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As ações da Luftwaffe sobre a Normandia

 

         Quando o piloto de reconhecimento, Leutnant  Adalbert Bärwolf do 3./NAGr 13 decolou da base de Laval, logo após o nascer do sol daquela manhã de 6 de junho de 1944, não tinha a menor idéia do que poderia encontrar em sua missão. Nas últimas duas horas, diversos relatórios haviam sido recebidos pelo Quartel-General do Gruppe em Chartres informando que havia acontecido um lançamento de paraquedistas próximo à embocadura do Rio Orne, a nordeste de Caen na Normandia. Um alerta de estado II fora transmitido a todas as unidades da Luftwaffe naquela área, sendo que às 04:30 Bärwolf e seu ala, o Obergefreiter  Maurer, receberam ordens de “darem uma olhada no que estava acontecendo”.

          Enquanto os dois caças de reconhecimento Bf 109G-8 voavam rasante em direção norte, a 450 km/h por sobre os campos da Normandia, uma chuva forte caia. Pouco antes de chegarem a Caem, Bärwolf sinalizou a seu ala que ejetasse o tanque de combustível ventral, ao mesmo tempo em que descia ainda mais baixo seu elemento, quase que tocando o topo dos arbustos, deixando a cidade a sua direita. Realizando uma suave curva à esquerda, por sobre o Rio Orne, eles logo vislumbram centenas de carcaças de planadores inimigos, espalhadas pelo campo.

          Bärwolf capturou a incrível cena com suas duas câmeras fotográficas de asa, onde destacava-se da camuflagem das aeronaves estranhas listas  alternadas nas cores preta e branca. Em seguida, acelerando suas máquinas de guerra, de modo a evitarem possíveis caças aliados na área, os pilotos conduzem suas máquinas sobre o estuário a mais de 600 km/h, em direção ao mar. Ao cruzarem a costa, uma nova visão lhes enche os olhos - uma flotilha de mais de 50 navios de todos os tipos. Não havia dúvidas. Era a tão longamente esperada invasão.

 

 

O comandante da JG 26, o Oberstleutnant Josef Priller (a direita) , foi um dos dois pilotos  a atacar a praia Sword no Dia D. Na foto, tirada no início da primavera de 1944, ele mostra seu Fw 190 pessoal ao Generalfeldmarschall Erwin Rommel, que havia assumido a responsabilidade das defesas da costa francesa.

 

         Então porque, logo após o retorno daqueles dois caças a Laval, o alarme geral não foi acionado? Esta era a pergunta que o General der Jagdflier  Adolf Galland também questionava. Sabe-se agora que as divisões blindadas alemães localizadas a oeste da Normandia, cuja intervenção rápida poderiam ter modificado o rumo da história, não se movimentaram contra a cabeça de praia aliada, porque eram proibidas de executarem qualquer movimento sem a expressa autorização do Comandante em Chefe das Forças Armadas Alemães, Adolf Hitler.  Hitler era uma pessoa que acordava normalmente tarde, e na véspera, pernoitando em Bergholf nos Alpes, fora dormir às 03:00 horas da manhã - e por causa do fuso horário, isso queria dizer que os paraquedistas aliados já estavam em solo francês à algum tempo.  E mais, seus auxiliares, relutaram em acordá-lo, apenas por causa de relatórios não-confirmados, só fazendo às 10:00 horas da manhã.

          Mas a Luftwaffe não estava presa às ordens de Hitler, entretanto sua reação veio atrasada por causa do Generalfeld-Marschall   Hugo Sperrle, comandante da Luftflotte 3, que tinha dúvidas se era realmente a invasão. E mais, toda premissa alemão era de que a invasão ocorreria em Pas de Calais e que os aliados iriam dissimular uma invasão em outro lugar, de modo a chamar a atenção das defesas germânicas. Mas pelo meio da manhã, não se tinha mais dúvidas e finalmente Sperrle autorizou o envio da mensagem “Dr. Gustav West”, que era a mensagem codificada para Drohende Gefahr West (Perigo Iminente no Oeste). Era a ordem para desencadeamento de um plano em larga escala de se reforçar a      Luftflotte 3, comando esse que controlava todas as unidades da Luftwaffe estacionadas na Europa Ocidental.

          A grande maioria das aeronaves envolvidas nesse plano era de caças: 19 jagdgruppen além de duas stafflen e cinco geschwaderstäble, num total de mais de 900 aeronaves. A importância associada a esse plano de combater a invasão aliada é que ao mesmo tempo se descobria a organização de Defesa do Reich contra ataques diurnos dos bombardeiros aliados.

          Além das unidades previstas, duas geschwaderstäble e oito gruppen de caças noturnos; um stab e dois gruppen de ataque ao solo; cinco gruppen de bombardeiros e duas staffeln de reconhecimento seriam transferidas para a Luftflotte 3.

          Para acomodar todas essas novas unidades, a Luftwaffe dispunha de cerca de 100 aeródromos espalhados em um raio de 500 km das praias da Normandia, distribuídos desde a Holanda até a costa francesa mediterrânea. Por insistência do exército, a maioria dos aeródromos ao longo ou na costa do canal da Mancha - que a Luftwaffe utilizara em 1940 e 1941 - foram abandonados, pois eram considerados muito vulneráveis a bombardeiros, tanto aéreos como marítimos e que seria um risco se fossem capturados e utilizados pelos aliados no caso de uma invasão naquela região, que era a premissa germânica.

          Inicialmente, o chefe da Luftwaffe, Hermann Göring, era favorável a construção do que ele denominava Fortaleza da Luftwaffe, baseada no modelo empregado pela RAF em Malta e consistiria na interligação funcional de dois ou mais aeródromos, com pistas de pouso expandidas e áreas de dispersão e taxiamento comuns. O Reichsmarschall ordenou a construção de quatro dessas fortalezas: uma em Venlo na Holanda e três outras na França (em Laon, em Orléans e em Orange), mas a falta de mão-de-obra e o tempo para construção das mesmas - duas condições essenciais perante uma iminente invasão, postergaram o início da construção. Além disso, o argumento que tais fortalezas centralizariam muito a força da Luftwaffe em uma pequena área bem como seria um convite para a atenção do inimigo, fizeram com que essa idéia não fosse adiante.

          Em vez do sistema de fortalezas, foi utilizada a opção de aeródromos em grupo, que consistia  em dois ou três aeródromos próximos, cada um com duas ou quatro pistas muito bem camufladas. Cada conjunto desses recebia um nome de código exótico como “Abrigo do Javali” ou “Coração de Dragão” e era capaz de abrigar um gruppe ou uma geschwader completa. Embora nem todos os gruppe estivessem posicionados nesse tipo de bases aéreas no dia 6 de junho, o sistema provou seu valor, preservando os homens e evitando a total aniquilação da unidade pelos caças-bombardeiros aliados.

 

 

Um Bf 109G-6 do III/JG 1 aproxima-se para o pouso no aeródromo de La Fére. Após oito dias de combate, o Gruppe retornou à Alemanha para se reequipar e só retornou à França um mês depois.

          Como a maioria do reforço enviado seria composto de caças, esses seriam distribuídos em três áreas principais. Como a essas unidades, num total de oito, seriam atribuídas tarefas de ataque ao solo e por isso alocadas nos aeródromos ao sul da Normandia, entre Seine e Loire. Seriam então as unidades da Luftwaffe localizadas mais próximas à cabeça de praia com aeronaves equipadas com bombas sobre a fuselagem. Oito outros jagdgruppen seriam posicionados mais na retaguarda, nos aeródromos a leste de Paris e outros três da JG 27, um pouco mais a leste (cerca de  160 km).

          Mas o atraso da transmissão da mensagem codificada, fez com que a maioria das unidades então posicionadas no Reich, só a recebessem no meio da manhã do Dia D, o que significou que os primeiros reforços só chegariam à França no final da tarde de 6 de junho, e que se tudo corresse bem, iniciariam as operações apenas na manhã do dia D+1.

          Só restou então à Luftflotte 3 duas unidades, a JG 2 “Richthofen” e a JG 26 “Schlageter” para as operações no Dia D. Essas duas unidades que foram a únicas guardiãs da costa do Canal por mais de três anos - a JG 26 cobria a área que ia da fronteira da Holanda até o Sena e a JG 2 cobria desde o Sena até a Baía de Biscaia. Juntas, elas protegeram o espaço aéreo belga e francês contra o inexorável crescente poder aéreo aliado, desde as primeiras tentativas de bombardeio sistemático da RAF em 1941 até as ondas de centenas de bombardeiros americanos da primavera de 1944.

          Dado que a primeira linha de defesa é a mais importante, é incrível como Hitler tenha retirado seis geschwaders de uma região que elas operaram por tanto tempo, parecendo que não estavam avaliando o perigo que correria no caso de uma invasão. Uma das últimas missões de reconhecimento bem sucedidas realizadas pela Luftwaffe na costa inglesa, no dia 25 de abril, mostrou uma concentração de não menos do que 264 navios na região de Portsmouth e Southampton, e entre os navios, os portos Mulberry.

          Os comandantes das unidades de caça da Luftwaffe protestaram contra as ordens recebidas. Em maio, a II. e a III./JG 26 foram transferidas para o sul e leste da França respectivamente. Os três gruppem da JG 2 saíram de suas bases dias antes da invasão. Os Fw 190 do III./JG 2 saíram da Normandia para a costa francesa do Golfo de Biscaia no final de Maio. Ao mesmo tempo, os pilotos do II. Gruppe, recém chegados de combates pesados na Itália, foram para a Alemanha por terra, para serem reequipados com novos Bf 109. 

          Finalmente, no dia 3 de junho, enquanto que as tropas embarcavam nos navios, e a menos que 72 horas do início do desembarque, o I./JG 2 recebeu ordens de se deslocar de seus aeródromos em Cormeilles, que eram localizados a menos que 48 km da praia de Sword, para outros localizados ao sul de Luxembrugo !!!

          Isso significou que os únicos caças da Luftwaffe disponíveis na área do desembarque, na manhã do Dia D eram três Fw 190 da Geschwaderstab JG 26, comandada pelo Obersleutnant  Josef Priller, em Lille-Nord (a cerca de 320 km de distância) e mais uns 12 Fw 190 da I./JG 26, comandados pelo Hauptmann  Hermann Staiger, localizados em Lille-Vendeville.

          Às 08:00 horas do dia 6 de junho, Josef Priller e seu ala o Unteroffizier Heinz Wodarczyk, decolaram para o famoso ataque ao solo às praias de Sword (essa missão foi imortalizada no filme O mais longo dos dias). Embora o filme sugira ter sido esta a única missão realizada pela Luftwaffe naquele dia, na realidade ela realizou um total de 269 missões (contra cerca de 15 mil dos aliados), das quais 172 foram executadas pelos caças da II. Jagdkorps, que abateram 19 aeronaves aliadas.

          A I./JG 26 deslocou-se para oeste a partir de Lille, e fazendo uso dos campos de pouso da JG 2 em Creil e Cormeilles, realizou as primeiras missões logo após o meio-dia. Ao final daquela tarde, Oberleutnant Franz Kunz, o Staffelkapitän do 2./JG 26, conseguiu a única vitória de sua unidade ao abater um P-51 nas proximidades de Caen. Enquanto isso, os dois grupos de Fw 190 do JG 2 eram reposicionados em suas antigas bases, mas tiveram que esperar por pelo menos duas horas para operarem, enquanto que os tubos de lançamento de foguetes eram colocados em seus aviões. Logo após o meio-dia, o Major Kurt Bühligen Kommodore do JG 2, abateu um P-47 ao sul do estuário do Rio Orne, sendo esta a sua 99ª vitória e a primeira das 18 de sua unidade daquele dia.

 

 

Um Bf 109 do III/JG 26 taxia em uma pista parcialmente destruída pelos caça-bombardeiros aliados.

 

O Hauptmann Herbert Huppertz, Kommandeur do III Gruppe, abateu cinco aeronaves naquele dia, mas em compensação a JG 2 e a JG 26 perderam cada uma um piloto, abatidos pela flak amiga ao sul de Rouen e em Abbeville respectivamente. Os caça-bombardeiros e as aeronaves de ataque da Luflotte 3 experimentaram o mesmo destino. O Hauptmann Helmut Eberspächer, Staffelkapitiän do 3./SKG 10, abateu quatro aeronaves aliadas, mas sua unidade perdeu oito aviões. A III./SG 4 perdeu seis de seus Fw 190, com apenas uma vitória.

 Uma das poucas unidades a ter recebido em tempo a mensagem cifrada foi a III./SG 4, e assim sendo, conseguiu mover seus homens e aeronaves para o local determinado. Mas esse movimento não passou despercebido pelos aliados, que possuíam total supremacia aérea. A constante ameaça dos caças aliados, o mau tempo e a falta de experiência da maioria dos pilotos, transformaram esses deslocamento em um odisséia. Cerca de 60 caças alemães de reforços, foram derrubados nas primeiras 72 horas após a invasão.

 A II./JG 3 por exemplo, só decolou de Sachau, Alemanha para Evreaux, no dia 7 de junho. Liderados pelo Gruppenadjutant Oberleutnant Max-Bruno Fischer, os Bf 109 chegaram até Frankfurt-Eschborn, para reabastecimento, mas daí em diante, devido ao mau tempo, 10 aeronaves foram perdidas, as demais se dispersaram e apenas Fischer chegou ao destino !!!

Os 22 Fw 190 do III./JG 54 não fizeram melhor. Decolando de Colônia às 20:00 horas do dia 6 de junho, chegaram a Paris com o mau tempo e com o aeródromo sob ataque dos caças-bombardeiros aliados. Apenas uma aeronave conseguiu pousar em Villacoublay.

Outro grupo que encontrou muitos problemas foi o I./JG 27, que saiu de Fels am Wagram - Áustria para Vertus, na manhã do Dia D. Com etapas em Echterdingen e St. Dizier, 15 Bf 109 foram perdidos.

 O II./JG 53 também executou um longo translado, desde Frankfurt até Vannes, com paradas em Nancy e Le Mans. Na chegada a Le Mans, às 07:45 do dia 7 de junho, foram atacados por caças-bombardeiros P-47, perdendo quatro Ju-52 e dois caças da escolta. Naquele mesmo dia, à tarde, já em Vannes, novo ataque de P-47, resultou na destruição de três JU-52 e em danos de diversos caças.

 As tentativas de reforçar a Luftflote 3 não ficaram mais fáceis nem obtiveram melhor resultado nos dias seguintes, pelo contrário, tudo piorava. O último reforço seria o II./JG 5, recentemente reequipado com novos     Bf 109G-6 “Gunboats”. Cinqüenta e três desses caças saíram da Alemanha no dia 20 de junho com destino a Evreux, a oeste do Rio Sena, e mesmo acompanhados de dois Bf 110 caças bimotores equipados com instrumentos de navegação e servindo como guias, os inexperientes pilotos sofreram diversos acidentes: dois morreram quando suas aeronaves se chocaram com o solo, nove fizeram pouso forçado, 39 pousaram em lugares errados e apenas três chegaram a Evreux !!!

 Este último fiasco operacional foi a gota d’água para que o comando da Jagdflieger determinasse uma Corte Marcial para todos os oficiais envolvidos na operação. Entre os oficiais envolvidos estavam os Oberleutnants  Hans Tetzner, o Gruppenkommandeur do II./JG 5 e Max-Bruno Fischer, Adjutant  do II./JG 3.

 Enquanto que a principal preocupação da Luftflote 3 era o restabelecimento do poder de suas unidades de caça, as ações ofensivas não foram esquecidas, e os bombardeiros que sobreviveram aos ataques iniciais dos aliados, foram divididos em três grandes grupos, de modo a facilitar o comando.

 

 

Um Bf 109G – 6 “Gumboat”

 O maior desses grupos foi o IX. Fliegerkorps, cujas aeronaves estavam distribuídas pelo nordeste da França, pelos países baixos e pelo noroeste da Alemanha. Entretanto, essas unidades estiveram envolvidas recentemente na Operação Steinbock, uma série de ataques noturnos às Ilhas Britânicas e como conseqüência das perdas sofridas, estavam com pouca disponibilidade de aeronaves.

 O  IX. Fliegerkorps seria reforçado por cerca de 40 Ju 88 do LG 1, mas essas aeronaves teriam que vir da Itália, e assim sendo só conseguiu realizar 24 missões individuais no Dia D, sendo que quase todas apenas à noite, fato esse que reduziu muito a eficiência dos ataques.

Entra as unidades envolvidas nesses ataques, estavam cerca de 12   Ju 88 do I. e do II./KG54, que foi o esforço máximo obtido. Eles receberam ordens de atacar a praia Sword com bombas de 500 kg e perderam cinco aeronaves.  Naquela mesma noite, foram perdidos mais dois bombardeiros, um Ju 188 e um Do 217. A confusão era tamanha, que nos dias que se seguiram, várias aeronaves foram abatidas por fogo anti-aéreo amigo. Ao final do mês, a II./KG-2 não possuía mais aeronaves. Nos dois meses que se seguiram, observou-se a virtual aniquilação da força de bombardeiros da Luftwaffe no fronte oeste.

 Após três noites de ataques às praias e aos navios de desembarque, apenas a fragata Lawford foi afundada, e assim sendo o IX. Fliegerkorps, redirecionou seus esforços ao lançamento de minas da baía do Sena. Na noite de 9 de junho, 49 bombardeiros lançaram 122 minas na região da Península de Cotentin. Quatro noites depois, foram lançadas outras 94 minas. Essas operações resultaram em bons resultados, com o afundamento de vários navios, principalmente os de transporte.

 Os demais grupos de bombardeiros, não obtiveram resultado algum. O X. Fliegerkorps, que operara no Atlântico até dois meses antes, em operações anti-submarinas e de reconhecimento, não tinha o que fazer sobre a Normandia. Os He 177 do KG 40 realizaram algumas incursões, atacando navios americanos na costa de Falmouth, mas sem nenhum sucesso. Nos dias que se seguiram, os aeródromos do KG 40 foram atacados por caças bombardeiros aliados, com a destruição de 15 He 177.

 O terceiro grupo, o 2. Fliegerdivision, baseada no sul da França, era uma unidade basicamente anti-navio, composta de bimotores torpedeiros e engajadas em operações no Mediterrâneo. Foram feitas tentativas de ataques noturnos aos navios aliados, mas nenhum resultado foi obtido. Os Junkers tinham que cruzar a França de sul a norte, com reabastecimento em Dijon e terem informações básicas como localização, velocidade e curso dos comboios, além é claro da meteorologia, para poderem planejar seus ataques. Claro que tais informações simplesmente não existiam, pois o domínio do ar pelos aliados era total, e as aeronaves de reconhecimento da Luftwaffe não podiam operar. O único resultado positivo obtido, foi o ataque a um comboio na costa de Portand, realizado no dia 13 de junho, que resultou no afundamento do destróier Boadicea.

Com os caças da Luftflotte 3 completamente ineficientes, a única oposição possível eram os da II. Jagdkorps, mas antes que a batalha nas praias tivesse acabado, a batalha aérea já estava perdida.

 Na tarde do dia 9 de junho, 15 dos 19 jagdgruppen previstos chegaram para a Luftflotte 3, o fizeram de algum modo, que juntando com os seis grupos do JG 2 e do JG 26, dava um total de aproximadamente mil caças. Mas a realidade era outra. No dia 10 de junho, o Korps conseguiu realizar 326 missões (o dobro das realizadas no Dia D), mas por outro lado, os caças da Luftwaffe encontravam uma superioridade cada vez maior dos caças aliados, com uma relação de 20:1.

 

 

Um Bf 109G sendo empurrado para seu esconderijo.

Observe que a aeronave está equipada com o canopy do tipo Erla.

 No Dia D+4, essa superioridade se fez ainda maior, quando os aliados estabeleceram o primeiro campo de pouso, nas proximidades de St. Croix-sur-Mer. Nas duas semanas seguintes, outras pistas foram sendo operacionalizadas, e os aliados conseguiam realizar mais de 6 mil missões de caça por dia. O domínio do espaço aéreo pelos aliados era tal, que a Luftwaffe se viu obrigada a cancelar todas as operações aéreas, e numa  tentativa desesperadora, fez uso de oito Jagdgruppen que eram utilizados  como defesa do Reich, pra missões de caças-bombardeiros.  Mais uma vez o resultado foi um fisco, pois os jovens pilotos acostumados a combater os bombardeios pesados à altas altitudes, se viram protegendo tropas terrestres a baixa altura.

 Ao mesmo tempo em que os caças aliados ocupavam mais e mais as pistas construídas próximas à cabeça de praias, os caças alemães eram expulsos de seus aeródromos. Os bombardeiros médios simplesmente aniquilaram as pistas, enquanto bandos da caças-bombardeiros buscavam e atacavam os aviões escondidos sob as árvores.

 

 

Equipados com tanques subalares e com uma bomba sob o ventre, um trio de Fw 190G-8 do I./SKG 10, está tendo sua rede de camuflagem removida, pouco antes do início de uma missão contra tropas aliadas que avançam. Observe um piloto já equipado com seu para-quedas, em sua preparação para o combate.

  

As perdas alemães cresciam assustadoramente, mas alguns pilotos ainda conseguiam bons resultados. Os Kommodores da JG 2 e JG 26, o Major Kurt Bühlingen e o Obersleutnant Josef “Pips” Priller, alcançaram seu centésimo avião abatido (o primeiro abateu um P-47 próximo a Caen e o segundo abateu um B-24 ao sul de Chartres).

 Pelo menos quatro pilotos abateram dez ou mais aeronaves cada, durante os combates nos céus da Normandia.   O mais bem sucedido foi o Hauptmann Emil Lang do III./JG 54, com 14 aeronaves. O NJG 2 (caça-noturna) abateu 10 Lancasters nas primeiras horas do dia 25 de junho, quando 700 bombardeiros ingleses atacaram os locais de lançamento da V-1, ao norte da França.

 Nesta mesma noite, foi realizada a primeira operação da Luftwaffe com o Mistel. Cinco dessas bizarras aeronaves, que era constituída de um caça montado por sobre um Ju 88 sem tripulação, mas completamente carregado de explosivos, atacaram navios na Baía do Sena. O resultado é contraditório, mas os relatórios dizem que quatro atingiram o alvo.

 Outra arma revolucionária a fazer sua estréia operacional nos céus da Normandia foi o caça à jato Me 262. Um pequeno grupo dessa aeronaves começou a operar a partir de Juvincourt, no final de julho de 1944, realizando missões de caça-bombardeiro. Mas o resultado desses ataques foi praticamente nulo, e os aliados nem tomaram conhecimento da presença desse formidável avião no campo de batalha.

 A realidade foi que os jovens e inexperientes pilotos dos ultrapassados Bf 109 e Fw 190 e que tentaram a todo custo parar o desembarque aliado, e por isso pagaram o preço. Os registros do II Jagdkorp, mostram que para cada piloto experiente abatido, cerca de 40 jovens pilotos eram mortos, e mesmo assim, ao final de junho, um total de 537 aeronaves aliadas foram abatidas pela caça alemã, na região da Normandia.

 Em 25 dias de combates (de 6 a 30 de junho), o II Jagdkorps perdeu mais de 900 aeronaves, o equivalente a um jagdgruppe por dia. Embora a guerra se prolongasse por mais onze meses, a força de caças da Luftwaffe no oeste nunca mais se recuperou das perdas sofridas nos primeiros dias após a invasão da Normandia.  Podemos afirmar com toda certeza, que o domínio do espaço aéreo sobre a Normandia, foi fator fundamental para a vitória dos aliados, bem como para a vitória final, um ano depois.

  


Glossário / Tradução

 

Geschwader

Ala

Gruppe

Grupo

Staffel

Esquadrão

JG

Ala de Caça

NJG

Ala de Caça Noturno

ZG

Ala de Caça de Longo Alcance

KG

Ala de Bombardeiro

SKG

Ala de Bombardeiro Ligeiro

SG

Ala de Ataque ao Solo

LG

Ala de Bombardeiro

FAGr

Grupo de Reconhecimento de Longo Alcance

SAGr

Grupo de Reconhecimento Marítimo

NAGr

Grupo de Reconhecimento de Curto Alcance

Jafü

Líder de Caça

Stab

Elemento de Caça do Estado Maior

Jag

Caça

Leutnant

Segundo Tenente

Obergefreiter

Corporal

General der Jagdflier

Comandante da Caça

Generalfeld-Marschall

Marechal

Obersleutnant

Tenente Coronel

Hauptmann

Capitão

Unteroffizier

Sargento

Kommodore

Comandante

Adjutant

Ajudante