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GUERRA AÉREA NA CORÉIA

PARTE IV

Enquanto que as tropas Nações Unidas entravam no 31º mês de combates, as negociações de paz não progrediam e o fim da guerra parecia estar ainda muito longe, para uma guerra limitada, que deveria ter terminado em 1950, e que tornara-se um pesadelo para os comandantes militares e políticos do ocidente.


Um Curtiss C-46 em Pusan

No começo de 1953, o front estava mais ou menos na mesma posição que do início do conflito, o quantitativo de tropas chinesas ainda era impressionante, fazendo com que o total de tropas terrestres de ambos os lados, juntamente com as aeronaves, apresentasse um valor nunca antes alcançado. Para um observador externo, tudo parecia estagnado, mas isso não era bem a realidade, pois um "jogo de xadrez" era jogado pelas tropas da ONU e pelos chineses, sendo que a ONU possuía um trunfo, qual seja, as operações dos caças bombardeios. Eles continuavam a dificultar cada vez mais o movimento logístico dos chineses em direção ao sul, impedindo-os de executar uma ofensiva forte e de deslocar o front para o sul. Para ambos os lados, a hora do dia mais favorável eram aquelas da escuridão, fazendo com que os B-26 e os caças-bombardeios dos Marines fossem enormemente exigidos, ao mesmo tempo que os F-80, F-84, F4U, F9F, logo ao raiar do sol, saiam à caça dos alvos atacados à noite, ao mesmo tempo que atacavam seus próprios alvos como pontes, ferrovias etc.., tudo para dificultar a movimentação comunista para o sul.

Quanto mais os chineses conseguiam obter suprimento, mais era difícil a negociação. Quando em outubro de 1952, as negociações de paz foram interrompidas, o Estado Maior da USAF e o comandante da 5ª Força Aérea, General Glenn Barcus, realizaram uma reunião para decidirem o que poderia ser feito, para que os chineses retornassem às negociações, bem como para avaliar uma possível ofensiva aérea chinesa, que impediria qualquer atividade relacionada com as missões de interdição.

Relatórios da Inteligência indicavam que no início de janeiro de 1953, os chineses haviam recebido cerca de 100 aeronaves Il-28 "Beagle", um bombardeio bimotor à jato, de fabricação soviética, recém produzido. Essas aeronaves eram a única grande ameaça que a USAF teria, pois de um total de 1 485 aeronaves chinesas localizadas nas bases da Manchúria, 950 eram Mig-15, que de certo modo eram gerenciados pelos F-86, mas esses novos Il-28, passariam a ser um problema sério para as tropas terrestres da ONU.


Um elemento de Il-28 Beagle

O Il-28 era capaz de carregar uma carga de bombas de 4 000 libras (1 815 kg), a uma velocidade de 400 nós (740 km/h) a uma distância de 690 milhas (1 110 km). Não seriam muito eficientes se operassem durante o dia, pois os F-86 tratariam de rechaça-los bem como sua escolta de Migs, mas se operando à noite, seu potencial bélico seria maximizado. No dia 17 de dezembro de 1952, os comunistas realizaram a primeira incursão com os Il-28, sendo que os F-86 que patrulhavam ao longo do Rio Yalu, não conseguiram alcançar os bombardeios, com os chineses mostrando-se audaciosos.

Os Il-28 foram incorporados à lista das preocupações da 5ª Força Aérea, embora essa já estivesse relativamente grande. Tudo parecia levar a uma longa e desgastante guerra, e os aliados tinham que descobrir alguma forma de fazer com que os comunistas retomassem as negociações de paz, de modo a por um ponto final no conflito. O General Barcus sugeriu que a interdição das rotas de transporte dos comunistas passasse a ter prioridade máxima, e que se alterasse a tática de apenas "atrasar" ou "atrapalhar", que havia tido algum resultado no passado. Quando as aeronaves da ONU atacavam as vias chinesas, esses substituíam os caminhões militares por carroças de camponeses ou qualquer outro meio de transporte camuflado, dificultando a identificação dos alvos. A idéia do General Barcus era de que os caça-bombardeios deveriam simplesmente destruir tudo que se movesse, sem qualquer restrição, e a arma a ser utilizada seria o Republic F-84 Thunderjets, que era em número a mais importante aeronave da USAF, sendo operada pelos mais experientes pilotos. Esses homens receberam pouca publicidade por suas missões, mas alcançaram resultados tão excepcionais em suas incursões diurnas, que o General Barcus estava impressionado o suficiente, que mandou estudar a possibilidade de utiliza-lo para operações noturnas.

O entroncamento crucial do sistema ferroviário norte-coreano ficava localizado no estuário de Chongshon à noroeste de Sinanju, e este seria o local lógico para se iniciar a campanha de ataque, mas por outro lado, os chineses tornaram-se especialistas em posicionar enormes quantidades de peças de artilharia anti-aérea ao largo dos objetivos principais. A primeira leva de ataque, contavam com o elemento surpresa, mas as seguintes eram normalmente recebidas por um intenso fogo anti-aéreo, e era muito difícil que uma aeronave não fosse danificada.

A 5ª Força Aérea, estudou e aprovou a idéia do General Barcus, e para tal, selecionou um grupo de pilotos de F-84, para que esses passassem a atacar as rodovias e ferrovias à noite. Esta era aúnica solução, visto que os B-26 estavam sobrecarregados com os ataques noturnos, visto que os aviões de ataque dos Marines estavam engajados agora em outras missões. No passado, os B-26 compartilhavam as missões de ataque noturno com os F7F-3N do esquadrão VMF(N)-513, mas esses agora haviam recebido as aeronaves F3D, e sua missão passou a ser a escolta dos B-29 nos ataques noturnos, na tentativa de manter os Mig-15 do lado norte do Rio Yalu. Os velhos Corsairs e Tigercats haviam sido retirados de combate.

Inicialmente, foram escolhidos oito pilotos de F-84, do 8º Grupo de Caça Bombardeios, para que pudessem ser avaliadas as operações de interdição noturnas. Essa avaliação consistia no desenvolvimento de táticas, de modo a torna-las efetivas e seguras, e para tal uma programação de treinamento foi agendada, com a preparação de alvos no stand de tiro. Após duas semanas, no início de janeiro de 1953, tiveram início as missões reais, e essas missões tinham que ser muito bem coordenadas, de modo a não interferir com as dos B-26, que operariam na mesma área. Os F-84 decolavam individualmente, com espaçamento de uma hora, de modo a se ter pelo menos uma aeronave sobrevoando a rodovia ou ferrovia por toda a noite. A eficiência das missões não eram medidas apenas pelo número de caminhões ou de vagões destruídos, mas também pelo número de horas que aquela rota de transporte ficou interrompida. Os pilotos dos F-84, em especial aquele que decolava primeiro, relatavam que logo que chegavam por sobre as áreas a serem vigiadas, observavam as luzes dos caminhões sendo desligadas por quilômetros, bem como a paralisação total do tráfego, sem que você disparasse um só tiro ou largasse uma só bomba. Durante o dia era difícil se ter uma noção exata da movimentação que ocorria 30 mil pés abaixo, mas à noite, a Coréia do Norte parecia uma árvore de natal, totalmente iluminada.

Os F-84 carregavam normalmente duas bombas de 1 000 libras, com sensores que as faziam explodir entre 100 e 50 pés de altura. A anti-aérea não era tão problemática à noite, visto que os F-84 eram relativamente velozes, o perigo estava em ser pego pelos holofotes, que momentaneamente faziam com que o piloto perdesse completamente a visão, e o terreno sobrevoado era bastante montanhoso, e sem a visão externa era morte certa.

Enquanto que os esforços para interdição das rotas logísticas chinesas aumentavam, os Sabres continuavam a dominar a área denominada "Mig Alley", com os Migs não se aventurando além da capital Pyongyang. Nos três primeiros meses de 1953, os F-86 realizaram 9 702 saídas, perderam 9 aeronaves, mas abateram 96 aviões chineses, dos quais apenas um não era Mig-15. Por alguma razão, a atividade aérea dos Migs nesses três primeiros meses havia ficado abaixo do esperado, e isso não era devido à piora das condições meteorológicas, nem a redução numérica de Migs, muito pelo contrário, visto que desde os primeiros meses de 1951, a vantagem esteve sempre do lado dos comunistas. Eles continuavam a voar em grandes formações, sempre acima do teto operacional dos Sabres, mas só atacavam as aeronaves americanas, quando tinham certeza que estavam com vantagem muito clara. Os pilotos dos F-86 apelidaram esses Migs de "honchos", devido a sua agressividade quando entravam em combate.

Em março de 1953, com a morte de Joseph Stalin, o novo Premier Soviético Georgi Malenkov, começa a dar sinais de que ações de paz poderiam começar a acontecer, e esses sinais realmente acontecem, quando o Presidente Norte Coreano Kim Il Sung concorda na troca de prisioneiros de guerra. As negociações de paz são retomadas em Panmunjom, na Índia. Em maio, todos os prisioneiro de guerra são expatriados, mas cerca de 27 mil prisioneiros norte-coreanos se recusam a voltar para aeu país, e novamente acontece um impasse nas negociações.


Um Panther do Esquadrão VF-381

Os B-29 que operavam a partir de bases no Japão e Okinawa, iniciaram o ano de 1953 realizando as suas mais eficientes missões, desde quando a guerra começara, já que contavam com mais de 100 aeronaves e com uma disponibilidade acima de 70%, embora fossem aeronaves veteranas da 2ª Guerra. Tudo isso era devido a uma mudança radical realizada no sistema de manutenção, eliminado a figura do "mecânico chefe da aeronave", por um esquadrão de manutenção dedicado. As B-29 passaram a possuir uma alta taxa de disponibilidade, sendo possível realizar missões com mais de 20 aviões por dia, e o esquadrão voando cerca de 1 800 horas por mês. Os resultados obtidos pelos B-29 nas missões noturnas eram excelentes, devido principalmente a ausência dos Migs, que eram impedidos de atacar os bombardeios pelos F3D dos Marines. O número de Migs, que eram vetorados pelos radares terrestres aumentou consideravelmente no final do ano de 1952, bem como a qualidade dos pilotos. Os soviéticos estavam aproveitando essa oportunidade para escrevem uma doutrina de caça integrada com os radares de terra e as aeronaves agindo em conjunto. Essa tática seria empregada pelos soviéticos e por seus aliados até o desmantelamento do sistema comunista no início dos anos 90. Os Migs, quando em combates noturnos, tentava, atrair e ludibriar os caças americanos, voando ao largo das formações de bombardeios, e rapidamente retornando para o norte do Rio Yalu, logo em seguida, voltavam a se aproximar dos bombardeios, sempre na esperança de que a escolta se afastasse dos mesmos. Em combate cotra os F3D, os Migs conseguiam segui-los de modo bastante preciso, e os analistas americanos chegaram a conclusão de que a única possibilidade para tal procedimento era que os Migs estivessem equipados com radar, o que mais tarde veio a se confirmar.

Quando da chegada da primavera de 1953, as atividades aéro-navais ao largo da costa coreana estavam intensas. Se os porta-aviões da ONU se posicionassem bem ao norte, não haveria alvo terrestre norte-coreano que ficasse à salvo, e a utilização de um grande número de AD Skyriders, simplesmente acabava com qualquer possibilidade de sobrevivência para as tropas e alvos norte-coreanos. Em certa ocasião, uma esquadrilha de AD, abriu 55 crateras na pista de pouso do aeródromo de Hamhung, que praticamente teve que ser recosntruída. As atividades diurnas ficavam a cargo da US Navy, visto não ser seguro a operação noturna em porta-aviões, e as diurnas à cargo da USAF e dos Marines. Ao final da guerra a US Navy perdeu 312 Corsairs F4U e 124 Skyriders, que foram a espinha dorsal das atividades de ataque. Essas duas aeronaves realizaram um brilhante trabalho, e como ficavam expostas ao fogo anti-aéreo inimigo por longos períodos, foram as que mais sofreram. Os F9F Panther também realizaram um excelente trabalho de apoio às tropas terrestres, tendo sido perdidos na guerra um total de 64 aeronaves. Os Marines perderam apenas um F3D, numa rara e única missão de interdição realizada pelo esquadrão, assim que essa aeronave entro em operação.


Um Skyrider fortemente armado

A utilização do F-84 em missões noturnas foi intensificada no início de abril de 1953. Passaram a operar em área diferente dos B-26, realizando missões de reconhecimento e ataque nos setores mais ao norte da Coréia. Essas missões eram realizadas a altas altitudes, tornando-os facilmente detectados pelos radares das bases comunistas da Manchúria, e não era raro encontros com caças noturnos chineses. A tática empregada pelos pilotos de F-84, era interessante. Ao detectarem um comboio, com suas luzes acessas, reduziam a potência do motor para "idle", e vinham planando até que se posicionavam à 3 000 pés por sobre o comboio, que não os havia percebido, visto o motor estar praticamente desligado. Alinhavam-se ao logo da rodovia e largavam as bombas, quando então davam potência máxima nos motores. Só nessa hora é que as tropas terrestres percebiam o ataque, mas aí já era tarde para dispararem suas armas.

Provavelmente nunca se saberá ao certo quantos erros foram cometidos pelo Comando Soviético, quando controlando as operações aéreas na Guerra da Coréia, mas um ficou muito claro, quando se descobriu que a política soviética era a de se substituir unidades inteiras por outras, sem qualquer experiência no teatro de operações. Isso não acontecia do lado dos americanos, pois sempre um calouro estaria acompanhado de um veterano, fosse uma missão de caça, uma missão de interdição ou de reconhecimento. Para tornar-se líder de elemento, eram necessárias pelo menos 50 missões e para líder de esquadrilha 75 missões. Foi essa filosofia que contribuiu para a alta razão entre o número de Migs destruídos pelo número de Sabres perdidos, bem como para o número de pilotos que completaram 100 missões, retornaram aos Estados Unidos para tornarem-se instrutores de vôo na Base Aérea de Nellis. A maioria dos pilotos que combateram na Coréia, lembram-se bem de suas primeiras missões, e admitem que tinham medo, mesmo quando voando como ala de pilotos experientes. Por outro lado, qual seria o sentimento de um piloto de Mig-15, sem qualquer experiência, tendo que combater um Sabre, com um piloto de 80 missões ? No final do ano de 1952, já existiam 23 pilotos com o status de ases (tinham abatido cinco ou mais aeronaves inimigas), dos quais 16 ainda em atividade na Coréia.


F-86C do 12º Esquadrão de Caça

Nas primeiras semanas de 1953, duas unidades de caça-bombardeios que tinham sofrido muito com os Migs, o 18º e o 8º Grupo de Caça -Bombardeio, quando utilizando aeronaves P-51 e F-80C, começaram a ter seus equipamentos substituídos pelos novos F-86F. Isso queria dizer que, se por acaso algum Mig conseguisse passar pela escolta de F-86C, encontrariam outros F-86, e além disso, após terem lançado suas bombas, os caça-bombardeios tomavam altura e tornavam-se simplesmente caças a combater os Migs, atitude muito deferente dos antigos caças-bombardeios, que após realizarem seus ataques queriam simplesmente retornar o mais rápido possível para casa. A última missão de combate dos F-80C aconteceu no dia 24 de abril, quando 20 aeronaves e 29 pilotos voaram 120 missões efetivas, despejando uma carga de 228 mil libras de bombas. Quatro pilotos realizaram quatro missões naquele dia, 10 voaram cinco missões e dois voaram seis missões. A última saída de um F-80 foi realizada no dia 30 de abril.

O mês de junho de 1953 mostrou-se ser "o mês" para os Sabres. Eles derrubaram 77 aeronaves, com a perda de 14, e cinco novos pilotos tornaram-se ases. Com a recente queda do regime comunista soviético, alguns detalhes sobre a participação russa na Guerra da Coréia tornaram-se transparentes, entre eles a informação que mais de 800 Migs-15 retornaram às suas bases quase que completamente destruídos pelas balas .50 dos Sabres, e após alguns reparos, retornavam a voar sem problema algum, indicando a robustez da aeronave russa. Se isso tivesse acontecido ao contrário, praticamente o Sabre teria se desintegrado. Por isso é que os pilotos americanos não entendiam como é que os Migs, após sofrerem severos castigos, continuassem a voar e até mesmo combater sem aparentarem qualquer dano.

Ainda em junho de 1953, ao mesmo tempo que negociações de paz são realizadas, as forças comunistas lançam um maciço ataque às tropas sul-corenas, visando ganhar algum terreno, que seria utilizado como objeto de barganha nas mesas de negociação.

Os americanos, desde o início da guerra, descobriram que seus armamentos eram leves, mesmo quando tentavam derrubar os Yaks, quanto mais com os Migs. Por isso, desenvolveram um projeto denominado "Gun Val", que seria a colocação de quatro canhões de 20 mm nos F-86. Os testes começaram no início de 1953, e duraram 16 semanas, incluindo combates nos quais participaram os mais experientes pilotos da 5ª Força Aérea, em especial do 335º Esquadrão de Caça do4º Grupo, baseado em Kimpo. O resultado mostrou que dos 41 Migs que foram alvejados, seis foram destruídos, três foram provavelmente destruídos e 13 danificados. O teste foi considerado bem sucedido, e as novas versões do F-86H e os futuros F-100 passaram e receber a instalação desses canhões. Num desses testes, quase acontece uma tragédia, quando em um combate, o Tenente Bruno Giordano, no ardor da batalha, viu um jato atirando e apresentando uma característica padrão dos Migs, qual seja, a baixa cadência de tiros representada pela fumaça espaçada dos canhões. O Tenente Bruno imediatamente consegui enquadrar a aeronave no seu visor de tiro, mas quando já estava quase apertando o gatilho, vislumbrou a faixa amarela que identificava a aeronave como sendo um F-86, e imediatamente suspendeu o ataque. Era um dos F-86 que estava equipado com os novos canhões de 20 mm, e o piloto era o Capitão Lonnie Moore, um ás com 15 Migs abatidos !!!

Poucas vezes os pilotos dos F-86 estiveram na Guerra da Coréia, em um situação onde tinha vantagem numérica. O normal era a presença de 10 Migs para cada F-86, ou seja, uma esquadrilha de quatro Sabres combatendo um bando de 40 ou 50 Migs, e a única solução era simplesmente atacar com tudo.

A guerra já durara longos 37 meses, muito mais do que se pensava que duraria. Na noite de 26 de julho de 1953, o 8º Grupo de Bombardeios voaria a última missão de guerra antes do cessar fogo, logo ele, que havia sido a unidade a realizar a primeira missão de bombardeio da guerra, quando da invasão do exército norte-coreano. O piloto seria o Primeiro Tenente Billy Ralston e o artilherio seria o Soldado de 2ª Classe D,J, Judd. Eles voariam em um B-26C, denominado Bye Bye Bluebird, e seu sinal de código seria TYPHOON 73. O objetivo da missão um depósito logístico e os chineses estavam fazendo de tudo para para reabastecer suas tropas ao máximo, visto que o cessar fogo começaria às 22:00 horas daquele dia, e os observadores da ONU, a partir do dia seguinte iriam fazer um levantamento geral de tudo que que havia e mais nada poderia ser trazido da China para dentro da Coréia. A atividade logística chinesa estava intensa. A única ordem que recebeu foi que não deveria cruzar o paralelo 38 após às 21:30 horas. A missão decolou às 20:15 de Kunsan, e junto com a tripulação havia um jornalista internacional, que realizar uma reportagem especial sobre o último ataque às tropas chinesas. O bombardeio seria realizado de uma altura de 8 mil pés, e o curso seria vetorado pelo radar tático de terra. As bombas foram lançadas às 21:33 horas e às 22:00 horas a guerra termina. A última aeronave chinesa derrubada foi um Il-12, que a foi pelo Capitão Ralph Parr no dia 27 de julho de 1953.


Um B-26B do 8º Grupo de Bombardeios

No dia 31 de julho de 1953, quatro dias após o término das hostilidades, a 5ª Força Aérea possuía na Coréia um total de 126 B-26, 218 F-84 , 165 F-86 de caça e 132 F-86F caça-bombardeio. Isso havia sido suficiente par manter o Exército Chinês sob pressão permanente, evitando uma ofensiva, interrompendo o suprimento bélico, dominando os céus e evitando que a Força Aérea Chinesa atacasse as tropas terrestras da ONU. Sem sombra de dúvidas, foi o Poder Aéreo que ganhou a Guerra da Coréia. O grande ás da Guerra da Coréia foi o Capitão Joseph C. McConnell, que após 106 missões, havia abatido 16 Migs. Outro nome a ser lembrado é do Capitão James Jabara, por ter sido o primeiro ás da história em aviões à jato.

As forças armadas americanas tiveram um total de 157 530 feridos e 33 629 mortos; os sul coreanos tiveram 1 312 836 militares feridos e 415 004 mortos. Os demais aliados (Grã-Bretanha, Austrália e Turquia) tiveram entre mortos e feridos um total de 16 532. Estima-se que os norte-coreanos perderam cerca de 2 milhões de homens.

A "Guerra Esquecida", como foi denominada, trouxe tremenda influência na comunidade militar. Ela moldou uma nova doutrina de emprego das forças terrestres e aéreas, que estavam ainda muito presas aos conceito da 2ª Guerra Mundial. As táticas que foram testadas e aprovadas nos céus da Coréia, provaram-se válidas até depois da Guerra do Vietnã, vinte anos mais tarde. Foi também o palco de despedida das aeronaves à hélice que deram lugar aos jatos, mas que juntos realizaram um trabalho que nunca mais será visto.
 
 


Estatística da Guerra Aérea na Coréia

Fontes:

US Air Force Statistical Digest, Fiscal Year 1953: Summary of USAF Combat Operations in Korea June 1950 – July 1953

The United States Air Force in Korea 1950-1953

Baixas da USAF

Ano (Jul a Jun)

Mortos

Feridos

Desaparecidos ou Capturados

Total

1950 – 51

423

224

27

674

1951 – 52

218

102

10

330

1952 - 53

90

42

23

155

1953 – 54

449

---

233

682

Total

1.180

368

293

1.841

 
 

 

 


Aeronaves perdidas pela USAF em operações

 

Causa

1950

1951

1952

1953

Total

Combate Aéreo

9

56

60

14

139

Anti-Aérea

103

229

154

64

550

Causa Desconhecida em Combate

6

20

31

11

68

Acidentes

104

186

112

70

472

Causa Desconhecida

47

102

60

28

237

Total

269

593

417

187

1.466

 

 


 

 


Aeronaves inimigas destruídas ou danificadas

Tipo

1950

1951

1952

1953

Total

Destruídos (Confirmados)

97

180

383

293

953

No ar

49

175

383

293

900

No solo

48

5

0

0

53

Destruídos (Prováveis)

43

39

60

51

193

No ar

20

37

60

51

168

No solo

23

2

0

0

25

Danificados

48

313

400

248

1.009

No ar

22

303

400

248

973

No solo

26

10

0

0

36

Total

188

532

843

592

2.155

 

 
 


Quem destruiu o que ?

Tipos de Alvos 

Destruídos pela Força Aérea

Destruídos pelas Forças Terrestres

Tropas

47 %

53 %

Blindados

75 %

25 %

Caminhões

81 %

19 %

Peças de Artilharia

72 %

28 %

 
 

Aeronaves de combate utilizados pela USAF

Tipo

Jul 1950

Jul 1951

Jul 1952

Jul 1953

B-26

79

157

190

194

B-29

87

104

118

117

P-51

190

227

150

65

F-80

528

254

224

152

F-82

37

24

0

0

F-84

0

175

353

410

F-86

0

93

177

439

F-94

0

14

100

82

Total

921

1.048

1.312

1.459

 
 


Aeronaves de apoio utilizadas pela USAF

Tipo

Jul 1950

Jul 1951

Jul 1952

Jul 1953

R-26

0

24

30

30

R-29

4

38

40

37

RF-51

0

7

22

0

RF-80

35

36

40

57

C-46

41

72

76

73

C-47

84

129

134

133

C-54

31

64

64

21

C-119

0

86

95

104

C-124

0

0

13

25

Outras

273

289

384

375

Total

468

745

898

855

 
 


Tripulantes das aeronaves de combate da USAF

Tipo

Jul 1950

Jul 1951

Jul 1952

Jul 1953

B-26

40

105

174

191

B-29

81

86

112

109

P-51

70

122

118

0

F-80

368

349

222

158

F-82

25

29

0

0

F-84

0

217

303

554

F-86

0

121

216

489

F-94

0

16

103

165

Total

584

1.045

1.248

1.666

 
  Pessoal da USAF envolvido diretamente na guerra

Local

Jun 1950

Dez 1950

Jun 1951

Dez 1951

Jun 1952

Dez 1952

Jul  1953

Guan

5.698

4.073

4.186

3.972

4.849

6.585

5.399

Coréia

1

10.063

20.908

34.895

42.376

46.388

43.791

Japão

21.324

34.923

35.059

43.468

46.543

54.418

60.299

Okinawa

9.339

10.389

8.383

8.913

10.550

9.736

10.532

Filipinas

5.293

5.659

5.097

5.635

5.120

7.369

8.036

Total

41.655

65.107

73.633

96.883

109.438

124.496

128.057

 


Horas voadas pela USAF

Tipo

50 - 51

51 - 52

52 - 53

Total

Bombardeiros

180.581

185.151

195.444

561.176

Caças

293.766

300.185

385.120

979.071

Transportes

290.360

390.897

318.124

999.381

Outros

164.301

185.505

278.678

628.484

Total

929.008

1.061.738

1.177.366

3.168.112

 

Consumo de combustível da USAF (milhões de galões)

Tipo

50 – 51

51 – 52

52 – 53

Total

Bombardeiros

55,273

48,277

55,757

159,307

Caças

79,357

99,273

148,111

326,741

Transportes

47,805

61,875

41,893

126,775

Outros

27,552

33,198

66,025

126,775

Total

209,987

243,623

311,786

764,396