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A GUERRA AÉREA NA CORÉIA

PARTE II

Nos primeiros seis meses da Guerra da Coréia, a balança pendeu desde a quase fatal crise do Perímetro de Pusan ao salvador desembarque de Inchon, chegando a total derrota das forças norte-coreanas. Os pilotos americanos e britânicos literalmente destruíram tudo o que voava contra eles. O que restou da Força Aérea Norte Coreana era quase nada, deixando apenas os dois melhores caças a jato daquela época, a luta pela conquista dos céus.

Essa segunda fase da guerra, apresentava um novo aspecto, com as tropas da ONU na defesa, numa lenta e desgastante retirada, tudo isso tendo um rigoroso inverno como pano de fundo. A chegada dos F-86A ao teatro de operações, aumentava a possibilidade de se reconquistar a superioridade aérea, embora a localização muito ao sul de suas bases, prejudicasse um pouco sua atuação operacional. Os Mig-15 chineses operavam a partir de santuários, onde os F-86 chegavam no limite de seu raio de ação de combate. As dificuldades para se obter uma vantagem eram enormes, mesmo considerando-se que a maioria de seus pilotos fosse composta de veteranos da 2ª Guerra Mundial, com muita experiência em combate.

Durante aqueles dias de Dezembro de 1950, enquanto o 8º Exército recuava em direção ao oeste e o X Corpo em direção a leste, tudo levava a crer que a intervenção chinesa resultaria em uma guerra global envolvendo também a União Soviética. Esse receio influenciava a política dos Estados Unidos e de seus aliados. Um cessar fogo, em vez de uma vitória militar, passou a ser considerado como o verdadeiro objetivo das operações aliadas, opinião essa apoiada principalmente Grã-Bretanha a qualquer preço. Os americanos já não eram tão favoráveis a essa opinião, principalmente se as tropas de MacArthur fossem ficar em desvantagem.

O 4º Grupo de Caças, em apenas duas semanas de combate, durante o mês de dezembro de 1950, provou que os F-86 e seus pilotos estavam preparados para combater e vencer os Mig-15. Realizaram nessas semanas, 234 saídas, 76 Sabres engajaram combate, destruindo 8, provavelmente mais 2 e danificando 7 aeronaves Mig-15. Nos céus, a balança começava a pender para as forças da ONU, mas em terra, mais de um milhão de soldados chineses atropelavam tudo o que viam pela frente, e as tropas da ONU simplesmente não tinham número suficiente de soldados para combater.


Um B-26 Invader do 3º Grupo de Bombardeiros.

Durante as três primeiras semanas de janeiro de 1951, alguns encontros ocorreram entre os Sabres e os Migs, mas ninguém abateu ninguém. A Guerra Aérea estava acontecendo à baixa altitude, com os Mustangs e F-80 apoiando as tropas e atacando as linhas de suprimento chinesas. Nessa época chegaram à Coréia os primeiros F-84 Thunderjet, pertencentes ao 27º Grupo de Caça, para serem utilizados como caça-bombardeiros, enquanto que os B-26 dos Marines continuavam a realizar suas missões de interdição noturna e os B-29 a lançar toneladas de explosivos em alvos estratégicos na Coréia do Norte. Evidentemente que os chineses rapidamente perceberam que a balança começava a pender para o lado da ONU, e cada vez mais, os Migs foram se engajando nos combates, procurando destruir toda e qualquer aeronave que carregasse bombas. De modo estranho, visto que sua missão básica era o apoio às tropas terrestres, as cinco primeiras vitórias ocorridas no ano de 1951, são devidas aos F-84, sendo que também nesse período é devido a um piloto de F-84, o 1º tenente Jacob Kratt, o primeiro derrube duplo de Mig-15. O F-84, era uma aeronave produzida pela North American, sendo um lógico sucessor do P-47 Thunderbolt, por ser também muito robusto e resistente. Tinha necessidade de decolar nos dias quentes de verão com auxílio do JATO (jet-assisted take-off), mas no ar sua velocidade de cruzeiro era de 510 mph (820 km/h), podendo carregar 8 000 lb de bombas ou foguetes, além de seis metralhadoras .50. A um F-84 é também devido o primeiro reabastecimento em vôo, durante uma missão de combate, quando em maio de 1951, o Tenente Coronel Donald T. Mageean, reabasteceu seu Thunderjet do 116º Esquadrão de Caça-Bombardeio, a partir de um KB-29 do 43º Esquadrão de Reabastecimento Aéreo, estando sua aeronave carregada com duas bombas de 1 000 lb cada além de oito foguetes.


Um F-84E do 27º Grupo em Kimpo.

O Mig-15 fora originalmente projetado para defender o espaço aéreo da União Soviética contra ataques de bombardeiros. Ele era rápido, bem armado e as altas altitudes não eram problema, ou seja, ele estava em seu habitat natural quando interceptava as B-29. Descer a menos de 5 000 pés para atacar os caça-bombardeiros não era interessante para os Migs. Essa desvantagem era compensada com a enorme capacidade que possuíam de subir, retornando à altas altitudes, neutralizando qualquer erro quando da tentativa de atacar as aeronaves que voavam mais baixo, além é claro de estarem combatendo próximo de suas bases, praticamente eliminando o problema combustível. Durante o mês de janeiro, os Migs se mostraram pouco agressivos nos combates contra os F-86, visto que se preocuparam mais com os caças-bombardeiros, esses sim, interferindo nas ações terrestres do Exército Chinês, por outro lado, o número de F-86 aumentava, fato esse que num futuro próximo prejudicaria as ações dos Migs.

O primeiro grupo de Mig-15 soviéticos, ficou baseado na Manchúria desde 1950 (antes mesmo do início da guerra) até janeiro de 1951, quando foi substituído. Fora um período duro, mesmo para os veteranos da 2ª Guerra Mundial, uma vez que os combates agora eram travados a velocidades quase que supersônicas, o que desgastava demais os pilotos. As táticas e teorias de guerra aérea da década de 40 tinham que ser revistas, e talvez o maior erro cometido pelos soviéticos, tenha sido o de substituir todo o grupo de uma vez só, com a experiência não sendo transmitida para os que chegavam. Isso não acontecia com os americanos, pois a transmissão da experiência era uma meta, a assim sempre havia uma mescla de veteranos e novatos nas unidades. Essa política salvou muitas vidas como contribuiu sobremaneira para a elevada relação de aeronaves abatidas em relação as perdidas.

As duas aeronaves mais vulneráveis durante a Guerra da Coréia foram os B-26 e os B-29, basicamente devido a sua pouca velocidade. Os B-26 não tiveram muitas oportunidades de se encontrar com os Migs, visto que nessa fase da guerra, suas missões a baixa altura eram realizadas à noite. Entretanto os B-29 não tiveram tanta sorte, embora apenas 16 tenham sido abatidas pelos Migs, mas quase todas sofreram danos severos quando encontravam aquele pequeno caça. Por outro lado, 27 vitórias aéreas são creditadas aos artilheiros das B-29, mesmo considerando-se os critérios para confirmação das mesmas, que eram muito rígidos. Durante a 2ª Guerra Mundial, muito raramente era atribuído a um artilheiro a derrubada de uma aeronave inimiga, visto que por voarem em formações numerosas, a possibilidade de vários artilheiros solicitarem a derrubada de uma mesma aeronave, era muito grande, mas na Coréia, as B-29 voavam em formações muito pequenas (normalmente quatro aeronaves), e assim era muito menos provável acontecer coisas desse tipo. Se dois pilotos atirassem e destruíssem uma aeronave, cada um recebia um crédito de ½ avião abatido. Na US Navy e nos Marines, os pedidos de crédito eram avaliados pelo comandante imediato, mas só concedidos pelo comandante geral da unidade.


Uma formação de B-29 do 28º Esquadrão
de Bombardeios sobre a Coréia do Norte.

Entre os dias 22 de dezembro de 1950 e 3 de abril de 1951, nenhum F-86 abateu avião algum, devido principalmente ao domínio dos céus por sobre a área chamada de Mig Alley, uma vez que, por mais bem treinados e experimentados que fossem, os pilotos americanos lutavam na razão de 1 contra 25 !!! Isso não queria dizer que os Migs realmente eram melhores que os Sabres, apenas que aqueles não se aventuravam muito além do Rio Yalu, ou seja, só combatiam em condições favoráveis.

Em terra, a guerra movia-se em direção ao paralelo 38, e com exceção daquele pedaço de céu, as aeronaves da ONU dominavam os ares, infringindo enormes baixas nas tropas e nas linhas de suprimento chinesas. No dia 4 de janeiro, o 4º Grupo de Caça teve que retornar à sua base no Japão, bem como os F-80 do 51º Grupo de Caça, sendo que esses quase foram pegos de surpresa no solo, quando tropas chinesas se aproximaram perigosamente do perímetro defensivo da base, obrigando-os a decolar a atacar as mesmas. Mesmo sem possuir o domínio do ar, os chineses tomaram Seul, Osan e Taegu, mas com muitas baixas devido principalmente aos intensos ataques aéreos por parte da aviação da ONU. Em março, uma contra-ofensiva aliada era desencadeada, e no dia 14 Seul foi retomada. Três semanas depois, os chineses tentaram retomar Seul, mas as tropas da ONU, já reforçadas com unidades britânicas do Regimento de Gloucester, resistiram, e o ataque falhou. O comando da ONU verificando que a base aéreas de Taegu estava segura, fez com que os F-86 retornassem do Japão no dia 22 de fevereiro. A missão principal do 4º Grupo de Caça passou a ser escolta aos B-29, que atacavam alvos localizados bem ao norte da Coréia do Norte.

Durante os cinco primeiros meses de 1951, as unidades aéreas da US Navy e da Royal Navy, compondo a Força Tarefa 77, estiveram dedicadas exclusivamente a missões de apoio aéreo aproximado, com quatro porta-aviões envolvidos (dois em operação, um sendo reabastecido / reserva e outro no Japão). O porta-aviões que ficava na reserva, poderia ser colocado em operações em 12 horas, e cada um deles podia lançar 100 missões por dia e carregavam 81 aeronaves cada (Um esquadrão de F9F, dois de Corsairs, um de A4D Skyrider e o restante eram aeronaves especiais como Corsairs para caça noturna ou para foto reconhecimento etc...). Durante esse período foram voadas 33 361 missões de combate, sendo que somente no mês de maio foram realizadas 8 400 , mas ao mesmo tempo que o número de missões aumentava, as perdas acompanhavam. Foram perdidos nesse período quatro F9F, dois F7F, oito A4D e 69 F4U Corsairs. As aeronaves mais populares entre as tropas terrestres eram os Corsairs e os Mustangs, que embora fossem ainda aeronaves da 2a Guerra Mundial, realizaram um magnífico trabalho. As perdas também eram maiores, visto serem mais lentas que os jatos, e realizarem ataques quase que dentro das trincheiras, expondo-os muito ao fogo das metralhadoras antiaéreas e pessoais.

Uma das maiores, talvez a maior batalha aérea da Guerra da Coréia, ocorreu no dia 12 de abril de 1951, quando Mig-15 atacaram três grupos de B-29, quando essas atacavam a ponte ferroviária de Simuiju, escoltadas não pelos F-86, mas por F-84 do 27° Grupo de Caça. Decolaram neste dia 49 B-29, mas devido a problemas mecânicos, apenas 39 continuaram a missão, prejudicando a formatura e obrigando os F-84 a cobrirem os buracos deixados pelos bombardeiros faltantes. Mais de 10 Migs foram abatidos, alguns inclusive pelos artilheiros das B-29. Neste mesmo mês, os F-86 começaram a operar a partir da base de Suwon, localizada mais ao norte e em melhores condições operacionais do que Taegu, fato esse que permitia aos caças americanos uma maior autonomia de vôo no Mig Alley. Rapidamente os resultados começaram a aparecer, pois foram derrubados 15 aeronaves inimigas, com uma provável e 22 danificadas.


Um F-86F do 335º Esquadrão de Caça

Durante a Guerra da Coréia, em várias ocasiões, os pilotos da ONU reportaram em seus relatórios de combate a presença de F-80 ou mesmo de F-86, que faziam-se passar por aeronaves americanas, para atraírem e emboscarem outras aeronaves. O que se sabe de verdade é que os russos conseguiram, não se sabe como, adquirir um F-86, remonta-lo e voarem a aeronave na região de Moscou, mas nunca na Coréia. Existe ainda a possibilidade de que alguma aeronave tenha feito uma aterrisagem forçada, não tenha se danificado muito, e tenha sido levado para estudos pelos chineses.

As notícias da impressa internacional só relatavam as operações diurnas dos F-86 e dos caça-bombardeiros, esquecendo da dura missão e importante missão dos caças-bombardeiros noturnos, uma vez que era nesse horário que os chineses movimentavam suas tropas e suprimento. O mundo da escuridão era dominado pelos mais talentosos pilotos, e incluía dos Corsairs F4U-5N e os Tigercat F7F-3N dos Marines e os B-26 Invaders da USAF. O trabalho dessa aeronaves era de atacar as rotas de suprimento dos chineses na fronteira das Coréias, logo ao sul do paralelo 38, complementando os ataques realizados de dia pelos B-29. Nos primeiros 12 meses de guerra, essas aeronaves voaram mais de 3 000 missões noturnas. Esses ataques eram realizados com foguetes ou pequenas bombas, além das metralhadoras normais.


Tigercats do Esquadrão VMF(N)-542 em Pusan

Durante os primeiros dias de junho de 1951, ficou óbvio para os analistas americanos que o número de Migs presentes nos aeródromos chineses havia aumentado consideravelmente (de 200 para aproximadamente 450), indicando quão frágil era a supremacia do 4º Grupo de Caça, que contava com apenas 90 F-86, dos quais apenas 44 localizados nos aeródromos mais avançados, ao mesmo tempo que o nível de experiência dos pilotos chineses estava aumentando, e eles estavam se arriscando mais ao sul, ultrapassando os limites do Mig Alley e se aventurando além da capital Pyongyang. Se essa tendência continuasse, era fato consumado para o comando da 5ª Força Aérea que os F-86 ficariam em situação muito desfavorável, independentemente do nível de proficiência e experiência de seus pilotos. Destaca-se nesses dias que um B-26, do 8º Esquadrão do 3º Grupo de Bombardeiros, quando realizando uma missão noturna, conseguiu uma vitória aérea contra uma aeronave Po-2

A 5ª Força Aérea continuava a obter informações sobre tudo o que estava acontecendo nas bases vermelhas da Manchúria. No meio do verão daquele ano, chegou a informação de que os chineses possuíam consultores russos e que esses consultores voavam em combate. Na realidade, só em 1990, é que ficou-se sabendo que desde o início da guerra, todos os pilotos de Migs ou eram soviéticos ou eram de países do Pacto de Varsóvia. O Serviço de Inteligência descobriu também que toda a atividade aérea nos céus da Coréia do Norte, eram controladas a partir de instalações existentes na base de Antung, que as unidades aéreas chinesas e coreanas operavam basicamente da base de Mukden, e que os chineses possuíam mais de mil aeronaves de combate prontas a serem utilizadas na guerra.

Desde quando o Exército Popular da China entro na guerra, até o início do verão de 1951, houve um maciço esforço dos engenheiros chineses e norte coreanos, em recolocar algumas bases aéreas em operação. Missões diárias de reconhecimento aéreo realizadas pelos P-51 do 45º Esquadrão de Reconhecimento Tático e pelos RF-80 do 15º Esquadrão, revelaram essa situação, com bombardeios sendo realizados de modo a impedir ou prejudicar os serviços. Ficou claro também que, enquanto as aeronaves americanas dominassem os céus, não haveria base comunista que pudesse ser operada. À essa conclusão também chegaram os chineses, e por isso seus esforços passaram a se concentrar na construção de bases aéreas na região ao norte do Rio Yalu, no complexo de Antung. As primeiras duas bases ficavam em Ta-tung-kou e Ta-ku-shan, e as instalações existentes em Antung, indicavam a capacidade de operação de diversos esquadrões de Migs, tudo indicando que a União Soviética iria fornecer um número significativo dessas aeronaves para os chineses.


Um RF-80 do 15º Esquadrão de Reconhecimento Tático

A guerra se encontrava em seu 16º mês, e não havia sinais de seu término. Os chineses colocavam no ar, mais e mais aeronaves, e os pilotos de F-86, conseguiam observar à distância a quantidade de aeronaves disponíveis em Antung e imaginavam o que poderia acontecer se os comunistas resolvessem colocar todas no ar de uma só vez. O 4º Grupo de Caça teve então de modificar sua tática, de modo a poder combater de igual para igual o crescente número de Migs, ao mesmo tempo que 75 novos F-86E eram embarcados para a Coréia, e equipariam o 51º Grupo de Caça, que voavam F-80 desde o início da guerra, que seriam transferidos para o 8º Grupo de Caça Bombardeiros. O Cel Francis Gabreski, ás da 2ª Guerra Mundial, foi nomeado comandante do 51º Grupo. Quando os novos F-86E chegaram ao Japão, a bordo dos porta-aviões USS Esperance e USS Siko Bay, o número de F-86 alocados à 5ª Força Aérea passou a ser de 165, dos quais 127 estariam estacionados na Coréia do Sul.

No final do verão de 1951, os esquadrões de Mig-15 começaram a empregar novas táticas, a maioria das quais bastante efetivas. A missão dos Migs, era inicialmente, a de destruir as aeronaves mais lentas que atacavam as rodovias e ferrovias, e como as aeronaves da ONU tiveram que operar bem ao norte da Coréia, próximo ao santuário dos Migs, esses não corriam muitos riscos. A que obteve maior sucesso, era denominada "pinçar e envolver", e consistia no envio de uns 50 a 60 Migs voando ao longo da costa oeste enquanto que grupo similar voava na região central. Essa aeronaves voavam em uma longa formação, chamada pelos americanos de "trens", a pelo menos 35 000 pés de altura. A aproximarem-se da capital Pyongyang, desciam até 20 000 pés, e tomavam a direção norte, ao longo da rota principal de suprimento rodoviário. Suas pressas seriam os caça-bombardeiros retornando das missões, com pouco combustível, podendo inclusive encontrarem algum F-86 nessas mesmas condições. Nesse período um F-80 e dois F-84 foram derrubados, mas inúmeras missões foram abortadas, com as aeronaves tendo que largar suas cargas em qualquer lugar. A qualidade dos pilotos chineses continuava baixa, e não podiam combater os experientes pilotos americanas à baixa altitude.

No outono de 1951, a situação do 4º Grupo de Caça era quase que desesperadora, mas nada era publicado, visto que isso poderia significar um sinal verde para os Migs operarem mais ao sul. A falta de peças de manutenção fez com que a disponibilidade operacional caísse para menos de 50%. Todas as tentativas do Coronel Harrison Thyng, comandante da unidades eram prejudicadas pela burocracia, não só causando problemas com os Migs, mas também colocando a vida dos pilotos americanos em risco, por problemas mecânicos. Sua saída foi o envio de uma carta pessoal ao General Vandenberg, onde começo com a seguinte frase: "De hoje em diante, não sou mais responsável pela supremacia aérea no noroeste da Coréia ...." Quatro dias depois, os suprimentos começaram a chegar. Com a crise superada, o 4º Grupo de Caças juntamente com o 51º, continuaram a dominar os céus sobre a Coréia, aumentando cada vez mais a "kill ratio".

No início do inverno de 1951, a Inteligência da ONU recebia informações de que um novo regimento de aviação chinês havia chegado à base de Ta-ku-shan, elevando o número de Mig-15 nessa base para 290. As demais bases da região operavam com a mesma quantidade de aeronaves. Durante o mês de novembro, os F-86 começaram a encontra novos modelos de Mig-15, conhecidos por Mig-15bis, que possuíam um motor mais potente, com 6 000 lb de empuxo. Durante o mês de novembro os Mig realizaram cerca de 2 400 missões e em dezembro esse número subiria para 4 000. Entre os dias 3 e 8 de dezembro, a audácia dos Migs foi tanta, que alguns chegaram a ser observados voando sobre Seul.

A primeira missão de combate do 51º Grupo de Caça, agora equipado com F-86E, ocorreu no dia 1 de dezembro, quando os dois esquadrões (o 16º e 25º) se encontraram com 40 Migs, que atacavam um grupo de Gloster Meteor F-8 da Royal Australian Air Force. Nesse combate, o Flying Officer Bruce Gogerly, do Esquadrão Nº 77, abateu um dos quatro Mig-15 creditados a um Gloster na guerra, embora este fosse infinitamente inferior ao Mig-15. Nesse combate, os Migs abateram 3 Glosters. Nos primeiros 13 dias de dezembro, os comunistas perderam 27 aeronaves em combate, o que fez com que mais uma vez recuassem em sua ousadia, evitando os Sabres, ao permanecerem sempre voando acima dos 50 000 pés, onde os F-86 não apareciam.


Um Gloster Meteor do Esquadrão Australiano Nº 77
em Kimpo.

O 51º Grupo de Caça (Checkertails), operou durante boa parte da guerra, da base aérea de Suwon (K-13), localizada a 40 km ao sul de Seul, e produziu o líder dos ases, o Capitão Joseph McConnell, que abateu 16 aeronaves inimigas. Sua identificação visual inicial era uma faixa amarela transversal na fuselagem, que mais tarde se tornaria padrão para todos os Sabres. A deriva foi pintada de quadrados pretos sobre o metal prateado, como forma de homenagem aos P-51 utilizados pelo esquadrão durante a 2ª Guerra Mundial. O 51º Grupo produziu 12 ases, dos 40 que a USAF teve na Guerra da Coréia.

Mas não eram apenas os F-86 que alcançavam sucesso nesse período de guerra. Os B-29, agora realizando missões de bombardeamento noturna de alta precisão, conseguiam destruir com eficiência os alvos designados, utilizando bombas de 500 lb. Os chineses rapidamente responderam a isso, instalando inúmeras unidades de artilharia anti-aérea controladas por radar, bem como holofotes poderosíssimos, tudo lembrando as missões da 2ª Guerra Mundial. As unidades de caça chinesa, foram relocadas mais ao sul, para permitir melhores opções da ataque, mas continuando a voar em grandes formações. O ano de 1952 seria muito trabalhoso para os F-86 e para os bombardeiros. Na terra, a linha de frente estava estagnada, e a guerra seria travada nos céus.