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Nero Moura, o Patrono da Aviação de Caça Brasileira


     O Brig do Ar Nero Moura nasceu na Cidade de Cachoeira do Sul - Rio Grande do Sul - no dia 30 de janeiro de 1910. Filho de fazendeiros, fez o curso primário no próprio município indo depois cursar o Colégio Militar de Porto Alegre.

     Em 1927 foi admitido como Cadete na Escola Militar do Realengo no Rio de Janeiro. Por ter escolhido a Arma de Aviação, foi então transferido no ano seguinte para Escola de Aviação Militar, localizada no Campo dos Afonsos, onde completou os estudos de Oficial Aviador do Exército.
     Declarado Aspirante em 22 de novembro de 1930, foi promovido a Segundo Tenente em janeiro de 1931. Suas primeiras missões como piloto e oficial foram no Correio Aéreo Militar.


     Com a explosão da Revolução de 1932, Nero Moura participou do lado das forças legais executando vôos de reconhecimento, bombardeio e ataque ao solo na região do Vale do Paraíba, chegando a completar 100 horas de vôos em missões reais.
     Com o fim da Revolução foi designado instrutor de vôo na Escola de Aviação Militar. Promovido a Primeiro Tenente em 1933, e em 1934 deixa a Escola de Aviação para fazer o Curso de Aperfeiçoamento na École d'Aplication de L'air em Verssalles - França.
     Ao regressar da França, participou do combate a Intentona Comunista de 1937 onde vários de seus colegas foram assassinados a sangue frio no Campo dos Afonsos. No dia 28 de novembro realizou uma missão real de bombardeio ao Terceiro Regimento de Infantaria na Praia Vermelha no Rio de Janeiro.
     Após ser promovido a capitão em 1937 é designado Subcomandante e Comandante substituto do Terceiro Regimento de Aviação em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Tinha ordens de, se necessário, combater um possível levante do governo estadual.
     Com a criação do Ministério da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira, em 1941, Nero Moura participou de sua organização já como Major Aviador, tendo sido instrutor do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais.
     Em 28 de dezembro de 1943 foi designado Comandante do Primeiro Grupo de Aviação de Caça com a missão de organizá-lo para combater na Segunda Guerra Mundial. Seu desempenho como comandante foi excepcional e, apesar de inúmeras dificuldades, conseguiu que o seu Grupo fosse um dos mais eficientes e destacados no teatro de operações do centro sul europeu.


     Nero Moura cumpriu sessenta e duas missões de combate na Itália e várias outras de patrulha no Atlântico Sul. Pelos seus feitos na guerra recebeu as seguintes condecorações: Medalha da Campanha da Itália, Medalha da Campanha do Atlântico Sul, Cruz de Aviação fita "A" com três estrelas, Distiguished Fying Cross (E.U.A.), Air Medal With Two Stars (E.U.A.), Legion du Merit (França), Croix de Guerre Avec Palm (França), Order of the British Empire (Inglaterra).
     Em setembro de 1945, como Tenente Coronel, foi designado Comandante do Primeiro Regimento de Aviação em Santa Cruz. Esta função, à época, era mais abrangente do que um comando de Base Aérea.
     Nero Moura, então com trinta e cinco anos de vida, passou para a reserva, dedicando-se então à aviação civil, tendo sido fundador e organizador da Aerovias Brasil e do Loide Aéreo. Getulio Vargas ao ser eleito para Presidente da República, em 1951, o convidou para ser Ministro da Aeronáutica.

     Nero Moura com sua personalidade congregadora e perfil profissional invejável, conseguiu fazer uma administração excelente, apesar do fato inusitado de ser o oficial general mais moderno e mais jovem da Força Aérea. Devido aos acontecimentos políticos de agosto de 1954, pediu demissão do Ministério da Aeronáutica e voltou a dedicar se às atividades civis.
     Nero Moura sempre manteve estreita ligação de amizade com todos os seus subordinados da Campanha da Itália, sem qualquer distinção. Após a Revolução de 1964, em solidariedade a alguns desses subordinados que foram proibidos de entrar em unidades militares, Nero Moura não compareceu mais a nenhuma festividade cívico-militar até o ano de 1979.
     Sua reprovação silenciosa teve grande influência na revogação deste ato. No dia 22 de abril de 1979, o então Tenente Brigadeiro Délio Jardim de Mattos, Ministro da Aeronáutica foi a sua casa e pessoalmente o convidou e o conduziu a Base Aérea de Santa Cruz, onde junto com todos os seus companheiros, foi reverenciado e assistiu as solenidades do Dia da Caça.
     As tradicionais e concorridas reuniões mensais em sua residência no Bairro de Copacabana no Rio de Janeiro continuaram acontecendo até o fim de sua vida.  Nero Moura faleceu aos 84 anos, no dia 17 de dezembro de 1994 e permanece, em espírito, junto a todos os pilotos de caça brasileiros.


"Não me considero uma pessoa excepcional. Sou um homem normal. Cumpri as missões para que fui designado com satisfação, sem heroísmos, sem exageros. Se, por acaso, deixei transparecer alguma coisa alem do normal, foi no entusiasmo com que me fizeram falar. Mas quero declarar que sou uma pessoa normal e nada fiz de excepcional. Só cumpri o meu dever e estou satisfeito com minha vida por ter permanecido como sou até os dias de hoje."
Nero Moura