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Reggiane Re.2000

Por Kurt Theodor Krause

oskurt@ig.com.br - Janeiro/2004

 

 

 

 

 

O INÍCIO

A empresa  Reggiane  Italiane SA de Officine Meccaniche, localizada na região de Reggio Emília, próxima a Milão foi adquirida em 1935 por Gianni Caproni, passando a ser uma subsidiária do Grupo Caproni, corporação que já havia produzido aviões na 1º Guerra Mundial. Todavia, somente em janeiro 1938, com  a absorção do Studi Brevetti Caproni foi fornecido à  Reggiane seu próprio departamento de projeto e o Engº Roberto Longhi, chefe da área de projetos, foi instruído para iniciar o projeto de um caça  inteiramente metálico para concorrer a uma licitação do Ministério do Ar italiano – o “Programma  R “.

O “ PROGRAMMA R”

O “Programa R”  era, um programa do Ministério do Ar italiano para modernizar a Régia Aeronáutica, tendo um número significativo de exigências e, entre elas, a de um caça moderno monoplano. Estavam participando desta disputa 05 modelos: o Fiat G.50 Freccia e Macchi MC.200 Saetta (ambos no estágio do protótipo), e o AUT 18 e Caproni Vizzola F.5 (ambos em estágio avançado do projeto).A Reggiane apresentou então o projeto do Reggiane Re 2000 Falco (Falcão), projetado especificamente para as exigências da Aeronáutica. Ao final, de todos os modelos apresentados somente um poderia ser considerado - devido a seus desempenho, tecnologia e facilidade da produção - de nível internacional: O Reggiane RE 2000. Paradoxalmente, destes três projetos seria justamente este o que seria menos empregado pela aviação italiana.

O “FALCO”

Como o tempo disponível para projetar e construir um caça inteiramente novo e ainda participar da licitação era insuficiente, Longhi, cuja experiência profissional precedente era na Uppercu Burnelli Aircraft Corporation, uma divisão do Uppercu Cadillac Corporation, propôs para o Conde Caproni a aquisição de uma licença para construção de um caça americano, mas esta proposta não encontrou aprovação. Assim iniciou-se um projeto de inspiração claramente americana;  não escondendo ter sido influenciado profundamente pela filosofia de projeto do Seversky P-35 (que também foi precursor do nosso conhecido P-47 “Thunderbolt”). cujas entregas ao USAAC estavam a ponto de começar.  Em testes realizados no túnel de vento da Caproni em Taliedo pôde-se observar que o refinamento aerodinâmico do projeto de Longhi antecipava o desempenho superior que viria a ser confirmado pelo caça americano. Longhi utilizou uma série de modificações novas para caças do período mas indubitavelmente a característica a mais interessante da asa era seu tanque integral do combustível.

Seversky P-35

 As soluções técnicas adotadas pela equipe italiana eram, para a tecnologia da época, claramente revolucionárias e requeriam uma rápida adaptação da planta tecnológica da fábrica  Reggiane e ao mesmo tempo uma ascensão repentina do nível de especialização e conhecimento dos trabalhadores italianos, já que até então a Reggiane tinha construído somente o bombardeiro SM. 79 sob licença e  seus projetos até então (o P-32Bis e o CA 405) foram feitos dentro da velha  do pensamento "da escola italiana", onde a experiência em estruturas de madeira tinha ainda uma influência profunda nos projetistas. Foi no Reggiane Re 2000 que pela  primeira vez os painéis de alumínio especiais apareceram e foi solicitada então a importação de maquinaria e de ferramentas adequadas, em clara vantagem aos outros dois caças da “Serie 0” (Fiat G-50 e Macchi Mc 200).

 Logo após seu rollout, o protótipo (MM.408) fez seu primeiro vôo em Reggio Emilia a 24 maio 1939, pilotado por Mario De Bernardi. O avião era da construção inteiramente metálica, e seu núcleo era uma fuselagem extremamente limpa de construção semi-monocoque de liga clara.. A cabina do piloto era totalmente envidraçada  com uma seção traseiro-deslizante que fornece ao piloto os meios de acesso ao aeroplano. A fuselagem foi projetada em volta do motor radial radiai Piaggio P.XI RC.40, com 850 cv para a decolagem e 985 cv em 13.125 ft (4.000 metros) e uma hélice metálica Piaggio-D'Ascanio tri-pá de passo variável instalado no nariz, considerados ambos o calcanhar de Aquiles do projeto e fonte constante de descontentamento a Longhi que considerava incrível que tivessem concedido um certificado de navigabilidade para aquele motor!! Todos os três trens de pouso eram inteiramente retráteis, operados eletricamente, sendo que os trens principais giravam 90 graus para encontrar-se flat nos poços da asa.

Roberto Longhi não tinha nenhuma  dúvida que o "Reggiane" indicaria logo sua superioridade sobre os lutadores de Fiat e de Macchi, que já estavam sendo produzidos,( inclusive o Fiat G.50 já tinha sido testado em ação na Espanha), e logo após os testes seu entusiasmo já era compartilhado por todos que estavam presentes.

Durante os testes preliminares do desempenho conduzidos em Reggio Emilia, uma velocidade de 336 mph (541 km/h) foi cronometrada no vôo nivelado, numa época em que o Hawker Hurricane mal atingia 324 mph (521 km/h).

 Nas semanas que se seguiram realizou-se as modificações sugeridas nos relatórios de De Bernardi como a extensão da entrada de ar do carburado além da instalação do seu armamento.

A especificação constante no “Porgramma R” era, pasmem, uma única metralhadora Breda-SAFAT de 12,7mm, mas Longhi fêz a provisão para a instalação de duas metralhadoras  instaladas no capô do motor, e prevendo a probabilidade de uma demanda para um aumento do poder de fogo, previu a colocação de um par adicional nas asas, o que nunca aconteceu, além de condições para colocação de uma câmera de reconhecimento e uma pequena baía interna que podia acomodar  bombas incendiárias ou anti-pessoal de 84x4.4-lb (2-kg).

Em junho de 1939 o protótipo foi transferido a Furbara para as experimentações do armamento e em agosto o Re.2000 chegou no centro do teste de Guidonia para experimentações oficiais do desempenho.

Protótipo Re. 2000 MM 408

 

(coleção de D'Amico-Valentini) o protótipo 2000 RE (milímetro 408)

visto em 24 maio 1939, no dia de seu primeiro vôo

 

 

(coleção de D'Amico-Valentini) O protótipo do 2000 RE no aeródromo da Reggiane após um de seus testes.A entrada de ar longa do carburador e o tampão do spinner são as versões definitivas.

Em Guidonia o Re.2000 foi avaliado por coronéis Tondi e Quarantotti  e suas excelentes características de vôo e a maneabilidade foram confirmadas durante o teste militar. Os resultados dos combates comparativos eram mesmo surpreendentes: pilotado por pilotos italianos e alemães ele se saiu vencedor contra os biplanos Cr.42 e, pasmem, contra o Bf 109E alemão!  

O entusiasmo dos pilotos do teste de Guidonia para o lutador novo foi refletido em uma ordem colocada em setembro pelo Ministério do Ar para a construção de 12 unidades teste e a avaliação, além de uma previsão de um pedido adicional de mais 188 aeronaves. A carreira do Re.2000 no serviço da Regia Aeronautica pareceu estar ajustada.

Entretanto, a avaliação técnica subseqüente do caça não foi assim bem sucedida como a avaliação do vôo. O departamento técnico do Ministério do Ar rejeitou o projeto devido aos tanques de combustível integrais nas asas no lugar dos autovedáveis e o pedido foi rescindido. Considerando que o projeto era excepcional e que a modificação seria simples, os motivos que levaram a rejeição parecem claramente ter sido políticos ou "de oportunidade industrial". Para ser justos entretanto, devemos reconhecer que os RE 2000 tiveram ao menos um defeito: Seu motor de Piaggio P.IX que era muito fraco.

O FALCÃO MIGRA

Se por um lado a Regia Aeronáutica não se interessou pelo Falco, as forças aéreas estrangeiras não eram assim céticas quanto ao avião como iremos ver. Assim que o governo italiano autorizou  ordens de exportação para o caçar, os vôos da demonstração foram arranjados para delegações estrangeiras. As nuvens da guerra já estavam sobre a Europa, e um número cada vez maior de países estavam ansiosos para modernizar suas forças aéreas. A primeira compra foi da Hungria, que procurava substituir os seus já obsoletos caças biplanos Cr.32 e 42, fechando um contrato de aquisição em 27 de dezembro de 1939 para aquisição de 70 caças  Re.2000 completos, sobressalentes, e um número pequeno das fuselagens adicionais para ajudar ao MAVAG (Fábrica estatal de engenharia) a iniciar a produção do caça sob licença.

(D'Amico-Valentini Collection) RE 2000 "V-440"  do grupo húngaro, na frente do hangar principal do conjunto de Reggiane. Este nose-up curioso foi causado pelo frear excessivo em velocidades baixas no taxiamento. O plano no fundo é um J-20 sueco.

Dezembro de 1939 viu também a chegada de uma missão britânica na Itália, sob comando de Mr Hardwick, com a finalidade de aquisição de aeronaves para a RAF. O comandante H N Thornton, representando o ministro do ar britânico visitou diversas  fábricas da Caproni, incluindo a Reggiane em Reggio Emili, onde em 20 de dezembro pilotos britânicos que acompanhavam a missão testam a aeronave. As negociações foram iniciadas para a compra dos motores marinhos Isotta Franschini, mil canhões de 20mm, 300 bombardeiros de reconhecimento Ca313 , 100 instrutores Ca.311, e 300 caças Re.2000!

Em 26 de janeiro de 1940, o diretor de contratos da Reggiane confirmou a ordem britânica para escassas e surpreendentemente em 08 de março de 1940  o governo alemão informou não ter objeções à venda do avião italiano a Grã Bretanha, mas dentro de algumas semanas,em abril de 1940, esta posição é revista e a Alemanha impõe um embargo a operação. Não obstante, em maio Caproni e Mr. Hardwick finalizaram um esquema por meio de que o avião seria vendido a Grâ Bretanha por Portugal, através da Soc Aeroportugues, subsidiária da Caproni. Entretanto, em 10 de junho de 1940, a Itália se une a Alemanha e declara guerra aos Aliados e assim os esquemas  preparados para ludibriar  o embargo alemão na venda do avião italiano a Grã Bretanha são suspensas.

Embora a venda do Re.2000 a Grâ Bretanha fora frustrada, não havia falta de potenciais compradores estrangeiros do caça. A Iugoslávia esforçou-se para compra 50 Re.2000s e uma licença para produção local do mesmo; Espanha e Suiça expressaram o interesse em compra de quantidades similares, Finlândia desejava adquirir 100 e,em 28 de novembro de 1940,após a retenção pelo governo americano em 18/10/1940 dos 60 Seversky Ep-106  (P-35 modificados) adquiridos pela Suécia,  o governo sueco assinou um contrato para adquirir 60 Re 2000 em substituição aos caças americanos . Este último pedido, no valor de 18,7 milhões de coroas viria a ser o único  a ser endossado pelo governo italiano porque o mesmo seria pago em carregamentos de cromo-níquel que era vital  pela indústria italiana da guerra.

NA REAL FORÇA AÉREA HÚNGARA

Os 70  RE 2000 série I húngaros números de série V-401 a V-470 foram rebatizados de Héja (Falcão em húngaro) não era muito popular entre os pilotos magiares no início. Em julho de 1941, seis Re.2000s  foram enviados para uma unidade experimental no front oriental para analisar a aeronaves sob condições de combate. A unidade voou numerosas missões de escolta de bombardeiros, mas encontrou pouca oposição aérea por parte da Força Aérea Soviética, retornando a Hungria no final daquele ano.

Re 2000 da Unidade Experimental  (Rússia, julho 1941)

 No final de 1941, os 70 Re.2000s foram destacados da 2ª Brigada Aérea para os 1/1 e 2/4  Esquadrões de Caça do Grupo Independente de Caças sob comando do Tenente-Coronel Csukis, localizados respectivamente em Szolnok e em Kolozsvar.

Re 2000 do 1/1 Sq. de Caças do Grupo Independente

de Caças baseado em  Szolnok (verão 1942)

O progressivo aumento dos combates aéreos fez com que os 02 esquadrões de Reggianes um número significativo de aeronaves soviéticas, mas os pilotos da Luftwaffe  frequentemente os confundiam com O-16 soviéticos e atacavam os caças húngaros, inclusive com perda de 02 aviões em decorrência destes ataques de “fogo amigo”. Entrementes, e as unidades húngaras foram sendo reequipadas com Messerschmitt Bf-109G, e no final de 1942 apenas um Re. 2000 permaneceu no front russo, sendo perdido na ofensiva soviética de janeiro de 1943.

           

A Vespa, símbolo do 1/1 Sq. e a Aranha,

símbolo do 2/4 Sq. da Real Força Aérea Húngara

A Hungria havia adquirido a,licença de construção do RE.2000 por dois milhões de liras para a construção das 30 primeiras unidades e mais 4% do preço contratado à partir da 31ª unidades, sendo que a MAVAG iniciou a produçãodos RE.2000 (denominados então como Héja II ou Héja M) em sua fábrica  localizada em Kobinyai, de maneira lenta devido a falta de equipamentos, sendo que o primeiro avião não foi finalizado antes de 1942.

Os constantes problemas gerados pelo motor Piaggio P.XI RC 40 instalados nos Reggiane importados da Itália fez com que os húngaros optassem por instalar o motor radial Gnôme-Rhône 14Kfs Mistral-Major de 14 cilindros, produzido sob licença como WMK-14B e hélices tri-pás Hamilton Standard. Além de suas dimensões mais reduzidas em relação ao Piaggio melhoravam a visão do piloto e o motor WMK-14B e davam menos problemas de manutenção, tornando-se o preferido dos pilotos e das equipes de solo. As metralhadoras Breda-SAFAT também foram substituídas por metralhadoras Gebauer de 12,7mm, apesar de já na época terem concluído que o armamento era inadequado.

Após a construção de um exemplar em 1942, a MAVAG produziu 86 em 1943 e 105 em 1944 quando então a produção foi suspensa, pois já em 1943 ele já era considerado obsoleto e apenas uma unidade de defesa aérea baseada  em Ferihegy estava operando com os Héja, sendo que no outono daquele ano, foi convertida para Bf 109G2.

Re 2000 Héja II baseado em Ferihegy (1943)

 

O excedente construído foi utilizado em Escolas de Treinamento e Unidades de Treinamento Avançado, combatendo contra os soviéticos, mantendo-se operacionais até a capitulação.

                           

NA REAL FORÇA AÉREA SUECA

 

A Suécia, após a retenção pelos EUA em 18 Out de 1940  dos 60  Seversky Ep-106  (P-35 modificados) adquiridos por aquele país, se viram na necessidade urgente de adquirir outra aeronave. Assim, seis semanas depois, em 28 de novembro de 1940, o governo sueco assinou um pedido de 60 Re-2000  ao custo de 18,7 milhões de coroas, a serem pagos em carregamentos de cromo-níquel. Designados como  "J-20" e padrões de numeração de série de KSF 2301 a 2360 entraram em serviço em maio de 1941 no Esquadrão F-10 baseado em Ängelholm, substituindo os Gloster Gladiator que equipavam aquele esquadrão. Os  RE.2000 eram muito populares entre os pilotos suecos , principalmente por sua superioridade em velocidade, subida e maneabilidade em relação ao Republic EP-106, e o consideravam um caça de respeito.

Mas entre o pessoal de manutenção não se podia dizer a mesma coisa. Se refriam ao motor Piaggio como “um pesadelo”.  As hélices Piaggio P.1001 também apresentavam problemas principalmente com o mecanismo de sincronização com as metralhadoras.

Os J-20 eram equipados com motores Piaggio P.XI RC 40D com 1,040 hp, atingindo em testes  a velocidade máxima de 310 mph (500 km/h) a 16,400 ft (5 000 m).Assim, o Re.2000 era o caça mais rápido da Flygvapnet (Real Força Aérea Sueca) e o único com capacidade de interceptar o grande número de aviões alemães e aliados que adentravam no espaço aéreo sueco e forçá-los a pousar nos aeródromos sueco.

Infelizmente os pilotos aliados costumavam confundi-lo com o Focke-Wulf Fw 190 e os pilotos da Luftwaffe com o Republic P-47 Thunderbolt, sendo que era rotineiro os intrusos abrirem fogo contra os interceptadores suecos confundindo-os com caças inimigos, e muitos aviões foram perdidos desta maneira, inclusive um que foi abatido em 03 de abril de 1945 por um Dornier Do 24 ao norte de Simrishamn.

Em agosto de 1945 o último Re.2000  foi retirado do serviço ativo da Flygvapnet F 1 e a carreira deste avião, que seis anos antes era considerado o caça mais avançado do país chegou ao fim.

 

Re 2000 (J 20) do Esquadrão F 10  (1943)

 

Re 2000 (J 20) do Esquadrão F 10 (1944)

 

 

 

 

Emblemas das alas do Esquadrão F-10  da Real Força Aérea Sueca

         

Cocar do Esquadrão F.10    Este J20 é o 2340 de série, Museu da Real Força Aérea Sueca em Malmslätt.


"INTERCETTORE", "BIS" E "GRANDE AUTONOMIA": OPERANDO COM A REGIA AERONAUTICA

Por volta de 1941 entretanto, o interesse de Regia Aeronautica no Re.2000 tinha sido renovado. Aliado ao sucesso de exportação do aparelho, o Vice-Rei Amedeo di Savoia solicitou ao governo italiano caças modernos para substituir os CR.32s que equipavam as unidades da Regia Aeronaurica nas colônias italianas na África, para fazer face aos modernos caças aliados que vinham operando no setor. Alguns poucos CR.42s transportados em aeronaves S.M 82 foram remetidos, mas  di Savoia e seu assistente, Commandante Tait, estava ansiosos para obter caças com suficiente autonomia para voar diretamente da Itália para a África setentrional.

Diversos modelos foram testados, incluindo o Caproni Vizzola F.5 e o Macchi C.200, mas o único avião moderno que conseguia ser adaptado para operações de longo curso era o Re.2000 em virtude de seus tanques integrais nas asas, que davam uma capacidade total de 1.280 litros, sendo que Longhi considerou a possibilidade de fazer mais algumas alterações que aumentavam a capacidade para 1.490 litros de combustível Neste meio tempo os comandantes de diversos esquadrões requisitaram permissão para testar o Re.2000 e a Regia Marina evidenciou seu interesse no aparelho para substituir os obsoletos biplanos R.44 nas catapultas de suas belonaves . Em decorrência destes fatos, o Ministério do Ar requisitou à Reggiane a cessão de 20 Re.2000 inicialmente destinados a Hungria e 08 destinados a Suécia para posterior entrega, para organizar uma unidade para testar operacionalmente o caça da Reggiane. Falar em uma "unidade" talvez seja excessivo, porque foram utlizadas apenas 05 aeronaves aos quais o protótipo foi adicionado também, dando forma a  "Sezione Sperimentale Reggiane" dentro de 74ª Squadriglia (23° Gruppo., 3° Stormo C.T.) baseado na Sicília. A Sezione foi extinta em 1º de agosto de 1941, passando a compor então a 377ª Squadriglia C.T, sob comando do Capitão Gino Cailistri, sediada em Milo (Trapani), à época pertencendo ao 23º Gruppo do 3º Stormo, recebendo outras nove aeronaves. Enquanto isto, o Depto. Experimental da Reggiane iniciou modificações nos “Falco”, incorporando tanques integrais nas asas,  um tanque de combustível extra na fuselagem  melhorando ainda mais a autonomia,  substituição das janelas de cabina do piloto traseira por um  hump (corcunda) inteiramente metálico de forma a melhorar a visão traseira e a adoção do motor Piaggio P.IX Bis, criando assim o Re.2000 G.A. (o sufixo indicando “Grande Autonomia”).  Os primeiros testes operacionais do Re.2000 G.ª foram conduzidos pelo Col Adriano Mantelli, e diversos pilotos foram voluntários para realizarem vôos até a África setentrional, mas as necessidades operacionais do Mediterrâneo retiveram as aeronaves naquele teatro de operações.

Re 2000 Serie I – 377ª Squadriglia (Sept 1941)

As novas aeronaves também foram remetidos à 377ª Squadriglia, agora transformado em Unidade Autônoma C.T sob comando do Maj. Giuseppe David, e três dos cinco Re.2000 Série I recebidos inicialmente retornaram às oficinas em Reggio-Emilia para também serem transformados em G.A. Iniciando suas atividades em setembro de 1941, inicialmente suas operações foram de escolta de comboios e patrulhas marítimas, operando à partir de Milo, Pantelleria and Comiso.  Em março de 1942, acrescida de uma Sezione (ala) de Cr.42, a unidade foi transferida para o campo de Boccadifalco, em Palermo, já sob comando do Capt Luciano  Marcolini, operando principalmente em ações de interceptação.

Re Serie 2000 I da 377ª Squadriglia (Palermo 1942)

 

 

Re 2000 GA pretos ou  vermelhos da 377ª Squadriglia (1942) as capotas indicam Sezion

 

 

REGGIANE RE 2000 Série II (G.A)I 377ª Sq. Autonoma, IIª sezione.Serie, Palermo-Boccadifalco, março 1942

 

 

A verdade é que a versão GA foi um reconhecimento tardio das potencialidades do RE 2000, infelizmente demasiado tarde para alterar o rumo dos combates, mas em 16 de setembro de 1942 o os exemplares sobreviventes foram substituídos por Machis Mc.200 e transferidos para o 1° Nucleo Addestramento Intercettori em Treviso e para a fábrica da Reggiane em Reggio-Emilia para conversão em Re.2000 “Cataputáveis”da Regia Marina.

Entre setembro de 1941 e setembro de 1942, a 377ª Squadriglia realizou 332 sortidas, totalizando aproximadamente 600 horas de vôo, deixando atrás deles um registro inexpressivo consistindo somente no abate de um Bristol Bleinheim, algumas ações noturnas de bombardeio a Malta e a localização de um comobio inimigo próximo a  la Galite (Tunísia), conduzindo a uma ação bem sucedida das forças aéreas italianas, em que pese as opiniões do Capitão Marcolini, então já Comandante do Comando Operacional da 11º Região Aérea Militar, que elogiava a excepcional manobrabilidade e características de pouso do RE.2000 e de seu antecessor, Major David, que lembrava  que além das características já citadas,  os pilotos apreciavam o largo raio de ação da aeronave.

Um dos aspectos mais controversos do 2000 RE foi ligado assim ao reconhecimento atrasado de suas possibilidades. Sendo recusado enquanto era a melhor opção, ele só veio a ser aceito e solicitado depois que se tinha tornado obsoleto. A sua  falta de sucesso jamais poderá serr atribuída ao projeto aeronave, mas sim ao pequeno  número de RE 2000 empregados e em  bases operacionais muito distantes dos centros de produção ocasionando a impossibilidade de resolver com rapidez os primeiros problemas da manutenção e conduzindo também à falta das peças de recolocação, conseqüentemente, somente alguns aviões estavam disponíveis para pronto emprego.   

 

(coleção de D'Amico-Valentini) Chinisia, tarde 1941.

Uma formação dos RE 2000 GA de 377a Squadriglia.

(coleção de D'Amico-Valentini) RE 2000 MM 8063 da 74ª sq. Este era um exemplar  construído para a Suécia, como provado pelo frame suplementar na seção da cabina do piloto. A foto foi feita pelo Serg. M. Albani em Sicília no verão 1941.

 

(Coleção De D'Amico-Valentini) Comiso, Junho 1941. Um RE 2000 GA de 74ª sq. ("vermelho 8").  Ao fundo é visível um Nardi FN 305 com a insignia do comandante do 23° Gruppo.

(coleção de D'Amico-Valentini) uma outra vista de um RE 2000 GA de 7ª sq. Um detalhe interessante são as "tampas" usadas proteger os pneus do calor do sol siciliano.

(coleção de D'Amico-Valentini) close-up de A de um Reggiane RE 2000 GA de sq. 377a equipado com o "spezzoniera Nardi". A foto mostra em detalhe esta arma interessante, nunca ilustrada antes de assim claramente. O piloto próximo ao nariz do avião é M.llo Carmello, quando o outro na esquerda  é o Serg. Magg. Nino Capatti.

O "CATAPULTABILE" E A REGIA MARINA

Como prova adicional de suas potencialidades, o Regia Marina (marinha real italiana), tendo a necessidade de substituir o biplano  Ro 43 por um caça moderno que pudesse ser lançado das catapultas de seus navios de guerra, e após ter examinado diversas opções, selecionou o Re.2000,  que foi desenvolvido em uma versão especial a ser lançada pela catapulta. Na realidade, com esta escolha a marinha tinha superado o conceito obsoleto de um hidroavião de dois lugares  lançado a catapulta e com as tarefas de reconhecimento e observação, incluindo a defesa aérea, seguindo o exemplo da marinha real britânica com os navios da CAME (que utilizam Hurricanes catapultáveis).

REGGIANE RE 2000 CATAPULTABILE - Prototipo MM 8281 - Regia Nave  “Miraglia”

Re.2000 “Cat” MM. 8281 durante os testes.


De acordo com o esquema operacional previsto, o Re.2000, uma vez terminando sua tarefa, deveria se dirigir para a base terrestre mais próxima para pousar, aproveitando-se de sua grande autonomia de vôo, para então, através de um reboque especial, ser transportado à base naval e ser reembarcado em seu navio.

Todavia, era necessário se projetar uma catapulta apropriada que poderia resolver o problema da aceleração necessária para lançar o avião, que deveria ser razoavelmente elevada, criando outro problema, representado pelas dificuldades físicas para o piloto. O problema foi resolvido finalmente, sendo que as modificações preliminares incluíram não só a nova catapulta, mas também modificação nos instrumentos de bordo e adoção da traseira “hump” da versão G.A no  cockpit  do piloto.

O primeiro protótipo (MM 471) foi finalizado em 21 de maio de 1941 e decolou com destino a Grottaglie, de onde seriai transportado para o porto de Taranto. Todavia a aeronave pilotada pelo Cap. Giovanni Fabbri caiu próximo a Gubbio por razões inexplicadas, ficando totalmente destruído e falecendo o piloto no desastre. Um segundo protótipo (MM 485) seguiu então para Taranto, mas durante se embarque no navio de testes ocorreram avarias que suspenderam os mesmo

Em vista destes problemas foi requisitada uma das aeronaves  J-20 destinadas à Suécia e em 14 de julhode 1941 o Ten . Giulio Reiner (que substituiu o Cap. Fabbri como piloto de testes) trouxe o protótipo (MM 8281) a Grottaglie.

Em 12 de julho iniciaram-se os testes da catapulta em Taranto, que duraram até março de 1942, quando então o protótipo foi levado de Grottaglie a Taranto e embarcado no mesmo dia em um navio de guerra da Régia Marina para testes, que deveriam se iniciar em 15 de março de 1942, mas primeiro o mau tempo e depois problemas na suspensão dos testes, sendo o avião transferido para o RN “Miraglia”, para em 09 de maio de 1942, finalmente o Tem. Reiner ser lançado com seu Re.2000, com excelentes resultados.

Com o sucesso dos testes, 10 RE 2000 "Catapultabile"  foram enviados para a  Squadriglia di Riserva Aerea delle FF.NN.BB (Esquadrilha de Reserva Aérea da Força Naval), comandada pelo Cap. Donato Tondi  baseda primeiro em Grottaglie, depois em Capodichino e finalmente emt La Spezia. A Squadriglia treinava seus pilotos nos procedimentos necessários para os lançamentos e se utilizava ainda de aeronaves  Macchi C.200, Fiat G.50 e Cr.4 para treinar a defesa das bases navais.

Emblema do pato da Aviazione Ausiliaria  da Regia Marina

 

Em abril de 1943 a  Squadriglia foi dissolvida e transformada no 1º Grupp di Riserva Aerea of the FF.NN.BB., liderada por Tondi, agora promovido a  Maggiore. O Gruppo era formado por 03  Squadriglie: 1a Sq. baseda emt Sarzana, 2a Sq. baseda em  Grottaglie,e a 3a Sq. baseda emt La Spezia. Pesquisas afirmam que os 02 últimos RE 2000 Cat. Pertencentes ao Gruppo foram, perdidos após o Armistício. Quanto aos RE.2000 que foram embarcados em navios da Regia Marina, no verão de 1943 02 estavam no RN ” Roma” , 02 no RN ” Vittorio Veneto” e 01 no RN “ Littorio”  (depoisr RN” Itália”).

(D'Amico-Valentini Collection) 9.5. 1942.

O  RE 2000 "Cat." MM 8281pronto para ser catapultado.

 

(D'Amico-Valentini Collection) - Lançamento com sucesso.

 

Re. 2000  da Squadriglia di Riserva Aérea da Regia Marina

(D'Amico-Valentini Collection) Única imagem que mostra o lançamento de um RE 2000 "Catapultabile". A raridade da foto se dá porque se trata do lançamento não do protótipo, mas de um exemplar operacional, o número “3” conforme marca na fuselagem.

De acordo com as cláusulas do Armistício de 1943, a Armada italiana se dirigiu à La Spezia, com um RE. 2000 a bordo do "Roma" (afundando junto com ele), um a bordo do "Italia" (danificado em decorrência do ataque alemão )e dois a bordo do "Vittorio Veneto". Um foi lançado durante o ataque alemão para procurar sobreviventes do "Roma".  Após a missão tentou pousar no campo de Ajaccio e foi destruído durante o pouso. O último dos Reggiane a bordo do "Vittorio Veneto" (ou, mais corretamente) sobreviveu após inúmeras aventuras e encontra-se aguardando sua restauração pelo Museu Caproni, sendo o último remanescente na Itália.

(D'Amico-Valentini Collection) Último R 2000 visto alguns anos após o término da guerra. Ra a aeronave MM 8287 que operaria a bordo do Itália e modificada para dois assentos. Voou até 1947, quando foi doada a Universidade de Palermo. Em 1960 passou a guarda do Museu Caproni, mas aguarda até hoje sua restauração.

CONCLUSÕES

O destino dos Re.2000 remanescentes à época do Armistício encontra-se perdido nas sombras deste período. Registros em inventários alemães falam na existência de seis que se encontrariam em campos de pouso italianos no Norte da Itália, tomados pelos alemães, mas é pouco provável que estivessem em condições operacionais. Muito provavelmente foram “canibalizados” ou usados como “camuflagem” nestes campos de pouso.

(C.C. Jordan collection) – Reggianne Re.2005 “Sagittário”

 

 

No curso da Guerra, Reggiane construiu variants do Re.2000 com objetivo de aumentar a performance destes caças. Utilizando o motor Daimler-Benz DB601A refrigerado à água  na célula do Re.2000 construiu um outro caça com aparência bem diferente designado RE 2001 Ariete, com performance modesta, além do RE.2002 Ariete II, este com motor radial Piaggio mais potente e que foi utilizado como caça de ataque ao solo e de mergulho.

 

Mas Roberto Longhi acreditava no potencial do projeto e o provou quando instalou o potente motor DB605A nascendo o menos conhecido dos caças da “Série 5”  -  o RE 2005 Sagittario.

 

Sua performance era surpreendente, atingindo  421 mph à 7,000 metros, mas estes aviões são tema de outra história....

 

Por fim devemos destacar a excelência do projeto do P-35, afinal, se aplicarmos a Teoria de Darwin à aeronáutica, observaremos que dele gerou-se duas diferentes linhas de evolução das “espécies” – O grande avião de motor radial Republic P-47 “Thunderbolt” (tão querido a nós brasileiros) e caça de refrigeração líquida com cilindros em linha RE 2005, ambos entre os melhores aviões da 2ª WW.