesso das invasões da Polônia, da Noruega, da Europa Ocidental, dos Balcãs bem como pelas vitórias iniciais na Rússia.

Por alguns anos, após aquele 1º de setembro, os céus europeus foram dominados pela Luftwaffe. Nenhuma outra nação envolvida naquele conflito tinha tanta experiência, tecnologia ou efetivo suficiente para desafiar a presença alemã. Quando os Estados Unidos juntou-se ao esforço de guerra, é que os aliados puderam começar a conquistar alguma superioridade no ar, mas mesmo assim a vantagem alemã era muito grande. A balança do poder aéreo realmente só começou a pender para os aliados, quando da introdução do caça North American P-51 Mustang, com suas inovações, performances, alcance etc...

A situação no início da 2ª guerra mundial

O contínuo domínio dos céus europeus pela Luftwaffe era causado por dois fatores. O primeiro dizia respeito à diferença de doutrina do emprego da arma aérea, entre a Luftwaffe e a Royal Air Force. Eram doutrinas de emprego diametralmente opostas, e resultantes das experiências da 1ª Guerra Mundial. Durante aquela guerra, os alemães tentaram utilizar bombardeiros estratégicos contra a Inglaterra, utilizando os enormes bimotores Gothas e os lentos balões dirigíveis Zeppelins, mas os resultados obtidos não foram bons. Isso, e mais o fato de que a doutrina militar alemã no início da 2ª Guerra Mundial era totalmente baseada em resultados rápidos, fez com que os germânicos decidissem não desenvolver uma força aérea estratégica.

A Luftwaffe havia experimentado enorme sucesso quando utilizou aeronaves táticas na Espanha (Guernica, por exemplo), e por isso toda sua estratégia estava baseada nesse tipo de emprego. Assim sendo, a Alemanha fez de sua Força Aérea uma força de apoio às tropas de superfície, ou seja, a Luftwaffe era uma extensão da Wermacht, agindo como uma artilharia de longuíssimo alcance.

A Royal Air Force, por seu turno, tinha vivido péssimas experiências com a utilização de aviões de caça em ataques ao solo durante a 1ª Guerra Mundial, tendo sofrido enormes baixas. Essa experiência, combinada com o fato de que os britânicos haviam ficado muito aborrecidos e ofendidos quando dos ataques ao solo pátrio pelos Gothas e Zeppelins, fizeram com que eles desenvolvessem no período entre guerras, uma força aérea capaz de atacar e bombardear o coração da Alemanha, no caso de uma próxima guerra, produzindo algum efeito estratégico.

Assim, no começo da 2ª Guerra Mundial, a Royal Air Force era uma força aérea essencialmente estratégica, com bombardeiros pesados, caças defensivos e sem uma aviação tática.

Por causa dessas fundamentais diferenças, a situação resultante era a seguinte: bombardeiros em território inimigo vs. aeronaves de ataque. O termo território inimigo era a segunda razão para o domínio da Luftwaffe. No início da guerra, e por algum tempo, os aliados não possuíam caças de escolta com alcance suficiente para acompanhar os bombardeiros até os objetivos, e assim sendo, esses eram obrigados a realizarem boa parte de suas missões sozinhos.

Antes do aparecimento do P-51, os principais caças aliados eram o P-47 Thunderbolt e o Spitfire, ambos com menor raio de ação. A regra geral utilizada era de que os caças podiam  chegar até Aachen (Holanda), que ficava a 250 milhas das bases inglesas, quando então tinham que abandonar a escolta e regressar. Lamentavelmente, pois a maioria dos objetivos situavam-se entre 400 e 700 milhas da Inglaterra. Isso significava que os bombardeiros só eram escoltados até os países baixos, ou até o nordeste da França ou mesmo até a borda mais oeste da Alemanha.

Quando sem escolta e lentos com suas cargas de bombas, os pouco manobráveis bombardeiros, voando por sobre a Alemanha, eram alvos facílimos para os caças alemãs.

Por outro lado, os bombardeiros americanos B-17 e B-24, diferentemente dos bombardeiros ingleses, eram equipados com numerosas metralhadoras e capazes de, teoricamente, defenderem-se dos ataques dos caças alemãs. E por causa disto, os estrategistas miliares americanos, não estavam convencidos da necessidade de um caça de longo alcance, e por muito tempo mantiveram a premissa de que as grandes formações de bombardeiros podiam se auto-defender sobre os céus alemãs.

A proposta dos aliados para a Guerra Aérea

Os aliados sabiam que tinham de aniquilar o parque industrial alemão, para vencerem a guerra. Como as fábricas, as refinarias, as linhas de montagem e outras indústrias relacionadas estavam situadas bem dentro do território alemão, o único modo de destruí-las era enviando bombardeiros e para que os bombardeiros pudessem alcançar real sucesso, a superioridade aérea era mister, o que significaria que eles teriam de ser capazes de lançar suas bombas sem serem atacados pela caça alemã, retornarem à Inglaterra para poderem novamente voltarem à Alemanha no dia seguinte.

Os aliados não conseguiam manter a continuidade de sua estratégia, porque eram abatidos bombardeios em números cada vez maiores, pelos caças alemães. A solução para obter essa superioridade, seria destruir mais aeronaves de caça alemã e para que isso acontecesse, esses caças teriam que ser forçados a entrar em combate. O único modo desses caças entrarem em combate, seria o ataque aos mais estratégicos objetivos da indústria alemã. Era um círculo vicioso.

Seguindo esta lógica, os aliados começaram a intensificar os bombardeios, resultando nos famosos ataques a Hamburg (24-28 de julho de 1943) e Ploesti (1 de agosto de 1943), entre outros. E realmente, esses ataques fizeram com que a caça alemã aparecesse e se engajasse nos combates.

Infelizmente, os bombardeiros foram totalmente envolvidos pela oposição aérea alemã, e as perdas começaram a aumentar assustadoramente. O que as forças aéreas aliadas tinham feito, era somente "cutucar a onça com vara curta".

A Batalha de Schweinfurt

O ponto culminante dessa estratégia, foi o segundo ataque a Schweinfurt, ocorrido no dia 14 de outubro de 1943, local onde os alemães possuíam suas fábricas de rolamentos. A 8ª Força Aérea, havia realizado um ataque bem sucedido a esse centro estratégico, uns dois meses antes, mas dessa vez os alemães estavam preparados. Dos 229 bombardeiros que chegaram sobre o alvo, 60 foram derrubados e 17 conseguiram chegar de volta às suas bases, mas em tal estado, que foram considerados perdidos. As perdas corresponderam a 26,5% das aeronaves empregadas, enquanto que os alemães perderam apenas 38 aeronaves naquele dia.

Essa foi uma das batalhas aéreas chaves da guerra, e inevitavelmente provou aos aliados que a ofensiva de bombardeio não poderia prosseguir sem uma escolta de caça de longo alcance. Mesmo antes deste episódio, alguns estrategístas militares já tentavam defender a necessidade de um caça de longo alcance. Em junho daquele ano, o General Hap Arnold, escrevia um memorando ao seu chefe de estado maior, Major General Barney Giles, que dizia da necessidade de se ter um avião de caça que pudesse acompanhar os bombardeiros em todo o percurso de um ataque, voar e combater no coração da Alemanha. Dizia ainda que ele deveria adaptar uma aeronave já existente ou construir uma totalmente nova. A solução deveria estar pronta até janeiro de 1944.

O desenvolvimento do P-51

Em abril de 1940, Dutch Kindleberger, presidente da North American Aviation, visitou Sir Henry Self, chefe da Divisão de Aviões da Comissão Britânica de Compras e ofereceu o B-25 para os britânicos. Esses não estavam interessados em adquirir bombardeiros, mas sim aviões de caça. Kindleberger, entrou em contato com a Curtiss Company, pois sabia que eles estavam projetando um novo avião de caça, mas ao mesmo tempo muito ocupados em produzir os P-40. Negociações feitas e Kindleberger compra o projeto da Curtiss por US$ 56 mil e ao mesmo tempo faz uma promessa aos britânicos que até setembro de 1941, eles teriam um novo avião de caça para testes.

O protótipo do NA-37, como ainda era chamado, ficou pronto para voar em outubro de 1940 e tudo levava a crer ser um excelente projeto. Possuía uma concepção de asa revolucionária, que permitia o vôo a altas velocidades sem que houvesse os indesejáveis efeitos de compressão. Nos outros aviões, quando a velocidade chegava a cerca de 450 mph (690 km/h), o ar que fluía nas asas estava próximo a velocidade do som, causando uma enorme pressão nas mesmas. No NA-37, isso não acontecia, o que permitiria velocidades muito mais elevadas.

Uma outra revolucionária idéia, era a utilização do ar quente proveniente dos radiadores. Os engenheiros do projeto, aproveitaram esse ar, e o utilizaram como um empuxo adicional, aumentando a velocidade do avião em cerca de 20 mph (31 km/h). Esforços foram também concentrados na aerodinâmica do avião, e por isso o posicionamento heterodóxico do radiador, tornando a fuselagem mais fina possível, bem como colocando o cockpit bastante recuado.

Nesse ponto do projeto, foi cometido um erro, que fazia com que o Mustang não pudesse ser utilizado como caça de escolta de longo alcance. Os primeiro NA-37, agora denominados P-51, estavam equipados com motores Allison de 1 550 HP refrigerados a ar, mas que não possuíam supercharger e por isso perdia rendimento acima de 11 800 ft. Assim, os primeiros P-51 estavam limitados a operações a baixa altitude e mesmo com essa limitação, a performance era tamanha, que a Royal Air Foce adquiriu-os em grande quantidade. A primeira missão de um P-51, sob o comando da RAF, ocorreu em 10 de maio de 1942, em um ataque contra Berck-sur-Mer, na costa francesa.

A instalação do motor Merlin

Pelos próximos 18 meses, os P-51-A continuaram a voar nos esquadrões da RAF, realizando um excelente trabalho, mas logo surgiram idéias de equipá-lo com motores mais potentes. A RAF dizia que ele era um excelente avião, mas faltava um empurrãozinho!

Certo dia, um piloto de teste da RAF teve a idéia de instalar no Mustang um motor Rolls-Royce Merlin, que tinha cerca de 300 HP a mais, além de supercherger. Sugestão transmitida ao Engenheiro Chefe da Rolls-Royce, que rapidamente vislumbrou o potencial da combinação daquele famoso motor com uma aeronave de aerodinâmica fantástica. Em novembro de 1943, começavam a operar os primeiros P-51-B.

Características, vantagens e benefícios do P-51

Esse projeto final do Mustang, era superior a tudo mais que voava naquela época. Possuía uma capacidade interna de combustível de 426 galões, e o motor era muito econômico, significando que seu alcance de 1 080 milhas, poderia ser estendido a 2 600 milhas com a utilização de tanque subalares, fazendo com que ele fosse o caça com maior raio de ação.

Era superior aos caças existentes em todos os aspectos. O P-47 era muito pesado; o P-38 apresentava diversos problemas técnicos; o Spitfire e o Hurricane não tinham alcance, velocidade ou poder de fogo e principalmente, era superior aos caças alemães FW-90 e Me-109. Com relação aos caças alemães ele era 50 mph mais rápido até 28 000 ft, quando então tornava-se muito mais rápido ainda.

O Mustang era de 3 a 4 mil libras mais pesado do que os caças alemães, e por isso muito mais veloz num mergulho. Seu raio de curva era muito melhor do que o Me-109 e ligeiramente superior ao 

FW-190, que era um avião fantástico. Finalmente os aliados possuíam uma aeronave que poderia escoltar seus bombardeiros por todo o percurso, combater eficazmente a caça alemã e regressar sem problema de combustível às suas bases.

O P-51 em combate

Ao final de 1943 e início de 1994, chegam à Inglaterra os primeiros P-51-B, e as batalhas aéreas por sobre a Europa começam a mudar de resultado. Em 11 de janeiro de 1944, a 8ª Força Aérea realiza sua primeira incursão profunda na Alemanha, com proteção dos P-51. Os alvos eram as cidades de Oscherleben e Halberstadt, onde os alemães possuíam fábricas de aviões, quando foram empregados 220 bombardeiros com uma escolta de 49 Mustangs.

Embora as perdas fossem altas, os bombardeiros conseguiram infringir enormes danos às fábricas. A força atacante estava dividida em dois grupos, bem como a escolta. A Luftwaffe reagiu com muita energia, mas 15 caças inimigos foram abatidos, sem que os Mustangs sofressem baixa alguma.

No contexto da história da guerra aérea na Europa, esse ataque não foi tão importante, mas ficou provada a grande vantagem que os P-51 tinham sobre os caças alemães, bem como que o resultado obtido pelos bombardeiros, quando acompanhados de caças de escolta, aumentava de eficiência enormemente.

A mudança no emprego de escolta

Outro fato aconteceu ao mesmo tempo que os P-51 chegavam ao teatro de operações e, utilizavam sua grande capacidade. Até o inicio de 1994, a única função da escolta era acompanhar os bombardeiros e repelir ataques da caça inimiga, e por isso o lema do Comando de Caça da 8ª Força Aérea era "Nossa missão é trazer os bombardeiros vivos para casa". Um dia, no início daquele ano, Jimmy Doolittle, que era o Comandante da 8ª Força Aérea, viu uma placa com esse lema e disse:

- Isto está errado. Nossa missão é destruir a Força Aérea Alemã. Tirem essa porcaria daí.

O que significava isso era que os caças não estariam mais amarrados aos bombardeiros e teriam liberdade para atacar qualquer objetivo de oportunidade. Os Mustangs passaram a atacar comboios, trens, depósitos, aeródromos, fábricas, baterias antiaéreas, instalações de radar e outros alvos importantes que eram praticamente incapazes de serem atingidos pelos bombardeiros. Os Mustangs passaram também a atacar os caças alemães, principalmente quando esses estavam em situações desvantajosas como na decolagem ou pouso.

Isso tudo só era possível também, pelo aumento do número de aeronaves americanas na Europa. A quantidade e o emprego de aeronaves pelos aliados chegou a tal ponto que, no dia D, eles utilizaram 12 873 aeronaves, enquanto que os alemães puderam utilizar apenas 300.

O P-51 rompe as táticas da Luftwaffe

O aumento do número de aeronaves de caça juntamente com a mudança da filosofia de emprego dos mesmos, fez com que as táticas da caça alemã, efetivas até então, ficassem ultrapassadas.

Uma delas dizia respeito à utilização de uma aeronave, que voando lentamente em torno das grandes formações de bombardeiros aliados, mas longe o suficiente do alcance das metralhadoras dos artilheiros, fosse fornecendo informações a respeito desses grupos. A presença dos P-51 simplesmente acabou com esse tipo de operação.

Outra tática bastante popular entre a Luftwaffe, era a instalação de lançadores de foguetes em aeronaves maiores como Ju-88. Essas aeronaves, lançavam esses artefatos de uma distância segura das formações aliadas, causando enorme destruição. Mais uma vez, esse tipo de operação teve ser suspenso, devido aos Mustangs.

Finalmente, e a mais importante, foi a necessidade da caça alemã modificar sua tática de ataque aos bombardeiros. Antes, eles voavam ao longo das formações e esperavam o momento adequado para atacar, tendo toda a vantagem possível. Agora, eram obrigados a se agruparem quilômetros de distância das formações, executarem um ataque rápido e fugirem, evitando o combate com os Mustangs.

Logo que os P-51 entraram em cena, Hermann Goering, Comandante da Luftwaffe, recomendou a seus caças de defesa que evitassem engajar combate com o P-51, limitando-se a atacar os bombardeiros quando esses estivessem sem escolta. O resultado foi que rapidamente os P-51 começaram a ganhar a superioridade aérea. O comentário corrente entre os oficias da Luftwaffe era de que o lugar mais seguro do mundo para se voar era dentro de um caça americano por sobre a Alemanha.

Além de tudo isso, o mais importante era o efeito moral que a escolta dos P-51 dava aos bombardeiros e principalmente aos homens que neles voavam. A corrida final de bombardeio podia ser realizada com total tranqüilidade, sem a necessidade de grandes ações evasivas, operação esta que comprometia totalmente a precisão do ataque. Caso uma aeronave estivesse com problemas no retorno, um par de P-51 era designado para uma escolta individual.

Conclusões

O modo com que os aliados conquistaram a superioridade aérea foi destruindo a oposição da Luftwaffe, e empregando táticas diversas. Os P-51, utilizando sua alta velocidade e manobrabilidade, voando a baixa altura, destruíram milhares de aeronaves da Luftwaffe no solo, impedindo que essas pudessem decolar e atacar os bombardeiros e combater os caças aliados.

Os aliados passaram a ter uma arma tão poderosa, que tomaram a iniciativa de ataque, atraindo os caças alemães e destruindo-os de modo inapelável. Claro que o chamariz foi os bombardeiros, mas agora esses estavam totalmente protegidos pelos Mustangs, e podiam realizar suas corridas mais efetivamente, aniquilando mortalmente a indústria alemã.

A superioridade aérea não foi obtida bombardeando as fábricas alemãs, mas sim, pelo caça de longo-alcance P-51.