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         Luftwaffe Nachtflieger        
De Maio de 1942 até o final da guerra   
(Parte II)

 

Introdução

 

 

Embora o Comando de Bombardeio tivesse considerado o ataque a Colônia como o “começo do fim”, três anos de guerra ainda estavam por acontecer. Apenas 48 horas após o ataque a Colônia, a RAF montou outro de máximo esforço contra Essen, com quase mil aeronaves. O resultado foi desapontador, já que o alvo estava encoberto e as bombas se espalharam por uma grande área. Embora o Comando de Bombardeio perdesse 10 aeronaves a menos do que havia perdido contra Colônia, o preço pago foi muito alto para um resultado desastroso, ao mesmo tempo em que a caça noturna alemã perdeu apenas um Bf-110 do 7./NJG pilotado pelo Oberleutnant Helmut Woltersdorf.

 

 

No dia 25 de junho, o Air Chief Marshal Sir Arthur Harris, planejou um terceiro ataque de mil aviões. Mais uma vez, o Comando de Bombardeio não conseguiria sozinho dispor desse número de aeronaves, e teve que recorrer ao Comando Costeiro e ao Comando de Cooperação com o Exército, sendo que no final, 1.067 aeronaves foram engajadas na missão. O objetivo principal agora foi Bremen, e um total de 55 bombardeiros foram perdidos (16 para a caça noturna), sendo que os resultados foram satisfatórios. A Nachtflieger perdeu duas aeronaves e teve outros dois bastante danificados.

 

 

Satisfeito com os resultados alcançados e com o potencial demonstrado pelo Comando de Bombardeio, Sir Arthur Harris ordenou o retorno às operações convencionais, menos ambiciosas, utilizando cem aeronaves por ataque, três ou quatro vezes por semana, ao mesmo tempo em que aumentava sua disponibilidade de aeronaves.

 

Os problemas com o controle de solo

 

 

No outro lado do Mar do Norte, esses três históricos ataques repercutiram muito além do dano físico causado. Pela primeira vez, as tripulações dos caças noturnos demonstraram insatisfação com o controle solo, e foram além, questionando a concepção  global do sistema de defesa aérea noturno. O padrão de ataque da RAF, com os bombardeiros penetrando numa frente estreita, havia demonstrado a fragilidade da defesa aérea da Luftwaffe, pois enquanto apenas um caça era designado para atacar um bombardeio dentro da caixa (área), os demais passavam imunes.

 

 

Para cada caça noturno no ar, uma dúzia permanecia em solo, sabendo que os bombardeios ingleses estavam dirigindo-se para ao alvos, sem serem molestados. As reuniões realizadas nas unidades da caça noturna da Luftwaffe começaram a levantar opções a serem introduzidas nas operações, entre elas a de se permitir algo semelhante ao que acontecia com a caça diurna, a freie Jagd, ou caça livre, mas o Generalleuttnant Josef Kammhuber, Comandante da Caça Noturna alemã foi contra. Pouco antes do ataque a Colônia, a Natchjagdivision fora elevada ao status de Fliegerkorps, com três e mais tarde cinco divisões de caças. As poucas Staffeln disponíveis no início da guerra, empregadas parcimoniosamente como peças de xadrez, eram agora quatro Geschwader. As unidades possuíam agora, bases fixas, onde permaneceriam até quase o final de 1944.

 

 

Kammhuber não ficou preocupado com esses três seguidos ataques, pois estava convencido que a RAF não seria capaz de sustentar uma ofensiva desse nível por muito tempo. Manteve portanto seu planejamento operacional, obrigando os bombardeiros da RAF a penetrarem por corredores previamente definidos, tendo que voar através de seguidas caixas (áreas) controladas. Ao mesmo tempo, solicitava à indústria que duplicasse sua produção de radares Giant-Würzburg, desejando instalar até setembro de 1942, 600 novas estações. Desejava também ter oito Geschwader além de 150 mil homens destinados exclusivamente à Caça Noturna. Esses números eram um sonho, que nunca tornou-se realidade, mas com toda certeza, se Kammhube tivesse conseguido atingir seus objetivos, o Comando de Bombardeio teria passado por enormes dificuldades.

 

 

Mas a Defesa do Reich não fazia parte das prioridades do Alto Comando alemão, sendo que o Reichsmarschall Göring, declarou que “a lista de necessidades de  Kammhube era uma utopia”, rejeitando-a completamente, ao mesmo tempo em que o próprio Alto Comando afirmava que a Caça Noturna estava mais do adequada ao que se propunha, visto que o sucesso do Sistema de Radar Lichtenstein já começava a pagar dividendos.

 

 

Na realidade, apenas os Gruppen baseados nos Países Baixos e nas rotas principais dos bombardeiros (II./NJG 2 e os I e II / NJG 1) estavam razoavelmente equipados e preparados. Nos demais Gruppen, incluindo o     NJG 3, estacionado no noroeste da Alemanha, apenas umas poucas aeronaves, normalmente somente a do Staffelkapitäne, estava equipada com o Lichtenstein, sendo que o NJG 4, localizado no sudoeste da Alemanha, estava em situação ainda pior. O treinamento não conseguia suprir pilotos e principalmente operadores de radar treinados, sendo que era muito comum tripulantes chegarem às unidades sem a menor noção que iriam operar na caça noturna.

 

 

Sem reforços

 

 

Tendo seus pedidos de homens e material negado, Kammhuber teve que contentar-se com o que possuía. A falte de pessoal foi compensada com a entrada de voluntários vindo de outras organizações políticas e sociais, sendo que mulheres foram admitidas para atividades não-combatentes, aumentando em muito a Luftwaffenhelferinnen (Corpo Feminino da Luftwaffe).

 

 

A parte operacional também foi melhorada, sendo que o padrão do sistema estabelecido por Himmelbett, foi também modificado, e sempre que possível, duas ou três caixas (áreas) adjacentes teriam ações controladas combinadas. Cada caixa seria sobreposta às adjacentes em 25% de sua área de ação, sendo assim possível controlar três caças simultaneamente.

 

 

As tripulações dos caças-noturnos ganhavam experiência e confiança no Radar Lichtenstein, melhorando constantemente seu desempenho operacional. Mais da metade dos encontros dos caças noturnos com os bombardeiros, utilizando o radar, resultavam em uma vitória, sendo que no mês de agosto de 1942 o Hauptmann Waleter Ehl do II./NJG 1 abateu sozinho 25 bombardeiros utilizando o Lichtenstein. Neste mesmo mês a Luftwaffe introduziu o novo sistema perturbador de transmissão, denominado Heinrich, que afetava em muito o Sistema Gee de navegação utilizados pelas aeronaves do Comando de Bombardeio, que os permitia fixar posição sobre o território inimigo. Nesta mesma época, a cadeia de sistema de alarme antecipado, localizado na costa francesa, junto às estações de radar Freya, foi melhorada, com a introdução dos equipamentos de longo alcance Wassermann e Mammut, que permitiam localizar os bombardeiros ingleses quando estes estavam ainda sobre a Inglaterra.

Além dessas melhorias tecnológicas, outras ações eram tomadas, de modo a aumentar o poderio da Caça Noturna, entre elas o retorno da I./NJG 2 às suas origens, já que estivera operando no Teatro do Mediterrâneo e no Norte da África. A unidade ficaria baseada em Melsbroek, Bélgica, antes de mover-se um pouco mais para o sul no início de 1943. Setembro de 1942, foi também o mês em que uma nova Nachtjagdgeschwader foi criada exclusivamente para operar na área de Berlin. Inicialmente uma Stab e a I./NJG 5 foram ativadas, sendo que a primeira operando de Döbertiz sob o comando do Major Fritz Schaffer e a segunda operando de Stendal, sob o comando do Hauptmann Siegfried Wandam.

 

 

A milésima vitória da caça noturna

 

 

Na noite de 10 de setembro de 1942, um dos 33 bombardeiros perdidos no ataque contra Dusseldorf foi a milésima vitória da caça noturna.  O resto do ano foi despendido na melhora da Geschwader de Defesa do Reich, com a criação de quatro novos Gruppen. O primeiro desses Gruppne iria reforçar a NJG 1. Em outubro foi ativado o I./NJG 4 com dois Gruppen e em Janeiro de 1943 o IV./NJG 4 seria criado. Ao final, as forças sob comando de Kammhuber para Defesa do Reich, eram compostas de 15 Nachtjaggruppen: três Geschwader (NJG 1, 3 e 4) com quatro Gruppen cada uma; o NJG 5 com três Gruppen. O III./NJG5 só foi ativado em Abril de 1943.

 

 

Entre as tripulações desses Gruppen, novos nomes e personalidades começavam a aparecer. Além dos já conhecidos Falck, Streib e Lent, outros nomes iam tornando-se familiares entre o público alemão, ao mesmo tempo que suas vitórias crescentes e condecorações eram anunciadas. Dos dez ganhadores de Cruzes de Cavaleiros da Caça Noturna do ano de 1942, dois eram príncipes estrangeiros.

 

 

O Kommandeur do I./NJG 3, o Hauptmann Egmont Prinz zur Lippe-Weissenfeld , começou sua carreira militar como piloto da Austrian Lufstreitkräfte. Recebeu sua Cruz de Cavaleiro no dia 16 de abril de 1942 por suas 21 vitórias, que seriam adicionadas a outras 30, quando então receberia as Folhas de Carvalho. Tornou-se Kommodore da NJG em 5 de fevereiro de 1944, sendo este seu último comando, antes de perder a vida num vôo não operacional diurno, com seu Bf 110G-4, no dia 12 de março de 1944 em St. Hubber, nas Ardenas (Bélgica).

 

 

Nascido na Dinamarca e criado da Suíça, o Hauptmann Heirich Priz zu Sayn-Wittgenstein, descendente de um famoso marechal russo das guerras napoleônicas, foi condecorado com sua Cruz de Cavaleiro no dia 2 de outubro de 1942, quando seu score alcançou 22 vitórias. Designado Kommandeur da nova unidade IV./NJG 5, seria ainda mais bem sucedido que Lippe-Weissenfeld. Recebeu suas Folhas de Carvalho no dia 31 de agosto de 1943, ao alcançar 47 vitórias. Foi depois designado comandante da NJG 2 em 1 de janeiro de 1944. Mas o seu destino fatal também estava traçado. Três semanas depois, mais precisamente no dia 21 de janeiro de 1944, perdeu a vida numa missão noturna. Abateu, no total, 83 aeronaves, tornando-se o terceiro caçador noturno, atrás apenas de Schnaufer e Lent. Recebeu postumamente a Cruz de Cavaleiro com Espadas e Folhas de Carvalho.

 

 

O ano de 1942 foi de consolidação em vez de introdução de inovações, em ambos os lados do Mar do Norte, mas nesses últimos doze meses a semente da derrota da caça noturna alemã fora plantada. A RAF introduziu em serviço duas novas aeronaves: o bombardeio Lancaster e o versátil Mosquito, que provariam ser vencedores sobre os céus germânicos nos anos seguintes.

 

 

O dia 23 de janeiro de 1943 foi o marco inicial do bombardeio contínuo, dia e noite, contra o Reich, quando pela primeira vez aeronaves B-17 Fortalezas Voadoras, da 8ª Força Aérea dos Estados Unidos, atacaram alvos próximos a fronteira germânica. Acreditando que os Bf 110 poderiam atacar as pouco escoltadas B-17, o Alto Comando da Luftwaffe ordenou que aeronaves como essas, de unidades da caça noturna, interceptassem os americanos, mas o resultado foi nenhum.

 

 

No dia 4 de fevereiro, quando cerca de 60 B-17 atacaram Emden, no norte da Alemanha, o Hauptmann Hans-Joachin Jabs liderou uma esquadrilha de oito Bf 110 da IV./ NJG 1, decolando de Leeuwarden para interceptá-los. Embora os caças noturnos tenha abatido três dos cinco bombardeiros perdidos na operação, perderam dois Bf 110 e tiveram os restantes bastante danificados. Apesar dessas perdas, e de outras ainda maiores e ações subseqüentes de mesma natureza, o Alto Comando da Luftwaffe continuou a insistir na utilização dos caças noturnos na interceptação dos bombardeiros americanos em operações diurnas. A única coisa que os Kammhuber conseguiram obter d seus superiores foi a promessa de não serem utilizados, nesse tipo de missão, os pilotos mais experientes, deixando-os para as operações noturnas. Essas missões continuaram a ser realizadas, com enormes perdas, até o início de 1944, quando o aumento da escolta de caças americanos, impediu a ação dos antigos Bf 110.

 

 

Fevereiro de 1943 foi um péssimo mês para a caça noturna alemã, com três detentores da Cruz de Cavaleiro perdendo suas vidas. Na noite de um raid contra Emden, o Hauptmann Reinhold Knacke, Staffekapitän da 3./NJG 1, foi abatido sobre a Holanda. Era um líder da caça noturna desde seu início, tendo abatido um total de 44 aeronaves, incluindo cinco em uma única missão. No dia 24 de fevereiro, após duas tentativas inúteis de perseguir invasores do setor Hamster, o Oberleutnant Paul Gilder do NJG 1 recebeu ordens de retornar a sua base, tendo em vista o mau tempo. Em seu vôo de volta, um dos motores explodiu, destruindo as antenas de seu Radar Lichtenstein. Apesar disto, conseguiu retornar até Gilze-Rijen, quando ordenou que seu operador de radar saltasse. A aeronave estava muito baixa e Gilder tentou um pouso de barriga, mas a aeronave despencou dos céus quando estava a cerca de 200 metros de altura. Tinha abatido também 44 bombardeiros.

 

 

O terceiro experte perdido em fevereiro foi o Hauptmann Ludwig Becker, abatido durante operação diurna, quando atacava bombardeiros americanos sobre Wilhelmshaven no dia 26. Becker havia recebido sua Cruz de Cavaleiro no dia 1 de julho de 1942, e receberia suas Folhas de Carvalho no dia seguinte à sua morte, por suas 46 vitórias noturnas. Knacke e Gilder receberam postumamente as Folhas de Carvalho.

 

 

 

 

O Comando de Bombardeio introduz o H2S

 

 

No início de 1943, a primeira linha de bombardeiros do Air Marshall Harris era composta de aproximadamente 900 aeronaves, dos quais 2/3 eram quadrimotores, além de 30 Mosquitos. Mas o mais importante eram os novos equipamentos que iriam substituir o tão conhecido Gee, que permitiam a localização do alvo e o bombardeio do mesmo, sob condições meteorológicas adversas. O Oboe e o H2S eram avanços tecnológicos significantes na guerra aérea noturna inglesa contra a Alemanha.

 Infelizmente, para os ingleses, o segundo equipamento logo foi comprometido, quando um bombardeio Starling “Pathfinder” (aeronave que identificava o alvo, iluminando-o com bombas coloridas) equipado cm o H2S foi abatido durante um ataque contra Colônia, na noite de 2 de fevereiro, na segunda oportunidade que o equipamento estava sendo utilizado operacionalmente. Embora danificado, o equipamento foi remontado pela Telefunken, que desenvolveu em seguida um outro de contra-medida, o Naxos, que permitia que os caças noturno localizassem os bombardeios que estivessem utilizando o H2S. Além do Oboe e do H2S, os bombardeiros ingleses estavam equipados com outros equipamentos: o Boozer e a Monica, que alertavam da presença de aeronaves inimigas no ar e da atividade de radar no solo; o Mandrel e o Tinsel que atrapalhavam os transmissores.

 

 

Harris utilizou suas armas eletrônicas para lançar a Batalha do Ruhr, período de cinco meses em que os bombardeiros ingleses atacaram a indústria alemã, e que começou no dia 5 de março, com um pesado ataque contra Essen. A caça alemã estava, nesta época, sendo prejudicada por todos os lados: em terra o sistema de alarme costeiro Würzburg acusava interferência eletrônica, bem como os centros de controle; no ar os bombardeiros ingleses possuíam vantagem tecnológica. E mais, os versáteis Mosquitos, atacavam as bases dos caças noturnos.

 

 

Mais uma vez, a NJG 1, unidade encarregada de defender os céus germânicos dos bombardeiros ingleses, era a mais afetada, tanto por operar na principal zona de penetração dos bombardeiros como também por sofrer ataques dos Mosquitos. Na noite de 12 de março, por exemplo, a base da II./NJG 1 em St. Trond, foi atacada  por uma dúzia de Mosquitos. Os caças decolaram na tentativa de interceptar os atacantes, nas o resultado foi um grande fiasco. Nas noites seguintes, os ataques voltaram a acontecer, mas apenas duas aeronaves britânicas foram abatidas.

 

 

As demandas ambiciosas de Kammhuber

 

 

Perante os resultados obtidos, o Geberalleutnant Kammhuber não tinha respostas a dar mas apenas reiterar suas antigas necessidades de aumentar o poderio da caça noturna. Desta vez, seus pedidos eram muito mais ambiciosos. Ele propunha a criação de uma Jagdflotte, organizada nos mesmos moldes do Comando de Caças da RAF, composta de não menos, 18 Jagdgeschwader, ou cerca de duas mil aeronaves, quatro vezes a lotação existente.

 

 

A ofensiva do Comando de Bombardeio contra o Reich, estava obviamente começando a ter seu impacto, e Kammhuber recebeu apoio imediato e total de Göring, sendo que no dia 25 de maio de 1943, foram recebidos por Hitler. A exposição e os planos de Kammhuber foram interrompidos pelo Füher, dizendo que os números apresentados estavam completamente errados, que a produção aeronáutica aliada era uma farsa e que as defesas germânicas eram excelentes e adequadas para combater os agressores. A proposta foi sumariamente rejeitada.

 

 

Em vez de defender as idéias de seu subordinado, Göring permaneceu calado o tempo todo. Após o término da reunião, o Reichmarschall de modo bastante agressivo dirigiu-se a Kammhuber, acusando-o de tê-lo colocado em posição delicada perante o Füher. Chamou Kammhuber de maluco, de querer para si toda a Luftwaffe. Ao mesmo tempo ordenava que ele voltasse imediatamente para seu Quartel General, para trabalhar apenas com aquilo que possuía. Este foi o princípio da queda de Kammhuber. O Alto Comando da Luftwaffe sabia que os resultados obtidos por Kammhuber não eram satisfatórios, e que não tinham a menor condição de atender as suas solicitações. A opção de introduzir caças monoplaces nas operações noturnas, passou a ser considerada.

 

 

Ao mesmo tempo, o Comando de Bombardeio estava empregando a fundo, todos os seus recursos na Batalha do Ruhr. O mais devastador ataque realizado nesta campanha foi o contra Wuppertal, na noite de 29 de maio de 1943, quando cerca de 700 bombardeios realizaram a missão. Treze Bf 110 do II./NJG 1, comandados pelo Major Walter Ehle interceptaram os bombardeiros, derrubando 11 dos 33 perdidos naquela noite, sendo que três para um só piloto, o Leutnant Heinz-Wolfgan Schnaufer, de apenas 21 anos de idade.

 

 

Além dos treze Bf 110, um trio de Do 217 J-1 decolou para a interceptação, dos quais dois foram perdidos. O Do 217 era a aeronave substituta dos Bf 110 e dos Ju 88, sendo uma versão adaptada do antigo Do 17, que também equipava a caça noturna. O Do 217, era um Do 17 com um novo nariz, um tanque de combustível adaptado no compartimento de bombas, além de manter todos os equipamentos padrão da versão de bombardeio do Do 17 E-2, inclusive freio de mergulho, posições de metralhadora, sistema de lançamento de bombas e pasme, um  bote salva-vida !!!. O peso de todo esse equipamento desnecessário, juntamente com o armamento adicional, necessário, colocado no nariz da aeronave, fazia com que a versão de caça noturna tivesse cerca de mil quilos a mais do que a versão bombardeio. Logo a Luftwaffe percebeu o erro do fabricante da aeronave e a adaptou à nova missão, ao mesmo tempo que informava a Dornier para retirar todo esse equipamento desnecessário das futuras aeronaves. Mas a guerra estava tão confusa para os alemães, que com tudo isso, os Do 217 que foram recebidos mais tarde, continuaram a ser entregues com todo o equipamento desnecessário.

 

 

O Do 217 N-1 na versão de caça noturno, era uma aeronave convertida a partir de uma versão de bombardeio, diferenciando-se da versão E-2 apenas pelo motor (DB 603A  no lugar do BMW 801). O refinamento aerodinâmico do Do 217 N-2 poderia ter tornado a aeronave bastante útil à caça noturna, se não fosse os erros cometidos nos primeiros modelos.

 

 

Embora distribuído por várias unidades (ele foi utilizado por 12 Gruppen, principalmente pelas tripulações menos experientes), era uma “ave rara”, e por isso foi muitas vezes abatido por aeronaves amigas sobre os céus germânicos. Como a maioria das aeronaves alemães desenvolvidas ao longo da guerra, sofria de falta de peças de reposição e de motores reservas. O canibalismo, embora muito utilizado, não conseguia fazer com que houvessem mais aeronaves indisponíveis do que operacionais. Numa determinada época, em Julho de 1943, todas as 14 aeronaves Do 217 N do II. / NJG 3 encontravam-se indisponíveis, por falta de motores e o Gruppe só conseguia operar os sete Bf 110 restantes.

 

 

Schönert, o campeão do Do 217

 

 

O Do 217, apesar de tudo, teve o seu campeão. Durante o ano de 1941, Rudolf Schönert, piloto do NJG 1 propôs a instalação de uma metralhadora atirando verticalmente para cima, de modo que o piloto mediano tivesse maior oportunidade de atingir um bombardeio, desde que apenas conseguisse voar nivelado e abaixo do mesmo, sem ter que engajar um combate convencional por trás.  O Kammhuber, à princípio, rejeitou a idéia, mas Schönert insistiu na mesma no ano seguinte. Desta vez, com 21 vitórias e uma Cruz de Cavaleiro, Schönert foi ouvido.

 

 

Três Do 217 foram equipados com um canhão MG 151, atirando obliquamente para cima, e enviados para a Staffel de Schönert, no início de 1943, para testes operacionais. Os testes iniciais determinaram que o armamento seria mais eficiente se estivesse posicionado num ângulo entre 65° e 70°, em vez de totalmente vertical, visto que do primeiro modo, não havia necessidade de um posicionamento tão preciso. Nesta época, Schönert fora promovido a comandante do II. / NJG 5. operando em Parchim, e tomou para si um dos     Do 217 equipados com seu invento. Embora Schönert diga que ele foi o inventor do sistema, existe uma discussão de que tal equipamento já fora utilizado na 1ª Guerra Mundial.

Em Parchim, um dos armeiros do II. / NJG 5, o Oberfeldwebel Mahle, observando o sistema instalado no Do 217 de Schönert, e sabendo que os       Bf 110 estavam tendo seus canhões MG FF substituídos pelos MG 151, resolveu também adaptar o sistema nos Bf 110. E foi num desses caças, em maio de 1943 nos céus de Berlim, que o Hauptmann Schönert abateu o primeiro bombardeiro inglês utilizando o sistema que inventara. Outras vitórias ocorreram em seguida, sendo que várias pelos Do 217 em teste na antiga Staffel de Schönert. Rapidamente o sistema foi aceito pelas unidades, sendo que em menos de um mês um kit já estava disponível para ser instalado nos Do 217 e nos Ju 88. É de se estranhar que inicialmente não se produziu também, um kit para os Bf 110.

 

 

Como dito anteriormente, o sistema de metralhadoras atirando para cima tornou-se a coqueluche entre as tripulações da caça noturna, independente de qual aeronave fosse operada. A Luftwaffe denominava a instalação de  schräge Musik (lireralmente “música oblíqua” , isto é, jazz). No início o schräge Musik não atirava balas traçantes, de modo a não denunciar o sistema às tripulações da RAF e tal segredo permaneceu assim por seis meses, sendo que as tripulações abatidas não tinha a menor idéia do que tinha feito sua aeronave ser derrubada.

 

 

Avisado de que de um modo geral, as tripulações não gostavam do Do 217, Kammhuber colocou sua esperança numa nova aeronave. O Heinkel He 219, não era um bombardeio convertido em caça, mas havia sido projetado desde o início para a missão. Kammhuber presionava muito o desenvolvimento da aeronave e finalmente conseguiu ter um modelo disponível para teste na I. / NJG 1 em Venlo.

 

 

Na noite de 11 de junho de 1943, o Gruppenkommandeur Major Werner Streib, que já estava familiarizado com a aeronave, por ter participado dos testes realizados no fabricante, decolou com um He 219 para sua primeira missão operacional. Ao término da mesma, relatou que havia abatido cinco bombardeiros da RAF, embora tenha perdido a aeronave durante o pouso, pois perdeu controle dos flaps. Embora Streib tenha atravessado a pista, pois estava com muita velocidade, o desenvolvimento do He 219 foi em frente, ainda mais que nas demais missões operacionais, a aeronave abateu outros 20 aviões, seis deles Mosquitos, tipo até então considerado invulnerável à interceptação noturna.

 

Além dos usuais problemas de produção e de motores, que sempre aconteciam com os novos projetos alemães, o He 219 teve que se deparar também com outros fatos comuns na hierarquia da Luftwaffe: as brigas pessoais e as vaidades profissionais. A versão oficial para a má vontade do Generalluftzeugmeister Erhard Milch com o He 219 era que a aeronave era muito especialista, incapaz de realizar outro tipo de missão. Além disso a antipatia de Milch com Heinkel e Kammhuber era de conhecimento público. Não podemos esquecer também, o papel de outros fabricantes, como a Junkers, que não media esforços para denegrir a imagem da aeronave, sempre tentando obter alguma vantagem para seus próprios projetos de caças noturnos.

 

Os He 219 são produzidos

 

No dia 1 de julho de 1943, Werner Streib assumia o comando do NJG 1, no lugar de Wolfgang Falck, mas levou-se ainda seis meses antes que os primeiros He 219 fossem entregues à unidade. Esses atrasos e dificuldades, fizeram com que esse fantástico caça noturno praticamente só fosse operado, em número razoável, pela I./NJG 1. Diversos pilotos da NJG 1 obtiveram múltiplas vitórias numa mesma missão, pilotando o He 219, sendo que o Staffel Oberfeldwebel Wilhelm Morlock alcançou seis vitórias e uma provável, numa única missão, num intervalo de apenas 12 minutos. Por outro lado, três dos quatro Gruppenkommandeure perderam a vida enquanto realizavam missões no He 219 (dois em colisão aérea e um durante o pouso).

 

Apesar, ou por causa desses incidentes, o posto de campeão do He 219 continuava vago. No dia 27 de junho de 1943, o Major Hajo Hermann, um experiente piloto de bombardeio Ju 88, então servindo no Estado Maior de Operações da Luftwaffe, mais uma vez expôs a Göering seus planos de utilização de aeronaves monomotores como caças noturnos, mas operando independentemente do Sistema Himmelbett e de qualquer Controle Solo. As aeronaves patrulhariam livremente os alvos, e utilizariam apenas o contato visual para atacar os bombardeiros detectados pelos holofotes ou cujas silhuetas fossem observadas pr causa dos incêndios em terra. Hermann já havia apresentado este plano na primavera, mas o mesmo fora rejeitado. Desta vez ele foi mais persuasivo. Não havia a necessidade de aeronaves adicionais, ele argumentava. Um mesmo Gruppe podia utilizar as aeronaves de dia e de noite. Havia também, disponibilidade de instrutores de vôo noturno, junto com ex-pilotos de bombardeio e de transporte, qualificados para vôo por instrumento, que estavam em atividades burocráticas, e viriam correndo para as unidades operacionais, com a oportunidade de retornarem à ação.

 

Entusiasmado pela economicidade do projeto e pela visão das dezenas de bombardeiros ingleses abatidos, que caíam em chamas ao redor das cidades alemãs, Göering deu apoio ao projeto. Ele ordenou que a pequena unidade experimental de Hermann em Bonn-Hangelar, fosse utilizada como núcleo da nova Geschwader JG 300, distribuída por três aeródromos (Stab e I. Gruppe em Bonn, II. Gruppe em Rheine e III. Grupe em Oldenburg)

 

O Wilde Sau é testado

 

Em uma semana, a teoria de Hermann foi posta em ação. Na noite de 3 de julho, em sua primeira missão com número elevado de aeronaves, o Kommando de Bonn, com caças monoplaces, decolou para interceptar um ataque de 650 bombardeiros ingleses sobre Colônia. Dezessete contatos foram obtidos, com 12 bombardeiros abatidos.

 

Hermann havia passado por cima de Kammhuber, quando apresentou pela primeira vez suas idéias a Göering. Agora ele organizava sua Geschwader e aperfeiçoava a nova técnica da caça noturna, que foi logo oficialmente chamada de Wilde Sau (Javali Selvagem). Se por uma lado, os pedidos de Kammhuber eram atendidos, com o aumento da caça noturna, por outro ele considerava a unidade de Hermann uma solução temporário a ser utilizada em casos de emergência, ao mesmo tempo em que tentava expandir seu Himmelbett, para cobrir as rotas mais importantes de acesso aos alvos. O que Kammhuber não sabia é que o Sistema Himmelbett, a base do Sistema de Defesa Aérea do Reich, estava prestes a ter seu fim decretado.

 

Na noite de 24 de julho de 1943, testemunhou-se o primeiro dos quatro grandes ataques do Comando de Bombardeio contra a cidade portuária de Hamburgo, sendo que o segundo, realizado apenas 72 horas após o primeiro, resultou na mais horrenda e terrível tempestade de fogo e causando milhares de mortos entre a população civil.

 

Mas os estragos também aconteceram na Nachtjagwaffe, que foi incapaz de defender os céus germânicos. Nessas operações a RAF utilizou pela primeira vez sua nova arma secreta, na guerra eletrônica: o lançamento de tiras de alumínio, de modo a interferir nos radares alemães. Essa técnica, já estava sendo pesquisada por cientistas de ambos os lados, e eles já haviam chegado a conclusão que o lançamento de uma quantidade correta no local correto, poderia neutralizar a ação do radar.

 

Cada lado manteve sua descoberta em segredo. Do lado alemão, eles estavam muito preocupados, visto que seu completo sistema de defesa aéreo poderia se tornar inútil. Por seu turno, os ingleses não queriam revelar a existência das tiras de alumínio prematuramente, mas utiliza-la apenas na hora adequada. Para os alemães essas tiras eram denominadas Düppel e para os ingleses Window.

 

Mas o dia de utilização do Window chegou, na noite de 24 de julho, quando entre os 700 bombardeiros atacantes, alguns em vez de lançarem bombas, lançaram cerca de 46 mil fardos com tiras de alumínio, quando se aproximavam de Hamburgo. Cada fardo continha cerca de duas mil tiras, ou seja, um total de aproximadamente 96 milhões de tiras foram lançadas. O resultado foi o caos na defesa alemã. Os radares terrestres e aéreos alemães, que trabalhavam na mesma freqüência, foram alagados com os sinais refletidos pelas tiras de alumínio, ou seja, as baterias anti-aéreas e os caças ficaram completamente cegos. Apenas 12 bombardeiros foram abatidos, dos quais 9 pelos caças. Estima-se que a antiaérea gastou cerca de 50 mil tiros para abater os outros três aviões !!! Se Colônia foi o ponto de mudança, Hamburgo foi o início do fim.

 

Enquanto Kammhuber comandava e planejava a defesa aérea noturna dos céus da pátria, uma diferente guerra aérea noturna acontecia no front soviético. A atividade da caça noturna no front leste não era parte integrada da Defesa do Reich, exceto quando uma pequena presença de aeronaves Bf 110 foi colocada no norte da Itália.

 

A grande diferença entre a estratégia britânica e russa, é que enquanto a primeira utilizava levas maciças de bombardeios para atingir a indústria, os russos eram mais táticos, realizando ataques com bombardeiros médios ao longo da linha de frente. Os russos realizavam, por sua vez, pequenas operações noturna para suprir guerrilheiros e partisans,  bem como ataques coma aeronaves leves e em número pequeno, contra as trincheiras germânicas. Essas táticas aconteceram desde o início da invasão à Rússia, na Operação Barbarosa, e a Luftwaffe reagiu utilizando caças diurnos em operações noturnas, em ações bem limitadas e pessoais.

 

Sucesso contra os soviéticos

 

Com o passar do tempo, os pilotos da Luftwaffe alcançaram resultado satisfatório contra os soviéticos à noite. No verão de 1942, os Bf 109 do JG 54, os famosos Corações Verdes, obtiveram 56 vitórias noturnas na área de Volkhov, sendo que o Leutnant Erwin Leykauf, na noite de 23 de junho, obteve seis vitórias. O líder em vitórias no front leste foi o Oberfeldwebel Josef Kociok, piloto de um Zerstöter do ZG 1:21 com 33 aeronaves derrubadas.

 

Com o aumento das operações noturnas pelos soviéticos, todos os comandantes de unidades do front leste receberam ordens de separar uma Schwärme (esquadrilha de quatro aeronaves), para dedicação exclusiva na caça noturna. Mas não era nado coordenado nem planejado, com as unidades espalhadas por uma frente de mais de dois mil quilômetros.

 

Somente quando unidade específica de caça noturna foi enviada para o front leste é que as coisas foram colocadas em seu devido lugar. A unidade escolhida foi a IV. / NJG 5, cujo comandante era o Hauptmann Heinrich Prinz zu Sayn-Wittgenstein, que já operara na costa do Mar Báltico, tendo chegado ao front no final de junho de 1943, passando a operar do setor central. O Gruppe foi logo dividido em três Staffen, cada um sub-dividido em três Schwärme, passando a operar de diferentes aeródromos. Cada um desses pequenos Kommandos possuía um trem completo, com alojamentos, oficinas, depósitos e tudo mais necessário para operar de forma independente, sendo que cinco deles possuíam inclusive uma estação de radar Würzburg, para controle térreo local.

 

Os resultados logo apareceram. No primeiro mês de operações, apoiando a ofensiva em Kursk, o Gruppe obteve 49 vitórias, sendo que sete destas foram obtidas pelo Kommandeur, durante 24 horas de operação. No dia 1 de agosto de 1943, o IV./NJG 5 passou a ser denominado I./NJG 100. Quatro dias depois, Wittgenstein retornava para a Alemanha, como comandante do II./NJG 3, ficando em seu lugar o Hauptmann Rudolf Schönert, o idealizador do schärge Musik. A derrota alemã em Kursk, foi o início da retirada em direção ao oeste, que só terminou com a entrada dos russos em Berlin. Mesmo assim a I./NJG 100 continuou operando nos três meses seguintes, utilizando a ferrovia como apoio, ao longo dos setores central e sul do front russo.

 

Durante este período, o sucesso da caça noturna começou a cair. Embora alguns pilotos continuassem a adicionar vitórias a seus currículos (o grande ás da caça noturna, no front leste, foi o Oberleutnant Gustav Francis, com 56 vitórias), a grande maioria dos pilotos encontrava condições muito desfavoráveis. O controle radar em solo, seja ele fixo ou móvel, não proporcionava vantagem alguma, diferentemente do que acontecia no oeste, visto que os russos empregavam pequenos biplanos voando muito baixo, que não eram fáceis de serem detectados. As aeronaves do Gruppe, Ju 88 e Bf 110, eram muito mais velozes do que as aeronaves russas, dificultando a operação noturna, sendo que era muito comum os pilotos alemães combaterem com flaps e trem de pouso abaixados, de modo a não ultrapassarem as aeronaves russas.

 

Num esforço para poderem combater os russos em termos iguais, outros tipos de aeronaves foram testadas. O Ju 87 Stuka foi uma delas, sendo que inclusive pretendeu-se instalar o sistema schärge Musik, mas aparentemente nunca o foi. Outra aeronave testada foi o bimotor Fw 189, na qual foi instalado um radar e o sistema schärge Musik com relativo sucesso. Entretanto, nos interrogatórios de pós-guerra diversos pilotos fizeram a seguinte declaração: Tornamos a mais veloz aeronave de reconhecimento da Luftwaffe,  no mais lento dos caças noturnos.

 

Indubitavelmente a mais bem sucedida adaptação de aeronaves para a caça noturna foi o bimotor Fw 58 Weihe, que era na realidade uma aeronave de transporte leve, mas ele tinha um senão: sua silhueta era muito parecida com o famoso transporte Douglas C-47 / Li-2, utilizado em grande número pelos soviéticos, e por isso foi confundido e abatido muitas vezes por aeronaves amigas. Quando equipado com radar e com o schärge Musik, provou ser uma opção efetiva e econômica para as ações noturnas do front russo, sendo utilizado pelo I./NJG 100 até o fim da guerra. Nos últimos dias do conflito, quando o então comandante da unidade, o Hauptmann August Fischer, pousou com seu Weihe camuflado de branco, num aeródromo auxiliar, repleto de mulheres do corpo feminino, uma das jovens fez o seguinte comentário jocoso: Senhor, por acaso esta aeronave é uma das armas secretsa que o Füher vem nos prometendo ?

 

As operações nômades do I./NJG 100, utilizando ferrovias, terminaram na primavera de 1944, quando os vagões repletos de homens das Schwärne retornaram para a Flugmeldedienst (Serviço de Movimentação de Pessoal da Luftwaffe), a qual pertenciam. Apesar da ativação do II. Gruppe em julho de 1944, o sucesso da caça noturna no front leste era pequeno e escasso. Numa visita ao Gruppen, naquele verão, o Obersleutnant Werner Streib, agora como Inspekteur der Nachtjäger declarou: O que vou fazer com vocês ? Acho que seus caças noturnos seriam mais úteis aqui no front leste, se pudessem cavar trincheiras.

 

A NJG 100 se rende

 

Ignorando os comentários de seus superiores, os pilotos da unidade continuaram a fazer o melhor que podiam, ao mesmo tempo em que eram empurrados lentamente para trás até chegarem às fronteiras do Reich. No final da guerra os remanescentes do I./NJG 100 se renderam às tropas britânicas no norte da Alemanha, enquanto que os do II./NJG 100, espalhados pela Tchecoslováquia e Áustria, foram capturados pelos russos e americanos.

 

Uma outra de caça noturno que operou exclusivamente no front leste foi a NJG 200. Não era na realidade uma Geschwader, pois possuía apenas três Staffeln distintas, oriundas de um Schwärme auxiliar criado durante o inverno de 1942/43. A primeira unidade a ser ativada, a 1./NJG 200, cuja lotação raramente excedeu a três Bf 110, operava na região central do front. As 4. e 5./NJG 200, operavam juntas outras doze aeronaves, entre Ju 88 e Bf 110, e eram subordinadas operacionalmente a Luftflote 4 no sul do front russo.

 

A grande diferença entre as duas unidades era o modo de operação de cada uma delas. Enquanto que a NJG 100 realizava suas operações utilizando o controle solo de radar, a NJG 200 as realizava puramente por contato visual, a denominada helle Natchjagd, e mesmo assim as 4. e 5. Staffeln obtiveram relativo sucesso sobre a Criméia e Mar Negro. No inverno de 1943 / 44 tentou-se estabelecer três novas Staffeln na NJG 200, mas a idéia foi logo abandonada, e seus elementos tornaram-se a II. / NJG 100.

 

 

Enquanto isso, no Reich, o Generalleutnant Kammhuber e quase toda a Nachtjagwaffe tentavam se recuperar do choque causado pelas 40 toneladas de tiras de alumínio, lançadas pelo Comando de Bombardeio durante o ataque contra Hamburgo, na noite de 24 de julho de 1943. Uma pesquisa  incessante foi realizada na tentativa de se encontrar um antídodo ao Window, que havia efetivamente cegado completamente o Sistema Himmelbett.

 

Ajuda imediata se fazia necessária. A solução de Hajo Hermann, que era, à princípio um complemento ao Sistema Himmelbett, passou a ser a resposta. A caça noturna visual, na forma da JG 300, seria a melhor e a única solução disponível, para combater a RAF durante a noite.

 

A posição de Kammhuber, ficou ainda mais abalada, quando o veterano piloto de bombardeio, Oberst Viktor von Lossberg, antigo Gruppenjommandeur do III./KG 26, unidade pathfinder, sugeriu que as aeronaves bi-motores dos Nachtjaggruppen também poderiam ser utilizadas numa forma modificada de Wilde Sau.

 

Os planos de von Lossberg para os caças, que operariam pelo Sistema Himmelbett, era que os mesmos deveriam ser direcionados para onde houvesse maior concentração de sinais, o que provavelmente indicaria a direção das levas de bombardeiros, caças esses direcionados pelo Sistema Y. Uma vez que chegassem na área indicada, eles ficariam livres para uma busca visual dos atacantes. Ignorando a profecia do caos, prevista por Kammhuber, o procedimento foi imediatamente aceito pelo Alto Comando da Luftwaffe e passou a ser denominado Zahme Sau (Javali Domesticado).

 

Para auxiliar os caças monoplaces a se localizarem por sobre a Alemanha  às escuras, bem como para auxiliar também os caças bimotores, acostumados a operar com auxílio do controle solo e conseguirem permanecer dentro de suas áreas previamente definidas, um sistema de auxílio visual foi desenvolvido. Linhas de holofotes foram posicionadas entre os aeródromos próximos às cidades mais importantes.  Feixes de ondas de radar emitidas do solo, seriam auxiliadas por três ou mais holofotes, cujos feixes de luz se encontrariam numa altura pré-definida. Cada cidade importante teria uma identificação luminosa particular e única, além da antiaérea lançar sinais luminosos em cores e combinações pré-definidas.

 

Embora não atingindo o nível anteriormente já alcançado, a caça-noturna de monoplaces aos poucos aumentava seu desempenho. Das 250 vitórias obtidas pela Nachtjagwaffe, 202 o foram pelas operações Wilde ou Zahme Sau, enquanto que as aeronaves que operaram pelo Sistema Himmelbert obtiveram apenas 48 vitórias.

 

Tudo ia bem, desde que o inimigo atacasse numa leva única e compacta. Mas quando o Comando de Bombardeio começou a montar operações divisionárias, utilizando pequenas formações de Mosquitos, os controladores de terra da Luftwaffe começaram a se descontrolar. Uma dessas primeiras operações, ocorreu na noite de 17 de agosto de 1943, quando o controle solo alemão foi “convencido” que o alvo seria Berlim, e o mesmo direcionou a maioria dos caças noturnos para aquela cidade. A antiaérea alemã, ao escutar o ruído dos motores de seus próprios caças, também acreditou que tratava-se de um ataque inglês, abriu fogo, aumentando ainda mais a confusão. O alvo real naquela noite seria o Centro de Teste de Foguetes de Peenemünde, localizado a cerca de 150 km ao norte da capital alemã, onde eram realizados os testes com os famosos foguetes V-2.

 

Seis noites mais tarde, quando o verdadeiro alvo era Berlim, a Nachtjagwaffe operou de modo bastante eficiente, infligindo ao Comando de Bombardeio sua maior perda até então, numa única noite. Elementos de seis Geschwader interceptaram a leva de bombardeiros bem antes deles alcançarem o alvo, derrubando 30 quadrimotores em poucos minutos. No total, a RAF perdeu 56 aeronaves, sendo que o Oberleutnant Friedrich-Karl Muller da Stab da JG 300, abateu três bombardeiros.

 

Durante todo esse período, Kammhuber não desistia de tentar reforçar sua força de caças, sendo que no verão de 1943, seu poderio realmente aumentou de maneira significativa. No final de julho, dois Gruppen da NJG 2 retornaram do Teatro de Operações Mediterrâneo e logo em seguida foi criado o III Gruppen. Em agosto, o NJG 5 restabeleceu seu efetivo operacional, com o IV Gruppe criado em lugar do IV./NJG 5 que fora transferido para o front russo. Também em agosto, uma nova Geschwader foi criada, a NJG 6.

 

Problemas com os radares

 

A situação dos radares alemães não era tão saudável assim, nesta época. As tentativas de se melhorar um sistema anti-interferência ao Window não estavam tendo resultados esperados. O Lichtenstein SN-2, que era apenas parcialmente afetado pelo Window, não estava disponível em quantidade suficiente. Numa tentativa desesperada de resolver o problema da interferência, foi cogitada a reutilização do Spanner, equipamento que operava à base do infra-vermelho, e que foi utilizado nos primeiros dias da guerra. Finalmente chegou-se a conclusão que o Sistema Himmelbert não poderia ser mais utilizado e teria que ser abandonado.

 

Kammhuber não sobreviveria muito no comando da caça-noturna, e no dia 15 de setembro de 1943 foi substituído pelo Generalmajor Josef Schmid, indo comandar a Luftflote 5 na Escandinávia.

 

A Nachtjagwaffe recebida por Schmid estava num estado deplorável. As perdas haviam aumentado em muito e não mostravam sinal de declínio, sendo que a JG 300 estava particularmente muito mal. A dupla utilização das aeronaves (de dia e de noite), levavam a uma taxa de atrito muito elevado das aeronaves, principalmente as aeronaves que combatiam à noite e danificadas acabavam sofrendo acidente no pouso. E mais, o elevado consumo das missões noturnas, fazia muitas vezes que as aeronaves tivessem que pousar em aeródromos distantes de suas bases de origem, prejudicando logicamente as operações diurnas do dia seguinte.

 

Sem outra alternativa, Göering autorizou no dia 26 de setembro a ativação de duas novas unidades de caça noturna monoplaces, as JG 301 e 302. Mas ele foi muito claro, quando determinou que essas duas novas unidades ficariam subordinadas ao General der Jagdflieger e não ao General der Nachtjagd, no qual havia perdido totalmente a confiança.

 

Nesse ponto da guerra, os Nachtjagdgruppen receberam certa dose de esperança com a introdução de dois novos equipamentos passivos, o Flensburg e o Naxos. O primeiro conseguia captar as emissões provenientes da cauda dos bombardeiros ingleses (Sistema Monica) a uma distância de até 200 m, facilitando o encaudamento pelo caça. O segundo, mais importante, conseguia captar um bombardeiro pathfinder utilizando o H2S a uma distância de 50 km. Mesmo com esses equipamentos, a Luftwaffe não conseguiu evitar dois grandes ataques realizados no início do mês de outubro: o primeiro contra Kassel na noite do dia 3 e o segundo, cinco noites mais tarde, contra Bremen, quando os ingleses interferiram muito no sistema radar alemão, iludindo-os completamente.

 

A Batalha de Berlin

 

A noite de 18 de novembro de 1943 marcou o início da denominada Batalha de Berlim, que foi uma série de grandes ataques realizados pelo Comando de Bombardeiros da RAF, que  duraram até o final daquele ano. Foi um período de testes para a Natchjadwaffe, que apesar de todo o seu esforço, foi sobrepujada pelo número de bombardeiros.  Esses números não só permitiram que a RAF mantivesse as perdas num nível baixo (menos do que 5%), bem como que possibilitasse a execução de operações complexas, em grande escala e divisionárias. A resposta da Luftwaffe foi a criação de sete esquadrões de observadores aéreos, cuja missão era rastrear e relatar a presença das vagas de bombardeiros.

 

Mas a RAF estava cada vez mais forte em todos os campos da guerra. Caças noturnos Beufighters equipados com o Sistema Serrate, capazes de detectar os sinais de radar provenientes doas caças noturnos alemães, infernizavam a vida da Luftwaffe nos céus do noroeste da Europa, sendo que o Hauptmann August Geiger, que possuía 53 vitórias e era um dos Experte do 7./NJG 1, foi uma das vítimas dos Beufughters, na noite de 29 de setembro, quando realizava missão sobre Zuider Zee. Mas os problemas da Luftwaffe estavam apenas começando, pois agora os Mosquitos, aeronaves com raio de ação e desempenho superior aos Beufighters, estavam sendo introduzidos operacionalmente, substituindo aquelas aeronaves.

 

Além dos Mosquitos, os ingleses desenvolveram o Sistema Corona, que transmitia mensagens falsas, nas mesmas freqüências que os controladores alemães da caça noturna operavam. O sistema começou a operar em outubro, espalhando enorme confusão entre as tripulações alemães. A resposta alemã, foi a introdução de operadoras femininas, mas rapidamente os ingleses também colocaram mulheres transmitindo falsas ordens. Gradualmente, esse procedimento foi sendo abandonado, em detrimento de métodos não ortodoxos. Os alemães introduziram também um sistema de transmissão de músicas codificadas, onde cada gênero musical significava uma cidade.

 

A noite de 17 de novembro de 1943, presenciou a perda de um dos mais experientes e antigos pilotos da Nachtjadwaffe, quando o Major Welter Ehle, que era o Gruppenkommandeur da II./NJG 1 desde 1940, quando retornava de uma missão sobre Mannhein e preparava-se para pousar em St. TRond, e as luzes da pista se apagaram e ele ficou desorientado, caindo com sua aeronave, matando também toda sua tripulação.

 

O ano de 1943 terminou com uma certa esperança para a Nachtjadwaffe, quando foi introduzido o radar de bordo SN-2, ao mesmo tempo em que a campanha do Comando de Bombardeiro contra Berlim, continuava, mas com seu preço. Na noite de 16 de dezembro, por exemplo, 500 Lancasters foram enviados contra a capital alemã e apesar de toda a interferência eletrônica utilizada, 28 caças noturnos alemães conseguiram interceptar a onda dos bombardeiros, entre Bremen e Osnabrück enquanto outros 30, principalmente Bf 110 da NJG 5, voando missão Wilde Sau, os aguardava sobre o alvo. No final da operação, 25 bombardeiros ingleses foram abatidos, sendo que o Oberleutnant Heinz-Wolfgang Schnaufer, Staffelkapitäin da 12./ NJG 1, abateu quatro, incluindo um dos bombardeiros mestres, cuja missão era permanecer sobrevoando o alvo, supervisionando e coordenando o ataque.

 

O ano de 1944, não seria promissor para a Nachtjadwaffe, pois apresentaria um constante e inexorável declínio da força. A superioridade numérica dos atacantes chegava, em algumas ocasiões, a 5:1, ao mesmo tempo em que os cientistas alemães perdiam a guerra eletrônica e o combustível de aviação ficava cada vez mais escasso. Apesar de tudo, os pilotos da Nachtjadwaffe foram condecorados com 46 Cruzes de Cavaleiros, mas em compensação as perdas do ano corresponderam a 50% das perdas acumuladas até então, além da perda de tripulações experientes e da falta de reposição humana.

 

Numa ação contra um grande ataque na noite de 21 de janeiro de 1944, a Nachtjadwaffe sofreu uma perda dupla, quando o Major Heinrich Prinz zu Sayn-Wittgenstein, Kommodore do NJG 2, após abater cinco bombardeiros, foi abatido por uma caça noturno inglês e o Hauptmann Manfred Meurer, ás com mais de 50 vitórias, e Gruppenkommandeur do I. / NJG 1, teve seu He 219 colidido com um Lancaster.

 

As novas aeronaves: Ju 88G e Ta 154

 

Janeiro de 1944, foi também o término da dupla utilização de caças em ações diurnas e noturnas, ao mesmo tempo que era introduzido em serviço o melhorado Ju 88G e criada a Nachtjaggruppe 10. Essa unidade, comandada pelo Hauptmann Rudolf Schönert, com três Staffeln, teria a missão de testar novas aeronaves e equipamentos, em especial a nova aeronave Ta 154, construída especialmente para combater os Mosquitos. O Ta 154, teve vida curta, pois como também era construído de madeira, havia a necessidade de utilização de cola, e esse foi seu calcanhar de Aquiles, pois as aeronaves simplesmente se partiam em vôo. Mais promissor foi o novo radar Neptun, mas que nunca conseguiu ser produzido em larga escala.

 

Neste início de ano, a Batalha de Berlim, estava chegando a seu fim, e de fato a última grande operação realizada pela RAF contra a capital alemã aconteceu na noite de 24 março de 1944, quando a Nachtjadwaffe abateu nada mais nada menos que 81 bombardeiros, sendo uma perda considerável para os ingleses. Mas essas perdas seriam compensadas com o ataque que aconteceria seis noites depois, contra Nuremberg.

 

Neste ataque, 800 bombardeiros foram enviados, utilizando dois feixes de sinais como guias: o Ida, ao sul de Achen e o Otto, a leste de Frankfurt. Os meteorologistas britânicos previam um céu parcialmente encoberto, mas eles se enganaram. Durante as horas seguintes, a leva de bombardeiros foi massacrada sob um belo luar. Um total de 95 bombardeiros foram abatidos, sendo a maior perda sofrida pela RAF, numa única missão, sendo também a última missão bem sucedida da Nachtjadwaffe.

 

Seguiu-se uma redução do número de ataques contra a Alemanha central, mas não por causa das perdas sofridas no ataque contra Nuremberg, mas sim por causa do Desembarque da Normandia, que ocorreria três meses mais tarde, e por isso os alvos prioritários estavam localizados mais a oeste. Rapidamente a Luftwaffe respondeu a essa mudança, deslocando suas unidades da Nachtjadwaffe em direção à França, mas por outro lado, essas mesmas unidades passaram a ficar dentro do alcança dos caça-bombardeiros aliados. Esses aeródromos passaram também a ser alvo dos bombardeios diários e diurnos realizados pela 8ª Força Aérea. A solução encontrada pela Luftwaffe foi dispersar seus aviões por diversos aeródromos satélites no lesta da França e mais tarde, trazê-los de volta à Alemanha.

 

Quando aconteceu a invasão da Normandia, a Nachtjadwaffe demonstrou seu total declínio. Contra as milhares de aeronaves aliadas empregadas naquelas primeiras horas do desembarque, na manhã cinzenta do dia 6 de junho de 1944 , a Luftwaffe só pode lançar 59 caças-noturnos, que abateram apenas um bombardeiro.

 

Operações sem sucesso

 

A campanha da Normandia, foi um marco significante na história da aviação de caça noturna alemã, pois marcou o início de um novo tipo de operação que os tripulantes, em especial os mais inexperientes não estavam preparados: os ataque noturnos a alvos terrestres. As primeiras dessas missões foram realizadas por aeronaves da II./ NJG 4 e III./ NJG 5, numa tentativa de quebrar a cabeça-de-ponte aliada na Normandia. Em seguida, conforme as tropas aliadas avançavam, a missões passaram a ter como objetivo, retardar o máximo possível esse avanço.

 

Durante a segunda metade do ano, esse foi o foque da maioria das operações da Nachtjadwaffe, mas como o Comando de Bombardeiro recomeçou seus ataques noturnos, ela teve que se dividir, fato esse que tornou os resultados obtidos cada vez piores. Tudo que os caças-noturnos conseguiam obter eram pequenas e localizadas vitórias, embora algumas dessas fossem espetaculares, mas sem influência alguma no resultado da guerra. O final do ano chegava, e a Nachtjadwaffe contribuía apenas com 1% das vitórias obtidas pela Luftwaffe, sendo que Adolf Galland, na época General der Jagdflieger (Comandante da Caça) disse nessa época que a contribuição da Nachtjadwaffe era sem significado para o esforço da guerra.

 

A crescente dependência da Nachtjadwaffe pelo radar SN-2 foi abalada, quando no dia 13 de junho de 1944, um Ju 88 do 7. / NJG 2, completamente equipado com o SN-2 e com os sistemas Flensburg e Naxos,  pousou por engano em Woodbridge – Inglaterra, pensando que estava pousando em Venlo – Holanda. Foi um achado para os cientistas britânicos, permitindo-os desenvolver efetivas contra-medidas eletrônicas.

 

Por seu lado, a Luftwaffe fazia o melhor que podia, com os meios que dispunha. Para compensar a perda de três Geschwader Wilde Sau (JG 300, 301 e 302), que haviam sido convertidas em unidades de caça diurna, três semi-autônomos Gruppen de caças monoplaces foram ativados, sob a designação de NJG 11, mas logo em seguida, tiveram que passar a operar sob o Sistema Himmelbelt adaptado, onde em vez de radar, usariam rádios VHF, operando nas principais rotas de infiltração dos bombardeiros.

 

As missões de ataque ao solo noturnas

 

Conforme os aliados avançavam pelos Países Baixos, diversos aeródromos que eram utilizados pela Nachtjadwaffe hámuito tempo, tiveram que ser abandonados. Em setembro, elementos da NJG 1, realizaram missões de ataque noturnas contra tropas britânicas aerotransportadas, que haviam sido lançadas em Arnhem (Operação Market Garden). Essas missões continuaram a ocorrer até o final do ano, alcançando seu clímax durante a ofensiva alemã nas Ardenas, quando aeronaves de quatro Geschwader (NJG 1, 2, 3 e 6) realizaram cerca de 400 missões.

 

Em dezembro, uma pequena unidade de jatos Me 262 foi criada como caça-noturna, sob o comando do Oberleutnant Kurt Welter, um ex-instrutor de vôo, e mais recentemente, piloto Wilde Sau, que já havia conseguido abater alguns Mosquitos. Agora com o Me 262, a Nachtjadwaffe finalmente possuía um avião capaz de combater o Mosquito. Durante sua breve existência, e após realizar 160 missões, com um efetivo nunca maior do que duas aeronaves, a unidade abateu 50 dessas aeronaves. Era mais um esforço inútil.

 

Para algumas tripulações da Nachtjadwaffe, as primeiras missões de 1945 apresentaram uma missão inusitada: a de serem aeronaves guias de grandes formações de jovens e inexperientes pilotos de caça diurna, que atacariam aeródromos pré-determinados, na última grande operação da Luftwaffe da guerra, operação esta realizada na manhã do Dia de Ano Novo contra campos localizados principalmente na Bélgica e Holanda. Pelo resto da guerra, mais nada de novo aconteceu, além da cada vez mais caótica condição operacional das unidades da Nachtjadwaffe. O combustível era rara e a maioria das aeronaves ficava permanentemente sob elaborada camuflagem, protegendo-se dos caça-bombardeiros aliados que dominavam os céus europeus. Apenas as mais experientes tripulações voavam. Em janeiro de 1945, a Nachtjadwaffe realizou pouco mais de mil missões, e conseguiu abater 117 aeronaves aliadas, números até certo ponto, expressivos para as condições que operavam.

 

O ataque a Dresden na noite de 13 de fevereiro, encontrou pouca oposição aérea, e os poucos caças-noturnos que decolaram não conseguiram fazer contato com os bombardeiros. Mesmo com todo esse caos, alguns pilotos conseguiam aumentar suas vitórias. Nas primeiras horas do dia 21 de fevereiro, o Major Heinz-Wolfgang Schnaufer, agora Kommodore do NJG 4 e o mais bem sucedido e condecorado piloto da caça-noturna, abateu dois Lancasters numa missão, para em seguida, em outra missão na mesma noite abater mais sete.  Na mesma noite, o Oberfeldwebel do I. / NJG 6, Günter Bahr abateu também sete quadrimotores. O Hauptamnn Heinz Röker do I./ NJG 2 e o Oberleutnant Johannes Hager do II. / NJG 1, abateram cada um, outros seis bombardeiros. No mês seguinte, na noite de 14 de março, o Hauptmann Martin Becker, Gruppenkommandeur do IV. / NJG 6, derrubou nove dos 18 Lancasters abatidos naquela noite, quando atacavam a refinaria de óleo sintético em Merseburg.

 

Na noite de 13 de março, a Luftwaffe realizou seu último esforço de guerra, ao realizar a Operação Gisela, quando enviou cerca de 150 Ju 88 para que eles atacassem os bombardeiros ingleses, quando os mesmos estivessem se agrupando sobre suas bases. O resultado foi até promissor, pois 20 bombardeiros foram abatidos. Essa operação mostrou a Hitler o erro que cometera em 1941, quando suspendeu a campanha que a Luftwaffe realizava nos mesmos moldes contra a RAF.

 

A rendição

 

Em fevereiro de 1945, a primeira Nachtjadgruppen fora desmantelada, e as demais reduzidas a simples Staffel únicas. Após realizar sua última missão da guerra – um ataque contra a cabeça-de-ponte de unidades do 21º Grupo de Exército, que cruzavam o Reno, a NJG 1 rendeu-se à tropas britânicas em Schleswing-Holstein. No sul, pilotos da II./ NJG 2 atacaram um comboio americano na Autobahn Eisenach-Jena, antes de pousarem em Pocking e destruírem suas aeronaves. Os Me 262 do Kommando Welter, agora designada 10. / NJG 11, utilizaram a Autobahn Hamburg-Lübeck para realizarem sua última missão, antes de se entregarem aos britânicos. A NJG 5 realizou em seus últimos dias de vida, missões diurnas e noturnas contra os soviéticos, na região de Berlim. As equipes de apoio de muitas unidades da Nachtjadwaffe, terminou a guerra como combatentes terrestres.

 

O parágrafo final da última ordem emitida por Heinz-Wolfgang Schnaufer a seus homens, no dia 8 de maio de 1945 dizia: Quando vocês enfrentarem os próximos dias de uma nova Alemanha, meus homens do NJG 4, tenham certeza do dever cumprido e que fizeram de tudo para vencer esta guerra para a Alemanha. Esta poderia ser o epitáfio de toda a Nachtjadwaffe.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Relação dos Ases da Caça Noturna da Luftwaffe

 

                 Nome                                     

Vitórias

Unidade

 

 

 

Schnaufer, Heinz-Wolfgang

121

NJG 1,4

Lent, Helmut

102

NJG 1,2,3

Sayn-Wittgenstein, Heinrich Prince zu

83 (84)

NJG 2,3,5

Streib, Werner

65

NJG 1

Meurer, Manfred

65

NJG 1,5

Schönert, Rudolf

64

NJG 1,2,5,100

Rökker, Heinz

64

NJG 2

Radusch, Günther

64

NJG 1,2,3,5

Zorner, Paul

59

NJG 2,3,5,100

Rath, Gerhard

58

NJG 2,3

Becker, Martin

58

NJG 3,4,6

Herget, Wilhelm

57

NJG 3,4

Welter, Kurt

56

JG 300, NJG 11

Strüning, Heinz

56

NJG 2,1

Kraft, Josef

56

NJG 1,4,5,6

Franczi, Gustav

56

NJG 100

Frank, Hans-Dieter

55

NJG 1

Vinke, Heinz

54

NJG 1

Geiger, August

53

NJG 1

Lippe-Weissenfeld, Egmond Prince zu

51

 NJG 2,1,5

Hoffman, Werner                 

51

NJG 3,5

Lütje, Herbert                              

50

NJG 1,6

Greiner, Hermann                          

50

NJG 1

Kollak, Reinhard                      

49

NJG 3

Hager, Johannes                    

48

NJG 1

Borchers, Walter                    

48

NJG 3,5

Drünkler, Ernst Georg  

47

NJG 1,5

Drewes, Martin            

47

NJG 1

Semrau, Paul          

46

NJG 2

Augenstein, Hans-Heinz      

46

NJG 1

Lechner, Alois                      

45

NJG 2,5,100

Frank, Rudolph   

45

NJG 3

Knacke, reinhold   

44

NJG 1

Gildner, Paul  

44

NJG 1

Becker, Ludwig 

44

NJG 1

Fellerer, Leopold

41

NJG 1,5,6

Baake, Werner  

41

NJG 1

Schmidt, Dietrich  

39 (40)

NJG 1

Meister, Ludwig           

39

NJG 1,4

Bonin, Eckhard-Wilhelm von 

39

NJG 1

Bahr, Günther     

37

NJG 1,4,6

Bergmann, Helmut  

36

NJG 4

Beier, Wilhelm  

36

NJG 1,2

Ehle, Walter     

35

NJG 1

Bertram, Günther 

35

NJG 100

Johnen, Wilhelm 

34

NJG 1,5,6

Hissbach, Heinz-Horst

34

NJG 2

Modrow, Ernst-Wilhelm 

33 (34)

NJG 1

Hadeball, Karl

33

NJG 1,4,6,10

Husemann, Werner

32

NJG 1,3

Scherflink, Karl-Heinz

31 (33)

NJG 1

Rauh, Hubert

31

NJG 1,4

Jabs, Hans Joachim

31

NJG 1

Müller, Friedrich-Karl "Nase"

30

JG 300, NJG 10,11

Leickhardt, Hans

30

NJG 1,5

Friedrich, Gerhard 

30

NJG 4,6

Ferger, Heinz                        

30

NJG 2,3

Wohlers, Heinrich                       

29

NJG 1,4,6

Szameitat, Paul                   

29

NJG 3

Klemenz, Otto Karl                    

29

NJG 1,5

Altendorf, Rudolf                  

29

NJG 3,4,5

Wischnewski, Hermann                 

28

JG 300

Sigmund, Rudolf                         

28

NJG 1,3

Lau, Fritz                        

28

NJG 1

Krause, Hans                        

28

NJG 3,4,101

Jung, Erich                   

28

NJG 2

Grimm, Heinz                     

27

NJG 1

Pützkuhl, Josef                         

26

NJG 5,100

Maisch                            

26

NJG 100

Köster, Alfons                      

25 (26)

NJG 1,2,3

Schulte, Helmuth                   

25

NJG 5,6

Linke, Lothar                         

25

NJG 1

Brinkhaus, Franz                    

25

NJG 2,3

Briegleb, Walter                   

25

NJG 2,3

Stohecker, Karl                      

24

NJG 100

Spoden, Peter                       

24

NJG 5,6

Schröder, Eduard                        

24

NJG 3

Scheer, Klaus                                

24

NJG 100

Dahms, Helmut                                

24

NJG 100

Thimming, Wolfgang                           

23 (24)

NJG 1,2,4

Schaus, Jakob                                 

23

NJG 4

Reitmeyer, Ernst                             

23

NJG 5

Peters, Erhard                              

23

NJG 3,4

Patuschka, Horst                             

23

NJG 2

Koch, Herbert                                

23

NJG 3

Kamp, Hans-Karl                              

23

NJG 4, JG 300

Bussmann, Rolf                               

23

NJG 1,2,3

Barte, Walter                                

23

NJG 1,3

Autenrieth, Hans                            

23

NJG 1,4

Leube, Hermann                              

22

NJG 3

Erhardt, Peter                               

22

NJG 5

Eckard Reinhold                              

22

NJG 1,3

Wolf, Robert                                 

21

NJG 5

Kociok, Josef                                 

21

NJG 200

Hopf, Werner                                 

21

NJG 5

Förster, Josef                               

21

NJG 2,3

Altner, Herbert                              

21

NJG 5

Wirtz, Ludwig                                

20

NJG 1,2

Söthe, Fritz                                 

20

NJG 4

Schneider, Gottfried                         

20

NJG 2

Meissner, Hans                              

20

NJG 3

Kaiser, Adolf                                

20

NJG 1,100

Gref, Hans                                   

20

NJG 100

Engel, Wilhelm                               

20

NJG 1,4,6

Brinkmann                                   

20

NJG 3

Berschwinger, Hans                           

20

NJG 1

Sommer, Hermann                              

19

NJG 2,102

Schellwat, Fritz                             

19

NJG 1

Ney, Berthold                                

19

NJG 2,3

Holler, Kurt                                 

19

NJG 2,3,4

Rapp, Werner                                 

18

NJG 1,5

Nabrich, Josef                               

18

NJG 1

Fries, Otto                                  

18

NJG 1

Düding, Rudi                                 

18

NJG 100

Breves, Adolf                                

18

NJG 1

Schneeweis, Wolfgang                          

17

NJG 101

Schmidt, Ludwig                              

17

NJG 6

Raum, Hans                                   

17

NJG 3

Woltersdorf, Helmuth                         

16

NJG 1

Sävert, Heinz                                

16

NJG 5,6

Rupp, Bruno                                  

16

NJG 3

Morlock, Willi                               

16

NJG 1

Fengler, Georg                               

16

NJG 1,4

Schüren, Ernst                               

15 (20)

?

Simon, Erich                                  

15 (17)

NJG 3

Rolland, Heinz                               

15

NJG 1

Müller, Hans                                 

15

NJG 3

Matzak, Kurt                                 

15

NJG 1

Kraft, Georg                                 

15

NJG 1

Konter, Helmut                               

15

NJG 100

Keller, Otto                                 

15

NJG 5

Gerstmayr, Lorenz                            

15

NJG 3

Fladrich, Kurt                               

15

NJG 4

Adelhütte, Hans                              

15

NJG 3

Werth, Johann                                

14

NJG 2

Wagner, Gerhard                              

14

NJG 5

Tham, Gustav                                 

14

NJG 5,10

Telge, Wilhelm                                

14

NJG 1

Simross, Herbert                             

14

NJG 100

Oloff, Heinz                                 

14

NJG 1

Köberich, Günther                            

14

NJG 3

Griese, Heinrich                             

14

NJG 1,4,6

Dormann Wilhelm                              

14

JG 300

Breukel, Wendelin                            

14

NJG 2

Bretschneider, Klaus                         

14

JG 300

Schmied, Hans                                

13

NJG 3,100

Mangelsdorf, Rudolf                           

13

NJG 2,3

Döring, Arnold                               

13

NJG 2,3

Szardenings, Rudolf                          

12

NJG 3

Schäfer, Hans                                

12

NJG 2,3

Schulz, Albert                               

12

NJG 2,3

Reuter, Heinz                                

12

NJG 2,3

Perle, Helmut                                

12

NJG 2

Ney, Siegfried                               

12

NJG 1

Heilig, Bruno                                

12

NJG 2

Hahn, Hans                                    

12

NJG 2

Haberland, Karl                              

12

NJG 2

Fischer, August                              

12

NJG 1,5,100

Fenske, Walter                               

12

NJG 1,2

Engling, Egon                                 

12

NJG 2,3

Bär, Hans                                   

12

NJG 3,5

Bunje, Helmut                               

12

NJG 6

Walter, Albert                               

11

NJG 4,6

Potthast, Fritz                              

11

NJG 1

Niebelschutz, Wolfgang von                   

11

NJG 2,4,5

Milius, Walter                               

11

NJG 1,3

Jank, Wolfgang                               

11

NJG 5,100

Hartl, Anton                                 

11

JG 302

Hülshoff, Karl                                

11

NJG 2

Henseler, Wilhelm                            

11

NJG 1

Heiner, Engelbert                            

11

NJSch. Lft 4

Buchholz, Fritz von                          

11

NJG 1

Ter Steegen, Herbert                          

10 (12)

 NJG 5

Lüddecke, Robert                             

10 (12)

NJG 2

Zechlin, Ernst                               

10

NJG 2,5

Weinmann, Emil                               

10

NJG 6

Wandam, Siegfried                            

10

NJG 1,5

Tonn, Wolfgang                               

10

NJG 2

Speidel, Werner                              

10

NJG 3

Rohlfing, Walter                             

10

NJG 3

Reschke, Heinz                               

10

NJG 6

Rathke, Waldemar                              

10

NJG 100

Pfeiffer, Karl                               

10

NJG 1

Oberheide, Peter                             

10

NJG 3

Misch, Heinz                                 

10

NJG 2,3

Mangold, Egon                       

10

NJG 100,200

Leuchs, Rolf                          

10

NJG 6

Krahforst, Josef                       

10

NJG 4

Klaiber                              

10

NJG 5,100

Kaross, Eberhard                

10

NJG 100

Jarsch, Lothar                      

10

NJG 2

Holtfreter, Günther                   

10

NJG 3

Havenstein, Klaus                   

10

NJG 3

Hausschild, Hans       

10

NJG 100

Glitz, Willi                   

10

NJG 3

Gienanth, Hans-Eugen, von          

10

NJG 1

Fries, Heinz de                 

10

NJG 100

Finster, Lenz                     

10

NJG 1

Fensch, Frithjof                 

10

NJG 4

Eickmeier, Bruno                       

10

NJG 1

Bönsch, Herbert                       

10

NJG 2

Buschmann, Franz                        

10

NJG 1,3

Burggraf, Wilhelm                     

10

JG 301

Bonow, Kurt                              

10

NJG 5,100

Beyer, Konrad                      

10

?

Benning, Anton                          

10

JG 301

Hirschfeld, Ernst-Erich             

9 (24)

JG 300

Völker, Heinz                         

9

NJG 2

Tischtau, Manfred                    

9

 NJG 5

Teige, Waldemar                           

9

NJSch.Lft 1

Schön, Walter                             

9

NJG 1

Schäfer, Ernst                  

9

JG 300,302

Schratter, Robert                

9

 NJG 5

Schmale, Willi                        

9

NJG 1,3

Meien, Ulrich von                     

9

NJG 100,200,5

Kutzner, Otto                             

9

NJG 2,3

Herzog, Gerhard                         

9

NJG 1

Herrmann, Hajo                            

9

JG 300

Hermann, Kurt                            

9

NJG 2

Heldt, Alfred                             

9

NJG 3

Engel, Walter                              

9

 NJG 5

Elstermann, Willi                        

9

NJG 3

Denzel, Robert                            

9

NJG 1

Birkenstock, Hans-Jörg                     

9

NJG 1,4,6

Behrens, Robert                           

8 (12)

NJG 100

Förster, Paul                         

8 (10)

NJG 1

Wulff, Ulrich                              

8

 NJG 5

Wethner, Hans                              

8

NJG 2,3

Tober, Friedrich                             

8

NJG 3,4

Stock, Hermann                           

8

NJG 3

Seuss, Wilhelm                          

8

NJG 4,5

Rasper, Hans                                 

8

NJG 1,101

Niklas, Helmut                           

8

NJG 1,3

Migge, Günther                            

8

JG 300

Laufs, Peter                               

8

NJG 2

Kuthe, Wolfgang                           

8

NJG 1

Franz, Günther                            

8

NJG 1,3,6

Ebhardt, Rolf                              

8

NJG 1

Brunner, Josef                            

8

NJG 1,6

Villforth                                    

7

NJG 2

Thun, Rudolf                             

7

NJG 5,6

Prues, Walter                             

7

NJG 1

Karsten, Kurt                        

7

NJG 4,6

Gramlich, Benno                          

7

NJG 3,10

Graef, Fritz                           

7

NJG 4

Dimter, Willi                             

7

NJG 1

Delakowitz, Richard                       

7

NJG 4

Bokemeyer, Rolf   

7

NJG 1,5

Bietmann, Ludwig

7

NJG 1

Bellinghausen, Theodor

7

NJG 100

Hubatsch, Herbert

6 (9)

NJG 1,5,6

Kruse, Fritz

6

NJG 1

Brockerhoff, Wilhelm   

6

NJG 3

Raneu

5

NJG 100

Hölker, Walter

5

 NJG 5