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Picchiatelli em Malta: Os Stukas italianos, 1940-42

    As rápidas e fácies vitórias da Luftwaffe sobre as forças aéreas européias, no início da 2ª Guerra Mundial, foram amplamente utilizadas como fonte de publicidade pela Alemanha, e, como arma fundamental da Blitzkreig, a capacidade dos Ju-87 Stuka foi muito exagerada. Impressionada por tal publicidade, ou talvez, ressentindo-se do completo fracasso da indústria aeronáutica italiana em produzir uma aeronave igual, a Regia Aeronautica insistiu na compra de vários Ju-87B-2. Entre julho e agosto de 1940, um grupo de pilotos e de mecânicos italianos completou um treinamento para adaptação a este tipo de aeronave em Graz na Áustria e voltou à Itália com 15 novos aviões desse tipo.

    Em 22 de agosto, estas aeronave já estavam em Comiso na Sicília, após passarem por Roma (Ciampino), Nápoles (Capodichino) e Catania (Fontanarossa). Na semana seguinte, cinco outras aeronaves chegaram, e começou-se a formar as Squadriglies 236 e 237 Gruppo 96.

    Na tarde de 2 de setembro, os Stukas italianos - chamados de Picchiatello - receberam o batismo de fogo no Teatro Mediterrâneo, quando atacaram um grupamento naval em águas maltesas. A primeira leva decolou de Comiso às 10:40 h, mas retornou à base sem estabelecer contato com as belonaves aliadas. Cinco outros Stukas decolaram mais tarde, às 14:25 h, liderados pelo Commandante Ercolano Ercolani. Ao avistarem os navios, as aeronaves atacaram, sendo observado que um dos navios foi atingido. Após retornarem, quatro outras aeronaves decolaram para um novo ataque. Durante esta missão, um dos Stukas foi ligeiramente danificado.

Stuka, Squadriglie 237, Gruppo 96

    O primeiro ataque direto à Malta foi executado em 5 de setembro. O reconhecimento aéreo italiano informou a presença de um grande navio no Grand Harbour, mas os cinco Stukas que partiram na missão não o encontraram. Como objetivo alternativo, eles atacaram Delimara com suas bombas de 500 kg. No dia 15 de setembro, os ataques contra Malta começaram a ser mais constantes. Doze aeronaves de ambos os esquadrões do Gruppo 96, escoltadas por C.200s do Gruppo 6 (em sua primeira missão operacional), executou um ataque contra o aeródromo de Hal Far, no sudoeste da ilha, com resultados satisfatórios. Neste ataque, eles foram atacados pelos Gladiadores e Hurricanes da Royal Air Force.

    Dois dias depois, durante um novo ataque (desta vez contra Luqa, o aeródromo principal da ilha), um dos bombardeiros de mergulho italiano foi abatido por um Hurricane, enquanto outro retornou com o artilheiro de ré morto. Durante este ataque, os Ju.87s foram escoltados por CR.42s do Gruppo 23. Um dos biplanos de escolta, pilotado pelo Sottotenente Cavalli, foi atingido no motor, mas o piloto teve tempo suficiente para saltar de paraquedas antes que a aeronave explodisse, embora tenha sido feito prisioneiro. Já estava ficando óbvio para os italianos que o Ju-87 era uma presa fácil para os caças ingleses.

    Ambas as Squadriglie 236 e 237 suspenderam suas operações contra Malta, por terem sido deslocadas para missões contra a Grécia. Em seu lugar na Sicília, foram colocadas duas recém criadas unidades, as Squadriglie 238 e 239, pertencentes ao Gruppo 97. Depois de um início operacional restrito, contra os navios aliados ao redor de Malta, no dia 28 de novembro de 1940, esta unidade foi também chamada para ajudar nas operações gregas que estavam começando a se complicarem.

    Malta tornou-se o mais uma vez o objetivo principal, quando o Gruppo 96 voltou à Sicília em 8 de janeiro de 1941. Um comboio aliado pesadamente defendido fora avistado, e planos de ataque foram feitos, de modo que os navios fossem atacados assim que estivessem ao alcance das aeronaves. A primeira operação dos Stukas nesse retorno ao ataque contra Malta, foi um contra Marsaxlokk Bay no dia 9 de setembro, escoltados por 12 biplanos CR.42. O dia 10 de janeiro marca o começo de um contínuo e desesperado esforço para afundar o porta-aviões HMS Illustrious. Naquela tarde, Ju-87s da Squadriglia 237 acertaram um golpe direto no porta-aviões e o forçaram a deixar a formação e ir para Malta a fim de docar para receber reparos. Durante sua permanência em Malta, o Illustrious foi alvo de ataques concentrados, ataques esses nunca antes testemunhados pelos ilhéus. As docas de Malta estão situadas em uma área densamente povoada, e as vítimas civis destes ataques foram altas. Com a chegada do contingente aéreo alemão na Sicília (Fliegerkorps X) e o começo da tentativa alemã para eliminar Malta do mapa mediterrâneo, os Stukas italianos foram enviados à África Norte e a frente grega.

    Os Stukas italianos voltaram mais uma vez à Sicília no fim de maio de 1941. Suas missões iniciais se concentraram contra os comboios que levavam materiais vitais para Malta e Alexandria (Egito). Só em agosto é que estas aeronaves retornaram a bombardear objetivos em Malta. Estas operações começaram no dia 7 e compreendiam ataques noturnos, envolvendo aeronaves das Squadriglies 238 e 239. Nos dias 11, 15 e 16 mais ataques foram realizados. Os registros operacionais das unidades durante o dia 2 de setembro são particularmente detalhados. Durante um ataque à Grand Harbour naquele dia, ao Sergente Maggiore Valentino Zagnoli foi creditado a destruição de um navio-tanque. Dois de seus companheiros não puderam completar o ataque, um deles com problemas de motor fez uma aterrissagem forçada perto da base, enquanto ao outro faltou combustível e teve que retornar. Os ataques dos Stukas italianos aos objetivos malteses continuaram durante todo o mês de setembro, com exceção dos dias 8, 26 e 27.

Stuka, Squadriglie 208, Gruppo 96

    Após uma pequena interrupção, os Picchiatellis voltaram às operações noturnas contra Malta nas noites de 15 e 16 de outubro. Um esforço concentrado foi feito em 5 de novembro, quando 13 aeronave das Squadriglies 208, 238 e 239 atacaram objetivos navais em Grand Harbour. . Durante a batalha dois Ju-87s foram abatidos pela anti-aérea inglesa. Este ciclo de operações terminou na noite de 10 de novembro.

    Os Picchiatellis só reapareceram sobre Malta em junho de 1942. Objetivos nessa fase da guerra eram os aeródromos de Luqa e Hal Far. No ataque do dia 24 aconteceu a perda do Ju-87 pilotado pelo Sottotenente F. Papalia. Outras duas perdas acontecem no dia 28. Depois destes ataques, as atenções dos Ju-87, operando a partir de Gela e Castelvetrano, se voltaram para os ataques aos navios que levavam suprimento para Malta. Os ataques noturnos contra Malta recomeçaram durante a última semana de julho. Até o fim do mês de agosto, as Squadriglies 239 e 209, com um reforço de novos pilotos, redirecionou sua atenção para as estações de radar localizadas na ilha, com algumas perdas.

    O fim das operações dos Ju-87B a partir da Sicília começou em 5 de novembro de 1942. Durante um vôo de treinamento, a asa de um Ju-87B começou a vibrar violentamente. Em inspeção minuciosa, foi detectado que todas as aeronaves do Gruppo tinha excedido sua vida útil por fadiga, e as asas já não podiam suportar a tensão de um bombardeio de mergulho. A unidade devolveu todos os seus aviões à Lonate Pozzolo, onde receberiam novos Ju-87D-3.

    Como aconteceu em todos os outros teatros de operação, os Ju-87 italianos ganhou a reputação de ser presa fácil para os pilotos de caça aliados. Pilotos de Spitfires e de Hurricanes que voavam na defesa de aérea de Malta, lembram-se que sua única preocupação, quando perseguindo os Ju-87 era o próprio fogo anti-aéreo. Os Ju-87 conseguiram realizar danos extensos ao transporte naval e às instalações de Malta, mas a um custo humano extremamente alto.