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  Luftwaffe Nachtflieger 
De 1939 à Primavera de 1942
(Parte I)

Introdução

Em 1939, embora a Alemanha já estivesse equipada com um poderoso e extenso sistema de defesa anti-aérea composto de baterias e holofotes, a Luftwaffe não possuía nenhuma unidade específica de caças-noturnos. Os primeiros ataques realizados pelos bombardeiros noturnos da RAF – Royal Air Force, foram combatidos utilizando-se técnicas pouco diferentes das empregadas na 1ª Guerra Mundial. Na primavera de 1942, a Luftwaffe já estava equipada com quatro Geschwader especialistas em caça-noturna, pilotos eram experten, o radar era um equipamento confiável, mas os bombardeiros vinham aos milhares sobre os céus germânicos.  

O flakscheinwerfer 37 com um espelho
de 150 cm

Uma bateria flak de 88 mm

 Os primórdios

Para os conhecedores da História da Aviação, a data de 10 de julho de 1940 marca o início da Batalha da Inglaterra, e que por 16 semanas ceifou a vida de mais de 500 pilotos do Comando de Caça da RAF e de um número cinco vezes maior de pilotos e tripulantes da Luftwaffe.

Nesta mesma época, uma outra batalha estava sendo iniciada, batalha essa pouco conhecida e divulgada ao grande público, exceto por aqueles que diretamente dela participaram, e que durou não apenas 16 semanas, mas quase cinco anos. Essa batalha, custou a vida de mais de 3 mil tripulantes dos caças-noturnos da Luftwaffe e de 50 mil do Comando de Bombardeiro da RAF, que foi a sua vencedora.

No dia 8 de julho de 1940, 64 Whitley do Esquadrão Nº 10, atacaram objetivos na Holanda e no norte da Alemanha, e desses, apenas um não regressou. Foi a aeronave N1496, que entrou para a história da caça-noturna da Luftwaffe, como sendo a primeira a ser oficialmente abatida por aeronave dessa nova especialidade da caça.

A História de um modo geral, e a História da Aviação em particular, não é muito precisa quanto a datas, horas e detalhes, e como o desenvolvimento das defesas noturnas dos céus alemães, foi complexa e demorada, antes que esse Whitley tivesse sido derrubado, com toda certeza outros aviões ingleses já o haviam sido, por operações de caça à noite, realizada pelos pioneiros da Luftwaffe.

Os estrategistas militares dos anos 20 e 30, em especial o italiano Giulio Douhet, enfatizavam, e muito, o emprego dos bombardeiros como arma estratégica, e por isso os países planejavam e construíam grandes e complexos sistemas de defesas, empregando localizadores sonoros, holofotes e artilharia anti-aérea, mas para a Alemanha, por causa do Tratado de Versalhes, nem isso era permitido, e ela ficara restrita a possuir apenas 7 baterias, cada uma com 4 canhões de 77 mm, ou seja, um total de 28 canhões !!! Mas essa situação durou até a ascensão de Adolf Hitler em 1934, que imediatamente iniciou grande esforço de rearmamento (11 anos mais tarde, em 1945, apenas a Flakartilleirie da Luftwaffe, possuía 32 mil peças).

Outra forte manifestação do novo regime, foi a expansão e multiplicação das unidades aéreas do Reichsluftwaffe, sendo que no dia 14 de março de 1935 no aeroporto de Döberitz em Berlim, foi oficialmente apresentado, pela primeira vez em público, uma unidade aérea, a Jagdgeschwader Richthofen, pintada com a Cruz Swastika. Nos quatro anos seguintes, a Europa foi sendo direcionada inexoravelmente para uma nova guerra, e a unidade Richthofen, era o grande garoto-propaganda do Terceiro Reich, pois estando baseada perto da capital alemã, era muito visitada, tanto pelos políticos locais como pelos estrangeiros - ou para mostrar sua força aos aliados, ou impressionar pelo seu potencial, os inimigos, conforme a ocasião demandasse.

Embora a Alemanha estivesse se preparando para atacar, de acordo com sua política expansionista, sem uma defesa forte, ela ficaria vulnerável a ataques de retaliação, pois tanto a Grã-Bretanha como a França, haviam introduzido em suas forças aéreas "pesados" bombardeiros-noturnos (o Handley Page Heyford em 1933 e o Amiot 143M em 1935, respectivamente), e a melhor defesa contra bombardeiros-noturnos, diziam alguns, eram os caças-noturnos.
 

Arado 68F-1 do 11./JG 72, Böblingen, setembro de 1939
Equipado com um motor Jumo 210, o Ar 68 entrou em serviço em 1936. Duas aeronaves foram enviadas para a Espanha, durante a Guerra Civil, e lá operaram como caças-noturnos no Grupo 9, baseados em La Cenia.
A aeronave acima, pertenceu a uma das duas Staffeln do JG 72, que operavam em Böblingen, perto de Stuttgart.

 

Como conseqüência, embora nenhum caça-noturno tivesse sido empregado nas manobras da Wehrmacht em 1936 e 1937, já eram realizados testes limitados, objetivando o emprego de aeronaves na defesa aérea noturna contra bombardeiros. Nesses testes, as aeronaves Ar 68, pilotadas por equipagens do II./JG 132 "Richthofen", se exercitaram em conjunto com as baterias de holofotes da área de Berlim. Embora rudimentares ao extremo - eram biplanos monopostos pousando e decolando de pistas de grama, iluminadas por pequenas tochas, nada muito diferente das operações da 1ª Guerra - esses primeiros testes sensibilizaram as autoridades. No auge da crise dos Sudetos, em setembro de 1938, uma unidade experimental passou a operar de Döberitz, comandada pelo Oberleutnant Blumensaat, dedicada exclusivamente à caça-noturna, equipada com Ar 68, recebendo a designação 10.(N)/JG 132, mas cinco meses depois, quando da invasão da Tcheco-eslováquia, a unidade foi extinta, como caça-noturna.

 

As JG 134 e JG 234

Duas outras unidades de caça-noturna foram criadas antes do início da guerra, mas tiveram também, vida curta: a JG 134 "Horst Wessel" e a JG 234 "Schlageter", sendo que a última, era comandada pelo Leutnant Peter Boddem, que tornou-se ás durante a Guerra Civil Espanhola com 10 aviões abatidos, e foi morto em um acidente com um Ju 52 em março de 1939, quando retornava da Espanha, após testar um dos três Ar 68, enviados como caça-noturno, para avaliações sob condições operacionais, e que baseados no sul da Catalunha, realizaram algumas missões noturnas, mas nenhum sucesso obtiveram, sendo então desviados para operações de apoio aéreo aproximado.

Conforme a guerra se aproximava, o RLM (Reichsluftfahrt Ministerium - Ministério da Aeronáutica), demonstrava interesse em criar uma força operacional de caças-noturnos, e para tal, a unidade em Döberitz, foi tornada permanente, e teve seu equipamento substituído por Me 109-D, passando a ser designada 10.(N)/JG 2, a partir de 1º de maio de 1939. Três meses depois, a Lehrgeschwader 2, outro grupo especial da Luftwaffe, é designado para estudar os procedimentos e as táticas a serem utilizados pelas unidades de caça-noturna e renomeado 11.(N)/LG 2.
 

Me 109D caça-noturno
Os primeiros caças-noturnos da Luftwaffe, estvam distribuídos por Staffeln semi-autonomas, e eram camuflados no padrão da caça-diurna e a única diferença era a aplicação da letra N na lateral da aeronave. Este Me 109 foi pilotado por Johannes Steinhoff da 10.(N)/JG 26, na Dinamerca, no final do ano de 1939. Steinhoff terminou a guerra pilotando o caça à jato Me 262 e com um total de 176 vitórias aéreas.

 Ao mesmo tempo, foi feita sugestão de que, nas novas cinco Jagdgeschwader a serem criadas pelo plano de expansão do ano de 1939- JG 20, 21, 70, 71 e 72 - houvessem dois Gruppen de caças padrão e um de caça-noturno. A sugestão embora aceita, não foi cumprida totalmente, tendo em vista o início das hostilidades em 1º de setembro de 1939. Apenas o 10./JG 72 e 11./JG 72, tornaram-se unidades de caça-noturna.

Dois Me 109 pertencentes ao IV./JG2, preparando-se para mais uma missão noturna

 

Deste modo, com a criação de uma unidade de caça-noturna pela JG 26 "Schlageter", nos primeiros momentos da 2ª Guerra Mundial, a aviação de caça-noturna da Luftwaffe passou a ser constituída de cinco separados e dispersos Staffeln.

A Guerra Falsa

Enquanto que o grosso da Wehrmacht arrasava a Polônia, numa campanha que durou apenas 18 dias, o Alto Comando Alemão estava preocupado com os ataques dos aliados vindo pelo oeste, mas os bombardeiros noturnos nunca apareceram. A RAF, havia revisto sua doutrina nos meados dos anos 30, e agora o Comando de Bombardeiros acreditava na utilização de formações de bombardeiros diurnos altamente armadas, e mesmo assim, cidades alemães experimentaram diversos alertas de bombardeios noturnos, nas primeiras semanas de guerra, embora todos eles falsos. Num desses falsos alarmes em Berlim, na noite de 16 de setembro de 1939, a caça noturna alemã perdeu seus primeiros aviões, quando um Me 109 da I./JG 2 e um Ar 68 da 10.(N)/JG 2, decolaram para uma interceptação e se chocaram, matando os dois pilotos - o acidente foi atribuído a perda de visão dos pilotos, quando esses penetraram no feixe luminoso dos holofotes. Enquanto isso, a inexistência de atividades aéreas noturnas na fronteira sudoeste da franco-germânica, fez com que os dois esquadrões da caça noturna (10. e 11./JG 72) tivessem suas operações encerradas.

Algumas semanas mais tarde, o II./JG 52, teve que interceptar aeronaves de reconhecimento aliadas que penetravam no espaço aéreo alemão durante a noite. Embora não causassem dano algum, o Alto Comando Alemão queria que essas missões fossem interrompidas, e mais uma vez ordens foram dadas para que um Staffel do II./JG 52 se dedicasse exclusivamente a caça noturna, equipados agora com antiquados biplanos He 51. Para seu comandante, foi escolhido o Oberleutnant August Schumann, que era o comandante do 5./JG 52. Schumann, após inúmeros protestos, conseguiu manter seus Me 109, mas teve que receber e operar os doze He 51 designados para sua unidade. Assim sendo, nos dois meses seguintes, o 5./JG 52 de modo muito estranho e único, operava com os Me 109 de dia e com os He 51 à noite. Somente quando a unidade foi transferida de Böblingen para Lachen-Speyerdof e que pode deixou de operar em duplicidade de missão e ao mesmo tempo abandonar os He 51.

A pouca atividade noturna por parte dos aliados, levou o RLM a decidir que não havia necessidade de se ampliar as unidades de caça noturna, entretanto uma pequena reorganização foi realizada durante o inverno de 1939, grupando-se as três Nachtstaffeln autônomas em um único Gruppen, sendo Comandado pelo Hauptmann Blumensaat.

Na noite de 20 de abril de 1940 - quase oito meses do início da guerra -, finalmente a caça noturna alemã, através do Oberfeldwebel Willi Schmale, conseguiu sua primeira vitória, quando ele abateu um Fairey-Battle no Esquadrão Nº 218 da RAF, quando esse realizava uma missão de lançamento de panfletos próximo a Crailsheim. Dos três tripulantes do Fairey-Battle P2201, apenas o piloto - o canadense Pilot Officer H.D. Wardle - sobreviveu, tornando-se prisioneiro de guerra, mas conseguindo escapar mais tarde do famoso Oflag IVC, mais conhecido como Castelo de Colditz.

Cinco noites depois, o Gruppen obtinha sua segunda vitória, quando o Oberfeldwebel Hermann Förster abateu um Hampden do Esquadrão Nº 49, que realizava uma missão de lançamento de minas com outros 28, ao sul da Ilha Sylt - esse foi a primeira aeronave do Comando de Bombardeiro da RAF a ser abatida pela caça noturna alemã.

A guerra agora estava no período em que as forças alemães praticamente já haviam conquistado a Noruega e estavam se preparando para a Blitzkrieg contra a França e os Países Baixos. Essas duas campanhas, não trouxeram sucesso algum à caça noturna alemã, embora estivesse envolvida em ambas. Nessa fase da guerra, a RAF teve que mudar sua tática, passando de ataques diurnos para noturnos, visto que estava perdendo muitas aeronaves, e sua concepção de bombardeiros auto-defensáveis não funcionava. O ponto culminante dessa mudança ocorreu após o ataque a Bight, em 18 de dezembro de 1939, quando 12 dos 22 Wellingtons foram derrubados, e essa mudança foi um ganho para a RAF.

A primeira cidade alemã a ser atacada à noite foi München-Gladbach (hoje Mönchengladbach), no dia 11 de maio de 1940, por uma formação mista de Hampdens e Whitleys. O ataque, embora tenha causado pouco ou nenhum resultado tático, afetou profundamente o Alto Comando da Luftwaffe, que teve também, que rever sua estratégia de defesa aérea noturna, e a formação de uma caça-noturna tornou-se uma necessidade urgente. Em vez de simplesmente ampliar a unidade do Major Blumensaat - a IV.(N)/JG 2 - cujo desempenho, realmente não havia sido sentido tanto do lado alemão como do lado aliado - o RLM baseou seus planos e estudos em um relatório escrito por um Kommandeur de um Zerstörergruppe que estava baseada na Dinamarca - o Hauptmann Wolfgang Falck da I./ZG 1. Essa unidade havia sido designada para apoiar a invasão da Noruega, e no início de abril de 1940, fora transferida de Düsseldorf para Schleswig, e dali para Aalborg na Dinamarca, onde não apenas escutava, mas via os bombardeiros noturnos da RAF, e até mesmo tivera sua base atacada.
 

Wolfgang Falck em Arnhem, outubro de 1940. Falck foi o Geschwaderkommodore do NJG 1 por três anos, desde junho de 1940, mas nunca obteve uma vitória aérea como caçador noturno.

 

 
Falck estava convencido que seu Gruppe poderia proporcionar a melhor defesa contra esses incômodos invasores, e a primeira coisa que fez foi estabelecer os limites e o desempenho, como caça-noturno, de seus Zerstöresr Me 110. Uma série de testes não-oficiais foi realizada, utilizando as tripulações mais experientes, e demonstrou o potencial, como caça-noturno, do Me 110. Ele também chegou a algumas conclusões, como por exemplo, que a aeronave era visível à noite, quando voando contra o céu claro existente nas noites daquela região, bem como que, ao contrário da tática diurna, a melhor maneira de se atacar um bombardeiro era por baixo.

Dois Me 110C-4 do 7./NJG 4
O caça bimotor foi a espinha dorsal da caça-noturna alemã durante os três primeiros anos de guerra.

Com esses conhecimentos, o próximo passo de Falck, foi o de trabalhar juntamente com as estações de radar existentes naquela região. Juntos, trabalharam em um procedimento, onde os caças ficariam circulando em uma zona de espera, em local pré-definido, antes de serem vetorados em direção aos bombardeiros atacantes, identificados pelo radar de solo. O que Falck fez, foi criar uma base para a guerra aérea noturna que estava por vir.

Uma tripulação do II./NJG 1, comenta a missão. O oficial à direita é o Oberleutnant Eckart-Wilhem von Bonin, um futuro ás com 39 vitórias noturnas, que em novembro de 1943, tornar-se-ia o Gruppenkommandeur da unidade.

 

 
Ancioso por colocar sua tática em operação, Falck, juntamente com outros cinco de seus melhores pilotos, se prepararam para o que denominaram Dämmerungsbereitschaftslofte, ou Força de Prontidão de Bimotores Leve, mas foram pegos de surpresa, quando a RAF atacou os aeródromos do sul da Noruega e da Dinamarca, na noite de 30 de abril de 1940. Falck, juntamente com Streib e Thier, decolaram, logo após o ataque, e mesmo sem contato radio com as estações de radar, conseguiram cada um, contato e engajamento com os bombardeiros ingleses. Nenhum dos invasores foi derrubado, pois logo após o primeiro passe, eles mergulharam e passaram a voar rasante sobre a bruma marítima, mas de qualquer modo, Falck provou a praticidade de suas idéias.

Setenta a duas horas mais tarde, entretanto, o 1./ZG 1 foi transferido para Kirchhellen no Rhur, por causa dos preparativos para a Blitzkrieg contra a França e os Países baixos, e toda a experiência de caça-noturna foi perdida. Somente após a queda da França, quando o Comando de Bombardeiros da RAF começou seus ataques contra cidades alemães, é que alguém em Berlim se lembrou do relatório do Hauptmann Falck. No dia 22 de junho de 1940, Falck recebeu ordens de deixar sua unidade em Le Havre, onde estava formando um grupo de caça-bombardeiros, e retornar a Düsseldorf, juntamente com os veteranos do I./ZG 1, para comporem a primeira unidade oficial da Luftwaffe de Nachtjagdgeschwader ou Caça-Noturna.

Nasce a Nachtjagd

No dia 26 de junho de 1940, o Hauptmann Wolfgang Falck, foi oficialmente designado Kommodore da NJG 1, sendo a primeira vez na história da Luftwaffe que um Hauptmann era designado comandante de uma Geschwader (embora fosse logo promovido a Major). Não havia, entretanto, curso de formação de pilotos de caça-noturno, e assim sendo, os pilotos designados para a unidade, que não possuíam experiência anterior em caça-noturna, passavam por um curso de vôo por instrumento em Gütersloh. Mas nem todos os pilotos designados para a nova unidade quiseram ir, preferindo permanecer nas operações diurnas de caça-bombardeiro no sudeste da Grã-Bretanha, onde imaginavam obter grande sucesso, do mesmo modo que obtiveram contra a França. A opção de Falck, para conseguir pilotos foi a de ir diretamente às escolas de vôo e selecionar voluntários para sua unidade.
 

Me 110C da NJG 1
(De cima para baixo)

·  Aeronave de Werner Streib, Staffelkapitän da 2./NJG 1, julho de 1940, ainda com a camuflagem padrão das unidades Zerstörer. 

·  Aeronave do Geschwaderkommodore da NJG1, outono de 1940. A faixa amarela na fuselagem, foi posteriormente removida, visto prejudicar a camuflagem. 

·  Aeronave de Walter Ehle, Gruppenkommandeur da II./NJG 1, outubro de 1940. Observe as marcas de suas nove primeiras vitórias na deriva. Ele terminou a guerra com um total de 38 vitórias noturnas.

No dia 26 de junho, dois acontecimentos marcaram a caça-noturna alemã: o primeiro foi a incorporação de nova unidade, a 10./ZG 26, e a segunda, foi o remanejamento dos Me 110 para defesa noturna da Alemanha, e a introdução de Do 17 e de Ju 88, para realizarem operações sobre a Grã-Bretanha. Falck, não só organizou a caça-noturna alemã, como também criou o emblema da nova arma, que era um escudo em preto, apresentando um globo terrestre sobre o mar do Norte, e um falcão branco mergulhando tendo nas garras um raio em vermelho apontado para a Grã-Bretanha. Esse emblema era utilizado tanto nas aeronaves, como também em todos os veículos da Geschwader. Os integrantes das unidades de caça-noturna o utilizavam também em seus uniformes, e essa utilização só era permitida, após algumas semanas de experiência, quando os novos a recebiam em uma cerimônia militar muito especial. Conforme a Nachtjag crescia, com duas Geschwader sendo formadas, e com o aumento do quantitativo de unidades anti-aéreas e de holofotes, esse emblema passou a ser utilizado por todos os integrantes, com pequenas modificações.

A primeira vitória oficial da NJG 1

Mesmo recebendo pouco apoio, durante suas primeiras semanas de existência, logo a NJG 1 abateu seu primeiro avião. Essa vitória foi creditada ao Oberfeldwebel Förster, um dos mais experientes pilotos, que já havia abatido aquele Hampden no dia 25 de abril. Ele interceptou e abateu um Whitley do Esquadrão Nº 10 perto de Heligoland, na madrugada do dia 9 de julho de 1940.

Embora Major, Falck era apenas um Geschwaderkomodore e não possuía a necessária experiência nem poder para gerenciar e ter sob seu controle todos os problemas inerentes a formação da caça-noturna. Era necessária uma estrutura de comando, à nível de divisão, para coordenar todas as atividades, e em 17 de julho de 1940, uma ordem do RLM foi dada, e uma semana depois era formado em Bruxelas o grupo base da caça-noturna e em 1º de agosto o Gefechtsstand (Quartel-General Operacional) da Nachjtjagd, em Utrecht - Holanda.
 

O Hauptmann Walter Ehle (esquerda), comandante da II./NJG 1 de outubro de 1940 a novembro de 1943, é visto com seu rádio-operador, o Oberfeldwebel Weng.

Finalmente a caça-noturna possuía uma estrutura organizacional bem definida, e o oficial selecionado para comanda-la foi o Generalmajor Josef Kammhuber, com 43 anos, um infante da 1ª Guerra Mundial, que permanecera no Reichswehr após a guerra e fora transferido para a arma aérea em 1933. Kammhuber fora Kommodore da KG 51 durante os primeiros meses da guerra, mas sua experiência na área de organização do RLM, fazia-o o homem certo para o posto.

Nesse período, antes da oficialização da caça-noturna, Falck havia feito tudo o que podia, com os limitados meios disponíveis para equipar e preparar as unidades operacionais. Suas aeronaves, não possuíam equipamento rádio especial nem coisas básicas para operar à noite, como por exemplo, redutores de visão das chamas da exaustão dos motores, já que suas aeronaves eram Me-110 padrão para operações diurnas, apenas pintados de preto fôsco. Na total ausência de sistema de controle solo, Falck teve que desenvolver seu próprio método de operações. Ele conseguiu que um regimento de holofotes fosse transferido do Vale do Ruhr para a Westphalia, bem na rota dos bombardeiros da RAF, tendo seus Me-110 do I./NJG 1 agora estacionados em Bönninghardt, logo atrás do "Cinturão Luminoso", como Falck denominava seus holofotes e os Me 109-D do III Gruppe em Cologne-Ostheim.
 

Me 110C da NJG 3
Como a maioria das aeronaves da caça-noturna eram provenientes de unidades Zerstörer (caça-pesada diurna), muitas mantinham a antiga camuflagem, em especial a "Haifisch" (boca de tubarão), como o Me 110 acima, que foi utilizado pelo Obertleutnant Walter Borchers, Staffelkapitäin do 8./NJG 3, baseado em Luneburg, março de 1942. Borchers terminou a guerra com um total de 59 vitórias (11 diurnas e 48 noturnas)

A detecção inicial das levas de bombardeiros era feita pelas estações costeiras equipadas com radares Freya, que enviavam uma mensagem ao I./NJG 1, sob codinome "Fasan", e logo os caças decolavam, permanecendo orbitando sobre uma estação de rádio, logo atrás da linha dos holofotes. Assim que percebiam a movimentação dos feixes de luz, indicando a presença de bombardeiros inimigos sobre o "Cinturão Luminoso", eles atacavam. A aproximação tinha que ser feita a alta velocidade, uma vez que em menos de três minutos os bombardeiros saiam do "Cinturão Luminoso" e alcançavam novamente a segura escuridão, e por isso era necessário muita prática para coordenar o ataque.

O sucesso da caça-noturna alemão foi finalmente obtido, quando nas primeiras horas do dia 20 de julho, o Oberleutnant Streib, da 2. Staffel abateu um Whitley do Esquadrão Nº 51 nos céus de Münster (embora ele tenha acreditado ter abatido um Wellington) e quarenta e oito horas depois, o mesmo Streib abateu um segundo Whitley do Esquadrão Nº 78. Tudo parecia crer que a tática de Falck denominada "helle Nacthjagd" (caça noturna iluminada) estava dando certo.

Do mesmo modo que seu comandante de divisão, o Generalmajor Kammhuber, as grandes qualidades de Falck eram seu espírito de liderança e sua capacidade de organização, e embora tivesse voado numerosas missões durante seus dois anos como comandante do NJG 1, nunca abateu aeronave alguma nessas missões, mantendo seu escore de 7 aeronaves inimigas abatidas inalterado. Entre os principais ases da caça-noturna daquela época, destaca-se Werner Streib, com um total de 65 vitórias, que nos últimos quatorze meses de guerra foi designado Inspekteur der Nachtjäger (Inspetor da caça-noturna). Três outros pilotos do I./NJG 1 obtiveram vitórias naquele mês de julho, enquanto que o grupo perdeu dois Me 110 em operações, e por seu lado, os bombardeiros da RAF começaram a evitar as regiões onde a ação dos caças-noturnos era mais intensa, voando em rotas alternativas. Falck, então, foi obrigado a deslocar baterias anti-aéreas e holofotes para esses locais, mas os bombardeiros ingleses, ainda assim conseguiam evita-los. A caça-noturna possou a ser motivo de piadas, e os pilotos passaram a ser chamados de "observadores noturnos à caça de crateras de bombas de ontem".
 

Um Me 110F pertencente ao NJG 1, vendo-se claramente a tripulção composta de piloto, radio-operador e artilheiro. Com a evolução dos equipamentos eletrônicos durante a guerra, mais um tripulante foi incorporado, o operador de radar.

 

A única solução seria estender as linhas de defesa, e isso foi feito, em menos de um ano, passando a caça-noturna a operar seis regimentos de holofotes. O "cinturão iluminado" de Falck, não foi apenas aumentado, mas também reorganizado em áreas conectadas, cada uma com seu sistema de controle de radar de solo, sendo que em certa época, essa faixa se estendeu desde Skagerak ao norte, até Paris.

Levando a guerra até o inimigo

Enquanto que 2/3 da força de Falck estava empenhada em defender a Alemanha, o outro terço estava se preparando para levar a luta até os céus inimigos.

O II./NJG 1 tinha missão de ser um grupo de ataque de longo alcance, e fora formado a partir de um Zerstörerstaffel, cuja missão original era a escolta naval nas águas norueguesas. Com o fim da campanha nórdica, o Staffelkapitän Oberleutnant Herber Bönsch, deslocou seus Ju 88 até Ludwigslust para serem treinados em sua nova missão, qual seja, atacar os bombardeiros inimigos em cima de suas próprias bases, aterrorizando o treinamento aéreo noturno da RAF, e aproveitando a oportunidade, jogar algumas bombinhas por lá.
 

Aeronaves Ju 88C, utilizadas pela NJG 2 em missões noturnas sobre a Grã-Bretanha entre 1940 e 1941.

  

No começo de julho de 1940, a unidade de Bönsch iniciou suas atividades em Düsseldorf, já com a nova designação de 4./NJG 1, juntamente com a 5./NJG 1, equipada com Do 17, que era comandada pelo Oberleutnant Schütze. Como Düseldorf ficava muito próxima às baterias antiaéreas do Vale do Ruhr, decidiu-se que o aeródromo de Schiphol na Holanda, seria utilizado como base avançada de operações, ou seja, as aeronaves decolariam de Düseldorf pela manhã, pousariam em Schiphol; decolariam á noite para as missões; voltavam para Schipol onde as tripulações descansariam e então à tarde as aeronaves voltariam para Düseldorf. Entretanto, esse planejamento não deu bons resultados e Falck e Kammhuber tiveram que intervir. As reclamações principais diziam respeito a visibilidade noturna e a falta de orientação, mas Kammhuber foi direto ao assunto, quando discutia com as tripulações, dizendo:

- Não me venham com questionamento sobre este planejamento. Seus relatórios só mencionam dificuldades. Temos uma tarefa muito específica e importante a realizar. Esse Gruppe foi escolhido para voar à noite por sobre a Inglaterra e destruir os bombardeiros da RAF antes que eles nos ataquem, e isso tem e vai funcionar!.

Aparentemente, com o discurso de Kammhuber, algum resultado foi alcançado, pois logo dois bombardeiros Wellingtons foram abatidos sobre o Mar do Norte no dia 23 de julho, seguidos de dois caças Hurricanes e de quatro Bleinheims, mas isso era muito pouco, pois por seu turno, o Gruppe perdeu três aeronaves (dois Ju 88 e um Do 17), sendo que o Ju 88 foi abatido por um caça noturno Bleinheim.

Em Setembro tudo deveria mudar, visto que o 6. Staffel se juntou ao Gruppe, sob o comando do Hauptmann Karl Hülshoff, e o II./NJG 1 estava agora com seu efetivo completo, sob o comando do major Karl-Heinrich Heyse. A unidade agora, passou a operar permanentemente de Schiphol, tornando-se uma unidade especializada em penetrar no espaço aéreo inimigo à noite. Embora tivesse obtido algumas vitórias, a unidade pagou seu preço também, pois perdeu alguns aviões, inclusive o do próprio Gruppenkommandeur, que não regressou de uma missão na noite de 23 de novembro de 1940. O novo comandante da unidade passou a ser o Hauptmann Karl Hülshoff.
 

Dornier 17Z-7 Kauz II do 2./NJG 2, 2º Staffel, Gilze-Rijen
Essa aeronave estava equipada com quatro canhões MG17 e dois MG FF no nariz e ainda mais dois MG 15 para auto defesa. Era operada pelo comandante da unidade.

O Gruppe aumentou seu efetivo, quando da incorporação da 4. Staffel no início de 1941, e agora se fazia presente nas noites sobre o leste da Grã-Bretanha, prejudicando sensivelmente não só o Comando de Bombardeiro como também todo o treinamento noturno da RAF, mas a grande variedade de aviões empregada pela RAF, deixava as tripulações dos Ju 88 com muita dificuldade para identificar suas vítimas. O mês de Abril de 1941, foi talvez o melhor de todos para o Gruppe, pois derrubaram pelo menos 10 aeronaves inimigas, e num desses aviões, estava o ainda desconhecido Flight Lieutenant Guy Gibson, que mais tarde comandaria o Esquadrão 617 de Lancaster no ataque contra as represas no Vale do Ruhr.
 

Um Do 217 equipado com o radar FuG 202. Essa aeronave foi pouco utilizada como caça-noturno.

Após um mês de Junho muito tranqüilo, com pouca atividade, Julho surgiu com sete vitórias alemães, Agosto com cinco e Outubro com duas, sem perdas. Ao final do ano, a I./NJG 2 informou ter derrubado um total de 123 aviões inimigos (o número correto deve ficar em torno de uns 40), para uma perda de sete aviões diretamente em operações e outros 15 em treinamento. O Leutnant Hans Hahn, foi o primeiro piloto da caça-noturna laureado com a Cruz de Cavalheiro, por ter derrubado 10 aviões inimigos, seguido do Oberfeldwebel Wilhelm Beir. Mas as ordens de Hitler foram para que as atividades de caça noturna sobre a Grã-Bretanha fossem encerradas, visto não acreditar nos resultados apresentados, já que essa unidade abatia mais aviões inimigos que todas as outras unidades de caça-noturna a Luftwaffe. Além disso, não interessava para a população alemã saber quantos aviões ingleses deixaram de bombardear sua cidade, mas sim que aquele bombardeio que bombardeou sua casa pagou o preço por isso.

Embora psicologicamente pareça estar correto, a decisão de Hitler foi uma estupidez, pois os bombardeiros da RAF continuaram a não ser molestados, enquanto se preparavam para as missões, e os Ju 88 do I./NJG 2, agora sob o comando do Hauptmann Ericj Jung, foram transferidos para a Catania na Sicília, para operações contra a ilha de Malta e escolta de comboios no Mediterrâneo.
 

Um Ju 88, que após a suspensão das atividades noturnas sobre a Grã-Bretanha, foi deslocado para a Catania / Sicília / Itália, para defesa noturna. Esse Ju 88C-2, apresenta a faixa branca na fuselagem, indicando estar operando no Teatro do Mediterrâneo, e era pilotado pelo Leutnant Heinz Rökker, que tornou-se um ás da caça noturna, com um total de 64 vitórias, todas voando naquela unidade.

A Linha Kammhuber

A caça-noturna da Luftwaffe não podia operar sobre a água, devido a suas limitações de comunicação e ao modo de detectar as aeronaves inimigas, entretanto a construção e expansão de um cinturão defensivo ao longo da costa no Mar do Norte, estivesse sendo feito, bem como a incorporação de novas unidades e o aperfeiçoamento do sistema de controle do solo.
 

Uma estação de controle de caça-noturna, com dois Würzburg (à direta e àesquerda) e o Freya no centro. 

Um Würzburg - A

Um Würzburg - Riese

Inicialmente, foi criada uma nova unidade (a terceira), a I./NJG 3, com aeronaves e tripulações oriundas das antigas unidades de ataque Zerstörer que operavam o bimotor Me 110, que tinham preferido continuar operando de dia sobre a Grã-Bretanha, mas haviam sofrido muitas baixas, sendo inclusive necessário a utilização de caças monomotores para escoltar os caças bimotores !!! O Me 110, não podia mais ser utilizado em operações diurnas, e Falck já havia demonstrado que ele era uma aeronave capaz de ser adaptada e operada como caça-noturno. Assim sendo, grupo após grupo, os Me 110 foram sendo transferidos para operações noturnas. O problema agora não era mais a falta de aeronaves, mas a ineficiência dos métodos de controle e de coordenação terrestres. Inicialmente, o único equipamento eletrônico a disposição eram as estações costeiras Freya, com um alcance de 160 km, que servia apenas para alerta e não para controle das ações dos caças, além de não informar a altitude dos invasores.

Foi feita uma tentativa de melhorar esse sistema, quando uma unidade especial, foi colocada em Nunspeet, perto de Zwolle, ao sul de Zuider-Zee, exatamente sob uma das rotas utilizadas pelo Comando de Bombardeiro da RAF, e lá, utilizando aeronaves Ju 52, realizaram experimentos, simulando os bombardeiros ingleses. Logo, os testes reais aconteceram. Na noite de 16 de outubro de 1940, o Leutnant Ludwig Becker obtve a primeira vitória aérea noturna controlada por terra. Pilotando um Do 17, Becker foi vetorado de terra contra os bombardeiros atacantes, até que estivesse a 50 m do mesmo, antes de abrir fogo. Ele abateu um Wellington do Esquadrão Nº 311, uma aeronave de um esquadrão com tripulações checas. Essa interceptação e vitória, embora realizada numa noite com excelente visibilidade, foi o suficiente para convencer Kammhuber da possibilidade da caça-noturna na escuridão - ou seja, direcionar o caça apenas com informações do solo, sem auxílio dos holofotes.

Kammhuber, imediatamente estendeu o procedimento a todas as estações costeiras de radar, desde o Mar do Norte na Dinamarca, até o Canal da Mancha. No final do verão de 1941, as interceptações dunkle Nachtjag reportavam cerca de 50 bombardeiros abatidos, embora a helle Nachtjag reportasse o dobro, bem como também, aquelas missões noturnas sobre a Grã-Bretanha. Cerca de dezesseis estações de controle terra foram montadas, e tornaram-se a primeira linha de defesa noturna da Luftwaffe. Embora sua importância diminuísse, com a introdução dos radares a bordo das aeronaves, no início de 1942, o sistema Freya continuou a ser muito utilizado até os últimos meses da guerra.


 

Do 17 Z
Aeronave de Helmut Lent, que se tornaria o segundo maior ás da caça-noturna, equipado com o radar Kauz III, pertencente a I./NJG 2, operando a partir de Leeuwarden em 1942

Com a chegada do outono e com ela o mau tempo, Kammhuber ficou preocupado de que seu sistema halle Nachtjag, deixasse de funcionar. As nuvens tornavam-se tremendo empecilho para um sistema totalmente baseado na identificação visual. Ela já havia tentado um sistema conjunto Freya - holofote, na tentativa de evitar que os holofotes ficassem vasculhando os céus, a procura dos bombardeiros, mas os resultados não foram satisfatórios.

O radares Würzburg-A e Lichtenstein

Na realidade, o que o sistema de defesa halle Nachtjag necessitava, era de um radar de precisão especialmente projetado, com uma eficiência comprovada e um alcance de apenas 60 km, e felizmente esse radar estava quase pronto, sendo desenvolvido pela Telefunken. Eles já haviam projetado e construído modelo parecido, para ser utilizado pelas baterias anti-aéreas, e agora estavam aumentando o tamanho do refletor (de 3 m para 7,5 m, de modo a atender às necessidades da caça-noturna).

Como medida paliativa, Kammhuber instalou alguns dos radares de diâmetro pequeno, de modo que as operações halle Nachtjag pudessem já serem adaptadas ao novo procedimento, mas mesmo assim a confusão continuou, pois os operadores do radar, confundiam os sinais dos caças e dos bombardeiros, as baterias de holofotes iluminavam os aviões alemães e por diversas vezes, os caças-noturnos perseguiam seu próprio sinal !!! A solução adotada foi de que cada radar só comandasse um holofote, e que os caças-noturnos, voltassem a operar como antes, ou seja, só penetrassem na zona iluminada, após total certeza da identificação dos bombardeiros.

Paulatinamente, com o aumento do número de radares Freya e com a introdução do novo radar Würzburg, os procedimentos operacionais foram sendo ajustados, e finalmente foi formada uma base para a estratégia defensiva. Os regimentos de holofotes foram divididos em baterias, cada uma delas colocadas a cada 40 km, formando uma cadeia de caixas, cada caixa com três radares Freya e dois Würzburg (um para rastrear o bombardeio e outro para monitorar o caça-noturno). Aos poucos, essa linha de controle foi sendo estendida, e em meados de 1942, já se estendia da Dinamarca até a França, embora ainda estivesse longe do ideal, e os caçadores noturnos ainda preferiam as noites de Lua cheia.
 

No início de 1941, a força de caças noturnos atingiu seu ponto mínimo, devido a inúmeros acidentes e a inexperiência das tripulações. Em média, cada Staffeln de 12 aviões, só dispunha de no máximo quatro para operações, e a situação piorava, visto que a RAF atacava sucessivamente diversos alvos, não permitindo que a Luftwaffe concentrasse suas forças.

Já no final de 1940, Kammhuber solicitava o desenvolvimento de um radar para seus caças, e mais uma vez a Telefunken respondeu ao pedido, adaptando o rádio-altímetro Lichtenstein-A, embora fosse necessária a instalação de antenas externas nas aeronaves. Testes foram feitos em um bombardeiro Do 215, e no dia 9 de agosto de 1941, o Obertleutnant Becker conseguia a primeira interceptação com vitória aérea, ao derrubar um bombardeiro Wellington do Esquadrão Nº 301, próximo a fronteira da Holanda com a Alemanha. Nas semanas seguintes, o mesmo Becker obtinha outras quatro vitórias. A aeronave de Becker era ainda a única equipada com radar a bordo, a muitas dúvidas ainda pairavam no ar, sobre a utilização do equipamento. O Alto Comando da Luftwaffe era contra a instalação de antenas nas aeronaves, pois isso afetava o desempenho das mesmas. A mudança na freqüência dos radares, teria permitido a instalação interna das antenas nas aeronaves, mas Hitler foi contra o desenvolvimento do trabalho, e o Alto Comando calou-se. O sistema Lichtenstein levaria ainda mais um ano, antes que pudesse entrar em operação, e a presença de antenas no nariz dos caças-noturnos, seria uma marca registrada da Luftwaffe.

No final do verão e início de outono de 1941, a caça-noturna foi laureada com mais seis Cruzes de Cavalheiro, atestando o seu sucesso. Falck e Streib já haviam sido condecorados em Outubro de 1940, pelo trabalho empreendido na formação da caça-noturna, mas quem agora recebeu a comenda foi o General Kammhuber. Os outros cinco laureados eram pilotos: dois do I./NJG 2 e três do NJG 1

A força aumenta

A caça-noturna aumentava sua força e em agosto de 1941, teve seu status elevado para Fliegerkorps, ou seja, os NJG 1, 2 e 3 passaram a ter seu próprio Geschwaderstab e dois adicionais Gruppen, mas a maioria de seus aviões e tripulações, ainda eram provenientes de antigas e quase decadentes unidades Zerstörer, equipadas com Me 110.

 

 

A Linha de Defesa de Kammhuber

 

Nessa fase, os bombardeiros simplesmente contornavam a pequena linha de defesa.

Com a linha de defesa extendida, o Comando de Bombardeiros da RAF ainda tentava penetrar em pequenos grupos.

Com a linha quase completa, o Comando de Bombardeiros da RAF passou a utilizar a tática de uma penetração única e concentrada, por um corredor pré-determinado.

 No início de 1942, o desenvolvimento dos radares continuava avançando, e os fabricantes foram convidados a fazer propostas para melhorar o sistema Freya, utilizando a mesma fórmula já anteriormente utilizada com o sistema Würzburg, qual seja, o aumento do tamanho do refletor, sendo que alguns dos projetos, incluíam a combinação de alguns Freya, de modo a formar um refletor gigante.

Um dos sistemas foi denominado Mammut, e era composto de 16 refletores Freya, formando um grande refletor com 30 m de largura por 10 de altura, que embora sendo capaz de detectar aeronaves a mais de 300 km continuava a não indicar a altitude das mesmas, e sua antena não rodava, impedindo o rastreamento das aeronaves inimigas. A solução encontrada foi a colocação de pares de antenas em uma mesma estação (uma para acompanhar a chegada das aeronaves e outra para acompanhar a saída das mesmas).

Nessa mesma época, os primeiros quatro caças equipados com antenas do sistema Lichtenstein foram postos à disposição da Luftwaffe em Leeuwarden, mas com exceção do sempre entusiasmado Becker, os demais pilotos veteranos das unidades de ataque não se conformavam nem se adaptavam em serem orientados pelo operador do radar, e esses ao mesmo tempo achavam-se como sendo os verdadeiros comandantes dos caças, sendo ainda muito comum que os caças equipados com radar não pudessem operar, por problemas de equipamento, enquanto que os convencionais não tinham qualquer limitação.

A Telefunken, trabalhava e muito no novo sistema, e logo esses problemas iam sendo superados, e os radares passaram a ser distribuídos numa razão de 60 por mês, fato esse que fez com que Hitler decidisse que a caça-noturna não mais necessitava dos holofotes, e que eles deveriam ser relocados em áreas próximas a cidades e centros industriais, que eram alvo dos bombardeiros noturnos da RAF. Esse gradual desmantelamento das "zonas iluminadas", fez com que aos poucos, as tripulações dos caças-noturnos começassem a confiarem na nova tecnologia, e logo chegaram a conclusão de que ela era muito mais efetiva do que a do antigo sistema.

Protegendo a Marinha

Em meados de fevereiro de 1942, os antigos pilotos dos Zerstörer já não tinham lembranças do helle Nachtjad, mas sua rotina foi quebrada, quando foram chamados a participar de uma operação conjunta com a Kreigsmarine, qual seja, a cobertura noturna de três grandes navios - o Scharnost, o Gneisenau e o Prinz Eugene - que sairiam do porto francês de Brest, cruzariam o Canal da Mancha e chegariam até águas alemães.
 

Fotos da operação conjunta com a Kreigsmarine.
A foto de baixo mostra os Me 110 da II./NJG 1, sobrevoando o Scharhorst.

 Os 30 Me 110 do II./NJG 1 foram deslocados para aeródromos ao longo do canal, e sua missão seria a cobertura das belonaves nas primeiras e nas últimas horas de cada dia. Escoltados por sete destroiers, o trio zarpou de Bresta à meia noite do dia 11 de fevereiro, e a missão transcorreu conforme o planejado, nas barbas da RAF, que devido ao mau tempo reinante naqueles dias, não pode fazer nada para impedir a opração. O Gruppe não abateu avião algum, embora tivesse perdido uma aeronave, pilotado pelo Leutnant Birkenstock do 6. Staffel, que se acidentou em Bremen, durante a decolagem, por pane em um dos motores.

A RAF contra-ataca

No início de Março de 1942, o NJG 2 finalmente ficou completo, quando o Ergänzungsstaffel (Esquadrão de Treinamento e Recompletamento) passou a ser o Stabb do III Gruppe, e todas as tripulações agora vinham diretamente das escolas de pilotagem. Por seu lado, o novo Comandante do Comando de Bombardeiros da RAF, o Air Marshal Harris, dava novo impulso aos ataques noturnos, liberando cada aeronave a escolher sua rota de ataque, acabando com as levas tradicionais de bombardeiros, que facilitavam a defesa. Mas a linha de defesa de Kammhuber estava agora preparada, e era impossível para os bombardeiros escaparem dos caças equipados com radar, e as perdas aumentaram.
 

Me 110C de Falck, comandante do NJG 1, de junho de 1940 até junho de 1943

  

Por seu lado, os cientistas ingleses desenvolviam um sistema de radio-navegação - "Gee" - baseado em emissões terrestres que emitiam sinais em pulsos, com alcance de 600 km. Esses pulsos eram recebidos e mostrados em um tubo catódico, permitindo ao navegador determinar sua posição com uma precisão, que variava de 800 m, quando próximo ao transmissor, até 10 km, no seu limite.

Utilizando a crescente força de bombardeiros e os novos recursos, Harris começou a planejar ataques maciços, e finalmente no dia 30 de maio de 1942, lançava o primeiro ataque de mil aviões contra a Alemanha, e a cidade de Colônia foi o alvo escolhido. E valeu a pena, visto que apenas 18 bombardeiros foram abatidos pelos caças-noturnos , embora o número total de perdas tenha chegado a 41.  

Imagem noturna da cidade de Colônia, durante um ataque.

A guerra na Europa chegava a sua metade, e os dois protagonistas da guerra noturna sobre a Alemanha, a Royal Air Force e a Luftwaffe, empregavam toda sua força e experiência. Junto com as bombas, os bombardeiros da RAF lançavam panfletos aos milhares com a seguinte mensagem: "A nova forma de ofensiva da Real Força Aérea apenas começou". O ataque à Colônia foi o primeiro de muitos e o começo do fim.  

Imagem do panfleto lançado pelos bombardeiros da RAF no ataque contra Colônia. Está escrito, entre outras coisas: "Quanto mais a Luftwaffe atacar, maior será o ataque da RAF. Mais de 1000 bombardeiros foram empregados no ataque. A nova forma de ofensiva da Real Força Aérea apenas começou"