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O Junkers Ju-88

O Junkers Ju-88 foi uma das aeronaves mais versáteis e eficientes da 2ª Guerra Mundial, embora fosse uma aeronave relativamente grande e lenta. Um total de 15 mil foram construídas, num total de 60 versões diferentes.

 

Seu projeto original, previa que fosse um bombardeiro ligeiro. Em 1935 a Luftwaffe solicitou o chamado Schnellbomber, que teria uma velocidade de 500 km/h com uma carga de bombas de 800 kg. Para a época, era um desempenho fantástico, visto que seria uma aeronave muito mais veloz que os caça biblanos que equipavam a Luftwaffe e mesmo mais veloz que os primeiros modelos do caça Bf 109. Vários construtores apresentaram modelos: a Henschel com o Hs 127, a Messerchmitt com o Bf 162 e a Junkers com os Ju 85 e Ju 88. Este último foi o modelo vencedor.

 

O projetista chefe da Junkers era o Engenheiro Ernst Zindel, e o protótipo voou pela primeira vez no dia 21 de dezembro de 1936. O Ju 88 era uma aeronave totalmente metálica, com um cockpit bem aerodinâmico e compacto, sendo equipado com dois motores Daimler-Benz DB 600 radial,  V-12, posicionados no meio do bordo de ataque das asas. Por causa do seu longo motor, os Ju 88 eram chamados de Dreifinger (Três Dedos). Esse protótipo foi perdido, antes mesmos dos testes começaram, mas mostrou um ótimo desempenho.

 

A partir do terceiro protótipo, a aeronave passou a ser equipada com motores Jumo 211, visto que os Daimler-Benz seriam reservados aos caças. O quarto protótipo passou a ser equipado com uma nascele tipo “olho de abelha”, ou seja, um cockpit para quatro tripulantes, coberto de pequenos perxiglass planos. Ele possuía também uma gôndola sob o nariz, na qual um artilheiro era posicionado, atirando para frente. O quinto protótipo, foi equipado com um perxiglass mais aerodinâmico, e alcançou um, em circuito fechado de mil quilômetros com uma carga de 2000 kg, o recorde de 517 km/h no dia 9 de março de 1939.

Embora, todo o Estado Maior alemão ficasse impressionado com o desempenho da aeronave, a guerra começou, e a produção do Ju 88 atrasou. Em outubro de 1939, o Dr. Heinrich Koppenberg foi colocado à frente da linha de produção da aeronave, com todos os poderes para fazê-la funcionar adequadamente, mas os resultados foram desapontadores. E mais, a Luftwaffe requereu que o Ju 88 fosse convertido para bombardeiro de mergulho, fato esse que atrasou o desenvolvimento e piorou o desempenho da aeronave. A instalação de freios de mergulho nas asas era um pequeno problema, quando comparado com o reforço estrutural com conseqüente aumento do peso global da aeronave. A instalação de posições de bombas de 500 kg sob as asas, e o aumento das baias internas, impuseram inúmeras restrições à aeronave. Mesmo com todas essas modificações, os pilotos alemães conseguiam desempenho fantástico com a aeronave, pois o Ju 88 possuía características de vôo fantásticas, sendo também equipado com sistema automático de bombardeio em mergulho. Mas não havia necessidade operacional para bombardeiros de mergulho, exceto para ataques anti-navio.

O Ju 88 era certamente um excelente avião de combate, fácil de pilotar, gentil na resposta aos comandos e manobrável, características essas que fizeram dele um excelente caça-noturno mais tarde. Seu único defeito grave era a visão que os tripulantes possuíam, por causa do perxiglass tipo “olho de abelha”, mas que surpreendentemente não atrapalhava muito a comunicação quando voando em grupo.

Quando a guerra começou, o Ju 88 era um excelente bombardeiro, mas a produção era muito lenta, cerca de uma aeronave por semana. Apenas um Gruppe estava equipado com ele. Na terceira semana de guerra, quatro Ju 88 A-1 atacaram a Royal Navy pela primeira vez, em Scapa Flow, mas não causaram dano algum. O Ju 88 tem também a honra de ser a primeira aeronave alemã abatida pelos caças da RAF, no dia 9 de outubo de 1939. A mais importante versão construída foi o Ju 88 A-4, com asas longas, e motores Jumo 211, que entrou em serviço em agosto de 1940. Os pontos fortes do Ju 88 eram a velocidade e a significativa capacidade de bombas e seus pontos fracos eram o alcance (que mais tarde foi melhorado com a colocação de tanques no lugar das bombas),  o cockpit de certo modo “entulhado” de equipamentos e o armamento defensivo (uma característica dos bombardeiros alemães). Durante a Batalha da Inglaterra, o Ju 88 provou ser o melhor bombardeiro alemão, mas a operação dos mesmos a partir de bases norueguesas sem escolta resultou em muitas perdas. Com o andar de guerra, e a falta de tripulações experientes e treinadas, os resultados alcançados pelos Ju 88 foi ficando cada vez piores.


Três bombardeiros Junkers Ju-88A-4.
Observe o perxiglass tipo “olho de abelha” e a gôndola ventral com metralhadora.

Mais tarde um Ju 88 mais aerodinâmico foi introduzido com a denominação de Ju 188. Ainda em 1942, foi feita tentativa de aumentar a velocidade do Ju 88, resultando na versão “S”, com outro tipo de perxiglass e motor BMW 801 ou Jumo 213. Essa versão não levava cargas subalares, não era equipada com a gôndula ventral e possuía blindagem reduzida, e alcançava a velocidade de 612 km/h, velocidade esta mais alta que a maioria dos bombardeiros da guerra.

Entretanto, uma nova linha de desenvolvimento da aeronave havia começado. O Reichsluftfahrtsministerium (RLM) deu à Junkers permissão, com baixa prioridade de  desenvolver uma versão de caça-bombardeiro pesado, que seria o Ju 88C. O nariz transparente foi susbtituído por um de metal, contendo três metralhadores de 7.92 mm e um canhão de 20 mm (um conjunto modesto), mas alguns modelos poderiam ter ainda mais dois canhões de 20 mm instalados em uma gôndola sob o nariz da aeronave. Havia ainda uma variedade de armamentos defensivos a serem utilizados. O motor Jumo 211 foi mantido, pois a prioridade dos motores BMW 801 era para os caças. O primeiro modelo de produção, o Ju 88 C-2, manteve o compartimento de bombas, e seria empregado como aeronave de patrulha de longo alcance, inicialmente em missões anti-navios operando a partir de bases norueguesas. Em seguida foi introduzida a versão Ju 88 C-4, operando em missões de ataque noturna contra aeródromos ingleses, missões de escolta de aeronaves de transporte  e de cobertura aérea de comboios.

Um Ju 88C-6

O padrão de caça do Ju 88 foi a versão C-6, desenvolvida a partir da experiência adquirida com a versão A-4, estando também equipada com o motor Jumo 211. O C-6 era utilizado como caça-bombardeiro e mais tarde foi introduzido nas unidades de bombardeiro. Como reação ao aumento dos ataques aliados aos navios alemães, em epecial aos U-boats (submarinos) na Baia de Biscaia, a unidade KG-40 começou a realizar missões ant-navios e de escolta, a partir de bases francesas em setembro de 1942. Os Ju 88 eram realmente uma ameaça aos navios aliados, pois as aeronaves anteriormente utilizadas nesse tipo de missão eram os hidro Ar 196, caças monoplaces de curto alcance ou mesmo versões de bombardeiros do Ju 88, e mesmo assim lentas aeronaves como os Sunderlands do Comando Costeiro da RAF, não eram alvo fácil, pois possuíam bom armamento defensivo. Os Ju 88 passaram a operar em pequenas formações para minimizar esse problema. Além dessas missões, os Ju 88 tinham que escoltar os Fw 200 Condor, até que estivessem fora do alcance dos caças britânicos; mais tarde a RAF passou a empregar Beaufighters e Mosquitos nessas missões e a Luftwaffe teve então que passar a utilizar Fw 190 equipados com tanques de combustível sub-ventral. A luta ficou mais intensa no verão de 1943, e os alemães estavam perdendo posição. Logo após a invasão aliada na Normandia, a KG 40 foi rapidamente dizimada na tentativa de atacar a cabeça de praia aliada.


Um Ju 88-P anti-tanque.

Para um caça, o Ju 88-C era de tamanho exagerado, mas por outro lado, isso permitia que carregasse quantidade elevada de armamento e de equipamentos eletrônicos, sendo portanto candidato obvio para caça-noturno. As missões iniciais foram realizadas sem a utilização de radar, mas no final de 1942, alguns Ju 88C-6 receberam o Lichtenstein BC, mais tarde substituído pelo Lichtenstein C-1 e depois pelo Lichtenstein SN-2. Embora o Messerschmitt Bf 110 permanecesse como o caça noturno mais numeroso, a participação do Ju 88 C aumentava, embora fosse considerado lento para a missão. No início de 1943, motores BMW 801 ficaram disponíveis e começaram a equipar os Ju 88, na versão “R”. No dia 9 de maio de 1943, um Ju 88 R-1 desertou e foi pousar perto de Aberdeen na Escócia, carregando um espião mas também os segredos do radar Lichtenstein BC. Esta aeronave encontra-se hoje no museu da RAF em Hendon, sendo um dos dois únicos Ju 88 sobreviventes (o outro é um Ju 88 D-1 no Museu da USAF).

A Junkers produziu também uma versão melhorada para a caça-noturna, denominada “G”, com asas mais compridas, uma deriva retangular, motores BMW801D, quatro canhões MG 151/20 mm colocados em uma gôndola ventral e ainda dois canhões adicionais na parte superior da fuselagem atirando diagonalmente para cima. Essa versão era chamada de Schräge Musik, sendo muito eficiente contra os bombardeiros ingleses que não possuíam armamento defensivo na parte inferior.

Um Ju 88-G

A versão “G” substituiu as versões “C” e “R” nas linhas de produção e tornou-se o mais eficiente caça-noturno alemão, sendo produzido em prioridade. A partir dessa época a Junkers passou a produzir mais caças do que bombardeiros (em 1944 foram produzidos 2.518 caças contra 716 bombardeiros). Mas mais uma vez a Luftwaffe não estava com sorte, pois no dia 13 de julho de 1944, um Ju 88 G-1 aterrissou em uma base da RAF, por erro de navegação, e todo o segredo do sistema de radar Lichtenstein SN-2,  Flensburg e Naxos caíram em mãos inglesas.

Existiram ainda as versões “D”, “H” e “T”, todas de reconhecimento. A versão “D” era baseada na versão “A”; a “T” na versão “S”, mas a “H” era um desenvolvimento novo. Possuía uma fuselagem acrescida de quase 3,00 m (de 14,40m para 17,65m), de modo a carregar mais combustível possibilitando operações sobre o Oceano Atlântico. O Ju 88 H-1 era uma versão de reconhecimento naval de longo alcance, sendo também equipada com radar. O Ju 88 H-2 era uma versão mais ofensiva, sendo equipada com seis canhões MG 151 / 20 mm. O Ju 88 H-3 era uma versão do H-2 com maior alcance, mas todas foram construídas em pequenos números. Mais raro ainda, era a versão “P”, anti-tanque, equipada com dois canhões de 37 mm, ou um de 50 mm ou mesmo um de 75 mm !!!

Desenho de um Ju 88 -H

O emprego mais estranho do Ju 88 foi o de Mistel , uma dessas armas desesperadoras do Reich. O Mistel era um Ju 88, cujo cockpit era preenchido de carga explosiva, acoplado a um caça monomotor (normalmente um Fw 190A).  O Fw 190 era colocado por sobre o Ju 88, e o piloto do caça, dirigia o conjunto. Ao chegar por sobre o alvo, o Ju 88 era lançado em um mergulho controlado. O Fw 190 estava com seus tanques de combustível cheio, pois utilizava o combustível do Ju 88, e assim podia retornar para casa mesmo estando a longas distância de sua base.

Um Mistel (Ju 88 + Me 109)

O objetivo da Luftwaffe era o ataque às instalações da Royal Navy em Scapa Flow e mais tarde as instalações de geração de energia da Rússia. Esses ataques nunca puderam ser realizados, mas o Mistel foi utilizado na destruição de pontes sobre os Rios Oder e Neisse, numa tentativa desesperada de deter o avanço das tropas soviéticas. Uma variação deste engenho, foi o Ju 88 H-4, que teve a fuselagem aumentada para 20,38 m, e foi utilizado como aeronave de reconhecimento de longa distância.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Especificações

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Ju 88A-4

Ju 88C-6c

Ju 88G-7

Motor

2 Junkers
Jumo 211J-1

2 Junkers
Jumo 211J

2 Junkers
Jumo 213E

Potência

1350hp

1340hp

1750hp

Envergadura

20.00m

20.08m

20.08m

Comprimento

14.40m

14.36m

15.55m

Altura

4.85m

5.07m

4.85m

Área Alar

54.50m2

54.50m2

54.50m2

Pêso

Vazio

9060kg

9860kg

 

Pêso Carregado

 

12350kg

13110kg

Carga Máxima

14000kg

 

14674kg

Velocidade Máxima

470km/h@ 5300m

494km/h @ 5300m

626km/h @ 9100m
435km/h @ Nível do Mar

Teto

8200m

 

8850m

Razão de Subida

 

 

9850m em 26.4min

Alcance

2730km

2940km

 

Armamento

Uma 13mm MG131 ou duas 7.92m MG81 no nariz; duas MG81 na parte de trás do cockpit, duas MG81 na gôndola ventral. Até 2000kg de bombas.

Três 7.92mm e  três canhões 20mm MG FF no nariz. Duas MG131 or MG81 atirando para cima na diagonal. Até 500kg de bombas.

Quatro canhões 20mm MG 151/20 cannon em um pod ventral, Dois   MG151/20 atirando para cima e na diagonal, uma 13mm MG131 atirando para frente.

 

 

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