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Saab 35 Draken

      O Saab 35 Draken faz parte do trio de caças dos anos 50 que eu chamo de "Os Aviões Impossíveis", que se não fosse pelo fato de vê-los no ar, eu juraria que não voariam. Os outros dois são o English Eletric (BAC) Lightning e o Lockheed F-104 Starfighter (recentemente, outro avião se juntou a eles, vocês já viram o JSF da Boeing?).
 
 

English Eletric Lightning

Lockheed F-104 Starfighter

Boeing JSF

 

      O Draken foi um passo ousado, porém realizado com êxito pela Suécia. Foi seu primeiro supersônico, e de cara atingia Mach 2 (duas vezes a velocidade do som) . O aparelho anterior, o Saab 32 Lansen não era supersônico, e o Draken foi o 3º modelo de caça a jato produzido no país, em menos de 12 anos.
 
 

Saab 32 Lansen

 

      Teve origem no projeto "1200" em 1949, que objetivava a substituição do Saab 29 Tunnan (chamado de Barril Voador). Os primeiros testes foram realizados para verificação da asa delta dupla, que transformar-se-ia numa das características do Draken. Utilizou-se uma aeronave Saab 210 adaptada, que voou pela primeira vez no dia 21 de janeiro de 1952, com excelentes resultados, numa combinação de ótimas características tanto em alta velocidade como em baixa velocidade, durante decolagens e pousos.
 
 

Saab 29 Tunnan

 

    O primeiro Drakem voou em 25 de outubro de 1955 e entrou em operação em 1959. Naquela época, a grande ameaça eram os bombardeiros estratégicos, que deviam ser interceptados antes de terem chance de soltar seu devastador conteúdo, as bombas atômicas. Todos os interceptadores da época foram projetados para destruir os bombardeiros, por isso contavam com os primeiros modelos de mísseis, e uma velocidade suficiente para evitar que chegassem às fronteiras dos países atacados. Vários caças americanos da época eram desprovidos de canhão, sendo projetados quase que exclusivamente para enfrentar os bombardeiros. Foi nesse cenário que o Draken foi projetado para operar, um ataque de bombardeiros da União da Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
 
 

Um dos primeiros Draken

      Antigos rivais dos suecos, os soviéticos eram uma ameaça que devia ser detida a todo custo, se necessário. Mantendo-se fiel a sua política de neutralidade, os suecos viram-se em maus bocados durante a Segunda Guerra Mundial, quando dispunham de fracas defesas para enfrentar um ataque. Então, após o término do conflito, rapidamente desenvolveram uma indústria aeronáutica extremamente criativa e competente, tendo o Saab 29 Tunan e depois o Saab 32 Lansen como seus primeiros produtos, quando a corrida pela velocidade iniciada na última guerra mostrou que os caças dos anos sessenta operariam a Mach 2.
 
 

Um bela imagem de um Draken

 

      Mach 2 era um número perseguido por todas as forças aéreas daquele tempo, mesmo que isso sacrificasse outras características do aparelho, como a  capacidade de munição. Daquela geração, o Draken era o mais lento, alcançando "apenas" Mach 2, sendo que os rivais iam um pouco mais além. Se era o mais lento, era porém um dos mais avançados. Suas características mostram a grande criatividade e ousadia sueca, como a estranha asa de duplo delta, com as entradas de ar ovais colocadas bem próximas do nariz, no bordo de ataque da asa. Trata-se da única asa duplo delta a ser colocada num caça de série, proporcionando ao Draken, grande agilidade e desempenho, e uma característica desconhecida dos caças da época, a decolagem em pista curta. Esta é uma característica indispensável para o emprego do avião pelos suecos, fora das bases convencionais. Isso significava também uma manutenção mais fácil, e uma maior robustez por parte do aparelho. Uma equipe de sete homens (um sargento e seis conscritos) eram necessários para rearmar e reabastecer um Draken em menos de 10 minutos. Outro equipamento inovador no Draken era um sistema de partida de emergência, que ativava uma turbina à ar, localizada logo atrás da bequilha dianteira, permitindo assim o funcionamento do sistema hidráulico e consequentemente o acionamento do motor.
 
 

Um Draken sendo reabastecido. Observe bem a famosa asa delta dupla.

 

      Como os suecos logo assimilaram as lições da última guerra, que mostrava que as bases convencionais eram  um alvo que defesa anti-aérea nenhuma podia defender com total eficácia (os caças aliados destruíram boa parte da Luftwaffe no solo, principalmente após o Desembarque da Normandia), eles espalharam os seus caças em centenas de pequenas bases secretas ao longo de seu extenso território, e depois pelas rodovias do país. Isso foi também feito de certo modo pela URSS, pois uma olhada mais atenta no trem de pouso dos Mig e Sukhoi mostra que eles também possuem capacidade de operar de pistas improvisadas. A Suíça também seguiu o exemplo da Suécia, e várias das rodovias do país são preparadas como bases alternativas.  Como existem as forças armadas especiais, pequenas tropas altamente treinadas para se infiltrar no território inimigo, que podem explodir os aviões em terra (russos e ingleses possuem essas tropas), os caças também contam com proteção especial do exército sueco em terra.
 
 

Um elemento de Drakens

 

      Outra característica da filosofia da Real Força Aérea Sueca (Svenska Flygvapnet), era de que nenhum caça multifunção poderia ser tão eficiente quanto as variantes especiais do mesmo para cada tipo de missão. Assim, o Draken foi construído nos modelos de caça (Jackt) J-35, reconhecimento (Spaning ou Span) S-35 e treinamento (Ako) SK-35. Com isso, os pilotos eram treinados para serem especialistas em determinada missão, pois a Flygvapnet não acreditava que fosse possível o piloto multimissão. Hoje, porém, com o  avanço da eletrônica, não só os pilotos são multimissão como o seu novo caça o JAS-39 Gripen, é descrito como o primeiro caça  realmente multifuncional a entrar em serviço (embora desde a 2º Guerra os caças operam em missões de caça e ataque, mas isso é outra história).

     Sendo um país com uma população pequena, seria impossível desenvolver todo o avião e seus sistemas. Assim, os suecos sempre utilizaram motores e  armamento desenvolvidos por nações amigas. Como os aparelhos anteriores, utilizou-se o motor inglês Rolls-Royce Avon (a idéia inicial era a utilização de um motor STAL Glan, mas cujo projeto nunca terminou), o mesmo do Lightning, fabricando-o sob licença pela Volvo Flygmotor, sob a designação RM6. O canhão era o também inglês Aden de 30mm. Já os mísseis eram americanos, os Hughes Falcon, das versões AIM-4C de orientação IR (infravermelho, guiado pelo calor), e o AIM-26B de orientação SARH (radar, guiado pelo radar do avião lançador). Na Flygvapnet tinham as designações de RB28 e RB27, respectivamente.
 
 

Um Draken taxiando.

 

      Além de ser um aparelho sem grandes defeitos, como seus rivais diretos, que o superavam em áreas específicas como a velocidade (F-4 Phanton, Mach 2.2), razão de subida (BAC Lightning, 15.000 m/min.) e manobrabilidade (Mig-21), ele possuía boas características nestas áreas, o Draken deveria possuir um trunfo que lhe permitisse enfrentar a esmagadora superioridade numérica dos soviéticos, algo que só agora está sendo incluído nos caças de última geração: o datalink. Quem já jogou os simuladores Sef-2000 e F-22 Raptor conhece bem a sua  importância. Quando se perde o datalink, o jogador se vê em uma situação extremamente delicada, em uma hora, tinha-se a localização de todos alvos, e de repente tudo desaparece. Fica-se completamente "cego". A existência de um radar no seu caça não significa que você possa detectar seu inimigo, e naquela época os radares eram muito pouco eficientes. Inimigos cruzando sua frente na transversal dificilmente serão detectados, mesmo estando no alcance do radar. E quando é você que está sendo detectado, o que fazer? Será que não existem outros caças te cercando ? Como saber? Use o rádio ora. Mas, e quando o rádio é "jameado", ou seja, sofre interferência dos aparelhos de guerra eletrônica do inimigo, ou quando a mensagem é interceptada? Nos simladores, isso ainda não ocorre, mas na guerra real sim, e é ai que entra o datalink.

      Desenvolvido no começo da década de 60, para enfrentar a ameaça soviética, o sistema sueco tinha um correspondente americano, usado nos F-106, que acabou sendo abandonado. O sueco, ao contrário, vem sendo desenvolvido desde então. Embora servisse apenas para guiá-lo em direção ao alvo, era uma grande vantagem, pois permitia se aproximar do alvo sem depender dos ineficientes radares da época. Ele funcionava da seguinte maneira: mensagens dos controladores de radar em terra eram mandadas para os caças (experimentalmente nos J-35B e D, e de forma permanente o J-35F), sob a forma de curtos impulsos que não continham voz, desta forma sendo difícil de o inimigo saber o que significavam, e se realmente eram algo importante, isso se conseguissem interceptar a mensagem. No caça, essas mensagens apareciam nos instrumentos, indicando dados sobre o alvo e ordens de como proceder na interceptação do mesmo. Eram mostradas de forma bem discreta, não identificável por quem não soubesse da sua existência. Mesmo que o sinal fosse interceptado e descoberto o seu conteúdo, as ordens eram em código, sendo uma combinação de 3 palavras que apenas os pilotos e controladores sabiam o que significava. Esse sistema foi drasticamente aperfeiçoado, resultando nos mostradores de situação tática que vocês conhecem dos simuladores, e implantado desta forma nos aparelhos posteriores (o Viggen e o Gripen).

      Como informação complementar, os números aplicados aos caças suecos nas laterais do nariz, são da ala (Flottilj), a que pertence a aparelho, e o da deriva, é o número do avião que o identifica dentro de um dos dois esquadrões que formam uma ala.
 
 

Um Draken ostentando uma pintura comemorativa

 

     Um total de 803 aeronaves foram construídas (entre protótipos e produtos de série), das quais 51 foram exportadas para a Dinamarca, 24 para Áustria e 49 para Finlândia.

      Ele era uma aeronave muito robusta, e existem estórias de pilotos que puxaram 12G e que a aeronave continuou a voar normalmente após passar por uma rápida verificação estrutural. Em combate seu único senão era o denominado superstall, que acontecia quando o piloto puxava o nariz muito forte, e ele adquiria uma "cauda muito pesada", perdendo altura muito rapidamente.

 Suas principais características são:

Asa: Envergadura 9,40 m; Área 49,20 m2
Fuselagem e Cauda: Comprimento 15,35 m; Altura 3,89 m
Distância entre Trem de Pouso Principal: 2,70 m
Motor: Volvo Flygmotor RM6C desenvolvendo 12.790 lbs (17.650 lb com pós-combustão)
Pêso: Vazio 8.250 kg; Operacional 11.400 kg; Máximo de Decolagem 15.000
Capacidade de Combustível: Tanques Internos 4.000 l; Externos 5.000 l (2 x 1.275 l)
Capacidade de Armamento: 2.900 kg
Velocidade: Máxima a 36.000 pés - 2.126 km/h
                   à 300 pés - 1.469 km/h
Raio de Ação: Cruzeiro - 2.840 km
                      Combate - 564 km
                      Misão hi-lo-hi - 720 km c/tanques subalares
Desempenho: 10.500 m / mim c/ pós-combustão
                      19.995 m - teto operacional
                       650 m para decolar c/ pós combustão e obstáculo de 15 m

     Esse excelente avião operou na Flygvapnet até meados da década de 90,  quando foi retirado de operação.

Clésio Luiz
magolobel@yahoo.com.br