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 O ataque italiano à Manama (1940)

 

No dia 19 de outubro de 1940, quatro bombardeiros Savoia Marchetti SM82 da Regia Aeronautica Italiana atacaram as refinarias inglesas de petróleo no Golfo Pérsico, realizando uma longa, difícil e brilhante missão de guerra.

A SM82 preparing for take off

Um SM82 preparando-se para decolar

Durante a 2ª Guerra Mundial, a Regia Aereonautica Italiana, embora não dispondo de bombardeiros estratégicos, conseguiu transformar os trimotores de transporte SM 82 e SM75 em aeronaves capazes de realizar missões militares contra alvos inimigos (aeroportos e instalações industriais) que estariam localizados fora do raio de ação dos bombardeiros normais, como o Savoia Marchetti SM79, o Fiat Br20 e o CantZ 1007. Graças a sua excepcional confiabilidade e raio de ação, diversos SM82 e SM75 foram modificados e realizaram diversas missões.

De junho de 1940 até julho de 1943, os bombardeiros SM82 e SM75 realizaram diversos ataques contra Gibraltar, Suez, Port Sudane Bahrain, propiciando também um ótimo assunto para propaganda. Esses dois bombardeiros substituíram o quadrimotor Piaggio P108, que embora fosse mais adequado para essas missões, não estavam disponíveis por existirem em pequeno número.

The SM82 Bomber

O bombardeiro SM82

Entre as brilhantes missões realizadas pelos trimotores Savoia-Marchetti, uma delas aconteceu no final da primavera de 1942, quando um SM75, especialmente adaptado, realizou um vôo sem escalas entre Roma e Tóquio. Entretanto o bem sucedido ataque, realizado em outubro de 1940 contra a Refinaria de Manama, possui interesse especial e importância militar.

As refinarias inglesas no Golfo Pérsico foram escolhidas como o principal alvo estratégico no começo do verão de 1940, quando os primeiros modelos de Savoia-Marchetti começaram a sair da linha de montagem. Eles eram aeronaves de transporte convertidas em bombardeiro.

Lieutenant-Colonel Ettore Muti

Tenente Coronel Ettore Muti

As aeronaves deste lote eram equipadas com duas baias para bombas, um mecanismo especial da lançamento e com três metralhadoras Breda-Safat. Os primeiros bombardeiros SM82 iniciaram suas atividades no dia 17 de julho, quando três aeronaves decolaram do aeródromo de Guidonia em Roma e atacaram a Base Naval inglesa em Gibraltar, com bombas de 100 e 200 quilogramas. Outro ataque aconteceu no dia 25 de julho, sendo que desta vez as aeronaves decolaram de Alghero na Sardenha. Um outro foi realizado no dia 10 de agosto. Os resultados foram bons, ou seja, o alvo foi atingido, mas a carga de bombas era pequena e algumas aeronaves foram perdidas.

No início de outubro de 1940, o Comandante da Regia Aeronautica decidiu transferir cinco bombardeiros SM82, pertencentes ao 41º Grupo, liderados pelo Tenente Coronel Ettore Muti, de Ciampino em Roma para Gadurrá na Ilha de Rodes.

O deslocamento aconteceu no dia 13 de outubro, e o objetivo do comando italiano era o de empregar os SM82 contra a refinaria inglesa em Manama, no Golfo Pérsico, de modo a mostrar a capacidade operacional da Regia Aeronáutica. Seria uma longa missão, envolvendo um vôo de mais de 4 mil quilômetros. Ettori Muti e seus comandados trabalharam quatro dias no planejamento da missão e decidiram por realiza-la através de um complexo plano de vôo.

Os italianos decidiram que a rota de retorno seria diferente da de ida, já que poderiam ser inteceptados pela Royal Air Force baseada em Chipre, na Palestina e no Iraque. Após bombardearem as refinaris, as aeronaves voariam sudeste, por cima do imenso e inabitado Deserto da Arábia, de modo a alcançarem o Mar Vermelho e dali atingirem a colônia italiana na Eritrea.

 

SM82 in flight

Um SM82 em vôo

No dia 18 de dezembro, às 17:10, após abastecerem os tanques normais e suplementares de combustíveis, três das quatro SM82 foram carregados com 1,5 toneladas de incendiárias e bombas pequenas (15, 20 ou 50 kg) e decolaram.

No comando da primeira aeronave, que ganhava altura com muita dificuldade, por estar super-carregada com 19,5 toneladas, estava o Tenente Coronel Muti. Ele era auxiliado pelo Major Giovanni Raina e pelo Capitão Paolo Moci, que possuíam experiência em pilotar aeronaves super-carregadas até 21 toneladas.

O Tenente Coronel Fortunato Federici, o Capitão Aldo Buzzaca e o Tenente Emanuele Francesco Ruspoli estavam no comamdo do segundo bombardeiro, enquanto que o Capitão Giorgio Meyer, o Tenente Adolf Rebex e o Sub-Oficial Aldo Carrera comandavam a terceira aeronave. A quarta eronave era pilotada pelo Capitão Antonio Zanetti auxiliado pelo Tenente Vittorio Cecconi e pelo Sub-Oficial Mario Badii.

Os SM82, após ganharem altura com muita dificuldade, dirigiram-se para leste voando sobre Chipre, Líbano e Síria, mudando o rumo para sudeste quando entraram na Jordânia. Esse rumo foi mantido até alcançarem o Golfo Pérsico. Durante o vôo, o papel do quarto SM82 foi o de agir como aeronave guia do esquadrão, estando a aeronave com a parte superior de sua asa de branca e iluminada, de modo que os demais bombardeiros pudessem vê-la facilmente no escuro.

Por razões de segurança, o comandante havia decidido que não haveria comunicação via rádio. Era uma medida desagradável para os tripulantes, mas ela permitiria que os italianos obtivessem a vantagem da surpresa.

Além do papel de guia, essa quarta aeronave teria a missão de identificar o alvo e comandar o lançamento das bombas. Às 02:20, pouco antes de alcançarem as Ilhas Bahrain, a aeronave do Tenente Coronel Federic perdeu contato com a aeronave guia, e por isso lançou sua carga de bombas num alvo diferente, nas proximidades da refinaria. As demais lançaram suas bombas no alvo previsto.

O bombardeador da aeronave de Raina, em seu relatório afirmou que encontrar o alvo foi muito fácil, pois ele estava totalmente iluminado. As plantas de processo foram parcialmente danificadas, além de 12 poços de produção e alguns depósitos. Logo após perceberem as explosões, as aeronaves tomaram o rumo de fuga, alcançando o aeródromo de Zula na Eritrea às 08:40.

 

A SM82 unloading its cargo

Um SM82 descarregando

A esquadrilha italiana voou 2.400 quilômetros em 13 horas e trinta minutos. No aeroporto de Eritrea, juntamente com uma pequena multidão de militares italianos, os bravos pilotos juntaram-se ao quarto SM82 que já havia chegado.

Alguns dias depois, os SM82 decolaram de Zula sob o comando do Coronel Muti, e voaram até Urbe em Roma. Sob o restrito ponto de vista militar, o ataque a Manana não causou danos graves ao inimigo, especialmente porque foram empregadas poucas aeronaves. A missão liderada por Muti, entretanto, teve uma grande importância técnica e de propaganda.  De fato, após o ataque, a RAF deslocou um esquadrão de caças e um batalhão de anti-aérea para defender e proteger a refinaria.